Quem sou eu? O que faço

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João Pessoa, Paraíba, Brazil
Quem sou? O que faço. Sou Maria de Lourdes, tenho, agora, 62 anos, esposa, mãe e avó, formação jurídica, com pós graduação em Direitos Humanos e Direito Processual Civil, além de um curso não concluído de Filosofia. Conheci os clássicos muito cedo, pois não tinha permissão para brincar na rua. Nosso universo – meu e de meus irmãos – era invadido, diariamente, por mestres da literatura universal, por nossos grandes autores, por contistas da literatura infanto-juvenil, revistas de informação como Seleções e/ou os populares gibis. Todos válidos para alimentar nossa sede de conhecimento. Gosto de conversar, ler, trabalhar, ouvir música, dançar. Adoro rir, ter amigos e amar. No trabalho me realizo à medida que consigo estabelecer a verdade, desconstruir a mentira, fazer valer direitos quando a injustiça parece ser a regra. Tenho a pretensão de informar, conversar, brincar com as palavras e os fatos que possam ser descritos ou comentados sob uma visão diferente. Venham comigo, embarquem nessa viagem que promete ser, a um só tempo, séria e divertida; suave e densa; clássica e atual. Somente me acompanhando você poderá exercer seu direito à críticas. Conto com sua atenção.
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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

DESPREZO AO SEXO!

CHOQUE!
             Acredito que, entre outra coisa, o bom senso é algo a ser utilizado em qualquer faceta da vida humana e, invariavelmente, resulta em ganho à convivência das pessoas, isso até mesmo sem que se examine a questão da aprendizagem que provêm de tais direcionamentos.


             A interpretação de fatos e atos comuns  pertence a cada um dos que integram a ação ou apenas a observam. Aprendi que a mais simples das explicações acerca de algo é a literalidade da coisa. Ao ler um texto, o mais simples é apreender o sentido das palavras e do conjunto, a literalidade do que está escrito.  Se é um fato, a príncipio e a forma mais natural é ver o quadro que se desenrola diante dos olhos sem buscar outros significados. É por assim dizer, uma visão reta, sem entrelinhas, sem atalhos.


             Pois é, hoje quero abordar a questão da sexualidade. Não a opção exercida por adultos que têm o direito de livre escolha, de exercer a sua preferência, o seu comando íntimo. Falo de algo mais emocional, algo que influi deformando a natureza dos seres.

             Li e não acreditei. Numa publicação da revista Veja, datada de 19 de dezembro de 2012, às folhas 92, 94 e 96, há uma matéria que registra inovação nas propagandas das filiais das lojas de brinquedo Touys ”R”Us e BR Toys, no que tange a confecção dos novos catálogos destinados a época de Natal.

            
              Seguindo  “uma orientação da Swedish Advertising Ombudsman, uma das organizações que regulam a propaganda na Suécia", nos anúncios destinados a venda de brinquedos, naquelas especializadas, as crianças foram fotografadas de forma inversa ao que tradicionalmente ocorre em tais ocasiões. 


             Vê-se sob o título “EDUCADOS NO SEXO NEUTRO”, fotografias de crianças, de ambos os sexos, onde o menino, passa roupa usando um ferro cor de rosa, sob uma mesa de passar também cor de rosa;  uma menina faz pose usando uma metralhadora. Normalmente tais brinquedos estariam nas mãos inversas. A criança do sexo masculino com a arma e a do sexo feminino com os costumeiros instrumentos á moda das donas de casa. Inclusive, há o registro de que no impresso promocional " as fotos mostram as meninas com carrinhos e armas de mentira e meninos se divertindo com bonecas e utensílios domésticos...".


             Sob o argumento de que foram inúmeras as reclamações da propaganda conservadora praticada pelas lojas, o órgão orientou que se adotasse uma visão “ de uma corrente pedagógica que defende a tese de que meninos e meninas devem ser criados da mesma forma”. Leia-se criação sem observação, distinção do sexo das crianças. Isenção de Gênero.
      
