Quem sou eu? O que faço

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João Pessoa, Paraíba, Brazil
Quem sou? O que faço. Sou Maria de Lourdes, tenho, agora, 62 anos, esposa, mãe e avó, formação jurídica, com pós graduação em Direitos Humanos e Direito Processual Civil, além de um curso não concluído de Filosofia. Conheci os clássicos muito cedo, pois não tinha permissão para brincar na rua. Nosso universo – meu e de meus irmãos – era invadido, diariamente, por mestres da literatura universal, por nossos grandes autores, por contistas da literatura infanto-juvenil, revistas de informação como Seleções e/ou os populares gibis. Todos válidos para alimentar nossa sede de conhecimento. Gosto de conversar, ler, trabalhar, ouvir música, dançar. Adoro rir, ter amigos e amar. No trabalho me realizo à medida que consigo estabelecer a verdade, desconstruir a mentira, fazer valer direitos quando a injustiça parece ser a regra. Tenho a pretensão de informar, conversar, brincar com as palavras e os fatos que possam ser descritos ou comentados sob uma visão diferente. Venham comigo, embarquem nessa viagem que promete ser, a um só tempo, séria e divertida; suave e densa; clássica e atual. Somente me acompanhando você poderá exercer seu direito à críticas. Conto com sua atenção.
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domingo, 19 de janeiro de 2014

ANO ELEITORAL


CAÇA AO ELEITOR


O ano de 2014 promete. Há implícito um desafio a sociedade de adequar à máquina administrativa às necessidades reais do País. Que importância ideológica ou prática pode ter esse ou aquele candidato? Qual o valor do eleitor diante da massificação exercitada pela TV, pela propaganda diária ainda que sob os mais ridículos disfarces?


Preferências à parte é hora de atenção, de fazer memória, de ter consciência cívica. As soluções para problemas seculares não podem ser obtidas como passe de mágica. Desde 1º de Janeiro de 2003, portanto há 11 (onze) anos o Estado brasileiro viu um grupo turbinado por ideologias socialistas, por teorias e práticas sindicais, subir ao poder e prometer ao proletariado, no mínimo, Justiça Social.


O tempo passou, alguns, efetivamente, conseguiram um salto a um só tempo qualitativo e quantitativo. Temos na Republica dos Trabalhistas um exemplo raro. Com destaque para um cidadão que não ganhou a loteria sozinho, também não foi premiado na "mega sena" e, naturalmente, não tem bolsa família ou quaisquer dos falados benefícios sociais destinados a erradicar a pobreza no território nacional. Entretanto, com uma ajudinha, coisa boba, passou a integrar um seleto grupo de brasileiros: o dos bilionários.


Pasmem, há aproximadamente dez anos, essa figura – o novo rico - ganhava salário mínimo e, como milhões de outros trabalhadores nesse país, enfrentava a difícil missão de administrar o nada, dividindo-o para necessidades inadiáveis. 



Pois é, coisa de política. Questiona-se, se familiar? O que se conhece do sortudo é que se tornou o maior acionista de conhecida empresa de telefonia que tudo pode e pouco oferta. Campeã de desserviço, a empresa superlota os Juizados dos Consumidores em larga faixa do território nacional; mas, só para contrariar, se você pretende algo junto ao INSS, só poderá fazê-lo através da referida firma que detém o monopólio do serviço. Todavia não se sabe se por deficiência administrativa ou mesmo por excesso de retiradas, dizem que não anda bem. Entretanto, como inúmeras falências e concordatas, o falido, o concordatário, continua "flanando" no jet set. 


 Assim, se você estiver no Rio Grande do Sul, no Amapá, no Amazonas, em São Paulo, em Mato grosso ou na Paraíba, não importa em que região, ao solicitar informação do Órgão Previdenciário sua ligação será direcionada para Pernambuco e de lá alguém irá informar os serviços e marcar o atendimento. Com sorte você não ficará muito tempo ouvindo música. Ou, ainda, não terá seu atendimento que deveria ser para o interior de São Paulo, direcionado a um Município ou Bairro de mesmo nome no estado da Bahia ou qualquer outro. 


