Quem sou eu? O que faço

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João Pessoa, Paraíba, Brazil
Quem sou? O que faço. Sou Maria de Lourdes, tenho, agora, 62 anos, esposa, mãe e avó, formação jurídica, com pós graduação em Direitos Humanos e Direito Processual Civil, além de um curso não concluído de Filosofia. Conheci os clássicos muito cedo, pois não tinha permissão para brincar na rua. Nosso universo – meu e de meus irmãos – era invadido, diariamente, por mestres da literatura universal, por nossos grandes autores, por contistas da literatura infanto-juvenil, revistas de informação como Seleções e/ou os populares gibis. Todos válidos para alimentar nossa sede de conhecimento. Gosto de conversar, ler, trabalhar, ouvir música, dançar. Adoro rir, ter amigos e amar. No trabalho me realizo à medida que consigo estabelecer a verdade, desconstruir a mentira, fazer valer direitos quando a injustiça parece ser a regra. Tenho a pretensão de informar, conversar, brincar com as palavras e os fatos que possam ser descritos ou comentados sob uma visão diferente. Venham comigo, embarquem nessa viagem que promete ser, a um só tempo, séria e divertida; suave e densa; clássica e atual. Somente me acompanhando você poderá exercer seu direito à críticas. Conto com sua atenção.
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domingo, 5 de maio de 2013

“ A ESPERA DE UM MILAGRE”

POR QUE?




Estou, literalmente, a espera de um milagre. Não aquele que torne tudo ao meu redor exatamente como eu quero ou gosto. Também, com a Graça de Deus, não é nada que diga respeito à saúde. Estamos bem, dentro de nossas respectivas idades. O contexto é outro. A necessidade bem diferente. Mas, isso não a torna menos considerável, ao contrário, urge. O tempo passa e as coisas só tendem a crescer.



Somos um se considerarmos o mandamento cristão de que que somos todos irmãos, descendemos DE UM SÓ CRIADOR e o que  fizermos, de bem ou de mal,  a qualquer de nossos irmãos, fazemos a nós mesmos enquanto minúscula parcela da humanidade, do Universo. Os nossos atos ecoam não só em nossas vidas, mas e também no existir.


Entretanto, é necessário lembrar que foi dado ao ser humano o livre arbítrio. Aquele distintivo que nós faz livres no pensar e no agir segundo as nossas convicções, a nossa ética. A escolha é da cada um, o respeito, a consideração, a capacidade de tolerância com e para o semelhante, próximo ou não, parente, “aderente” ou mero conhecido, qualquer opção deve ocorrer de forma pessoal e com assunção de total responsabilidade. 


Já coloquei nesse blog, em texto anterior, sob o título “A INDIVIDUALIDADE DOS SONHOS”, o seguinte: “E os casais? O seu sonho pode ser o dele. O sonho dele pode ser o seu. MAS, O SEU SONHO NÃO TEM QUE SER O SONHO DO SEU AMADO E VICE VERSA. O casal pode sonhar junto. Mais que uma coincidência tal acontecimento é a certeza de que um completa o desejo do outro e um representa para o outro a convivência/parceria que não deseja perder.”



Igualmente, na mesma postagem, fiz a seguinte observação: “Acreditem, são muitos os aspectos que ameaçam os sonhos. O excesso de ambição de um, a apatia, a ausência de projetos do outro ou mesmo a existência de um plano incompatível com os desejos do outro; as pressões familiares e sociais que cercam as pessoas; a ausência de diálogos e a temível oração do eu sozinho: eu quero, eu decido, eu faço, sugerindo: você não conta, não tem vontade, só acompanha.”



Pois é. Vemos todos os dias pessoas queridas, que não só convivem, mas vivem bem, com respeito mútuo e apreço. Todavia, mesmo com esses cuidados, preciosos numa relação, numa amizade, há situações de imposição. Pode ser que aquela pessoa que exige não se dê conta do quão é importante para a outra manter viva aquela idéia,  conservar o simbolismo e as lembranças de luta, de crescimento, de alegria, de companheirismo, de momentos cruciais na vida do outro. 