             Pois é, me defino como uma pessoa simples. Sem o verniz dos intelectuais. Sem o conhecimento dos Mestres. Sem a petulância e a certeza dos “donos da verdade” que encontramos no nosso dia a dia. Me vejo como uma amante da natureza, acredito que deixá-la seguir o seu curso é uma grande escolha.

      
             A condução deliberada de atos contrários ao que se apresenta com naturalidade, pelo menos para mim, é algo que ressoa assustador. Demonstrar total desprezo ao sexo pode resultar em algo extremamente nocivo aos envolvidos.

             Realmente eu já havia visto imagens de crianças trajadas diferentemente do que seria comum ao sexo, mas, em momento algum me deparei com artigos onde a situação fosse tratada com a clareza e detalhes  expostos na revista Veja. Há explicações sobre a atitude,  as suas origens,  adeptos e  resultados visíveis de tais opções.



             Assim causou-me um misto de dor e pena ver uma das filhas de um casal famoso,  que  desde bebê – foi vestida pelos pais como se fosse um menino. A criança, uma linda menina, aparece, talvez beirando sete anos, vestida de menino, com uma expressão masculina, totalmente descaracterizada de sua natureza feminina. O gênero feminino parece fazer parte de uma ficção, pelo menos para aqueles pais em relação à filha.
           
              E não foi opção, tal caracterização foi imposta, lhe foi tirado o direito de se mostrar como menina, criança do sexo feminino, uma direção escolhida por quem a educa e que, necessariamente, não teria de ser  a adotada, por inclinação natural, da maior interessada. Há uma violação, uma indução que, inclusive, a uma pessoa dotada de senso comum, sem especialização sobre o assunto, poderia sugerir problemas psicológicos, confrontos e indefinição.



             Para mim a sexualidade é algo extremamente pessoal. Vi ao longo de sessenta anos as mais estranhas situações envolvendo tão importante aspecto da vida humana. Conheci alguém que durante muitos anos foi vista e tratada pelos pais como menino porque eles desejavam um filho homem. Esta menina, embora muito nova, tem apenas dezoito anos, comporta-se como se fosse um adolescente. Cerca-se de amigos, faz referências a si como do sexo masculino, veste-se e assume posições extremamente masculinas. Hoje há um visível arrependimento dos pais.

             Nesta mesma linha de ação, um menino que foi tratado por sua mãe como se fosse menina, sempre recebeu presentes de meninas, tinha toda a coleção da boneca Barbie, era vestido sempre com roupinhas rosa, shortinho com babado nas pontas, blusas e não camisas. É hoje um jovem totalmente despersonalizado em sua masculinidade, não se reconhece como do sexo masculino. Cito um exemplo de cada caso. Conheço muitos outros com maiores ou menores repercussões, em todos observei a ausência de respeito dos pais e dos cuidadores e o total aborrecimento quando se lhes fazia alguma observação.


             Estranho mundo esse onde os responsáveis pela formação de seus filhos, influenciados até mesmo por decepções,  sonhos que não conseguiram realizar ou por orientações de profissionais descompromissados com a boa mídia e que, por anos a fio erotizam crianças através de anúncios, artigos e outros, negam-lhes o direito de serem – enquanto crianças, em formação física e psíquica - ajustados a realidade de seus corpos. O tratamento de crianças deve ser igualitário, respeitadas as diferenças próprias dos sexos, da idade, da condição física e psicológica.
            
             A repulsa à orientação sexual, na conformidade do que é natural pode levar a erros incorrigíveis. A Veja o citou e a enciclopédia Wikipédia registra:  “ David Reimer - nascido saudavelmente do sexo masculino, mas que teve sua identidade sexual modificada e foi criado como uma menina depois que seu pênis foi acidentalmente destruído durante uma circuncisão. Nascimento: 22 de agosto de 1965, Winnipeg. Falecimento: 4 de maio de 2004, Ottawa. Cônjuge: Jane Fontaine (1990 a 2004). Irmão: Brian Reimer. Filiação: Janet Reimer, Ron Reimer.