Essa mesmo empresa é responsável por Caixas Eletrônicos de um dos Bancos mais importantes do Brasil. Algumas vezes o funcionamento daquelas “máquinas de fazer doidos (que me desculpe Stanislaw Ponte Preta – o Lalau)”, causa desespero. A ação que você optou por fazer parece ter desaparecido do sistema. Você insiste, que pena. O maquinário é ruim, o provedor  pior ainda e só lhe resta pedir a Deus que outra opere a contento. Mas, quem é o gênio das finanças? Leia amigo, leia.


A escolha do povo brasileiro nos últimos anos tem oportunizado ao País desnudar muitos “idealistas convictos”. As surpresas não cessam, as novidades aparecem diuturnamente e, quase sempre, tem um representante do Eleitor Brasileiro veementemente motivado a rechear sua conta bancária, ainda que em nome de outra pessoa. Eu arriscaria a dizer que sendo a Lei aplicada a rigor, admitindo-se a moda das revistinhas que povoaram a minha infância, ter-se-ia uma overdose de listras. 


Desse modo amigo eleitor, amiga eleitora, pense, pense, pense muito. Faça memória dos candidatos que você transformou em parlamentares. Como eles se portam? Estão na lista VIP do Mensalão, ou do Mensalinho? Ou mesmo de escândalos que assombram e zombam dos honestos, do salário ganho a duras penas?  Estão a serviço do Povo ou divertem-se em hotéis de luxo e/ou colocando em postos de destaque pessoas sem nenhum decoro que têm como única missão engordar a conta bancária própria e a de quem lhe deu privilégios e poder? Não esqueçam muitas dessas criaturas têm perfume de rosa, são bonitas, inteligentes e não primam pela ética.

 
É interessante que se tenha bastante atenção. A corrida está quase na largada. Já temos políticos processados por propaganda eleitoral indevida (fora do prazo), desde a presidência da República até os Estados. Os rachas, os acordos já começam a ser costurados. Os ciúmes também estão presentes. Assim como as ameaças de rebelião.  As moedas de troca, de manobra, muitas vezes insinuadas, permanecem, ainda, em off. As candidaturas germinam. Políticos, lobistas, cabos eleitorais e mandatários candidatos a re-eleição fritam seus neurônios na busca da melhor estratégia.


Prestigiar aquele que está meio afastado pode trazê-lo de volta ao reduto.  Deixar de lado o aliado pode revelar a fraqueza política atual desse ou o a ideia do gestor sobre o controle total da situação,  ou mesmo por acreditar que já o prestigiou suficientemente. Não deixem de considerar " O Retorno de Jedi", que traz de volta o Capitão Solo, congelado durante um bom tempo e que se refaz. Política, política, política...
Cuidado, credibilidade é algo fácil de ser produzida quando o eleitor prefere ser enganado a raciocinar. Noções seculares podem ser alteradas em fração de segundos. As aparências de tranquilidade, a sugestiva necessidade de revisão de cálculo de crescimento, a infeliz expressão “dentro da meta”, o índice de crescimento que, em apenas 2%, não mais contraria a presidência, pois foi descoberto não elege candidato, não rende votos, tudo isso, mais que sintomas são reais conclusões nessa fase inicial de disputas decididas, supostamente, nas urnas.  Acredite, ainda vivemos sob a famosa condição: "o Poder que não pode, não é Poder."


Evidentemente que a Política de Circunstância, a da hora, do momento atual, é referente  a inflação. Preços em baixa, votos em alta. Mesmo sendo no País de Alice. Como disse, o ano promete.  É de caça e nós eleitores somos as presas. Se tivermos que cair que seja com quem tem as melhores armas, aquelas engatilhadas na defesa da sociedade brasileira, se é que existem.


