Quem sou eu? O que faço

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João Pessoa, Paraíba, Brazil
Quem sou? O que faço. Sou Maria de Lourdes, tenho, agora, 62 anos, esposa, mãe e avó, formação jurídica, com pós graduação em Direitos Humanos e Direito Processual Civil, além de um curso não concluído de Filosofia. Conheci os clássicos muito cedo, pois não tinha permissão para brincar na rua. Nosso universo – meu e de meus irmãos – era invadido, diariamente, por mestres da literatura universal, por nossos grandes autores, por contistas da literatura infanto-juvenil, revistas de informação como Seleções e/ou os populares gibis. Todos válidos para alimentar nossa sede de conhecimento. Gosto de conversar, ler, trabalhar, ouvir música, dançar. Adoro rir, ter amigos e amar. No trabalho me realizo à medida que consigo estabelecer a verdade, desconstruir a mentira, fazer valer direitos quando a injustiça parece ser a regra. Tenho a pretensão de informar, conversar, brincar com as palavras e os fatos que possam ser descritos ou comentados sob uma visão diferente. Venham comigo, embarquem nessa viagem que promete ser, a um só tempo, séria e divertida; suave e densa; clássica e atual. Somente me acompanhando você poderá exercer seu direito à críticas. Conto com sua atenção.

domingo, 15 de abril de 2012

EDUCAÇÃO COMO FATOR DE DESENVOLVIMENTO HUMANO

EDUCAÇÃO , DESENVOLVIMENTO. 

PARTE I –



Impulsos Neurais
Falar sobre a educação é sempre um desafio, especialmente hoje quando se multiplicam as fontes, os autores, os conceitos, os vieses. Quando o acesso à educação torna-se fator de transcendência do homem porquanto permite a correta apreensão de seu Ser, de seu habitat, de suas origens e possibilidades, o aprimoramento de sua inteligência, conferindo valores a ética e a dialética, a liberdade e a sensibilidade.

Todo e qualquer olhar sobre a sociedade humana, se não o faz, deveria fazê-lo: definir a historia, os acontecimentos, a relação entre as ocorrências e as mudanças, como ponto de partida para análise e inserção do assunto referido, desse modo a primeira abordagem, sob qualquer interesse da sociedade, torna-se efetivamente coerente quando se dá dentro de evolução histórica.

Naturalmente, torna-se impossível, num texto sem maiores pretensões, fazer toda exposição cronológica dos fatos que escreveram o percurso histórico  da educação na civilização humana, tal cronologia já foi reiteradamente estabelecida e nos permite ser mais objetivos.
 
BREVE CONSIDERAÇÕES HISTÓRICAS  -

EDUCAÇÃO  PRIMITIVA –


 Enquanto fase Histórica, a educação primitiva, no alvorecer da humanidade, ocorria com base na observação, na repetição e no sucesso da resposta produzida ante a reiteração de determinada prática. 

Assim, sem uma base científica, a maioria dos autores, ao discorrer sobre essa fase incivilizada, colocam a educação quase como sinônimo de aprendizagem, acontecendo através da  observação, ora das tarefas, a caça, da pesca, ora dos costumes religiosos - mais precisamente rituais -, dos acontecimentos relativos a fenômenos naturais bem como, dos atos e preparativos concernentes à  guerra.

  
A encenação da caça
 Aprender e apreender era uma questão, por vezes de sobrevivência e, invariavelmente de observar atitudes mecânicas – o fazer; o encadeamento de práticas com resultados positivos tornava o homem consciente de uma realidade, pois passa a  entender o que se passa a sua volta e o que fazer para obter aquilo que deseja.

A educação se caracteriza nesse período, muito mais no aspecto corporal cujo fim é intuitivo, almejava-se o atendimento de necessidades específicas como alimentar-se, vestir-se e abrigar-se, tudo significando sobreviver e ordenando situações diárias, inclusive, com atividades de jogos, delineando-se, dessa forma, o que seria uma sugestão à educação física. 


Em busca do fogo
 Numa outra observação entende-se que a repetição tem fim pedagógico dês que desse comportamento amiudado resulta o aperfeiçoamento, o conhecimento que capacita o membro da comunidade tornando-o apto ao atendimento de suas carências e das de outros indivíduos. Conclui-se que há um esboço de Educação intelectual, pois ocorre progresso em sua atividade física ao tempo em que há o  aprimoramento de sua inteligência.


