Quem sou eu? O que faço

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João Pessoa, Paraíba, Brazil
Quem sou? O que faço. Sou Maria de Lourdes, tenho, agora, 62 anos, esposa, mãe e avó, formação jurídica, com pós graduação em Direitos Humanos e Direito Processual Civil, além de um curso não concluído de Filosofia. Conheci os clássicos muito cedo, pois não tinha permissão para brincar na rua. Nosso universo – meu e de meus irmãos – era invadido, diariamente, por mestres da literatura universal, por nossos grandes autores, por contistas da literatura infanto-juvenil, revistas de informação como Seleções e/ou os populares gibis. Todos válidos para alimentar nossa sede de conhecimento. Gosto de conversar, ler, trabalhar, ouvir música, dançar. Adoro rir, ter amigos e amar. No trabalho me realizo à medida que consigo estabelecer a verdade, desconstruir a mentira, fazer valer direitos quando a injustiça parece ser a regra. Tenho a pretensão de informar, conversar, brincar com as palavras e os fatos que possam ser descritos ou comentados sob uma visão diferente. Venham comigo, embarquem nessa viagem que promete ser, a um só tempo, séria e divertida; suave e densa; clássica e atual. Somente me acompanhando você poderá exercer seu direito à críticas. Conto com sua atenção.
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terça-feira, 1 de abril de 2014

31 de Março de 1964

UM DIA DE MUITAS FACES!





Uma tarde como outra qualquer.  Um filme exibido numa sessão chamada “Cinema de Arte”. Na tela, Audrey Hepburn dá vida a jovem Gabrielle Van der Mal, filha de um famoso cirurgião, que resolve jogar tudo para o alto em busca de seus sonhos: torna-se  freira, faz votos de obediência, pobreza e castidade, dedica-se a seus estudos de Medicina e  espera ser enviada a África. Após anos trabalhando em enfermarias é mandada para o Congo e ali conhece um médico ateu, cínico e brilhante profissional interpretado por Peter Finch. 


Daí fatos que justificam o título e as interpretações dos protagonistas tornam o filme, realmente, uma obra de arte. Aos doze anos, acompanhava minha mãe, amante da sétima arte, e fomos surpreendidas na saída do cinema. Eram 18h e 30min,  o rebuliço, o corre-corre e a aflição das pessoas mostravam que havia algo assustador: ocorrera um golpe de Estado, o Presidente fora deposto.  Enquanto nos comovíamos com a ilusão, a vida escrevia uma história bem mais emocionante.


O País continuou em polvorosa. Entre os dias  31 de Março e 1º de Abril de 1964, abateu-se sobre nós, como se fosse uma lâmina afiada, o  estranho golpe de Estado que declarou vaga a cadeira Presidencial, pelo Exercito Brasileiro e não pelo Poder Legislativo, conforme previa a Constituição. O pronunciamento desencadeou uma sucessão de fatos que se estenderiam por 21 anos, ecoando na sociedade e na memória do povo brasileiro. Instalara-se uma revolução que se propunha a devolver aos nacionais o Estado Brasileiro, bem como a legalidade e, abortar, no seu nascedouro, a concretização do poder nas mãos de comunistas. 


Ideologias à parte, os acontecimentos ocorridos há 50 anos e que por razões diversas fizeram de João Goulart protagonista, no olho do furacão, impuseram à nação perseguições, intolerância, barbárie,  medo, ódio, traumas, torturas, desaparecimentos, mutilações e mortes.


O horror, digno de caprichosa ficção, não privilegiou vítimas. Assim como para a inquisição, ao novo Estado brasileiro tudo era motivo para imposição de pesados fardos. Os Militares em consenso com Empresários, autores do golpe, apoderaram-se da História e tentaram escrevê-la ao sabor de sua ordem, suas crenças. Chegaram, assumiram o Poder, estabeleceram um regime de exceção e jugo onde validaram suas práticas e não aceitavam insurreição. O Presidente foi transformado num inimigo da nação e pseudo mentor de um golpe de esquerda que transformaria o Brasil numa nova Cuba.