Ah, quase esqueci. Alguns "notáveis idealistas" fizeram a festa de escritores, jornalistas, fotógrafos e ousados leitores que se arriscaram e acertaram: venderam  livros e imagens inusitadas, como nunca se viu nesse País. Sim, também não se pode esquecer os que proporcionaram uma festa Cívica capitaneada por Procuradores da República e pelo Ministro Joaquim Barbosa e outros, a despeito daqueles que insistem em levar o partido a reboque em suas funções junto ao Supremo Tribunal Federal.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

OS ESCRAVOS DO PODER

TRAIÇÕES ORQUESTRADAS




Sou funcionária pública estadual. Tenho de tempo de serviço e contribuição previdenciária 30 anos e 11 meses. Se considerarmos a estimativa de vida para o brasileiro, que é de 73,5 anos e meios e a minha idade, é um tempo razoável. Afirmo que dediquei ao Estado da Paraíba os melhores anos de minha vida. Pelo menos em termos de saúde e produtividade.




Trabalhei no atendimento ao público, na elaboração de peças jurídicas, sempre na defesa dos interesses do Estado. Fiz inúmeras audiências, realizei trabalhos de campo coletando informações destinadas às peças, enfim em tudo quanto à condição de Advogada Pública exigiu de mim ao longo dos anos.
 






 
Pois é, tive a chance de conviver com pessoas maravilhosas, prestativas e competentes. Entretanto, também, me deparei e deparo com seres cujas características parecem ter saído de um folhetim destinado a chocar e espalhar o mal. Poucos sabem os efeitos do Poder sobre o ser humano. Somar o Poder Público ao Poder Político e ao Poder Econômico povoa os sonhos de uma parcela da população, animada com a possibilidade de agregar poderes e portanto tornarem-se verdadeiros tiranos de opereta.




Tenho honra de dizer: sempre fui servidora, no sentido original da palavra. Sempre ocupei cargo público e me desincumbi das funções pertinentes. Por onde passei fiz grandes amigos e deixei aberta a porta para a possibilidade de um retorno. Fiz meu nome e meu caminho sem ter que para isso abrir mão de minha consciência, meus princípios éticos e conhecimentos a respeito das questões sobre as quais me debrucei. Assim escrevi minha história no serviço público estadual.




Por isso e pelas criaturas generosas, capacitadas e ao mesmo tempo simples é que resolvi mostrar outro lado que, infelizmente infecta a administração pública. E não é privativa da estadual e, ainda, também não o é somente em relação a nosso País. Infelizmente é um mal que assola a humanidade.





Falo dos escravos do poder. Aqueles aos quais não importam a ideologia, a linha de pensamento, os atos, as ações; o que determina a adesão é estar próximo aos mandatários, quanto mais alto o escalão melhor.  O preço é o que menos conta. Tanto faz se é necessário mudar de rosto, mudar de nome, mudar de partido, de cidade, de religião, de mulher ou de marido. O retorno, o proveito, é estar sempre um passo adiante dos que concorrem ou fazem oposição aos “papagaios de piratas”.





Igualmente, para tais seres, é de pouca valia a traição. Comumente essas pessoas mesmo quando dentro dos gabinetes, ocupando cargos de confiança, pressentindo a possibilidade daquele “poderoso” cair em desgraça, fingem cumprir as determinações do seu superior hierárquico, mas de uma forma tão odiosa que a ordem, inicialmente emanada do gestor, torna-se tão antipatizada quanto o seu idealizador. Incauto, se soubesse o quanto aquele ou aquela a quem foi atribuído o encargo o desvirtuou, apodreceu a missão, tornando o seu emissor “persona non grata”, dele se afastaria e jamais o chamaria para integrar sua equipe.






