Quem sou eu? O que faço

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João Pessoa, Paraíba, Brazil
Quem sou? O que faço. Sou Maria de Lourdes, tenho, agora, 62 anos, esposa, mãe e avó, formação jurídica, com pós graduação em Direitos Humanos e Direito Processual Civil, além de um curso não concluído de Filosofia. Conheci os clássicos muito cedo, pois não tinha permissão para brincar na rua. Nosso universo – meu e de meus irmãos – era invadido, diariamente, por mestres da literatura universal, por nossos grandes autores, por contistas da literatura infanto-juvenil, revistas de informação como Seleções e/ou os populares gibis. Todos válidos para alimentar nossa sede de conhecimento. Gosto de conversar, ler, trabalhar, ouvir música, dançar. Adoro rir, ter amigos e amar. No trabalho me realizo à medida que consigo estabelecer a verdade, desconstruir a mentira, fazer valer direitos quando a injustiça parece ser a regra. Tenho a pretensão de informar, conversar, brincar com as palavras e os fatos que possam ser descritos ou comentados sob uma visão diferente. Venham comigo, embarquem nessa viagem que promete ser, a um só tempo, séria e divertida; suave e densa; clássica e atual. Somente me acompanhando você poderá exercer seu direito à críticas. Conto com sua atenção.
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quinta-feira, 20 de março de 2014

POESIA

 
CASTRO ALVES E CARTOLA



Por vezes, mergulhamos tão fortemente em nosso mundo particular que deixamos passar excelentes oportunidades para nos expressarmos sobre coisas que tornam a vida mais bonita, mais colorida e de certa forma, mais amena.


Pois é, nessa loucura do dia a dia cometemos uma falha imperdoável. Esquecemos, sem o merecido registro, o dia 14 de Março em que se celebra o DIA NACIONAL DA POESIA. Ato falho, apenas escusável na avalanche de atividades que roubam, até mesmo, a nossa sensibilidade e nossa memória afetiva.


A poesia que já foi amplamente conceituada e definida pelos mais diferentes indivíduos como literatos, pessoas do povo sem maiores qualificações intelectuais, apaixonados, loquazes usuários da língua portuguesa e de tantas outras, merece, de nossa parte, um tributo à genialidade dos que através dela  externam seus amores, suas dores, seus sonhos e decepções.

Essa linguagem fantástica em que vibram as mais profundas emoções dos seres humanos, transmite sentimentos e pensamentos que comandam conexões, amorosas ou não; traduz paixão – pathos – até mesmo em seu sentido patológico e, arrebata de dentro das pessoas as mais íntimas centelhas de seu pensar.
 

É óbvio que algo significativo determinou a data eleita para a homenagem. Nada mais justo que a escolha tenha recaído sobre o dia do nascimento de legítimo e festejado brasileiro, representante desse dom criativo. Assim, 14 de Março, dia do nascimento de Antônio Frederico de Castro Alves, o grande Poeta, Humanista, Literato, que fez da poesia um grito de dor, de alerta e de amor em pró de homens e mulheres nascidos livres, príncipes e princesas das savanas e planícies, aprisionados, escravizados, humilhados, cujo sangue corre em nossas veias, e, constitui-se dívida para a Nação Brasileira.

                                     
Castro Alves foi a voz, a pena, a rima em forma de protesto. Chorou pelos náufragos dos tristes “Navios Negreiros”; sofreu com o torpor da melancolia que matava os cativos e a que chamavam de “Banzo”; desesperou-se com a mãe negra a quem os filhos eram arrancados do peito e definhavam enquanto ela, a mãe, alimentava os filhos brancos dos pais que torturavam, mutilavam, estupravam, milhares de criaturas subjugadas. 
  
 
Precursor da abolição é, sem sombra de dúvidas, o maior entre os nossos Poetas. Em sua luta anti-escravagista produziu a belíssima “Vozes d’a África”, “A mãe do Cativo”, “Navio Negreiro”... . Uma vida curta, intensa e fecunda que durou apenas 24 anos. Com a sensualidade a flor da pele, apaixonou-se por Idalina, para quem criou “Bárbara” do poema “Os Anjos da Meia Noite”. Amou profundamente Eugênia Câmara – experiente atriz dez anos mais velha que ele,  - e cantou seu sentimento nos versos da Poesia “Meu Segredo”. Enamorou-se de Lídia Fraga e, por último, caiu de amores – não correspondido – por Agnese Trinci Murri, soprano italiana que jamais se rendeu aos desejos do poeta.