A história da revolução, com seus aspectos tristes, suas manobras e seus Generais já foi contada e recontada milhares de vezes. Igualmente o foi a saga dos que estavam do outro lado, os resistentes que integravam a Vanguarda Popular Revolucionária – VPR; o Comando Geral dos Trabalhadores – CGT; a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria- CNTI; a UNE - União Nacional dos Estudantes,  além de outros jovens, estudantes ou não, em milhares de Centros Estudantis e Operários, espalhados no Brasil a fora; intelectuais, jornalistas, artistas, políticos, economistas, professores, religiosos, donas de casa,  gente de todos os confins, todos os credos e todas as raças.


Rompida a Lei pela conspiração, subvertido o povo brasileiro pela estupidez da tortura, dos assassinatos, da luta fratricida onde a delação funcionava como moeda de troca, aquilo que se dissera e se apresentara como passageiro tornou-se permanente, naufragando, cometendo erros crassos como combater o terrorismo implantando um “terrorismo de direita”; buscar a erradicação da resistência pela mordaça, pelo sepultamento em vida através da clandestinidade. A revolução foi, aos poucos, anarquizada, moralmente falida e incapaz de se sustentar num discurso corroído de defesa das instituições nacionais.


Mas como em todos os fatos Políticos as baixas ocorreram para todos os contendedores. A guerrilha urbana, os combates no Araguaia, as ações nos “aparelhos”, também produziam órfãos, viúvas, segregação das famílias, enganos, seqüestros, torturas e mortes. 


A minha memória registra o terror das famílias por seus filhos, isso em relação aos militares e também à militância. Patrulhas ideológicas existiam em ambos os lados e as intervenções na vida íntima desconheciam barreiras. Para os militantes não havia família – ela desvirtuava a luta e desviava o “companheiro” de suas convicções. Também não se podia falar em envolvimentos amorosos, tão combatidos quanto os laços familiares, esses poderiam oportunizar mudança de rota e entrega de companheiros.  Apenas os líderes puderam reconhecer seus amores e mesmo assim em momentos que se mostravam interessantes á causa. 


Cinquenta anos não passam sem deixar marcas. Mortos continuam sem identidades. Desaparecidos são, pouco a pouco identificados em extremadas confissões recheadas de cenas macabras muito além da ficção.   Vivos, modificaram-se de tal forma que no melhor estilo “Chico Buarque” se pode pensar e dizer: ...Quem te viu, quem te vê. Quem não a conhece não pode mais ver pra crer. Quem jamais esquece, não pode reconhecer...”


Militares que  eram os senhores da situação, determinavam os que deveriam ser cassados e caçados. Presentemente, os sobreviventes ao tempo, são pálidos reflexos do que foram um dia. Doentes, alquebrados, remoídos por suas lembranças ou se escusam a falar sobre a revolução ou, como aconteceu recentemente, abrem-se em relatos pavorosos, não se sabe se buscam diminuir seus fantasmas, elucidar mistérios ou mesmo esclarecer o quanto desumano pode ser o poder absoluto.


E os mortos? Os dois lados concordam na justificativa de suas perdas. Cada um de per si afirma, sem qualquer drama de consciência que foram heróis mortos em combate na defesa da melhor ideologia para o País. A violência foi inominável. É impossível contabilizar o número de mortos. Alguns fatos, todavia, não podem ser negado. Os assassinatos, os erros, o reconhecimento da ditadura como  tragédia, a indignação, os efeitos que eclodiram e perduraram sob a sociedade brasileira, são manifestações inegáveis de consciência social.

Sem perder de vista a conotação que os adversários se atribuíam pergunta-se: como estão os heróis da revolução? 


