Quem sou eu? O que faço

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João Pessoa, Paraíba, Brazil
Quem sou? O que faço. Sou Maria de Lourdes, tenho, agora, 62 anos, esposa, mãe e avó, formação jurídica, com pós graduação em Direitos Humanos e Direito Processual Civil, além de um curso não concluído de Filosofia. Conheci os clássicos muito cedo, pois não tinha permissão para brincar na rua. Nosso universo – meu e de meus irmãos – era invadido, diariamente, por mestres da literatura universal, por nossos grandes autores, por contistas da literatura infanto-juvenil, revistas de informação como Seleções e/ou os populares gibis. Todos válidos para alimentar nossa sede de conhecimento. Gosto de conversar, ler, trabalhar, ouvir música, dançar. Adoro rir, ter amigos e amar. No trabalho me realizo à medida que consigo estabelecer a verdade, desconstruir a mentira, fazer valer direitos quando a injustiça parece ser a regra. Tenho a pretensão de informar, conversar, brincar com as palavras e os fatos que possam ser descritos ou comentados sob uma visão diferente. Venham comigo, embarquem nessa viagem que promete ser, a um só tempo, séria e divertida; suave e densa; clássica e atual. Somente me acompanhando você poderá exercer seu direito à críticas. Conto com sua atenção.
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sexta-feira, 22 de maio de 2015

SÃO JORGE GUERREIRO

DEVOÇÃO AO SANTO




Falar sobre santidade é um desafio para a grande maioria das pessoas. É claro, existem aqueles que conhecendo a história de criaturas bem aventuradas, que viveram sua humanidade segundo os preceitos religiosos, discorrem com propriedade e eloquência sobre os de sua devoção. Há, também, registros que de alguma forma despertam  o pesquisador, o historiador ou simplesmente o "crente", motivando-o a reproduzir atos, fatos, devoção. * Imagem: hblog.com.br



Escolher um "Santo" para venerar, quase sempre tem origem na infância, na memória familiar. Normalmente os parentes passam às crianças sua fé, suas crenças,  sua maneira de ver e reverenciar o sagrado. Essa formação, essa oferta continuada nas famílias cristãs, que trazem o Divino para as suas mesas, seus quartos e suas consciências, incute, de tal forma, a ideia de um SER SUPREMO que, pelo resto de suas vidas, ainda que seus filhos ou netos se afastem do culto religioso, jamais esquecerão do DEUS humanizado. E mais, a cada tropeço, algo dentro do cristão relembrará suas faltas, seu distanciamento, no aspecto da religião o que, invariavelmente, levantará dúvidas. * Imagem: luizmotivador.com.br.

Reconhecer a santidade de homens e mulheres, sentir-se sob a proteção de um Santo ou uma Santa, é um ensinamento particular da *Igreja Cristã: Católica Apóstolica Romana bem como Igreja Otodoxa. Nenhuma outra religião faz essa junção. Jacques Leclercq, no Mistério do DEUS-HOMEM, trata a "Encarnação como o Maior de todos os acontecimento, o mais prodigioso que já se deu no mundo...". Em seu relato, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade - o Verbo -, se fez carne e existe na história da humanidade um homem que é Deus..". O ser humano não poderia conhecer fenômeno mais importante que esse.Tanto é assim, que o EU SOU se constitui num divisor radical na história do HOMEM, o antes e o depois do Cristo. *Imagem: cleofas.com.br.



Desse modo, o Rei dos Reis tornou-se humano e cercou-se de humanidade. Sua divindade possibilitou que o ser humano, de coração aberto para os mistérios do Sagrado, pudesse, pela vontade de Deus, comungar dessa "qualidade", para nós mortais, representativa da Santidade, reconhecida e declarada pela Igreja. Assim, homens e mulheres adquiriram, em potencial, condição de  participarem do Divino. Tornarem-se membro da corte celeste. Na segunda epístola de São Paulo aos Efésios está escrito: "Deus sempre nos abençoou e nos escolheu em Cristo para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença, no amor." * Imagem: cultura.culturamix.com.