Sua obra muito bela e rica acompanhava os seus sentimentos. Sua morte pelo acometimento da Tuberculose era considerada como típica dos que amavam a noite. A Poesia não se foi com o Poeta dos Escravos ou Poeta da Liberdade como também foi chamado.  Muitos outros vieram depois dele, amaram, sofreram, vibraram, esboçaram sorrisos e deixando lágrimas escorrerem por suas faces.

Nomes como Cláudio Manoel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Olavo Bilac, Cecília Meirelles, Gonçalves Dias, Manoel Bandeira, Augusto dos Anjos, Mário de Andrade, Dolores Duran, Mário Quintana, Carlos Drumond de Andrade, Vinicius de Morais, Cora Coralina, Elisa Lucinda,  Patativa do Assaré, Jessier Quirino,  e tantos outros que se expressaram ou se expressam com liberdade, livres do jugo e das amarras da crítica, colocando em suas criações as mais diferentes leituras de seus sentimentos, certamente sugerem uma amostra do quanto, nós brasileiros, fomos e somos influenciados por essa arte lírica.


Mas, a poesia não é algo que se encastele nesse ou naquele segmento de nossas vidas. Está presente no nosso dia a dia; em momentos simples, em atitudes mágicas, músicas belíssimas que falam de amor, nas manifestações artísticas como o teatro, a pintura, a escultura e a dança.


Como deixar de ver poesia no beija flor que de galho em galho executa um bailado sobre si, beija as flores sorvendo o néctar de cada uma? Impossível ignorar a sequência poética nos gestos de uma criança que ergue as mãos abre um sorriso e atira-se nos braços de quem ama? Irreal deixar de sentir a poesia nas palavras de Cartola: “Queixo-me às rosas, mas que bobagem... As rosas não falam...Simplesmente as rosas exalam...O perfume que roubam de ti, ai...


Qual a alma empedernida que não se comovia com a poesia, a paixão de Paulo Autran em cena? E a poesia pura de Michelangelo, traduzidas em corpos belos, madonas perfeitas, peças inimitáveis cheias de angústia visceral? Será força de expressão falar da poesia arrebatadora de corpos vibrando nos brilhantes movimentos do “Lago dos Cisnes” ou mesmo na paixão dos corpos entrelaçados na volúpia do Tango?


Não há dúvidas a poesia acompanha a vida. Irrompe com a presença da musa inspiradora na mente do poeta. Existe em seu estado latente independente de porquês. Surge na rima culta dos intelectuais e, igualmente, povoa os sentimentos contidos nos poemas de cordel, na viola matuta dos “cantadores”, “repentistas” e de tantos quantos sintam pulsar em seu peito um entusiasmo criador que os transformem.

POESIA É ISSO:

A ARTE -


“A vida bate e estraçalha a alma
e a arte nos lembra que você tem uma.”
Estella Adler

A RIMA –   
                

As Duas Flores
Castro Alves

São duas flores unidas,
São duas rosas nascidas
Talvez do mesmo arrebol.
Vivendo do mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.

Unidas, bem como as penas
Das duas asas pequenas
De um passarinho do céu...
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.

Unidas, bom como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar...
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.

Unidas...Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor
Juntar as rodas da vida,
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!

A BELEZA - 


As Rosas Não Falam
Cartola

Bate outra vez
Com esperanças em meu coração
Pois já vai terminando o verão
Enfim

Volto ao jardim
Com a certeza que devo chorar
Pois bem sei que não queres voltar
Para mim

Queixo-me às rosas
Mas que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti,ai

Devias vir
Para ver os meus olhos tristonhos
E, quem sabe, sonhavas meus sonhos
Por fim


TUDO ISSO ME FASCINA!





sexta-feira, 9 de novembro de 2012

SER IDOSO – PARTE I


 BREVES CONSIDERAÇÕES -

Neste blog já nos referimos a assuntos os mais variados possíveis, entretanto, e sem qualquer intenção, nos descuidamos de um aspecto importantíssimo de nossa sociedade, de nossas vidas. Vimos as crianças, as mães, as flores, situações jurídicas, memes, coisas engraçadas, tristes, vimos muito, mas, não nós debruçamos sobre o envelhecimento, a idade, a velhice; muito embora a única forma de não vivê-la seja, naturalmente, a morte antes de assim sermos considerados. 