Registro de luta cotidiana
Igualmente, alguns aspectos são marcantes e transcendem a época. Assim, o iterar práticas de respeito aos velhos e aos pais, o culto aos antepassados, ao sentimento da honra, à fidelidade à palavra empenhada, à obediência às autoridades legítima, o hábitos de rituais e práticas religiosas, por mais rudimentares que fossem denotavam educação moral e religiosa ou, pelo menos uma silhueta do que se projetaria como tal. 

Da pré-história, dos povos primitivos  chegaram até nós registros de pesca, caça, dança, rituais, em inúmeras pinturas e desenhos, como se tivesse a função precípua de mostrar, ensinar. No início da Idade Antiga são destacadas as concepções e práticas educativas das culturas indiana, chinesa, egípcia e hebréia.


A EDUCAÇÃO E O POVO GREGO -

Muitos historiadores enfatizam a impossibilidade de se referir à educação sem realçar a civilização grega. É belo o registro feito sobre esse povo que desde os primórdios já considerava a Educação como algo complexo, difícil. Assim, especialmente no que concerne a arte de educar, os gregos, efetivamente, principiam o que se chamou de “História da Educação”, dentro de uma visão que se assemelha ao nossa definição atual.

Teoria Atômica Grega




De fato, ao volvermos a nossa atenção para a Educação na História Universal, sua evolução ao longo do túnel do tempo, vemos que a civilização grega contribuiu, largamente, para tornar  o mundo um cenário expressivo onde aprender é um processo ininterrupto de crescimento intelectual, físico e  moral , capaz de  proporcionar a integração do ser humano à sociedade.  

A Grécia, entre outros tesouros culturais, nos legou a primeira teoria atômica de que se tem registro.



Educação - do latim educatione educere "sacar, extraer" ou educare "formar, instruir" - Com os gregos é lançada pela primeira vez com a conotação de problema; também o é, a idéia de “educar” profissionalmente, que surge com os Sofistas. Ainda é naquele celeiro intelectual que a literatura, através da poesia, da tragédia e mesmo da comédia questiona o que até então se conceituava como Educação.


Aedo em apresentação
Puramente mítica, a Grécia em meados do século V e século VI justifica as atuações humanas pelo sobrenatural, pela sorte, pelo sublime, pelo divino. Desse modo, há uma difusão oral dos costumes, das ocorrências, da moral, por meio de “ rapsodos” - nome dado a artistas, trovadores andarilhos que, utilizando-se de odes já compostas,  cantavam  relatos épicos ou os declamavam, de memória, nos espaços públicos. 

Com destaque ainda mais pertinente os  “aedos” – que compunham suas próprias obras e as cantavam acompanhados da lira, instrumento musical de sons suaves e agradáveis aos ouvidos. 



Rapsódia
Heródoto –  pai da História, já relata a ocorrência de concurso para rapsodos. Essas figuras históricas ressoam até os nossos dias, com destaque para a passagem da narrativa oral para a escrita, da obra de Homero, supostamente, por um rapsodo de nome Pisistrato, que tornou possível, entre outras,  a ampliação da divulgação do relato da Guerra de Tróia na epopéia Ilíadas; bem como a Odisséia, que descreve o regresso de Ulisses e a Ítaca, narrativa posterior a guerra de Tróia. 

Em todas esses épicos  percebe-se a intenção de contar, repassar e transmitir conhecimentos, inclusive através de representações denominadas rapsódias.

Platão e Aristóteles
Ensinar algo que não tenha aplicação prática imediata, que não se constitua “ fazer e sim apreender”, tornou-se presente no século V a.C, inicialmente com os Sofistas e a partir desses com Sócrates, Platão, Isócrates e Aristóteles. Com esses filósofos vislumbra-se para a Educação um novo enfoque, com a conotação de tese filosófica.

A civilização ocidental reconhece alguns títulos imputados aos Gregos, assim, entre outros, são chamados de Pais da Filosofia, Criadores da Democracia e Berço da Pedagogia. Com muita propriedade, também no século V, desenvolveram os  princípios e ideários da Paidéia que foram fundamentados em práticas educativas ancestrais. 


 Conforme significado original do vocábulo “ paidéia” sintetizava o modo, a forma para criação de meninos, entretanto, sua significação expande-se e no século IV a.C., passa a adotar  uma configuração consolidada e categórica a partir do qual   foi convencionado, na Grécia Clássica, como modelo perfeito de ideal educacional.

Todavia, como bem explicita Werner Jaeger, estudioso da cultura grega "Não se pode utilizar a história da palavra paideia como fio condutor para estudar a origem da educação grega, porque esta palavra só aparece no século V" (Jaeger, 1995: 25).