Assumida a ideia da santidade, falar sobre um Santo,  sentir-se motivado a descobrir as origens e os fatos que determinaram a santificação de alguém, pode surgir  a partir de inúmeros fatores que vão desde acontecimentos pessoais ou  uma linha de estudos, ou ainda, através de um catalisador que tenha trazido à tona, de uma forma mais terrena e midiática, a divindade. Nesse contexto tem-se as necessidades pessoais, a saúde, a felicidade...,  as datas comemorativas de cada um e da própria Igreja,  as alusões nas Mídias, as catástrofes... enfim, várias opções. Imagem: ipsw.org.b.


Pois é, aos 23 de Abril, a Igreja Católica celebra o dia de São Jorge. Santo Guerreiro, cuja apresentação não deixa dúvidas. Afinal, não é para qualquer um ser representado  como "matador de dragões". É muito? Não. São Jorge não conheceu limites terrenos. Não se prendeu ao Oriente, a que é atribuída a sua origem.  A crença e devoção a São Jorge espalhou-se mundo a fora, somando adeptos em todos os Continentes. *Imagem: entrei.com


Festejado e celebrado, São Jorge é Padroeiro de Portugal, Reino Unido, Catalunha, Lituânia,  Geórgia e Bulgária. Além disso no Canadá, em Newfoundland e em Adis Abeba, na Etiópia, há celebrações pelo dia a ele dedicado. No data a ele consagrada, a Catalunha, em comemorativo simbolismo, junta uma rosa e um livro. A tradição une o acontecimento religioso, a rosa como símbolo do amor e o livro como materialização da cultura. Considerado um dos mais notáveis entre os militares santificados, imortalizado no imaginário popular como matador do dragão,  São Jorge, tornou-se um um dos mais queridos santos da Igreja Cristã. *Imagem: www.catalonia.com.br.


Mas não é só isso. São Jorge guerreiro parece iluminar  caminhos. Seja nascido na Capadócia ou na Palestina, onde estão seus restos mortais. O que fica de verdade é a devoção que ultrapassa continentes, séculos, direcionamentos dogmáticos. Segundos os registros, Jorge foi  um homem nascido há 1.700 anos, mas especificamente em 280 D.C, antecedendo a Maomé e ao Islã.  Ainda jovem, vivendo uma realidade sem muitas opções, tornou-se, mais um soldado a serviço de Roma. 



No contexto de testemunho e defesa da fé e de seu credo, sem que fosse necessário o sacrifício de nenhuma pessoa, o jovem Jorge enfrentou a fúria do Imperador Diocleciano, foi torturado, enterrado vivo e tendo sobrevivido aos seus algozes, sofreu o martírio da decapitação. Sua força moral, sua resistência e, sobretudo, seu amor a Deus o tornou Santo, converteu a Imperatriz e fez com que, por ordem de Roma, lhe fosse construído um mausoléu. *Imagem: gloriososaojorge.blogspot.com



A história continua. São Jorge viaja incólume por esse tecido invisível chamado tempo. Venceu a divisão da Igreja, sobrevivendo ao Cisma, permanecendo Santo em ambas as correntes doutrinárias. Foi do Oriente ao Ocidente, conquistou a Europa tomando por devotos pessoas de todos continentes.  Ungido no sincretismo que reuniu a Igreja Católica e religiões Africanas, transitava das salas das sinhás às cozinhas das mães negras; das senzalas e seus batuques aos mosteiros, igrejas e ambientes nos quais as músicas sacras eram entoadas por colonizadores. *Imagem: elizabethdiniz.blogspot.com


No Brasil Colônia a escravidão fez surgir a miscigenação de religiões. O português,  tradicionalmente Católico, quando da colonização brasileira, catequizou os índios, moradores originais da nova colônia e, com a visão do conquistador, buscou um terreno aparentemente fértil para a religião junto aos negros saudosos de suas liberdades. Esses, porém, senhores de suas crenças e tradições religiosas, Ubanda, Candomblé... conseguiram ludibriar os europeus promovendo um sincretismo religioso que vige até os dias de hoje. * Imagem: awuré Portal de mídia afro. 