Há substancial diferença entre ser idoso no Oriente, no Ocidente e, bem assim nos Continentes e Nações de per si. Em países como a China e o Japão o velho, o ancião, a velhice, é vista e tratada como sinônimo de respeito e sabedoria. É natural envelhecer e como tal, peculiar a todo  ser vivo. Desse modo para o Oriental contemporâneo esta tem sido uma tradição vigente e cogente.  

Assim, entre esses povos ser idoso é um distintivo que impõe respeito e atenção, inclusive, porque a idade possibilita o acúmulo de conhecimentos e de experiência. Mesmo se nos voltarmos  para tempos remotos o ancião sempre foi visto e considerado alguém digno de respeito, confiança, apto a aconselhar e, normalmente, ser o fiel da balança nas decisões.


As famílias orientais, orgulhosamente, testemunham, através dos relatos, os sacrifícios que os seus idosos fizeram para que pudessem evoluir e tornarem-se, os seus descendentes, as pessoas que naquele momento, com seriedade e reverência, o demonstram, plenos de alegria e cientes do tesouro que possuem. O Oriente reverencia Confúcio e Lao Tzu como personagens principais na consolidação do respeito e privilégio concedidos aos idosos até hoje.


Confúcio, o filósofo que viveu na China antiga, supostamente entre os anos de 551 - 479 a.C, ensinava que as famílias deviam obediência e respeito ao idoso. Como exímio conhecedor da alma humana, apregoou ideais de moral e sabedoria, afirmando "a família como a base de toda a vivência e o humano mais velho (masculino), aquele  a quem se devia obediência. Inclusive, que aos 60 anos o ser humano entende a necessidade da meditação, aos setenta, sem violar regras, pode seguir os desejos de seu coração e que sua maior ambição, dele, filósofo, era que os idosos pudessem viver em paz, principalmente com os mais jovens."

Por sua vez Lao Tzu (590 - 470 a.C) , fundador do Taoísmo, coloca: "a vida nada mais é  do que o ser humano que atua espontaneamente e é idêntico ao centro do mundo". O sábio vê a velhice como um período marcante de aquisição, um somatório,  entendendo que ao completar 60 anos de idade, o ser humano chega a ocasião de emancipar-se da matéria, do corpo e,  através do êxtase, vir a ser um santo.
Os japoneses, tradicionalmente, cultuam o respeito e cuidados com os idosos, frutos de uma educação milenar de dignidade e sabedoria. Para o povo Japonês, aos sessenta anos o homem pode vestir vermelho que é a cor dos deuses.

Quanto ao ocidente, o primeiro texto referindo-se à velhice foi escrito no Egito e data do ano de 2.500 a.C. época em que  se glorificava a beleza física e o vigor, sendo esses imortalizados nas artes. 

Ptah-Hotep filósofo e poeta, registrou como a civilização Egípcia se pronunciava sobre a velhice: “quão penoso é o fim do ancião! Vai dia a dia enfraquecendo: a visão baixa, seus ouvidos se tornam surdos o nariz obstrui e nada mais pode cheirar, a boca se torna silenciosa e já não fala. Suas faculdades intelectuais se reduzem sendo impossível recordar o que foi ontem. Doem-lhe todos os ossos. A ocupação a que outrora se entregara só se realiza agora com dificuldade e desaparece o sentido do gosto.”


Assim, desde há muito, para os Ocidentais, em franca maioria, envelhecer está incluído entre as piores coisas que podem acontecer ao ser humano. Desde a Grécia antiga, já se cultuava a beleza, a perfeição do corpo, das formas harmônicas. Por outro lado a alusão a velhice é registrada nos diálogos de Sócrates, na figura de seu discípulo, Platão, que demonstra interesse pelo velho, suas idéias, seus problemas e seu pensamento. Em contrapartida, Aristóteles enxergava na velhice uma doença, natural, onde a senilidade é a degradação e aniquilamento do ser humano.


O IDOSO NO BRASIL –


A Constituição Brasileira, de 1988 já determina: Art. 230, caput,  “A família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas, assegurando sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida.” 