Estranhamente, essas pessoas, bajuladoras e vazias, conseguem, o tempo todo, ficar lado a lado com os mandatários. Quando políticos, marido e mulher, assumem a estranha postura de cada um apoiar um candidato, sempre o primeiro e o segundo das pesquisas. Não tem como dar errado. Qualquer coisa que resultar inconveniente  ao interesseiro de plantão, um segura a posição do outro.




São verdadeiras sanguessugas dentro das repartições públicas. De gravatas ou de ferramentas em riste, sua principal meta é o poder. Tudo vale a pena para se manter “importante”. O desvio de funções toma uma conotação especial. Pena que ainda não tenham criado cargos como: “denunciante vazio”, “adulador”,  “fofoqueiro mor”, “pau para toda obra”, “duas caras...”, assim estaria completa a lista de cargos e atribuições a que muitos arrogam-se.




E não me venham dizer que é típico de mulher ou de homem. Que é característico dessa ou daquela classe profissional. Que atinge apenas a classe média ou aos pobres. Que depende do intelecto. Não. É uma questão ética, vem de dentro de cada um. A deformação moral que os domina os torna capaz das maiores vilanias, seus objetivos não conhecem barreiras.



Inclusive, tais personagens não se limitam a áreas específicas, estão em todo os segmentos da sociedade. Há aqueles que diuturnamente criticam nos outros aquilo que fazem no seu dia a dia, ou seja: beijam os pés dos poderosos e falam mal daqueles que tem a sua prática. Usam e abusam dos recursos que têm para divulgar o desafeto como “bajulador”, “babão” e outras nominações impublicáveis esquecidos de suas práticas sempre tendo por meta galgar mais um degrau na escala do poder.





Não são simples traidores. Não têm remorsos ou mesmo qualquer sentimento de aversão por suas opções doentias. Recentemente a Nação Brasileira pode constatar até onde se estende os tentáculos da cobiça pelo poder. Vimos a inércia tomar conta do criador enquanto a criatura tentava sobreviver, debatendo-se na mais terrível agonia sem merecer sequer uma palavra, por menor que fosse, de apoio, de consolo ou mesmo que acenasse esperança a quem, até então, merecia todos os afagos, todos os reconhecimentos.




Os desdobramentos dessa atitude de inércia são os mais esperados possíveis. Sim, porque qualquer um que leia, observe, busque informar-se politicamente sabe do desejo, explícito, de uma figura pública que insiste em não se despedir. O palco é, por demais, atrativo; a hora oferece uma chance real, pelo menos assim o parece ao interessado. A pré-candidatura da criatura, se mostra ao criador com ares de aniquilada. Só um milagre ou um factoide veiculado por um gênio para desviar as atenções. Quem sabe o mesmo que articulou atos de vandalismo que perseguiram manifestações populares.




Pois é, do Planalto a menor Prefeitura de um dos Municípios brasileiros, do gabinete Presidencial aos de gestores espalhados por esse Brasil, tudo se repete. A enfadonha e quase previsível dança das cadeiras orquestrada ao som das bajulações e ocasionada pelas deslealdades entre os pares, parece ser a única verdade imutável.




Pena não existir um cadastro nacional de bajuladores, traidores, papagaios de piratas e cínicos, claro. Os mais perigosos são exatamente aqueles que assumem uma posição crítica, gozam de certa credibilidade e usam-na para difundir comportamentos que repete abertamente, mas que somente nos outros parecem dignos de censura. Pobre Paraíba, pequena, valente, com uma história de lutas e bravura, com seus vilões que de tão incompetentes, certamente ficariam nas últimas colocações pois perseguem os pequenos, os já desacreditados, os que não compõe o topo da pirâmide.




Não é a toa que sempre digo: “Nosso Senhor tem cada morador nesse mundo que só Ele aguenta.”  

terça-feira, 28 de maio de 2013

HERÓIS OU BANDIDOS?





A CRUELDADE DO TEMPO.