A sensibilidade e argúcia do povo escravizado transformou a orixá Iansã em Santa Bárbara; associou Exú a Santo Antônio; Oxossi a São Sebastião; Ewá, orixá da chuva, a Nossa Senhora das Neves; Iemanjá pode ser a Virgem Maria e/ou Nossa Senhora  dos Navegante; Oxum é Nossa Senhora da Conceição; Oxalá é associado a Jesus. Ogum é São Jorge. Cada orixá foi associado um um Santo, com isso os escravos cultuavam e seguiam fiéis às suas crenças, metamorfoseada e, bem debaixo dos olhos do colonizador. * Imagem: awure.jor.br


Esse Santo que de tão versátil parece brasileiro, com sua passagem rápida pela terra, tendo sido imolado aos 27 anos, deixou uma imagem jovem, forte, com brio e disposição para a luta. Sua inabalável  Fé em Deus, sua garra, confiança e destemor deram identidade ao SANTO GUERREIRO. Nada mais justo que um dos mais belos estado da federação o tenha adotado como Patrono. São Jorge brilha como poucos no imaginário e na fé do povo Carioca. É o padroeiro, extra oficial, do Rio de Janeiro onde,  a  população o coloca em igual patamar a São Sebastião, também militar, martirizado e Padroeiro oficial da cidade. *Imagem: noticias.uol.com.br.



Por vezes o contato do povo brasileiro com esse santo é quase material. São Jorge está na música,  na televisão, na pintura, escultura, na arte em sua diversidade. O nosso povo tem uma história de amor e devoção com São Jorge. Amado e invocado em preces e necessidades, foi transformado em guerreiro espacial. Não é que os brasileiros colocaram São Jorge como morador da lua? *Imagem:ralphbraz.blogspot.com.


Todavia a morada lunar faz parte do sincretismo religioso do povo brasileiro. O santo guerreiro, São Jorge, corresponde a Ogum, orixá da guerra, com energia masculina e que por tais razões busca as vibrações femininas da lua. Essa a explicação do ancestral africano para a "imagem" de São Jorge na Lua. Amado, intensamente, foi transportado até a lua que é poeticamente dos namorados e, novamente, somos levados aos elementos masculino e feminino. *Imagem: sambazayres.wordpress. com



Não resta dúvida, ninguém como o Brasileiro concilia o sacro e o profano, a lenda e a História, a fé e a mitologia - basta observar o mito de Sigurd, o caçador de dragões da mitologia nórdica,  e a figura de São Jorge em seu cavalo branco, com a lança em riste enfrentado o dragão que ameaçava a donzela indefesa. Pela magnificência da fera e passividade comandada pelo medo de toda a população, Jorge e Sigurd, opondo-se, caçando e abatendo o mal,  revelam-se heróis invencíveis e semelhantes.


SÃO JORGE PODE TRANQUILAMENTE REPRESENTAR, NA TURBULÊNCIA DE NOSSO PRESENTE, A ESPERANÇA DO TRABALHADOR BRASILEIRO CONTRA O DRAGÃO DA CORRUPÇÃO. VEM SÃO JORGE, COM CAVALO, LANÇA E TUDO, DEVOLVE-NOS O PORVIR ROUBADO DE NOSSAS CRIANÇAS, DE  NOSSO JOVENS. SALVE JORGE! *Imagem: Amor e Fé Oficial (@amor_amor_Fé....)

Não dá para resistir :

ALMA DE GUERREIRO
Seu Jorge


Jorge vem de lá da Capadócia

Montado em seu cavalo
Na mão a sua lança
Defendendo o povo do perigo
Das mazelas do inimigo
Vem trazendo a esperança

Jorge, nosso povo brasileiro
Tem alma de guerreiro
Não cansa de lutar

Enfrentando um dragão por dia
Na sua companhia
A gente chega lá

Olhando para o céu eu sou capaz de ver
(Salve Jorge!)
Na lua
Tropeçando, levantando sempre com você
(Salve Jorge!)
Na rua

Olhando para o céu eu sou capaz de ver
(Salve Jorge!)
Na lua
Tropeçando, levantando sempre com você
(Salve Jorge!)
Na rua



terça-feira, 30 de julho de 2013

A VISITA DE FRANCISCO



FÉ, ESPERANÇA E CARIDADE.


  
O Papa Francisco esteve no Brasil. Chegou humilde, simples, com um sorriso largo, os braços abertos, as mãos estendidas. Trouxe mensagens de Fé, Esperança e Caridade estampadas no rosto.