Ainda  no § 1º estatui:” Os programas de amparo aos idosos serão executados preferencialmente em seus lares.”



A Lei n. 10741, de 1º de outubro de 2003 –Estatuto do Idoso -, publicada no Diário oficial da União, de 3 de outubro de 2003, define em seu artigo 1º. “É instituído o Estatuto do Idoso, destinado a regular os direito assegurados às pessoas com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos."

Essa legislação instrumentaliza a prática de direitos fundamentais próprios da pessoa humana, considerados sob o prisma da idade. Assim temos, em apertada síntese, o Direito a vida, à liberdade, ao respeito e à dignidade, aos alimentos, a Saúde, a Educação, Cultura, Esporte e Lazer, Profissionalização e Trabalho, a Previdência Social, a Assistência Social, a Habitação e Transporte.



Igualmente, ao tratar do Direito à Vida, no Artigo 8º, o Estatuto registra: “O envelhecimento é um direito personalíssimo e a sua proteção um direito social, nos termos desta Lei e da Legislação vigente." Entre nós há um franco crescimento do envelhecimento, demonstrado de forma clara quando se busca, numa visão macro, o enquadramento de nosso País dentro de perspectivas universais atualizadas, da realidade da população idosa.

Hoje, segundo o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Brasil tem cerca de 22 milhões de idosos. Destes, 6,5 milhões – aproximadamente – 30% exercem, plenamente, suas atividades laborativas, respondendo, num percentual de 55% pela renda dos domicílios onde se encontram.


A melhoria das condições de vida, o avanço da Medicina, entre outros, têm proporcionado o crescimento da população idosa, de tal forma que, segundo o próprio IBGE, há a inadiável necessidade de adequação da sociedade para permitir ao nacional alcançar a faixa de idosos, com melhor saúde e qualidade de vida, ambas, garantidoras, de uma velhice operacional, laborativa. Outrossim, há a previsão de que em 2020 teremos  a 5ª. população de idosos do mundo.

O assunto idade, trás a reboque incontáveis aspectos que o envolvem. Não há como desconhecer o PRECONCEITO, a escassez de oportunidades, a visão de que a medida em que envelhece o ser humano se torna um peso morto e que a grande maioria desconhece, por completo, os seus direitos. 

Há uma velada indução destinada a mostrar o idoso – ordinariamente o pobre - como uma pessoa destituída de razão e comando que, por tal situação, torna-se alvo de zombarias, crueldades, permanecendo à margem da sociedade.




Contraditoriamente, tem-se a figura dos idosos ricos, esses gozam de respeito e são bem recebidos pela sociedade em geral. Neles vê-se os cidadãos que comandaram e comandam seus destinos, são donos de sua vontade, fazem ginástica, praticam esportes, têm uma boa convivência social,  frequentam as redes sociais, exercem atividades de direção, são vistos pelo comércio como "grandes consumidores em geral", conhecem os seus direito e, rotineiramente, os exercem. 

Como nos demais segmentos constata-se a desigualdade, a ausência de conscientização do capital vital que o idoso, independentemente da condição social, intelectual e financeira, tem ou pode  oferecer aos mais jovens, a nação.


Há muita inquietação e medo relativamente a velhice. São muitas as indagações que vagueiam entre o porquê do envelhecimento? O como fazer para envelhecer sem sentir-se velho? Até quando trabalhar? Quais os direitos do cidadão e do familiar idoso? O que o Estado, a sociedade, efetivamente faz pelo idoso? Como funcionam e se funcionam realmente as políticas pró idosos, os conselhos que foram instituídos a partir da legislação específica? Como se posicionar ante a religião, a diversão, as relações humanas, o ser? 

São questões a serem abordadas num segundo momento e que dizem respeito a mim, a você e aos seus amigos que têm 60 anos ou mais. Essa porém será uma segunda abordagem, acompanhe-nos. 

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

O PRÍNCIPE DESNUDO!

A REALEZA EM POLVOROSA.

Pois é, entre outras coisas, fazer parte da realeza, em qualquer circunstância, é estar em evidência. Desde as mais remotas lembranças da humanidade que os reis, as rainhas, os príncipes e as princesas, são envolvidos por uma aura de fascínio que mexe com a imaginação dos súditos, inspirando as mais controvertidas situações.