Os militares e simpatizantes perderam o posto heroico, tornaram-se vilões, alguns tiveram seus nomes apagados de placas que lhes homenageavam,  submetem-se,  atualmente, ao comando dos que perseguiam, torturavam. Os militantes deram a volta por cima, ocupam altos postos. A Presidência da Republica, como é fato público e notório, é exercida por uma ex-militante, ex-guerrilheira. Cultua-se,  ou cultuava-se  o mito do guerrilheiro heroico.


Bom, a historia nos revelou traições entre os guerreiros do Socialismo e/ou Comunismo. As delações dos guerrilheiros do Araguaia têm nome, e o traidor se arroga a condição de grande companheiro, sustentando o direito de continuar vivendo da glória do enfrentamento por ter sido opositor na Revolução Militar de 1964. 


Muitos nomes rolaram na lama, por crimes de corrupção, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, peculato. O Brasil que está há quase doze anos sob o governo do Partido dos Trabalhadores constata que o discurso em pró das minorias e a ética anunciada reiteradamente, cedeu lugar ao cinismo, a improbidade, a absorção das práticas que repudiavam e, principalmente, ao crime de lesa-pátria, considerando-se que  os cofres públicos foram sistematicamente espoliados e jogados num lamaçal sem precedentes. Instituições e cargos nunca dantes emporcalhados em tão grande escala foram arrastados com seus ocupantes numa teia pegajosa reforçada por propinas.


Alguns insistem, ainda, numa imagem de compromisso social e, contraditoriamente estão presos ou livraram-se de condenações em face do “pulo do gato”, patrocinado pelas melhores Bancas Advocatícias da nação. É, os militares não são mais os mesmos, perderam o comando e a força. Os ex-militantes também não guardam as boas características da juventude, perderam o brilho. Acreditam estar acima do bem e do mal. Defendem a corrupção, se agarram a postos, posições sociais, vantagens econômicas e financeiras como se estivessem resgatando algo que por direito lhes pertence. 



Do passado não se pode apagar sequer a queda de uma folha. Conviver com a História de um País tem que ser bem mais do que andar com um retrovisor em busca de culpados. As lições que podem resultar de erros reiterados devem levar a sociedade a repensar suas escolhas e, os dirigentes à compreensão de que exercer a cidadania é também opor-se, ao Estado, as autoridades, as ideologias e doutrinas.   Por amor a Justiça questiono: Os Militares que hoje são, de alguma forma, afetados pela determinação de prestar contas a Comissão da verdade, do porquê de espaços do Exército terem sido usados para atividades de repressão, estão obrigados a fazê-los?

Pobre Brasil. Pobres criaturas, militantes e familiares, militares e familiares imoladas nos altares de suas crenças de Justiça Social, a esses,  que deram suas vidas, sacrificaram seus sonhos e seu amores por uma Pátria melhor, mais justa e mais igualitária,  A MINHA HOMENAGEM.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

JOÃO PESSOA, HISTÓRIA, MEMÓRIA, CULTURA E CARNAVAL


JOÃO PESSOA, ONDE O SOL NASCE PRIMEIRO!



João Pessoa, Capital do Estado da Paraíba, Segunda cidade mais  verde do nosso universo, Capital das acácias, Cidade onde o sol nasce primeiro. Jampa, berço de brasileiros ilustres, fundada aos 05 de Agosto de 1585, é UMA SENHORA DE 428 ANOS! A terceira cidade mais antiga do Brasil. Nascida “Cidade Real de Nossa Senhora das Neves”, tem como antecessoras, apenas, Salvador em 1549 e a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, essa no ano de 1565.


A sua fundação urgiu da necessidade do governo Português de se assenhorear da região, impedir os constantes ataques indígenas da tribo Potiguara à Capitânia de Pernambuco, a exemplo da chacina de Tracunhaém e, também, coibir  as presenças constantes e ameaçadoras dos franceses no seu território.