A História Universal nos conta que através dos tempos a humanidade sempre teve inclinação para a construção de heróis. A Bíblia identifica personagens como Noé, Moisés, Davi, Sansão, Pedro, Paulo, João Batista e, também mulheres que se destacaram como Débora, Jael, Ester, Maria, Abigail e tantas outras. O traço comum dessas pessoas é ter colocado sua causa, a sua crença, acima de tudo e de todos, inclusive, de si mesmo, agindo estoicamente, sem deter-se ante os empecilhos.


A medida que o mundo foi evoluindo, o conceito de heroísmo se expandiu tomando visões diferenciadas; assim embora virtudes como a honestidade, a coragem, a ética, o equilíbrio, a busca e a prática  do bem, estejam presentes, como aspectos que tendem a ser um elo na construção de personalidades  heróicas , há sempre um catalisador que chama a atenção e repercute na história .




Assim o herói que abraçou uma religião, uma ideologia, a defesa de uma posição relevante para o momento histórico, apesar de festejado e reverenciado, por séculos, na velocidade ditada pela  atualidade, parece estar perdendo a simbologia que a simples menção de sua pessoa, de  seu nome,  acarretava.


É claro que nichos heróicos resistem ao desgaste do tempo, do natural distanciamento que a sociedade utiliza para sepultar atos, fatos e pessoas.  Aqueles que não mais conseguem traduzir uma densidade que os faça, indefinidamente, permanecer com o status que entrou para a história, vão perdendo a condição heróica e cada vez tornando-se vultos históricos desconhecidos ou apenas regionais. 


Adita-se ao natural despojamento da condição heróica, por falta de memória mesmo, as espoliações ditadas pelos donos da situação  e a ocasião que a sociedade atravessa. Houve um tempo em que personagens como Tiradentes, Ana Neri, Frei Caneca, José Bonifácio de Andrada e Silva, Pedro I, Anita Garibaldi, eram conhecidas, admiradas e havia toda uma preparação para que o heroísmo dessas pessoas fosse preservado. Todavia, ao que parece se volatizaram, perderam o elã.  São  estudados nas escolas, mas não se popularizam, não são personagens reconhecidas pelos jovens – que são donos do futuro.


Quem não preserva o passado, terá no futuro uma pálida idéia de suas origens, se a tiver. Entretanto, é comum  vermos tentativas de negar o passado, de tratar o que já ocorreu como se fosse um livro onde paginas foram escritas, não agradam aos leitores atuais e devem ser eliminadas.


Todos, de alguma forma, já ouviram falar em Adolf Hitler, racista e anti-semita, uma das criaturas mais repudiadas pela humanidade. O registro da morte de mais de 6.000.000 (seis milhões) de Judeus tornou o Presidente do Partido dos Trabalhadores Alemães – O Partido Nazista – mundialmente famoso. Todavia sua fama resultou da morte de judeus, ciganos, testemunhas de Jeová, deficientes físicos e mentais, eslavos, poloneses, homossexuais, além do uso de seres humanos em experiências médicas e militares. Tudo em nome da etnia Ariana.


O autor do holocausto poderia ser unanimidade. Mas não o é. Em diversos momentos tive o desprazer de ouvir e ver atos em honra de Adolf Hitler. Igualmente, jovens, sem esperanças e sem qualquer senso de humanidade, insistem em ressuscitar o partido Nazista. Hitler tem que ser lembrado, do mesmo modo as atrocidades, crimes, dores, desenganos, tristezas e horrores por ele patrocinados, até mesmo para que não se permita o reaparecimento do vírus da loucura do Führer. A lembrança do genocídio poderá impedir sua repetição.