Logo ao iniciar o programa previamente estabelecido foi apresentado ao jeitinho brasileiro. Viu-se preso num engarrafamento, cercado por pedestres ansiosos por um sorriso, um gesto, um toque ou até mesmo uma palavra. Francisco mostrou a que veio, paciente e sorridente abraçou a multidão distribuindo simpatia, docilidade, acessibilidade. O imprevisto – pelo menos para o visitante – não arranhou o seu humor, a sua disponibilidade.


Como todo homem público, abraçou a multidão, beijou e levantou nos braços criancinhas, distribuiu humildade, coerência e amor. Nele tudo é novo. É o 266º Pontífice, o primeiro nascido no Continente Americano. Em mais de  1200 anos de Papado é, também, o primeiro não Europeu e o primeiro Jesuíta a tornar-se Papa, sendo eleito aos 13 de Março de 2013, no segundo dia do conclave. A célebre indagação se aceitava a escolha? Disse: "Eu sou um grande pecador, confiando na misericórdia e paciência de Deus, no sofrimento, aceito". (Fonte Wikipédia – a Enciclopédia Livre) 


Nascido em Buenos Aires, filho de um trabalhador ferroviário e de uma dona de casa, foi batizado com o nome JORGE MÁRIO BERGOGLIO. Graduado e pós-graduado com Mestrado em Química, na sua juventude foi acometido por uma doença respiratória que o fez perder um pulmão. Em 1958 entrou para a Companhia de Jesus, fazendo o noviciado e, ainda em Buenos Aires, graduou-se em Filosofia e Teologia. Posteriormente fez seu Doutorado na Alemanha.


Francisco, além de sua língua materna o espanhol, fala, fluentemente, Italiano, Alemão, inglês e Francês. O anúncio de sua escolha – Habemus Papam – por Jean Louis Tauran informou aos Cristãos o seguinte: “Anuntio vobis gaudium magnum:  Anuncio-vos com grande alegria habemus Papam! temos um Papa! Eminentissimum ac Reverendissimum Dominum, O Eminentíssimo e Reverendíssimo Senhor Dominum Georgium Marium D. Jorge Mario Sanctæ Romanæ Ecclesiæ Cardinalem Bergoglio Cardeal da Santa Igreja Romana, Bergoglio qui sibi nomen imposuit Franciscum.


Um homem simples acostumado a uma vida de humildade e dedicação a sua fé e a humanidade.  No seu primeiro contato com a multidão que rezava pelo Conclave, disse:  irmãos e irmãs, boa noite! “Vós sabeis que o dever do Conclave era dar um Bispo a Roma. Parece que os irmãos Cardeais tenham ido buscá-lo quase ao fim do mundo... Eis-me aqui! Agradeço-vos o acolhimento: a comunidade diocesana de Roma tem o seu Bispo. Obrigado! E, antes de mais nada, quero fazer uma oração pelo nosso Bispo Emérito Bento XVI. Rezemos todos juntos por ele, para que o Senhor o abençoe e Nossa Senhora o guarde.”


Em sua missão ao nosso País Francisco quebrou o protocolo. Preferiu passar pela Catedral Metropolitana, ante de rumar para o Palácio Guanabara, como constava na programação. Sua necessidade de estar junto à população, sentir-se no meio da multidão, o  fez optar por um passeio no Papa móvel, na segunda feira, fato esse que não constava na agenda Oficial do Vaticano repassada as autoridades brasileira. Francisco inovou, ainda, quanto às características do veículo. O Papa móvel   aberto nas laterais, sem vidros de forma que houvesse contato físico do visitante com os visitados.


Todos os passos de Francisco no Brasil foram marcados por sua principal característica: a humildade.  Em seu segundo dia entre nós, reservado para descanso, rezou uma missa privativa aos Cardeais e freiras. Posteriormente tomou sorvete e comeu pão de queijo. A residência Assunção, em Sumaré, acolheu o seu repouso, natural e imprescindível para renovação física e preparação ao que deverá realizar. 