A cidade “Cidade Real de Nossa Senhora das Neves”, teve o seu “marco zero” fixado aos 18 quilômetros adiante do ponto de embocadura do Rio Paraíba, numa colina, que visualizava e dominava totalmente o atracadouro, à margem direita do  Rio Sanhauá, seu afluente *. (Fonte - Portal da Cidade de João Pessoa).


Ao longo de sua história a cidade recebeu denominações de acordo com a política da época. Assim a partir de 1588 foi denominada de “Filipéia de Nossa Senhora das Neves”*, homenageando o Rei Filipe que se tornara Rei da Espanha e de Portugal. Depois passou a ser chamada de Friederickstadt – Cidade de Frederico ou simplesmente Frederika, numa homenagem ao Príncipe de Orange, Frederico Henrique, isso por ocasião da dominação Holandesa no Nordeste do Brasil que durou 20 anos. Com a retomada da Coroa Portuguesa em 1654,  passou a se chamar “Cidade da Parahyba”. * Imagem de Nossa Senhora das Neves.


Em 1930 mais uma vez muda de nome e torna-se “João Pessoa”, numa homenagem a João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, Presidente da Província, assassinado em Recife e cuja morte impulsionou a Revolução iniciada no mesmo ano.


A História oficial induz a conclusão de que os motivos do homicídio foram particulares, originados da invasão do escritório de Advocacia de seu inimigo político João Duarte Dantas, com a supressão de cartas de amor trocadas entre esse e sua amada, a professora Anayde Beiriz e, a publicação no Jornal Oficial – A União - de uma daquelas cartas, supostamente determinadas ambas, a invasão e a publicação, pelo então Presidente, com fito à desmoralização pública de seu desafeto. Há controvérsias,  fontes indicam outro conhecido articulista Político como a pessoa que comandou títeres mudando os destinos desses personagens da nossa história. 


Desde o seu nascedouro, a Cidade tem na bravura, na independência de sua gente um distintivo a ser preservado. A bandeira de João Pessoa registra como lema: INTREPIDA AB ORIGINE que em latim significa: INTRÉPIDA DESDE A ORIGEM. Uma cidade com memória e identidade. Mesmo estando aquém do que se deveria preservar, nela aflora, a todo o momento, a pacífica co-existência  entre o novo e o velho.  


Nascida às margens do Rio Sanhauá a cidade se desenvolveu no sentido do mar. Litorânea por natureza tem, aproximadamente, 30 quilômetros de praias com paisagens maravilhosas, recantos quase selvagens de águas azuis e mornas, piscinas naturais límpidas, falésias artisticamente esculpidas pelos ventos, pelas areias, pela ação das marés. Exuberante na sua flora e em sua fauna, revela-se uma cidade a ser conhecida.


Assim é João Pessoa. Em seu território, na parte leste, ostenta o ponto mais Oriental das Américas, localizado na Praia do Seixas batizado de “a Ponta do Seixas”. Caracteriza-se por ser o local situado mais a leste do Continente Americano. Uma faixa de areias brancas que dista pouco mais de 800 metros do Farol do Cabo branco e, ao sul da barreira onde esse foi edificado.  Com a Falésia e o Farol do Cabo Branco* na praia de mesmo nome, a Ponta do Seixas forma um conjunto de rara beleza, conhecido mundialmente e objeto de grande fluxo turístico.  * Foto.



Dentre as Praias da Capital merece destaque Tambaú, com seus 8 quilômetros de extensão, areia fina, águas claras,  mornas e calmas.  Uma das mais belas construções nessa área é o Hotel Tropical Tambaú, uma edificação da década de 70, construído nas areias da praia, possui arquitetura arredondada e parte dela é envolvida pelas ondas do mar. 