Ainda que se fale muito em amor, emoção, compreensão, na vida prática não há muito a se esperar de adultos além da racionalidade agregada à educação na condução de suas vontades. Os nossos desejos, por serem diferentes dos de outras pessoas não são, obrigatoriamente, contrários. Não têm que colidir com anseios diferentes. Entretanto o desencontro de aspirações tem produzido muitas arestas entre casais.


É uma impropriedade afirmar que o Direito de um começa onde o do outro termina. Os direitos convivem e se completam. Os indivíduos, porém, muitas vezes os desvirtuam e os conduzem sob uma ótica pessoal e inegociável. O litígio, quase sempre, nasce da ausência do direito de uma das partes, de seu equívoco, o que obriga a quem detém a legitimidade agir no sentido de se resguardar.



O pacto, o entendimento, cresce à medida que os indivíduos raciocinam olhando verdadeiramente o outro, fazendo memória de suas decisões em situações semelhantes. Lembrar que o outro também fez e faz concessões. Não se deprecia aquele que percebe uma atitude controversa e sabe recuar. Ao contrário, pode significar crescimento, amadurecimento, mostrar as necessidade e adequações que a vida passa a exigir, em resumo: “Mutatis Mutandis.” Mudar o que deve ser mudado.




Por mais próximos que sejam as pessoas não há como saber o grau de sacrifício, os embates, o que as conquistas diárias significaram e significam para o outro? Pode até ser que em relação a si e ao companheiro algumas pessoas decidam de forma totalmente diversa da que “decidiram”, em questão semelhante, quando, noutra oportunidade,  necessitavam preservar alguém. Ainda que o façam automaticamente, num nível de inconsciência que, inclusive, determina a negação  da atitude.



É, sempre afirmo que nós não vimos ao mundo para fazer graça. Se observarmos com atenção e dispusermos de tempo e coragem para investigar, veremos que mesmo os palhaços, em grande maioria têm uma história triste e quando não, sua pintura que mostra um riso escancarado revela, nos traços dos lábios, quase sempre, um contorno que denota tristeza.


No meu dia a dia, quando tudo parece dar errado, quando  o mundo parece conspirar contra nós, o exemplo que sempre cito é o das hienas: são horrorosas, manquejam, se alimentam de restos, só fazem sexo uma vez por ano e mesmo assim vivem  “gargalhando”. Não se sabe de quem riem. Se delas mesmas ou se daqueles que, com ou sem vida, se tornam seu alimento. 


O que nos redime, em primeiro momento, é a nossa FÉ. A certeza da PROVIDÊNCIA DIVINA. Esperar um milagre é quase que diário em nossas vidas. Todos aguardam o seu milagre particular. É sempre produtivo. Alimenta a nossa Crença, mantêm a esperança e não nós deixa cair na terrível armadilha da depressão. A humanidade acostumou-se a tal acontecimento. Sou mais uma e espero o meu milagre.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

DEZEMBRO.

            Este deveria ser um mês no qual tudo e todos se curvassem à ideia do renascimento Cristão. O mundo se vestiria de amor, se perfumaria com beijos e as pessoas, ao invés dos costumeiros meios de transportes, seriam levadas de um lugar para outro nas asas da imaginação, essas, movidas por brisa suave ou mesmo por movimentos mais fortes do ar, conforme a necessidade assim o exigisse.



            As pessoas se cumprimentariam, amavelmente; os patrões e empregados dispensariam, entre si, um tratamento cortês, sincero e prazeroso; nas repartições públicas, expressões negativas, incitação à baixa-estima, a desvirtuação de valores, seriam banidas e, cada um, de per si, seria estimado conforme os seus atos,  sua maneira de ser, aliando-se  a essas, virtudes como afabilidade, humanidade, dignidade e, em especial, habilidade no trato com os outros, como elementos intrínsecos à competência.


     Seria maravilhoso que tocados pela grandiosidade do aniversário de Jesus Cristo - celebrado pomposamente, quando deveria sê-lo amorosamente - cada indivíduo pudesse ser  influenciado, de modo a conscientizar-se de que os seus atos repercutem na humanidade, sejam bons ou maus e, que cada ação demanda uma reação.  

            Mas, que lástima!  Desejar que respeito,  amor,  humildade, razão e bons sentimentos estejam presentes, pautando comportamentos, parece integrar o reino da quimera. Que lamentável erro! Quão distantes da realidade estão tais anseios?  Onde se cogitou tais despropósitos? Partilhar com todos a “dádiva máxima” de um cumprimento, um bom dia, boa tarde, por favor, obrigada? Não! Isso inverteria a hierarquia. 