IDADE MÉDIA –

Nesse imenso período medieval, os historiadores registram que a educação  desenvolvia-se em laços associativos, comungando os mesmos entendimentos “com a Igreja, a fé cristã e as instituições sacras que – enquanto acolhiam os oratores (os especialistas da palavra, os sapientes, os cultos, distintos dos bellatores e dos laboratores) – eram as únicas delegadas (com as corporações no plano profissional) a educar, a formar, a conformar”.





Originaram-se dentro da Igreja padrões educativos e suas metodologias.  Da Igreja partiram os modelos e os método de ensino, estabeleciam-se as instituições ad hoc e planejava-se as ingerência, analisando, criticando e, portanto, discutindo o exercício e os padrões, segundo a posição na escala social.

 Havia  um projeto educacional para o povo e um para as classe altas, até porque, na Idade Média o dualismo existente na era primitiva persistiu, como de fato persiste até os nossos dia.




O formato da escola, como  vivenciada em nossos dias, mantém os moldes estruturais da Idade Média. Assim a rotina presencial de um professor que instrui diversos alunos, de diferentes origens, estando o mestre hierarquicamente subordinado a um poder, ao qual presta constas de seu ofício; a aprendizagem relacionada leitura e a autores, ao debate, ao desempenho, a explanação, à argumentação; as avaliações com seus prêmios e castigos, sugere a continuidade, aos séculos nos quais vêm daquela época e da coordenação dos estudos nos monastérios, nas catedrais e,  de forma especial nas universidades. 


 Remontam a Idade Média certos conhecimentos acolhidos e repetidos na escola moderna e, também, na escola atual: como a visão da filosofia, como lógica e metafísica; a atribuição e contribuição dada ao e pelo latim; a instrução gramatical e a oratória.

Também na Idade Média a cartografia revela-se de suma importância , especificamente no que diz respeito a instrumentalizar as navegações. Surgida em 2.500 a.C, ganha notável impulso nos últimos seculos da Idade Medieval, lembrado que este período foi do século V ao XV.

A Idade Média é reconhecida como um período de efervescência cultural, especialmente quando se adentra no chamado Renascimento de Países como a Holanda, a Alemanha, Espanha, Inglaterra e/ou cidades como Veneza, Gênova, Florença, Siena, Lisboa, Coimbra, Paris, Flandres, Pisa vivenciaram uma verdadeira febre cultural e, também educacional com o surgimento e aprimoramento do ensino voltado para perfeição do espírito, para o fomento da nobreza, da ética e dos bons propósitos norteadores de um novo homem


 OUTROS REGISTROS -


Merece referência, ainda, a educação Romana. O texto - base da educação romana, conforme Cícero, resumiu-se, por um longo período nas Doze tábuas, cuja origem remonta a  451 a.C.,fixadas no bronze e publicadas no fórum, para que a exposição daquelas permitisse a todos vê-las para que todos pudessem vê-las. 

Naquelas ressaltava-se a importância da  tradição com ênfase ao respeito a regras e normas;  a cultura materializada  na assimilação social dos valores do povo romano; ainda ao espírito dos pais, assim considerado como senhores detentores da justiça familiar o chamado “pátria potestas”. Havia, uma rudimentar forma de “Código Civil”, marcantemente conservador preservando meios de subordinação social características de uma coletividade agrícola retrógrada.



Num império decadente onde o conquistador perdeu sua identidade cultural, ante a absorção da cultura dos conquistados mas  que lega ao mundo preciosos ensinamentos do Direito Romano, fundamento e base de muitos institutos de Direito que até hoje compõem o nosso arcabouço jurídico.

 É nessa fonte que vamos buscar conhecimentos  que fundamentam  as normas do direito civil brasileiro, bem como português, dentre outros que também teem o Direito Romano como norte a ser seguido .

 
Sendo uma tarefa a exigir uma explanação muito ampla, quando a educação no Brasil, de um modo geral ainda repete em muitos espaços senão a metodologia mas o modelo do colonizador, se tem nisto mais uma razão a reforçar de pronto o mergulho específico em  nosso caminhar, não somente no sentido de escolaridade mas de meio de redenção, esperança de desenvolvimento. 

A nossa matéria na segunda parte, enfoca a educação como esperança de fuga a condições sociais econômicas desfavoráveis bem como formar cidadãos. Inclusive, com vista a tentar a compreensão de alguns fatos, algumas colocações e conclusões, recentes sobre o desejo da execelência no ensino como utópico e fonte de atraso ao que efetivamente se poderia obter.
Mas esse é outro momento. 
Conto com vocês

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