A última das Praias de João pessoa – Barra de Gramame, destaca-se pela beleza rústica, por seus recifes, por sua areia branca e solta. Além do que a formação de pequena ilha com palhoças na parte doce da Barra de Gramame proporiona um lindom espetáculo, Esse fenômeno de aguas doce, em plena praia, se dá em razão  da sua proximidade com a foz do Rio Gramame. Existem ainda, outras praias como Manaíra, Bessa, Penha, Cabo Branco, Seixas, Picaõzinho, Praia do Arraial, Praia de Jacarapé e Praia do Sol 


A vocação de João Pessoa é, sem sombra de dúvidas, envolver os seus visitantes numa teia de beleza e sedução. As águas têm importante papel nessa missão. Com belas Praias e Rios, oferta, entre esses, o Estuário do Rio Paraíba que banha diversas cidades, proporciona excelentes passeios onde se destaca o encontro dos três rios: Paraíba, Sanhauá e Rio do Meio, bem como os  bares rústicos à beira dos manguezais e as ilhas. 



As ruas da cidade, com ênfase para áreas mais antigas apresenta uma grande diversidade de estilos arquitetônicos. Passear em João pessoa, caminhando por suas ruas, vamos encontrar de arquitetura Barroca a “Art Noveaux”. Constitui-se uma festa para os olhos, a riqueza do Centro Cultural São Francisco, composto pela Igreja de São Francisco, o Convento de Santo Antônio, a Capela da Ordem Terceira de São Francisco, a Capela de São Benedito, a Casa de Oração dos Terceiros – a Capela Dourada* -, uma Fonte e um grande Adro  com um Cruzeiro. Essas edificações com datas a partir de 1588, com toda a certeza é um dos mais belos conjuntos representativos do Barroco Brasileiro nessa Capital. (*foto).



Consolidando a beleza da arquitetura em João Pessoa e a título de citação, destaca-se o Palácio da Redenção*  – em estilo Barroco, construído em 1586 pelos Jesuítas; a Faculdade de Direito*, também construída em 1586 pelos Jesuítas em estilo Barroco-Colonial; a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, no estilo Rococó; a Igreja da Misericórdia no estilo Maneirista; a Praça Antenor Navarro, representante da Art Noveau;  o Hotel Globo no estilo Art Decó; o Teatro Santa Roza de 1889, em estilo Barroco com fachada Greco-romana e que vem a ser um dos mais antigos do Brasil. (*fotos)




O novo também se sobressai em João pessoa. Com realce para: O Centro de Convenções “Poeta Ronaldo Cunha Lima” que se localiza no Polo Turístico Cabo Branco; a Estação Ciências Cabo Branco*, projetada por Oscar Niemeyer que possui 8.500m² de área construída, compõe-se de um conjunto de cinco edificações, destacando-se uma torre espelhada construída na forma octagonal, com 43 metros de distância dos lados opostos. Ainda e em construção, o Tour Geneve, em João Pessoa, com 183 metros, correspondendo a 51 andares.


Falar em João Pessoa inevitavelmente nos leva a um de seus cartões postais: a lagoa do Parque Solon de Lucena, ou simplesmente: Lagoa. Com uma área de 150mil e 490 metros quadrados dos quais 120 mil metros correspondem a parte alagada e, cuja urbanização foi iniciada em 1920. Com traçado original do Paisagista Burle Marx ostenta belos exemplares de Palmeiras Imperiais, Pau Brasil, Pau D’arco, Bambus, além de um bonito espelho D’agua e uma fonte sonora  iluminada.



Outra referência é a Bica, nome popular  do Parque Arruda Câmara cuja informação inicial remonta a 1782, registrando a autorização para construção de uma fonte, no pequeno bosque onde fluía um córrego. Todavia e de forma bem mais poética, há  uma lenda indígena que nos fala sobre o amor entre jovens de tribos inimigas: a índia Aipó filha de um cacique Potiguara e o guerreiro Tambiá, da tribo Cariri. Aprisionado o valente teve por “esposa da morte” a filha de seu inimigo. Após o casamento foi morto na floresta, recebeu a última mensagem de sua amada em forma de pranto. Diz-se que por cinquenta luas, Aipé chorou sobre a tumba do amado. As suas lágrimas fizeram brotar a fonte logo chamada de “Fonte Tambiá.” Que jorra até a presente data.