           E o que se dizer de empregados e patrões, chefes e chefiados, em conversações destituídas do “EU posso, EU mando, você é subordinado a MIM e, portanto, vai fazer o que EU disser? Seria muito bom. Não apenas politicamente correto, mas, totalmente adequado para que houvesse a boa prática de cordialidade e educada convivência.


       Infelizmente estamos nos distanciando cada vez mais de práticas públicas saudáveis. Digo públicas porque excedem os lares, extrapolam o privado, ganham às ruas, empresas, indústrias, lojas, as administrações nas diferentes esferas de governo e, até mesmo, aqueles nichos que sempre buscaram abrigar a excelência no serviço público. 



        A nação assiste, envergonhada, sucessivos escândalos e tentativas de blindagem. Ora são ocupantes de altos cargos Políticos no Executivo e/ou  cargos Legislativos, como os envolvidos no caso do mensalão. Ora cai sobre todos nós, como  uma bomba,  outros desmandos.



       O mais recente envolvendo a Chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo e, indivíduos à frente de Agências Reguladoras, criadas para fiscalizar a prestação de serviços  por seus regulados. Todas, estratégicas  ao funcionamento da máquina administrativa  no cenário da União. O imenso poder de Rose, as viagens reveladas, os diálogos mantidos e divulgados não deixam dúvidas sobre as falcatruas. Inclusive, ainda se insiste em demonstrar, no mínimo a título de “anunciada inocência” que: “O tempo passou e, na janela, só o Lula não viu.”
         Enquanto isso, no Rio de Janeiro, as autoridades constituídas ameaçaram a não realização da Copa, se debateram, exigiram,  xingaram e conseguiram: o petróleo não é mais nosso, é das grande construtoras, dos cartolas e dos políticos cada vez mais articulados. O veto presidencial baseado em "Direito Adquirido", esqueceu, entre outros,  a cobrança de INSS para aposentados – e aí, nesse caso,  onde foi parar o direito adquirido? 

            Aos gestores parecem não importar o caos instalado a partir de:

hospitais sucateados nos quais falta o básico, o essencial; as filas quilométricas em busca de atendimento na área de saúde, com espera de até de 10 (dez) anos, conforme reportagem realizada pela Rede Globo de Televisão, essa semana.



     A insegurança em todos os setores, com o banditismo circulando livremente entre ricos e pobres; nas repartições públicas instaladas na periferia e grandes centros, igualmente,  nos altos escalões administrativo, inclusive, eles, os bandidos, não têm preconceito na hora de assenhorear-se do alheio, independentemente da condição social, estado civil, cor ou credo, todos são vítimas em potencial.



       O déficit na educação pública, que não prepara o alunado, aprova os que não poderiam ser aprovados, em face de uma política de não reprovação e que recebe premiação em forma de engodo pela criação de  sistema de cotas, quando a tônica teria de ser o investimento maciço  na escola. Já dizia Pitágoras: “Eduquem-se os meninos e não será preciso punir os homens.”
       
         Rogo, incessantemente, que o nosso  despertar, qualquer dia desses, não encontre manchetes escandalosas denunciando a “subversão da hierarquia”, com o baixo clero impondo suas aspirações; ou   mesmo um  estranho quadro onde comissionados, cuja qualificação é a truculência, assumam, de direito, o comando de servidores e ações necessárias ao funcionamento dos órgãos.



       Torna-se assustador pensar algo pior, como "a galinha pintadinha", adorada pelas crianças,  por conhecimentos impensáveis de alcova, passar a dar ordens, nomear e exonerar altos escalões. 



  Mais terrível ainda, imaginar uma hipotética dupla do "Patati e Patatá", envolvidos em propinas, obtenção de vantagens, defendendo interesses escusos, ganhando dinheiro sujo (desculpem o pleonasmo) e fazendo tráfico de influência.



    Peço, ainda, o direito de não ter que enfrentar, para meu particular sofrimento, a notícia de uma CPI  contra "anjinhos barrocos",  sim - porque aquelas caras interrogativas e risos sarcásticos -....hum..., é melhor não deixar passar pois se poderá incorrer em  impunidade.  Afinal, a inquisição queimou mulheres que sorriam demais.