Personagens da História Universal como Joshep Stalin – que é apontado pela morte de mais de 20.000.00 (vinte milhões) de pessoas; Mao Zedog ou Mao Tsé-Tung, criador da política “Grande salto para a frente”, que é acusado de matar de fome mais de 70.000.000 (setenta milhões) de Chineses;  Kim II-Sung, feroz fundador da Coréia do Norte, por sua vez é incriminado pela morte, através da fome, de mais de 3.000.000. (três milhões) de coreanos; Idi Amin Dada, sedento de sangue, Presidente de Uganda, foi responsável pela morte de 500.000 (quinhentos mil) Ugandenses;  Saddam Hussein, identificado como genocida que causou a morte de mais de 200.000 (duzentos mil) curdos; na lista, ainda,  Moammar Gaddhafi e Kim Jong-II, igualmente tiranos, déspotas, assassinos violentos, incapazes de aceitar qualquer tipo de oposição, também encontram admiradores, defensores e quem justifique os seus atos.



Tais ditadores, invariavelmente cometeram crimes contra o seu povo. Mataram, estupraram, saquearam, despojaram pessoas de seus bens, de sua honra. Sob o mesmo manto, da ditadura ou da permanência no Poder, “por livre e espontânea pressão”, Fidel Castro que segundo a Anistia Internacional matou 86.587 (oitenta e seis mil, quinhentos e oitenta e sete) pessoas; bem como Hugo Chaves (recentemente falecido), são figuras emblemáticas e que “governaram” sob os auspícios da imposição, do terror e do mandonismo. Todavia também não existe unanimidade em relação a qualificá-los como heróis ou vilões, suponho ser grande o risco de qualquer tentativa de defini-los. É mais provável, ante a camaradagem do governo atual, que sejam reconhecidos como heróis mundiais. 


O Brasil titubeia entre preservar a memória e agradar o poder. Cresce, vertiginosamente, o plano para excluir do cotidiano brasileiro figuras até bem pouco tempo reverenciadas. Queremos apagar a História?  Vamos adotar a amnésia política?  Será uma boa idéia, não relembrar os fatos que antecedem as crises e suas consequências?


Comecemos, então, por Tiradentes. Horrível, magro, com os cabelos desgrenhados e a barba por fazer. Certamente não faz o tipo heroico atual. Conspirou contra os poderes estabelecidos. Não serve para herói nacional, pode influenciar negativamente.  Afinal a liberdade deve ser vigiada... E D. Pedro I,  que se opôs a Portugal e subverteu a ordem dando um terrível exemplo, proclamando uma pseudo Independência...  E D. Pedro II, tão circunspecto. Pois é, por sua total falta de desconfiança foi derrubado e substituído pela República, aí sim, a coisa realmente desandou, tem que ser retirada dos livros de História, uma página que não serve para nada. 


A primeira República (1889 a 1930) com seus erros foi capaz de produzir figuras que oscilaram entre alheamento e benesses. Por exemplo, Epitácio Pessoa, Paraibano, que, segundo publicações Paulistas, da época, “ para privilegiar o Nordeste” construiu mais de 200 (duzentos) açudes. Possivelmente pensavam os políticos de então que tais construções foram desnecessárias, é claro. Para tais pessoas no Nordeste chovia sempre. Pelo menos alguns pensavam assim. Talvez se considere fato histórico, na atual conjuntura: a chamada Greve Geral de 1917; a fundação do Partido Comunista Brasileiro; o surgimento dos movimentos sociais conhecidos como Contestados e Canudos;  a figura de Lampião; o  aumento  do voto de cabresto, o coronelismo e  a marcha da coluna Prestes. Tudo muito confuso e misturado, deverá  ser deletado da História?

 
Com Getúlio Vargas, encerra-se a primeira República. O assassinato de João Pessoa, o golpe de Estado que colocou Getúlio no poder, a Revolução de 1930, que lhe permitiu fazer marketing político, propaganda pessoal, culto a sua personalidade, além de revelá-lo simpatizante do nazismo, do fascismo e ter, em sua crescente ânsia pelo poder ter se tornado  ditador. Entretanto, ocorreu,  também, a outorga de direitos sociais aos trabalhadores, como a CLT e o salário mínimo, fatos que totalmente em consonância com a política atual valem a pena ser mantidos na memória nacional. 