A Bica, parque urbano com 26,8 hectares é um santuário ecológico coberto por restos de Mata Atlântica.  Tem cerca de quinhentos animais de oitenta espécies, com destaque para o elefante, leões, onças, macacos prego e rhesus  araras, emas,  jacarés,  um urso e uma lontra.  A flora que enfeita  e perfuma o ambiente é formada por plantas nativa e plantas exóticas, nele vamos encontrar árvores centenárias das espécies Pau Brasil, Jenipapeiro,  Ipê Amarelo, Ingazeiro, Cássia Rosa, Palmeira de várias espécies e muito outros.




A segunda cidade mais verde do mundo tem o privilégio de possuir duas grandes reservas de Mata Atlântica, que respiram juntamente com os munícipes e se constituem verdadeiros pulmões da cidade. A Bica e a Mata do Buraquinho* são reservas verdes de valor inestimável. Com 515 hectares de mata virgem, cortada por rios, riachos e fontes naturais a Mata do Buraquinho teve parte de sua área transformada em Jardim Botânico, aberto ao público para estudo, pesquisa, passeios, trilhas e outros. Uma floresta no meio de uma capital. Uma riqueza ímpar. *Mata do Buraquinho.



Com absoluta certeza coisas maravilhosas dessa cidade amada ficaram de fora. Sua beleza natural, seu charme, também passa por seu povo, sua gente e seus artistas. Passam, sobretudo,  por Pessoenses que se desdobram para fazer uma cidade melhor no seu dia a dia. * Vista noturna largo do Frei S. Pedro Gonçalo - Casarões - Hotel Globo. Ladeira da Rua Padre Antônio Pereira. Rio Sanhauá.


João Pessoa também é CARNAVAL. Com prévias animadíssimas,blocos arrastando multidões. Para 2014 estão previstos: Quinta-feira , 20/02 - Abertura C/ Monobloco e Orquestra Spok. Ponto do cem Reis; Sexta-feira, 21/02 - Picolé de Manga C/ Aviões do Forró, Amazan Elétrico, Samba da Elite, Ramon Schneider, Liss Albuquerque, Diana Miranda, Gracinha Teles e Diana Miranda; Sábado, 22/02 -Bloco dos Atletas C/ Xexéu (ex- Timbalada) e Banho de Cheiro: Play Way; Domingo, dia 23/02 - Virgens de Tambú C/ Margareth Menezes, Liss Albuquerque, Eletricaz, Eudinho Arruda, Rayane Stefanny e Jairo Madruga; Segunda-feira, dia 24/02 - Bloco da Melhor Idade C/ Orquestra de Frevo e Muriçoquinhas de Miramar; Quarta-feira,dia 26/02 - MURIÇOCAS DO MIRAMAR C/ Lucy Alves, Carlinhos Brown, Fuba, Gracinha Teles e Maiara Gonçalves; Sexta-feira dia 28/02 - CAFUÇU C/ Orquestras de Frevo.


VENHAM, CONHEÇAM JOÃO PESSOA E APAIXONEM-SE POR ESSE "RECANTO TÃO BONITO DO BRASIL".

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

RÉVEILLON : O DESPERTAR DE UM NOVO DIA




O INÍCIO.

 

Os seres humanos têm uma forma cíclica de estabelecer acontecimentos que norteiam o seu cotidiano. Assim, é natural que momentos considerados importantes fontes de energia para as sociedades, sejam determinantes à realização de eventos que ocorrem e modificam os comportamentos, os hábitos, as formas de relacionamento. Promovem uma verdadeira desconstrução do que se coloca como rotina.