No imaginário infantil, as estórias românticas de príncipes e princesas, castelos, dragões, bruxos, bruxas, feitiços  e sortilégios, são apresentadas em forma de contos por escritores, a exemplo de Hans Cristian Andersen,  que tem no conto O Patinho Feio o seu maior legado

A pequena ave, desengonçada, era alvo de zombarias dos demais e ao crescer   se transforma num magnífico cisne. Noutro momento o escritor nos mostra como reconhecer uma princesa, através  da estória "A Princesa e a Ervilha", onde uma só semente colocada no leito desmascara a impostura e identifica uma princesa verdadeira, que sente-se machucada com a incômoda presença que castiga a sua pele delicada, mesmo sob vários colchões. 

 Os irmãos Grimm, que encantaram a todos com seus contos como: Chapeuzinho Vermelho a mercê da maldade do lobo e que é salva graças a heroica proteção do caçador;  Branca de Neve e os Sete Anões, cuja protagonista após ser vítima da bruxa má encontra o seu príncipe encantado; Rapunzel, a das longas tranças e de quem se enamorou o príncipe herdeiro; a Bela Adormecida que retrata a saga da princesa Aurora e a felicidade de encontrar o seu “príncipe” na figura do cavalheiro Felipe e, ainda, Cinderela,  sempre castigada por sua madrasta e, a final, resgatada pelo amor do príncipe. Esse conto infantil possui versões dos irmãos Grimm e de Charles Perrault, (a mais conhecida).

A autoria de tais estórias muitas vezes são entrelaçadas. As fontes fornecem autores diversos para a mesma obra, justificando que a diferença de época faz com que elas apresentem nuances que as distanciam e individualizam. 

A paternidade ou maternidade da criação é de menor valia.  O que realmente importa é a magia que respinga sobre os meninos e meninas, jovens e adultos  que, mesmo existindo a Internet, as redes sociais, os games, buscam a fantasia, à semelhança da imaginada por  J.K. Rowling, com Harry Potter, seus amigos, inimigos, castelos, mágicas e criaturas  fantásticas.

O que se dizer da fábrica de ilusões de sagas como: o Senhor dos Anéis e sua triologia: "A Sociedade do Anel, As duas Torres e o Retorno do Rei". A beleza  que sequencia  "As Crônicas de Nárnia", compostas por uma série de sete livros da autoria de Clive Staples Lewis que valorizam e resgatam um mundo onde a pureza, a nobreza de caráter, a bondade e fidelidade são atributos que sobressaem a coragem, o auto sacrifício, a amizade e a honra!

Assim, passam os anos, a sociedade evolui, mudam os costumes mas, é recorrente, a idéia de que os Monarcas e suas famílias possuem  um brilho que os diferencia dos demais. O coletivo humano tem sempre um olhar atento para os membros de uma casa real. Nada é trivial quando se trata de “Majestades”.

Nenhuma casa real tem maior impacto na sociedade Ocidental que a Casa Windsor que retrocede a 1819, com a Rainha Vitória. Num passado não muito distante, alguns personagens reais causaram sensação: em 1936, o Rei Edward VIII, abdicou ao trono para casar com a divorciada norte-americana Wallis Simpson. O mundo a tudo assistiu boquiaberto. Seu sucessor George VI, assume a coroa e reina de 1936  até o ano de  1952.

Sua filha mais nova, a Princesa Margareth, apaixonou-se por um homem divorciado, Peter Townsend, passando a ser alvo de críticas e especulações; pressionada, renuncia ao seu amor e casa-se com o fotógrafo Antony Armstrong-Jones, de quem se divorciou posteriormente, sem ter encontrado a pretendida felicidade.

A Princesa real Elisabeth, primogênita, terceira na linha de sucessão,  que se tornaria a Rainha Elisabeth II, casa-se em 1947, na Abadia de Westminster com Philip,  único filho varão e, quinto e último filho do casal Príncipe André da Grécia e Dinamarca e da Princesa Alice Battenberg. 

O noivo, de origem Greco Dinamarquesa se torna Duque de Edimburgo; o enlace ocorre no pós-guerra, momento de dificuldades da humanidade. A noiva traja um vestido relativamente simples, ornado com símbolos patrióticos. O casal tem quatro filhos, Charles (1948), Anne (1950) esses antes de sua coroação e, Andrew (1960) e Edward (1964).