   A Operação Porto Seguro, traduzida na costumeira sátira nacional como "Rosegate", mostra a sedução e o poder.  Além de ratificar a insegurança do Estado Brasileiro em confronto direto com a corrupção traduzida em nomeações para postos estratégicos, venda de pareceres  fraudulentos a vigaristas travestidos de empresários - por quadrilha especializada -  e a  compra de diploma universitário falso, tudo sugere um polvo que lança seus  tentáculos sobre o poder.




   Como se não fossem suficientes tais revelações, somos surpreendidos  com a  inimaginável situação do romance entre o homem que não sabia de nada e a mulher que sabia de tudo. Só DEUS, onipotente e onipresente,  dará o discernimento para que se consiga permanecer sadio ante às pressões exercidas pelo mal,  institucionalizado ou não,  sob aqueles que  repudiam “a pseudo normalidade de tais ingerências”.


   Por outro lado refletindo sobre partidos políticos e uma possível analogia a aventura real e atual de uma mulher que usa e abusa do poder, corrompe e se deixa corromper, RESTA ESCOLHER, como último refúgio às almas incansáveis na busca do ético, a doce alienação patrocinada  pelo  PAÍS DE ALICE ou pela PASÁRGADA.


   No país de Alice há criaturas extraordinárias e situações, a um só tempo absurdas, incoerentes, que levam a aventura e a identificar, na mesma obra, ocasiões criadas visando adultos e outras, declaradamente escritas para crianças.




   Na Pasárgada, paraíso imaginado por Manuel Bandeira há o registro dos dois mundos: o dos sonhos, onde só existe a felicidade e o real com suas dificuldades e negações. É a realidade, permutada pelas infinitas possibilidades do imaginário.




    Assim é o ser humano. Se há sofrimento e dor, a fantasia é válvula de escape que não implica em pagamento, na aquiescência do outro e, que mesmo sem plástica estética,  sem o embelezamento de uma polpuda conta bancária,  ou a virilidade conferida pela potência dos motores (leia-se: Lamborghini, Porshe, BMW, Mercedes-Benz, Ferrari), todos tornam-se super homens, senhores e autores de seu destino.

   Enquanto o espírito “dezembrino” não se instala, resta-nos compartilhar o equilíbrio patrocinado ora  pela alternância de Manoel Bandeira, ora pelo esculacho do inigualável Bezerra da Silva. Reflitam e Divirtam-se.

        
Vou-me Embora pra Pasárgada
Manuel Bandeira




Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei


Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconseqüente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que nunca tive


E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d'água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada


Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcalóide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar


E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou amigo do rei —

Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei


SE GRITAR PEGA LADRÃO -
Bezerra da Silva.   


                                                                                             
Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão
Se gritar pega ladrão, não fica um
Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão
Se gritar pega ladrão, não fica um

Você me chamou para esse pagode,
e me avisou: "Aqui não tem pobre!"
Até me pediu pra pisar de mansinho, porque sou da cor,
eu sou escurinho...
Aqui realmente está toda a nata: doutores, senhores,
até magnata
Com a bebedeira e a discussão, tirei a minha
conclusão:

Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão
Se gritar pega ladrão, não fica um
Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão
Se gritar pega ladrão, não fica um

Lugar meu amigo é a minha Baixada,
que ando tranqüilo e ninguém me diz nada
E lá camburão não vai com a justiça, pois não há
ladrão e é boa a polícia
Lá até parece a Suécia, bacana, se leva o bagulho e se
deixa a grana,
Não é como esse ambiente pesado, que você me trouxe
para ser roubado....

Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão
Se gritar pega ladrão, não fica um
Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão
Se gritar pega ladrão, não fica um

Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão
Se gritar pega ladrão, não fica um
Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão
Se gritar pega ladrão, não fica um

Você me chamou para esse pagode,
e me avisou: "Aqui não tem pobre!"
Até me pediu pra pisar de mansinho, porque sou da cor,
eu sou escurinho...
Aqui realmente está toda a nata: doutores, senhores,
até magnata
Com a bebedeira e a discussão, tirei a minha
conclusão:

Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão
Se gritar pega ladrão, não fica um
Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão
Se gritar pega ladrão, não fica um

Lugar meu amigo é a minha Baixada,
que ando tranqüilo e ninguém me diz nada
E lá camburão não vai com a justiça, pois não há
ladrão e é boa a polícia
Lá até parece a Suécia, bacana, se leva o bagulho e se
deixa a grana,
Não é como esse ambiente pesado, que você me trouxe
para ser roubado....

Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão
Se gritar pega ladrão, não fica um
Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão
Se gritar pega ladrão, não fica um




quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O QUE FAZER NA VIDA?

 COISAS BOAS!

Celebrar a vida com alegria e esperança,  absorver e por em prática boas idéias. Alegrar-se com  a poesia  viva de nosso saudoso Gonzaguinha que nos deu um fantástico testemunho, cantando:  " Viver! E não ter a vergonha de ser feliz. Cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz...". Ter a certeza de que o aprendizado arrasta-se por toda a nossa existência e, com um pouco de sorte, talvez, identificar o que realmente legitima a nossa passagem por onde quer que possamos ir. 

Assim, buscar e determinar algumas coisas que tornem a nossa caminhada mais rica, mais proveitosa é algo a por em prática. É lógico que não existe um padrão estático de mais valia. Não quando se fala em existência humana, com suas experiência e emoções; inclusive, e Graças a Deus, o ser humano não nasce com manual de instruções. 

Seríamos tremendamente chatos e monótonos se fôssemos iguais em nossa maneira de ser, pensar, agir e  reagir.  Cada ser humano possui uma maneira particular de atribuir ou não importância aos acontecimentos, aos fatos, aos lugares, as pessoas e, também, de manifestar-se.  

Desse modo acredito que alguns aspectos são relevantes e legítimos para compor a nossa bagagem terrena, embora percebidos, pensados e vivenciados de forma única, por cada indivíduo. Com certeza há muito o que ser resgatado e feito por cada um de nós. A exemplo:
  
RELEMBRAR -  Por mais simples que sejam as nossas lembranças, como extasiar-se revendo um lugar que não é mais o mesmo; ou uma praça onde brincamos enquanto crianças, aonde tivemos os nossos primeiros flertes e que, mesmo não mais guardando qualquer semelhança com a daquela época, nos leva de volta ao passado; é algo altamente significativo, parece traduzir as emoções anteriormente vividas. 

Olhar o jardim lembrando de imediato de um gesto, uma oferta, uma flor, uma declaração; observar e ver que um banco na praça faz ressurgir as moças namorando, os homens discutindo política; as  senhoras que, após a missa, rapidamente, repassavam as novidades e, os rapazes ,que trocavam suas impressões sobre as mais bonitas, as mais tímidas, as atiradas, enfim, sobre as moças.


A recordação solene da igreja, que nos parecia enorme, sempre cheia, onde as missas, as novenas, os casamentos, incitavam a nossa imaginação e nos causava, a um só tempo, sensações as mais controvertidas. Lembrar os Domingos onde acordávamos ansiosas e apressadas pois era dia de Missa. Dia de devoção e...novidades.

A escola com suas lembranças cheias de sonhos e decisões tomadas num dia e esquecidas no outro; a magia dos verdes anos, das conversas sobre os amigos, sobre moda, família; as saudáveis ambições que nos levavam a escolher, muito precocemente, o que gostaríamos de ser. A lembrança da vivência, saudável em cada etapa da vida, traduzindo-se em adultos em paz consigo mesmo e com os demais.

As imagens evocadas de reuniões familiares. Festas cujo prazer poderia ser dimensionado pelo rebuliço, pelos preparativos, pela emoção que invadia a todos. As crianças em polvorosa prevendo os docinhos, salgadinhos,  os refrigerantes e os presentes; os jovens preocupados com as roupas, com a presença ou ausência de alguém; os adultos, empenhados em realizar algo que fosse a um só tempo divertido e agradável a todos. Tudo significava alegria.

RIR  - O riso que ecoa enfeitando espaços, sinalizando felicidade.  Aquele que cresce dentro do peito, explode garganta a fora, sacode o corpo e nos causa uma tremenda sensação de bem estar.  O riso, o gargalhar, que embeleza o rosto, suaviza as linhas da face e que, fazendo parte da linguagem universal, privilégio da espécie humana...,  nos remete ao prazer, a alegria, a brincadeira, a troca calorosa de expressões de amizade. 