Comportar-se diferentemente do que se vê ao longo do ano é um lugar comum no mês de Dezembro. Parecer mais ansiosas, mais rápidas, mais resolvidas sobre si, sobre suas vidas e dos demais que os cercam é, reiteradamente, o que se observa nesse período. Todo ano esse ritual parece tomar conta de todos. Passada a ternura do Natal, inicia-se a pseudo-mudança trazida a reboque pelo ano que se avizinha. 


É tentador deixar-se levar pelo clima de festa, de novo, de transformações que a última semana do ano parece inspirar. Nada mais salutar. Afinal a época é de programar, correr, arrumar, prever positivamente o “grand finale”, o término apoteótico de mais um ano em nossas vidas.


Que tal sermos um pouco curiosos? O que determina esse fechamento? Qual a origem dessa fixação? Pois é, fui fazer Filosofia fiquei cada vez mais interessada em saber os por quês das coisas. O essencial nesse caso – conclusão de mais um ano – é a definição da data. Isso nos remete ao calendário e há controvérsia.



A primeira referência ao Ano Novo, ainda tendo como guia da passagem do tempo as fases lunares, remonta há 2.000 Anos “ AC (antes de Cristo)”, na Babilônia (Mesopotâmia). Coincidia com o período em que o sol se aproximava da linha do equador, produzindo dias e noites com a mesma duração. Igualmente a Grécia, Fenícia, Síria, Egito e Pérsia já comemoravam a passagem do ano, tendo em vista as fases da lua. O que nos leva a constatar a origem pagã de tais festividades.
 

Ainda na idade antiga a humanidade enfocou os seguintes aspectos para fundamentação do calendário: o solar, o lunis-solar e as estações. Rômulo, um dos fundadores de Roma, estabeleceu uma ano de 304 dias sem que houvesse qualquer correlação com a lua ou com o sol. O calendário de Rômulo foi refeito pelo segundo Rei de Roma: o sabino Numa Pompílio que determinou o ano com 12 meses, denominando o primeiro deles de Januarius dedicando-o a  Jano que era o deus dos portões, tinha duas faces – uma olhando para frente, para o futuro e outra olhando para trás, para o passado. Ao décimo segundo mês chamou Februaris, dedicado ao deus Februa – da purificação dos mortos.


Sabe-se que o Ocidente passou a comemorar o evento – passagem de ano -, em data fixa, a partir de Decreto Imperial* emanado de Júlio César que em Roma fez a primeira grande alteração no calendário para comemoração da suntuosa festividade. Posteriormente, o imperador Juliano manteve a0 1º dia de Jano como o que iniciava o novo ano. Com o calendário Gregoriano fixado em 1.852 a Igreja consolidou, definitivamente, 1º de janeiro, como o início do Ano Novo para a cultura Ocidental.


Há também outras datas para se comemorar a chegada de mais um ano. Assim entre os Judeus o Rosh Hashaná acontece entre setembro e outubro, também do calendário Gregoriano. Entre os chineses a festa acontece entre final de janeiro e começo de fevereiro. Para a comunidade Islâmica o Ano Novo somente ocorre a partir da segunda semana de maio.


Muitas são as formas de celebrações. Algumas são famosas, seja por seu luxo, beleza, espetáculo pirotécnico, fartura e grandiosidade do evento ou mesmo por tornar-se um cartão postal da Cidade, do Estado. Nessa seara destacam-se o Ano Novo de Nova Iorque, Paris, Ilha da Madeira, região do Porto, Escócia, Chile,  São Paulo, e o mais famoso do Brasil, o réveillon do Rio de Janeiro.


Nem tudo é festa. Também não é mudança ou renovação. Estranhamente e apesar do espírito de emoção e esperança que invade a todos, permanecem as dores, as frustrações, a pobreza, a ausência de oportunidades para todos, o desemprego, a fome, a corrupção, a ausência de vergonha e as tentativas de ludibriar a boa fé dos brasileiros e os ataques aos que insistem em não se deixar levar pelo mar de lama em que parece afundar boa parte de “notáveis” brasileiros.