             Resta informar que a mesma fonte – A Veja – publicou, que David jamais aceitou ser tratado como menina, aos dois anos rasgava os vestidos, recusava-se a brincar com bonecas, sofreu bulliyng na escola e somente veio a saber da mudança de sexo aos 14 anos. Os seus pais, sob a orientação de um psicólogo nos Estados Unidos foram aconselhados a uma cirurgia para construção de uma vagina artificial.    

  
             O profissional buscava comprovar uma teoria segundo a qual não eram as características físicas que determinavam o sexo e sim a forma como as crianças eram criadas por seus pais. Mais uma vez a minha visão de leiga sugere deduções diferenciadas quais sejam:  o remorso  ditou a opção dos pais e a ânsia de comprovar uma teoria e  ser reconhecido por tal, ditou a conduta do profissional. Ambos fracassaram. David pagou com sua vida o erro desses. Não só ao suicidar-se em agosto de 2004, mas e principalmente, durante toda a sua atormentada existência. 


                Os problemas decorrentes da ausência de definição foram abordados  em Tomboy que é um longa-metragem escrito e dirigido por uma francesa, Céline Sciamma, sobre a atração na adolescência, quando a personagem título se revela atraída por outra do mesmo sexo, assumindo personalidade dupla, identificando-se mais como do sexo oposto ao seu, criando um nome diferente e o utilizando fora de sua casa. 


                O filme não define o que acontecerá no futuro, mesmo assim mostra a flexibilidade dos pais que estão preocupados com a gravidez da mãe, a adolescência da irmã mais velha e sequer se vê um só diálogo que passe informações, esclareça dúvidas, demonstre interesse dos pais em relação à filha. Será essa a ideia de família a que devemos nos acostumar?

             Aos pais um apelo no sentido da preservação de seus filhos. Não há pieguice, redundância ou atraso, em prover as crianças da proteção necessária enquanto não estão desenvolvidas, física, mental, moral, espiritual e socialmente em condição de liberdade e dignidade, conforme estabelece o Estatuto da criança e do Adolescente.


         Ainda, o direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, idéias e crenças, dos espaços e objetos pessoais (Art. 17 ECA). 
             Imagine-se adulto, exercendo plenamente a sua sexualidade e de repente tomar conhecimento, através de pessoas ou de fotografias, que em determinado período de sua vida você foi tratado e caracterizado como sendo do sexo oposto. Ou você que vive em conflito com seu corpo descobrir que ouviu de seus pais, durante toda a sua infância o quanto foi decepcionante ter uma filha ao invés de um filho homem? Ou vice-versa.

             Os ensinamentos, a orientação, a educação no lar é a primeira que um ser humano recebe. Na  Bíblia Sagrada em João 8:38 há a seguinte passagem:” Eu falo das coisas que o meu Pai me mostrou, mas vocês fazem o que aprenderam com o pai de vocês.” O Cristo assinalou a importância da postura, das escolhas feitas pelos pais como caminho indicado aos filhos. O desprezo pela natureza desses certamente não poderá repercutir bem em sua intimidade.
             Espero jamais ter que conviver com um desrespeito tão grande as nossas crianças!
          

terça-feira, 8 de maio de 2012

EDUCAÇÃO - FATOR DE DESENVOLVIMENTO HUMANO PARTE III



CRÍTICA À UTOPIA?

A Educação é, e sempre será, uma ferramenta a serviço da humanidade com a missão precípua de elevar a qualidade de vida das pessoas, dos países de um modo geral. Já foi dito que é um acelerador, por excelência, para a qualificação indispensável à nossa realidade. Inclusive, podemos afirmar com segurança, que é dificílimo para um povo preservar-se e ser competitivo com uma educação deficitária.


 Aliada à idéia da educação temos a tão sonhada “perfeição”. Desde os primórdios da humanidade que as civilizações buscam um ideal de excelência, uma utópica situação que permita ao originário daquela localidade a invejável posição de ser o melhor entre os melhores. 

Desse modo observamos que ainda que haja ética, nobreza de propósitos, a busca de um bem comum, vamos sempre detectar um sentimento que leva as civilizações, as sociedades e, aos indivíduos de per si, a procura de características que façam a diferença, que os distinga dos demais e, invariavelmente, para melhor.