Cumprindo uma agenda cheia de interação, O Papa, em seu terceiro dia no Brasil deslocou-se à Aparecida, a 217 quilômetros de São Paulo, onde maravilhou-se com a demonstração de Fé dos peregrinos e, mostrou evidente emoção diante da Santinha que de seu nicho parecia abençoar aquele que, como ela, remete as pessoas a simplicidade, humildade. Nossa Senhora Aparecida, Padroeira de Brasil.


No Santuário celebrou uma Missa na qual enfatizou três aspectos que devem nortear a vida dos cristãos: “Conservar a esperança, deixar-se surpreender por Deus e viver na alegria”. Uma cerimônia belíssima, marcada pela fé e pela emoção, onde o Papa prometeu aos fiéis retornar em 2017, data em que serão celebrados os trezentos anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida  por pescadores, no Rio Paraíba do Sul, no ano corrente de 1717.


Retornando ao Rio o Papa visitou um Hospital para dependentes de drogas. – o Hospital São Francisco –  no Bairro da Tijuca, ali abençoou dez pacientes, fez um discurso forte, chamando os traficantes de “mercadores da morte. Em sua missão evangelizadora o Papa Francisco visitou, no seu quarto dia no Brasil, a favela Manguinhos, ali dirigiu-se as autoridades ao fazer a referência que “a pacificação é impossível, quando a periferia é ignorada”.


Em suas palavras foi mais longe ao dizer: " Queria lançar um apelo a todos que possuem mais recursos, às autoridades públicas e a todas as pessoas de boa vontade comprometidas com a justiça social : não se cansem de trabalhar para um mundo mais justo e solidário! Ninguém pode permanecer insensível às desigualdades que ainda existem no mundo". afirmou também: "Não deixemos entrar no nosso coração a cultura do descartável porque nós somos irmãos. Ninguém é descartável."  


No quinto dia o Papa rezou pelos mortos da Boate Kiss, em Santa Maria, ouviu a confissão de peregrinos, visitou jovens infratores, rezou a Oração do Angelus e pediu que rezassem por ele. 


Tendo como principal compromisso do dia a Via Sacra, o Papa Francisco chegou a Copacabana e viu-se cercado por um mar de fieis, estimados em três milhões de pessoas, rios de gente, caracterizando a maior movimentação de pessoas numa cidade brasileira até hoje. De todas as partes do mundo, bandeiras tremulando, lençóis brancos nas janelas, pessoas chorando, rindo, todos integrados a uma só ideia: a fé.


Finalizada a Via Sacra por volta das oito horas, o Papa dirigiu-se a multidão falando sobre o significado da cruz de Jesus, esclarecendo que a cruz não é sinal de morte e fracasso, mas de vitória. Dizendo: “Vimos acompanhar Jesus no seu caminho de dor e amor”. “O que terá deixado a cruz de Jesus em  cada um de vocês? As palavras caíram sobre a multidão que vibrou em sintonia com o momento. Após seu discurso Francisco retirou-se.


Em seu sexto dia entre nós, Francisco celebrou a Missa na Catedral Metropolitana de São Sebastião para mais de mil  Bispos, Padres, Freiras, religiosos e seminaristas, exortando-os a deixarem de lado a indiferença e manterem diálogo, diálogo, diálogo,  e também buscarem a periferia onde as “pessoas têm sede de Deus”.


Saindo da Catedral  o Papa dirigiu-se ao Theatro Municipal onde encontrou-se com Autoridades, Diplomatas, Políticos e Artistas. Mais uma vez enfatizou o  diálogo  como  meio   de por fim a indiferença,  ao  egoísmo   e   a   violência.    No   almoço o Papa reuniu-se com Cardeais e Bispos no Palácio João Paulo II, na Glória, zona Sul do Rio de Janeiro.  E por fim, participou da Vigília de Oração, na praia de Copacabana, onde Ao falar de futebol, o pontífice disse que "Jesus é maior do que a Copa do Mundo".


Finalizando sua passagem pelo  Brasil, o Papa Francisco celebrou a Missa de Envio, em Copacabana, no Rio de Janeiro, neste domingo (28), fechando dessa maneira o ciclo da Jornada Mundial da Juventude. Entre os presentes a  presidente Dilma - acompanhada da presidente da Argentina - Cristina Kirchner e do presidente boliviano Evo Morales. O momento mais esperado ocorreu com o anúncio da cidade sede da próxima Jornada, o que foi feito seguido da Oração do Angelus, sendo escolhida a Cracóvia, na Polônia, cidade que receberá a próxima edição da Jornada Mundial da Juventude.