Mas, a persistência do sofrido povo brasileiro faz dele sobrevivente. Mais que isso, resiliente. Capaz de debater-se, ferir-se, ser ferido e reduzido a mero espectador de sua vida e, ainda assim conseguir romper um círculo vergonhoso de exploração, saque ao erário, confissão de incompetência, esboçando, timidamente, um sorriso com o anúncio vindo  da mais alta Corte desse País que sinaliza a interrupção de condenações, prisões, achincalhação publica e desrespeitosa, costumeiramente feitas a pobres, negros, prostitutas, homossexuais. 


É bem verdade que muita água ainda vai rolar. Há advogados – teoricamente multiplicadores do respeito e aplicação da legislação pátria – afirmando que a condenação não muda nada: leia-se prestígio, importância e mandonismo. Há escritores se perguntando e perguntado aos leitores os porquês das prisões, quando bastava dar uma rápida olhada no site do STF.  Enfim, mesmo diante de fatos comprovados, acórdãos transitados em julgado,  como diria o saudoso Francisco Milani: há controvérsias.



Mas, temos diversão e distração para o tão desatento povo brasileiro. A Copa do Mundo. Aquela em nome de que bilhões foram gastos, multiplicaram-se os assessores, os convênios, os contratos e as peripécias financeiras a que o Brasil já se acostumou ver. Tudo é pressa, Não há a "necessidade" de prestação de contas para cada etapa que deveria ser concluída. A burocracia da prestação de contas do dinheiro público pode atrapalhar planos, criar obstáculos para que inocentes intermediários possam melhorar sua condição financeira.  Os calendários não estão sendo cumpridos, há atrasos por toda parte. As notícias falam de empregados trabalhando 12:00 horas por dia, acidentes nas obras, atrasos, atrasos, atrasos... E as verbas destinadas as construções e infraestrutura continuam vertendo das generosas torneiras do erário. É realmente muito difícil não se deixar levar pela indignação. Revolta. Asco.


Há algo mais no cenário Nacional. Preparem-se, vão ouvir muitas promessas. O Ano Novo PROMETE. Sim estaremos num ano eleitoral. Existirão com certeza, novos santos nos céus. Se necessitar de algo, não se faça de rogada (o), os santos estarão no Município, nos Estados e também no âmbito federal. Bom não gaste seus cartuchos, peça a quem pode resolver. Os intermediários cobram caro, não asseguram resultados e, ainda, somem sem nenhuma explicação. 


Mas, que tal iniciar de forma diferente, transparente? É, no dia 31 de Dezembro, mesmo com o ritual de roupa branca, familiares, amigos, parentes, música, comida e bebida a vontade, sempre há algo novo que pode ser feito. Sabe aquela vontade enorme que você tem de esclarecer algo... um assunto que lhe deixa triste, sem graça...ou mesmo um pedido de desculpas que há meses queima sua garganta, resolvê-los pode ser um excelente começo. 


Ah, aquelas roupas que abarrotam o guarda-roupa e que sempre tem sua permanência justificada; e os sapatos que você não usa mais? Será que não fariam a diferença no Ano Novo de alguém? É tão pouco e ao mesmo tempo tão significativo que só de imaginar o sorriso de quem recebe dá ao ano que se aproxima outro tom.


Não se esqueça. Mesmo noite de Ano Novo os moradores de rua também têm necessidade de alimentos. Se você não se sente protegida para doá-los pessoalmente sempre tem instituições, religiosas ou não, que fazem isso em grupo minimizando o perigo.


Pois é vamos nos reabilitar para a vida. Vamos despertar para um novo dia. Deixar um pouco o nosso mundinho particular, colocar a cabeça fora de nossa zona de conforto e colaborar efetivamente para que o ANO NOVO seja também o ANO BOM. 


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