Elizabeth Destaca-se como a última Rainha que serviu ao exército Britânico, adorada por seus súditos sucedeu a seu pai assumindo o trono desde 1952, tendo, neste ano de 2012 em curso, celebrado o Jubileu de Diamantes, sessenta anos de seu reinado. 

Príncipes e Princesa, os filhos do casal real, não fogem à regra. O primogênito, Charles Philip Arthur George Mountbatten-Windsor, nascido em Londres aos 14 de Novembro de 1948, é o herdeiro do Reino Unido. 

Constantemente foi relacionado a mulheres, entre elas Georgina Russell (filha do Embaixador do Reino Unido na Espanha); a Davina Sheffield, Fiona Watson, a Lady Sarah Spencer, a Lady Tryon (esposa do terceiro Barão Tyron), a divorciada Jane War. Encantou-se com passista brasileira Maria da Penha Ferreira, a Pinah, entre outras.

Charles protagonizou um dos mais belos contos de fada da atualidade ao casar-se, em 29 de julho de 1981, com Diana Frances Spencer, na Catedral de St. Paul frente a 3500 convidados. A Princesa tornou-se uma das mulheres mais elegantes do mundo, admirada por sua solidariedade, empenho no combate a AIDS e na defesa de campanha internacional contra o uso de minas terrestres.  

Em meio a crises públicas, anorexia, choro, internamentos em clínicas,  o casamento do Príncipe e da Princesa de Gales acabou, oficialmente, em divórcio ocorrido em 28 de Agosto de 1996. Da união nasceram William e Harry. A princesa morreu de forma patética, em Paris, no ano de 1997, vitimada por um acidente de carro que matou, também o seu namorado, o milionário Dodi Al-Fayed e o motorista Henri Paul.

O funeral de Lady Diana sensibilizou a todos. Ocorrido em setembro, foi visto universalmente por aproximadamente 2,5 bilhões de expectadores, caracterizando-se num dos acontecimentos mais assistidos da história da televisão. A Princesa foi uma daquelas criaturas que marcam a sua passagem terrena com brilho próprio. Após a morte de Diana, Charles assumiu de forma oficial a até então amante, Camilla Parker-Bowles, com quem se relacionara quando eram ainda casados e cujo romance trouxe escândalo e sofrimento à casa Real.

Anne Elizabeth Alice Louise, filha única da rainha Elizabeth, casou com Mark Phillips, tenente do exército, na Abadia de Westminster. Acredita-se que, aproximadamente, 500 milhões de pessoas assistiram ao casamento pela televisão. Para as núpcias, celebradas em 1973, foi declarado feriado nacional. Sendo a segunda vez em dois séculos que um componente da família real britânica se casou com um plebeu. A Princesa Anne e Mark Phillips tiveram dois filhos: Peter e Zara, porém se divorciaram em 1992.

Andrew Albert Christian Edward, é o quarto na linha de sucessão, casou e posteriormente divorciou-se de Sarah Ferguson. A Jovem e bonita esposa  enfrentou dificuldades desde o início de sua relação com o filho da Rinha. Juntos, os Duques de Iorque tiveram duas filhas: as Princesas Beatriz e Eugênia.

Aparentemente numa relação feliz, menos ritualista e formal, terminaram por sucumbir às obrigações reais que mantinham Andrew longe da mulher e das filhas, nas Malvinas, servindo a Marinha Britânica. Somando-se à distância entre marido e mulher, as constantes críticas à Duquesa de Iorque feitas por membros da Coroa Britânica.

O Príncipe Edward Antony Richard Louis Mountbatten-Windsor; nascido em 10 de março de 1964, Conde de Wessex, é talvez, o mais “distante” entre os filhos da rainha Elizabeth. Alistou-se como os demais na tentativa de cumprir seus deveres para com o reino, servindo no Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha Real Britânica.  

Desistiu da vida militar por sua dureza, recebendo da sociedade altas críticas e a fama de ser um fraco. Envolvido com produções teatrais, foi relacionado a escândalos e suspeito de homossexualismo.