O riso, que é contido muitas vezes em razão de convenções sociais e que, uma vez liberado adquire uma força libertadora, catalisadora, capaz de tornar o nosso dia mais promissor. O riso contagiante, que embala as brincadeiras entre as crianças, aquece os lares, une os amantes, quebra a frieza e  o protocolo de ambientes , aparentemente,  devotados ao trabalho, a mesmice.  Saibam, ainda permanece a certeza de que "rir  é o melhor remédio". 

SONHAR.  Delicioso poder sonhar. Perder-se em quimeras, viajar sem sair de quatro paredes, se deixar levar pelo devaneio e ver, numa fração de segundos, o passado tornar-se presente, o presente se assenhorear de nossas vidas e, o futuro fazer-se tão próximo que quase conseguimos tocá-lo com as nossas mãos.

Imaginar-se no seu lugar preferido, sem nada para fazer, se deixar levar pela fantasia e, ter novamente consigo, pessoas queridas que já partiram deixando tantas recordações maravilhosas; a imagem de amigos queridos que estão longe, a lembrança de emoções vividas, a projeção de algo que você deseja, planeja, executa mil vezes em seu ideário. Sonhar é voar nas asas da fantasia sem limites de tempo, sem barreiras geográficas, sem censuras. É sentir-se livre.

FAZER AMIGOS. Tê-los, com certeza é um dos maiores tesouros que o ser humano pode possuir. Não falo daquele ou daquela que nos procuram quando estamos bem, quando nossas vidas caminham as mil maravilhas, nossa saúde está excelente, nossas finanças sem qualquer embaraço. 

Os amigos, que nos honram com sua  amizade, aproximam-se quando aquilo em que colocamos os nossos esforços não dá o resultado esperado; quando a saúde parece fraquejar e de repente alguém, em quem confiamos, nos diz ternamente: calma, vai passar. Esses surgem ao nosso lado, em silêncio, naquela hora triste  em que nos despedimos de alguém muito amado, esses simbolizam a verdadeira amizade, são jóias raras.

Esses amigos de que falo são aqueles mesmos que após anos e anos, nos reencontros, emocionam-se, demonstram seu carinho, sua preocupação em saber como estamos e como estão os nossos entes queridos; percebem, carinhosamente, que o tempo passou e só nos melhorou..., mesmo diante de tal incoerência, nos transmitem tanta  confiança, que só nos resta acreditar. 

Enternecer-se com a afeição, deliciar-se ante as recordações, as lembranças surpreendentes e nas quais cada um complementa a do outro, cada amigo citado traz de volta muitos outros, isso não tem preço e torna a nossa existência bem melhor, com qualidade.

APAIXONAR-SE. Sem a supressão dos sentidos que nos despersonaliza e nos torna escravos de uma fantasia. Mas e sim com emoção arrebatadora que fascina e nos leva a visualizar o objeto de nosso desejo de forma mítica, inigualável. A sensação gostosa, que desalinha pensamentos, acelera a pulsação, que nos faz desejar construir uma história, a nossa história, ao lado do outro e que, quando termina, deixa aquela doce lembrança, recorrente, até que chegue um novo amor.

E a nova paixão, como será? O que acrescentará ao nosso coração carente, sonhador? Pouco importa. Apaixonar-se, ter a sensação de que ama de forma absoluta, incondicional, se deixar levar por um novo sentimento, tão nosso conhecido; sentir de novo e imaginar “nova” a paixão;  fazê-la única à semelhança do sol que a cada dia “nasce novo em cada amanhecer”; tornar inesquecível um abraço que, o tempo inexoravelmente corroerá, pensando em ser único aquele amor porque atual e, mais tarde, lembrar que, em matéria de paixão, algumas coisas jamais mudam. 

Apaixonar-se é essencial, dedicar-se com intensidade  a aquilo a que nos propomos realizar; defender ardorosamente aquilo em que acreditamos; sermos apaixonados e vivermos apaixonadamente,  bem que vale a pena, até porquê já sabemos, graças a Roberto Freire que: “Sem tesão, não há solução”, isso para os que “sentem desejo pela alegria, beleza pelo desejo e alegria pela beleza”.