Desde o Brasil Colônia até os dias atuais, muito se fala em educação no exterior. Os cidadãos de classe alta por muito tempo enviaram, rotineiramente, os seus filhos, paras as melhores escolas fora do Brasil. Tal situação era, marcantemente referente ao ensino superior. Assim, o sonho do brasileiro, rico, era ter seu filho, sua filha, cursando uma universidade famosa como Coimbra, Lisboa,  Harvard, Nancy, Oxford, Sorbonne, MIT, Yale, Cambridge, Amsterdã, Edimburgo, Helsinque e outras. 

Entretanto, considerando-se que o ensino Superior, também chamado terciário, cuja finalização confere ao aluno grau acadêmico e/ou diplomas profissionais; além das chamadas Pós-graduações, com Especializações, Mestrados, Doutorados, são inatingíveis sem a educação de base, hoje, ensino fundamental e médio, reitera-se a realidade que se teimava ignorar: a necessidade interna de boas Escolas, notadamente na base e com especial atenção para a Escola Pública.

Não satisfazia mais a população consciente a falácia de que o Brasil era o País da igualdade. Não mais atendia os anseios da população a mesmice de que pobre tem que estudar em escola de má qualidade...pública. Igualmente, não bastava a educadores como Paulo Freire a nossa escola onde: o modelo tradicional de prática pedagógica de “educação bancária”, que visava à mera transmissão passiva de conteúdos do professor, ator absoluto assumido como aquele que supostamente tudo sabe, para o aluno, que era assumido como aquele que nada sabe.” 
 

 Portanto, ao aluno recaia o ônus de arquivar e reiterar o que fora expresso pelo professor.  Entretanto, para Paulo Freire, essa situação configurava-se como arrogante e determinante no sentido de que havia apenas a preocupação  de que o aluno teria ou não “decorado” o que fora dado em sala de aula e, também, a avaliação da aprendizagem fiscalizava, por assim dizer, se a transmissão fora apreendida conforme expusera o professor, de forma a vincular e limitar o alunado.

Desse modo, a concepção de educação libertadora, produziu pérolas conforme se transcreve: “Gosto de ser gente porque a História em que me faço com os outros e de cuja feitura tomo parte é um tempo de possibilidades e não de determinismos.” Paulo Freire. Pedagogia da autonomia, 1997.


 Paulo Freire sonhou e o fez, de forma a conferir dignidade. Reais oportunidades aos alunos, bem como aos professores e demais profissionais da área que, verdadeiramente, preocupavam-se com o quadro da educação nacional. 
 
Assim, em recente artigo na Revista Veja foi veiculado que “A utopia sufoca a educação de qualidade”. O autor da afirmação ressalta que a pretensão é formar cidadão consciente e tolerante e que há responsabilização da escola por sua formação e, inclusão de conteúdos como meio ambiente, saúde, cotas raciais e necessidades especiais. Chegando a uma conclusão de que uma “agenda maximalista seria uma maneira de sanar desigualdades e corrigir injustiças.”   

Aduz, inclusive, o autor do artigo que: “Um dos males que assolam nossa educação é a esperança vã de pensadores e legisladores de que uma escola que mal consegue ensinar o básico, resolva todos os problemas sociais e éticos do país. ”Em seguida e após algumas considerações extrai três perguntas com as quais instrui a sua visão, questionando o seguinte: 1. nossas escolas conseguem dar conta desse recado? 2. esse desejo expansionista faz bem ou mal ao nosso sistema educacional? 3. mesmo que todas essas nobres intenções fossem exequíveis, sua execução cumpriria as aspirações de seus mentores, construindo um país menos desigual? Na esteira dessa idéia é que se esboça o que seria uma análise, uma reflexão personalíssima ante uma atitude critica.

Assim, não obstante a verve afiada e por vezes carregada de uma lógica construída a partir de premissas direcionadas para esse resultado, nos resta trabalhar a questão inicialmente posta: A UTOPIA.