A passagem do Papa Francisco entre nós foi marcada por palavras e atos que deram vida ao seu discurso como; solidariedade, participação, simplicidade – materializadas nas repetidas atitudes de descer do papa móvel pondo em alvoroço a segurança e, em meio à multidão, abraçar peregrinos,  pessoas que se colocavam nos lugares onde iria passar, pegar crianças em seu braços, abençoar a idosos, jovens, se solidarizar com portadores de deficiência, visitar comunidades pobres, ir a casa de pessoas extremamente carentes, conversar com pessoas com problemas com drogas, ir a um hospital para com problemas com drogas e chamar a atenção das autoridades e da sociedade para o egoísmo, a frieza, a ausência de compromisso real com os verdadeiramente necessitados.


O seu coração fraterno expôs-se ao se emocionar, ir as lágrimas,  com o pequeno Natan de nove anos que,  entre  lágrimas  pedia   para aproximar-se do Papa e que foi por aquele chamado ao papa móvel, sussurrando entre lágrimas ao Pontífice o seu desejo de ser Padre. A emoção demonstrada ante o agradecimento feito por D. Orani Tempesta, Arcebispo do Rio de Janeiro que, inclusive, agradeceu, também, ao Papa Bento XVI que escolheu a cidade como sede da Jornada da Juventude.


Despedir-se de Francisco foi algo difícil, o Brasil, inconsciente, sem preocupar-se com a missão Universal do Pontificado, acostumara-se ao sorriso franco, a face receptiva, a voz mansa, porém firme, ao homem, ao Papa. Algo que coubesse na repetida afirmação de que “ Deus é brasileiro”, desse modo o Papa poderia tornar-se brasileiro e fazer do Brasil a sede da Santa Sé. Mas, sonhar já é suficiente, nosso povo, nossas autoridades, nós, temos muito ainda a caminhar e que essa caminhada seja profícua e sempre voltada no sentido do amor, da paz, da compreensão, da humildade.


Francisco já está de volta ao trono de Pedro. Que Deus o abençoe que a recíproca seja verdadeira. “ Não esqueçam de rezar por mim, o Papa precisa de vocês”. Eu digo, Não esqueça de nós, nos brasileiros precisamos muitíssimo de seu seu amor, sua humildade, sua lição de vida, suas orações. Obrigada Francisco.

PARA UMA REFLEXÃO DO QUE ESTAMOS FAZENDO DE NOSSAS VIDAS A FALA DO PAPA FRANCISCO AO FINAL DA VIA-SACRA:



"Queridos jovens,

Viemos hoje acompanhar Jesus no seu caminho de dor e de amor, o caminho da Cruz, que é um dos momentos fortes da Jornada Mundial da Juventude. No final do Ano Santo da Redenção, o bem-aventurado João Paulo II quis confiá-la a vocês, jovens, dizendo-lhes: "Levai-a pelo mundo, como sinal do amor de Jesus pela humanidade e anunciai a todos que só em Cristo morto e ressuscitado há salvação e redenção."

A partir de então a cruz percorreu todos os continentes e atravessou os mais variados mundos da existência humana, ficando quase que impregnada com as situações de vida de tantos jovens que a viram e carregaram. Ninguém pode tocar a cruz de Jesus sem deixar algo de si mesmo nela e sem trazer algo da cruz de Jesus para sua própria vida. Nesta tarde, acompanhando o Senhor, queria que ressoassem três perguntas nos seus corações: O que vocês terão deixado na cruz, queridos jovens brasileiros, nestes dois anos em que ela atravessou seu imenso País? E o que terá deixado a cruz de Jesus em cada um de vocês? E, finalmente, o que esta cruz ensina para a nossa vida?

Uma antiga tradição da Igreja de Roma conta que o apóstolo Pedro, saindo da cidade para fugir da perseguição do imperador Nero, viu que Jesus caminhava na direção oposta e, admirado, lhe perguntou: "Para onde vais, Senhor?". E a resposta de Jesus foi: "Vou a Roma para ser crucificado outra vez". Naquele momento, Pedro entendeu que devia seguir o Senhor com coragem até o fim, mas entendeu sobretudo que nunca estava sozinho no caminho; com ele, sempre estava aquele Jesus que o amara até o ponto de morrer na cruz.