O que se dizer então da segunda República que culminou em 1964 quando era Presidente João Goulart. Esse final de governo foi marcado por greves, inflação desordenada, desabastecimento, insegurança, invasões a propriedades rurais, crimes e medo. Mas, diante da atual contingência política a nos “guiar”, não sei, ainda, se esse período vai permanecer como bandeira de luta ou ser apagado de nossas "mentes". 


Quanto mais avança a história mais confusa vai se tornando a  nossa História. A revolução de 1964 produziu toda a sorte de mudanças possíveis e impossíveis, uma vez que regime de exceção é regime de suspensão de direitos. Muitos foram perseguidos, presos, torturados, mortos e “suicidados”. Alguns jamais conseguirão ter uma vida normal, outros buscaram ajuda profissional para poder conviver com o horror que habita em suas memórias, outros tornaram-se políticos profissionais, riquíssimos e ávidos por mais dinheiro e poder.


Em destaque figuras da política atual. Um conhecido como herói e que tornou-se sinônimo de delação, continua traindo e enganando de paletó e gravata; outro, cuja identidade era desconhecida de sua mulher e filhos, permanece em sua rotina, cada vez mais rico e aprontando; outro que consegue a fórmula mágica de fazer uma remuneração de um salário mínimo potencializar-se transformando-se num império financeiro, recusa-se, terminantemente a ensinar o pulo do gato aos beneficiários do bolsa família.  Que egoísmo? Mesmo assim continuam seguindo o que o mestre mandou fazer, muitos não ouvem, não falam e não vêem. 


Como em todo processo de transição política foram muitas as vítimas a cada vez que houve mudança significativa. Assim aconteceu quando trabalhada a idéia da Independência e da proclamação da República. Mesmo o inesperado Estado Novo, produziu suas vítimas. A segunda República e a Ditadura Militar, imolaram nos altares da vaidade, da intolerância, da cupidez humana, milhares de pessoas.  Os imolados nunca se restringiram a um lado, ambos perderam, vidas ceifadas não podem ser usadas como material de desforra. 


 
Cada grupo lutou por uma ideologia. Antagônicas, mas igualmente importante para seus defensores.  Escreveram páginas e páginas da História do Brasil. O fato dos partidos ditos de oposição, a época da revolução, terem assumido o Poder não lhes dá o condão de fazer sumir os 21 anos em que os militares estiveram no comando.


A campanha e a materialização de atos que importam em retirar de logradouros públicos os nomes ligados à revolução ou a outro segmento político, é tão truculento quanto pode ter sido a colocação desses. A diferença é que a retirada é atual e, portanto, suas consequências serão atuais. Apagar a História poderá cobrar caro a seus arquitetos. 


Imaginem vocês trocar nomes de locais que normalmente repetem-se pelo Brasil afora. Ruas Duque de Caxias, Marechal Deodoro da Fonseca, Almirante Barroso, Brigadeiro Eduardo Gomes, Castelo Branco, Ernesto Geisel, João Baptista Figueiredo, Emílio Garrastazu Medici, Arthur da Costa e Silva, Aurélio de Lira Tavares, Augusto Rademaker,  Márcio de Souza Melo, pode até não causar grandes transtornos em cidades maiores, porém em localidades onde as pessoas são mais simples, sem maiores informações o mínimo será a confusão nos já tão conhecidos endereços.


Homenagear figuras como Carlos Mariguella, Vladimir Herzog, Manoel Fiel Filho, João Amazonas, José Genoíno, José Dirceu, Apolônio de Carvalho, Zuleika Angel Jones, Hugo Chaves, os irmãos Castro e tantos outros que lutaram por seus ideais é uma opção que não se choca com a História, não exclui, não induz ao erro de governos totalitários que baniram livros, uso de certas palavras e expurgaram, artificialmente, figuras históricas. 




É muito tênue, em termos históricos, a linha que separa o herói do vilão.