Diferentemente dos outros filhos da Rainha, Edward não quis um casamento na Abadia de Westminster ou na Catedral de St. Paul. Casou-se com Sophie Helen Rhys-Jones, descendente do Rei Henrique II, de França, na Capela de St. George, no Castelo de Windsor, em 19 de junho de 1999.

 O casal tem dois filhos, Louise (2003) e James (2007). Em 2001 foram vítimas de uma farsa quando um repórter, a serviço de um milionário da comunicação de nome Rupert Murdoch, se passa por um dirigente árabe grava uma conversa nada convencional com a esposa de Edward e ameaça chantagiá-la. Para sanar a crise a casa real permite uma entrevista sobre a vida íntima do casal.

Entretanto e mesmo com jovens herdeiros, nenhum dos netos ou netas da Rainha faz sombra aos príncipes filhos de Charles e Diana. O Príncipe William Arthur Philip Louis, o primogênito, bonito, jovem, simpático no trato com a imprensa, queridinho da mídia, desportista, demonstra gosto e facilidade em futebol, rugby, polo aquático, natação e pigeon shoote, tendo sido capitão dos times de hóquei e rugby, quando na escola de Ludgrove.

William casou-se com Kate Middleton no dia  29 de Abril de 2011 na Abadia de Westminster, com uma lista de 1900 nomes e repercussão na mídia mundial. 

O casamento, semelhante aos dos contos de fadas, mostrou uma noiva mais independente, com pensamento e forma própria na condução de seu relacionamento e, um noivo mais atual, muito embora ainda presente todo um ritual comum a tais ocasiões.   Com as bodas, William passou a ser chamado de Sua Alteza Real o Duque de Cambridge. Kate e seu marido enfrentam, entre outras influências, a tradicional pressão pelo nascimento de filhos. O Príncipe está sendo preparado para ascender ao tono.

Kate tem enfrentado situações vexatórias tendo em vista acontecimento envolvendo Pippa, sua irmã e, também, uma prima distante que posou nua.

Com todo o charme e beleza William não trouxe maiores problemas à Casa Windsor. A pimenta, a notícia excitante, a malícia da intimidade desnudada fica por conta de Harry Charles Albert David, de apenas 27 anos, que tem sacudido o fleumático Reino Unido com a sua não convencional maneira de ser.

Terceiro na linha de sucessão do trono do Reino Unido,  HARRY INSISTE EM DESNUDAR-SE. Aos 17 anos teria sido acusado de abusar de álcool e ter consumido maconha. Como toda e qualquer sociedade, a Inglesa, abalou-se ante a notícia . Muitas foram as críticas e, também, as demonstrações de solidariedade, vinculando o fato aos acontecimentos que cercaram o desenvolvimento do Príncipe.

Num contexto de pressão, sofrimento dos pais - presos a convenções e normas ditadas pela casa real -, a anorexia de sua mãe, os falatórios, traições, separações, enfim, a aparente situação de desacerto que cercava a sua família primeira.

Posteriormente se viu Harry, aos 20 anos, novamente, dando margem a polêmicas e produzindo mal estar não somente à tradicional sociedade Britânica, mas a grande parte do Ocidente, ao se apresentar fantasiado com um uniforme nazista, ostentando, presa à manga de sua camisa, a famigerada Cruz Suástica.  

Agravada a desastrada escolha pelo fato de que, tal acontecimento ocorreu poucos dias antes da homenagem que a Rainha Elizabeth faria aos sobreviventes de Auschwitz, em recepção a ser realizada no Palácio Saint James por ocasião do Dia do Holocausto, aos 27 de Janeiro. Na ocasião foi divulgado um pedido de desculpas do Príncipe. 

Sempre sociável, disposto a viver a vida de acordo com a sua idade, Harry, gozando férias nos Estados Unidos, patrocinou e/ou participou, recentemente, com amigos e algumas garotas, de uma festa privada numa suíte VIP do hotel Wynn, aquecida à base de coquetéis, licores e champanhe..., com muito riso, suor, sexo e, uma indiscreta câmara fotográfica, possivelmente de uma das mulheres. 

As fotos mostram a nudez de Harry, seus amigos e as garotas, assim como os contatos físicos e as brincadeiras. Não são posadas, ou artísticas e sim naturais obtidas em momento de privacidade entre adultos. Algumas desagradáveis, outras nem tanto.