Pois bem, Jesus com a sua cruz atravessa os nossos caminhos para carregar os nossos medos, os nossos problemas, os nossos sofrimentos, mesmo os mais profundos. Com a cruz, Jesus se une ao silêncio das vítimas da violência, que já não podem clamar, sobretudo os inocentes e indefesos; nela Jesus se une às famílias que passam por dificuldades, que choram a perda de seus filhos, ou que sofrem vendo-os presas de paraísos artificiais como a droga; nela Jesus se une a todas as pessoas que passam fome, num mundo que todos os dias joga fora toneladas de comida; nela Jesus se une a quem é perseguido pela religião, pelas ideias, ou simplesmente pela cor da pele; nela Jesus se une a tantos jovens que perderam a confiança nas instituições políticas, por verem egoísmo e corrupção, ou que perderam a fé na Igreja, e até mesmo em Deus, pela incoerência de cristãos e de ministros do Evangelho.

Na cruz de cristo está o sofrimento, o pecado do homem, o nosso também, e Ele acolhe tudo com seus braços abertos, carrega nas suas costas as nossas cruzes e nos diz: Coragem! Você não está sozinho a levá-la! Eu a levo com você. Eu venci a morte e vim para lhe dar esperança, dar-lhe vida.

E assim podemos responder à segunda pergunta: o que foi que a cruz deixou naqueles que a viram, naqueles que a tocaram? O que deixa em cada um de nós? Deixa um bem que ninguém mais pode nos dar: a certeza do amor inabalável de Deus por nós. Um amor tão grande que entra no nosso pecado e o perdoa, entra no nosso sofrimento e nos dá a força para poder levá-lo, entra também na morte para derrotá-la e nos salvar. Na cruz de Cristo, está todo o amor de Deus, a sua imensa misericórdia. E este é um amor em que podemos confiar, em que podemos crer. Queridos jovens, confiemos em Jesus, abandonemo-nos totalmente a Ele! Só em cristo morto e ressuscitado encontramos salvação e redenção. Com Ele, o mal, o sofrimento e a morte não têm a última palavra, porque Ele nos dá a esperança e a vida: transformou a cruz, de instrumento de ódio, de derrota, de morte, em sinal de amor, de vitória e de vida.


O primeiro nome dado ao Brasil foi justamente o de "Terra de Santa Cruz". A cruz de Cristo foi plantada não só na praia, há mais de cinco séculos, mas também na história, no coração e na vida do povo brasileiro e não só: o cristo sofredor, sentimo-lo próximo, como um de nós que compartilha o nosso caminho até o final. Não há cruz, pequena ou grande, da nossa vida que o Senhor não venha compartilhar conosco.

Mas a Cruz de Cristo também nos convida a deixar-nos contagiar por este amor; ensina-nos, pois, a olhar sempre para o outro com misericórdia e amor, sobretudo quem sofre, quem tem necessidade de ajuda, quem espera uma palavra, um gesto; ensina-nos a sair de nós mesmos para ir ao encontro destas pessoas e lhes estender a mão. Tantos rostos acompanharam Jesus no seu caminho até a Cruz: Pilatos, o Cirineu, Maria, as mulheres...

Também nós diante dos demais podemos ser como Pilatos que não teve a coragem de ir contra a corrente para salvar a vida de Jesus, lavando-se as mãos. Queridos amigos, a cruz de Cristo nos ensina a ser como o Cirineu, que ajuda Jesus levar aquele madeiro pesado, como Maria e as outras mulheres, que não tiveram medo de acompanhar Jesus até o final, com amor, com ternura. E você como é? Como Pilatos, como o Cirineu, como Maria?

Queridos jovens, levamos as nossas alegrias, os nossos sofrimentos, os nossos fracassos para a cruz de Cristo; encontraremos um coração aberto que nos compreende, perdoa, ama e pede para levar este mesmo amor para a nossa vida, para amar cada irmão e irmã com este mesmo amor. Assim seja!"