AMAR – Ah o amor. Aquele que é realmente incondicional e que nutrimos por tudo que nos é caro. Nossos filhos, nossos pais, nossos irmãos, parentes e amigos, nos enche de bons sentimentos, bons propósitos e atitudes. O amor  por nossos "companheiros"que nos leva a comportamentos  inusitados, a renúncias sequer cogitadas, a sacrifícios nunca pensados e que nos flagra falando ininterruptamente sobre a mesma criatura. O amor harmoniza as pessoas torna-as melhores, mais felizes. 


Esse sentimento gratificante que desconhece padrões sociais, sexo, cor, idade, tem por tônica a capacidade do ser humano de se doar, de se deixar invadir pela presença do outro, tecendo elos invisíveis que os une.

O amor que nos faz sentir necessidade de dar carinho, de agradecer a Deus pelas dádivas diárias, remove montanhas e coloca o riso em nosso rosto ainda que haja motivos para não fazê-lo. O amor que nos trouxe ao mundo, que nos leva, permanentemente, a tentar melhorá-lo. O amor que nos faz ver a beleza das flores, do mar, da música, do canto dos pássaros, do amanhecer, do crepúsculo, do orvalho, da chuva, da poesia. O amor que deu a nós, mulheres, a condição de ser mães e que nos deu Maria por nossa mãe e , ainda, a cada uma de nós, uma mãe para nos ensinar, fundamentalmente,  a amar.

CRER – A crença, para a qual direcionamos a nossa atenção, os nossos mais transformadores esforços e que pode ser exercida em relação a nós mesmos ou enfocando o Divino. A fé que cada um tem em si mesmo é a confiança, materializada em  atitudes, é a crença em nosso potencial, na nossa capacidade de conquistar aquilo que desejamos,  de realizar sonhos e desejos, essa é a fé que nos faz acreditar que  seremos vitoriosos, quer  individual ou  socialmente, como profissional ou como cidadão, como homens e mulheres motivados ao progresso,  ao sucesso.  

A Fé divina, é aquela que nos  revigora, eleva, enche de paz,  nos irmana  como membros de uma só família. É o exercício continuado que impulsiona a sermos melhores, a olhar o outro com mais cuidado, a tentar ver, em cada um,  o nosso próximo mas, tão próximo,  que só nos inspire amor. 

A fé que nos leva a dependência do amor de Deus é a fé divina. É a certeza de que nunca estamos sós e que, nos momentos mais difíceis de nossa vidas, estaremos sob a proteção de um Ser Superior a nos inspirar na superação de todas as dificuldades. É o aflorar da espiritualidade que independentemente do credo, traz consigo conscientização, humanização, harmonia, amor.

RESPEITAR - Ter respeito à vida, às pessoas, às diferenças, às crenças, às opções . É possível que o respeito seja um dos maiores valores da humanidade e que ratifique a muitos outros. O mundo atual com sua costumeira pressa, por vezes põe em prática atos de desrespeito que, inevitavelmente, resultam em desequilíbrio social. Todavia, ter respeito é portar-se com ética, é contribuir para que haja compreensão entre posições divergentes de modo que não ocorra  imposições geradoras de insatisfações.


Lembrar, sempre, que nenhum de nós é o dono ou dona da verdade é um excelente começo para exercitar o respeito ao próximo. Conviver com o diferente sem alardes, críticas, repudio; fixar em nossas mentes que, embora não possa falar sobre nossa maneira de ser, as crianças em tenra idade, os animais, os muito idosos,  são dignos e merecedores de nosso respeito e que, a discriminação, os maus tratos, as punições, são aspectos que denigrem, envergonham e brutalizam a convivência humana.

Assim, a capacidade de rever pessoas e fatos, de relembrar situações de grande emoções e ou mesmo corriqueiras que tomam uma conotação diferente com o passar dos anos, a possibilidade de externar a alegria através do riso, de abraçar fortemente aos entes queridos e amigos, o viver amores e paixões, o manter inabalável a fé o respeito a humanidade ....essas coisas com toda certeza dão qualidade, marcam a vida tornando-a digna de ser vivida.