As redes sociais detonam fotos e mais fotos. Os “sebosos” permanentemente de plantão se esmeram em produzir textos os mais escabrosos possíveis. A imprensa especializada em escândalos, se delicia com o novo filão aberto. Cresceram as vendas. A plebe rude delira. As propostas descabidas e cretinas ganham dimensão na medida da coragem de seus portadores. A realeza em polvorosa. Mais um escândalo provocado por membro da casa Windsor. Novamente Harry. 


A Rainha se encoleriza, o príncipe consorte, recentemente saído de um hospital, participa e se integra ao doloroso momento; o pai, primogênito da casal real, deixa suas ocupações e junta-se ao grupo.  Ele, o Príncipe destoante, que fora  rapidamente reconduzido de  sua catastrófica diversão, foi admoestado em família no Castelo de Balmoral, na Escócia.  

Mas o que aconteceu? Harry cresceu. O patinho feio tornou-se um homem bonito. Sua virilidade é consciente e faz  aflorar sexualidade.  As fotos não deixam dúvida, o corpo definido do piloto de helicópteros certamente fez a fantasia de muita gente. Não se surpreendam. Creio que a partir dessa  estrondosa farra, realmente, matronas inglesas e de outros países, jovens senhoras e moças casadoiras, dispensarão ao Príncipe um novo olhar. Mais atento. 


Nada mais natural a um homem jovem que se entregar aos prazeres da vida, dentre esses, o sexo. Como ocultar a facilidade e afluência de mulheres e homens sobre ricos e famosos, celebridades do mundo fashion, da sétima arte, da televisão, dos esportes e de tantas outras facetas da sociedade.

Harry, segue seus impulsos naturais. É até mesmo muito contido, educado que foi para não escandalizar mas, humano e, portanto, passível de se deixar levar por “fraquezas”. 

Porém algo mudou no Reino da Inglaterra. O Príncipe divertia-se na companhia de mulheres e homens, adultos, donos de suas vontades. A cidade, Las Vegas, conhecida como o símbolo da diversão adulta. Na suíte VIP – portanto dentro de quatro paredes, abrigavam-se pessoas que ali estavam porque queriam estar. A diversão não foi imposta, os participantes por decisão própria buscavam satisfação, farra. As imagens  obtidas através de uma conduta desprezível. Harry não se expôs fazendo sexo numa rua escura, num parque, numa piscina ou em qualquer local público. Sua privacidade foi invadida, suas imagens lhe foram roubadas.

Os súditos entenderam. Em pesquisa realizada pelo Sunday Times, 68% dos que foram consultados não reprovaram a atitude do Príncipe. E, inclusive, 75% ratificaram seu conceito positivo sobre o jovem piloto de helicópteros da Força Aérea Britânica.

Membros do exército inglês se deixaram fotografar despidos em solidariedade à Harry. Jovens ingleses e de toda a parte do mundo, posam desnudos identificando-se com o Príncipe ruivo traído em Vegas. Até mesmo os tablóides ingleses que publicaram a notícia omitiram as fotos. A exceção do The Sun que, inclusive, fez uma montagem posterior, de uma estagiária e um editor imitando Henry.

O mundo político acostumou-se, ao que parece, com governantes apáticos, assexuados. Assustou-se com a renúncia de um Rei apaixonado; ficou perplexo com o sentimento arrebatador do Príncipe Rainier pela atriz americana Grace Kelly; foi perturbado com a revelação das gotas de Chanel nº. 5 vestindo Marilyn Monroe, para o deleite do Presidente Kennedy; rejeitou outro membro do clã Kennedy que ousou envolver-se com a secretária;  repudiou Clinton que mostrou ao mundo a possibilidade de lidar com grandes questões sem tornar-se impotente. E, em promissoras previsões, divide-se ante a nudez de Harry.


Mais sinceridade. Mais verdades. Bem melhor a nudez de um Príncipe que as constantes investidas e maledicências sobre a masculinidade de membros da família real. O adulto tem o direito de exercer a opção sexual que entender. Sou mulher, natural e conscientemente fiz minha opção pelo sexo oposto, ou como disse Juca Chaves, o Menestrel maldito, o ideal.

Celebremos, o Príncipe está vivo ! Vivíssimo. Só nos resta esperar que ele honre sua família, seu nome, sua natural disposição sexual.