Sonhar o que é absolutamente possível, não é sonho. Utopia, sonho, fantasia, tem como essência a qualidade de inatingível. Todavia a educação “ utópica” de Paulo Freire nada tem a ver com a quimera, o monstro com cabeça de leão, corpo de cabra e cauda de dragão. O desejo de fazer e ver a interação entre aluno e professor; realidade e didática; qualidade e público; educação > política  > transformação; sugere libertação de toda e qualquer forma de opressão.

Possibilitar a entrada da luz, onde reinam as trevas é oferecer um mundo novo. Asseverar que alunos da escola pública não necessitam de disciplinas como música, sociologia e filosofia, sob o argumento de que para cada hora dedicada a tais matérias resultaria na perda daquele precioso tempo para o ensino de disciplinas  basilares – leia-se, “necessárias ao aluno pobre”, como português, matemática e ciências é marchar na direção contrária à realidade dos dias atuais.


 As indagações ofertadas no texto referido, têm, naturalmente, naquele contexto, respostas que embasam seu ponto de vista. A idéia de que a nossa escola não dá conta do recado, não pode transformar o aluno pobre em um cidadão consciente é verdadeira, da mesma forma que o é a certeza de que a escola privada também não consegue.

Por outro lado é também impensável que diante de um mundo tão aberto haja relutância a transmissão de conhecimentos sobre saúde – incluindo-se, nesse aspecto noções de higiene, informações sobre sexo, gravidez prematura e outros -; igualmente causa estranheza a ojeriza a discussão de cotas raciais ou o convívio com alunos de necessidades especiais. Tais assuntos são discutidos diuturnamente haja vista a inclusão dessas situações nos mais variados meios de comunicação, seja na televisão (em novelas), nos jornais diários ou não, em publicações acadêmicas e outros. Trazer tais assuntos para a sala de aula é inserir o aluno na contemporaneidade.

Isoladamente, nenhum sistema de ensino poderá ser o único agente a burilar consciências mas e, com toda a certeza, é um caminho a nos lembrar o que é a sociedade  e dar a entender a necessidade de transformação. É evidente que a escola tem que caminhar “pari passo” com a família, com a coletividade. Excluir conhecimento não é garantia de que os que lhes são permitidos venham, efetivamente, a ser absorvidos pelo alunado. 


 Na opção de exclusão proposta, a única certeza é de que mais uma vez se nega ao aluno pobre a oportunidade de conhecimento. Se a escola vai dar conta e garantir o resultado desejado, é possível que não. Mas a perspectiva é de que em conjunto com outros fatores, as informações trazidas com disciplinas diversas das aludidas pelo signatário do texto observado, possam, realmente introduzir novos conhecimentos.

Quanto a segunda indagação, o chamado desejo expansionista, certamente fará a diferença, tanto para o bem como para o mal. Expandir sem as ferramentas adequadas poderá sim causar o enfraquecimento do sistema. Dotar a educação do necessário a sua realização plena é decisão de governo, políticas públicas voltadas para esse fim e efetivamente executadas. A intenção e a realidade não têm que ser dissociadas, ao contrário urge que caminhem num mesmo sentido. 

Não é a questão legal que se revela mais ou menos importante ao cenário educacional e sim a vontade política de por em prática aquilo que realmente atende às necessidades. A legalidade tem que estimular e proporcionar os meios para uma educação de qualidade, o contrário disso ressoa perverso para todos. Não é, também, papel do educador público decidir “se vai formar um cidadão virtuoso ou um aluno de raciocínio rápido” ou mesmo “se o aluno é analfabeto mas solidário”. Uma situação não exclui a outra. 


O profissional seja de qual área for , necessita adequar o tempo que lhe é dado à meta estabelecida previamente. Muito embora cada vez mais se configure, no cenário nacional, que a deficiência na educação, na saúde, na segurança e em tantos outros aspectos administrativos resultam da ausência de políticas públicas que efetivamente expressem a necessidade geral. 

O que se vê é que a indiferença, quanto aos destinatários das medidas públicas,  acompanha a regra cruel estabelecida de um desenvolvimento  dispare seja no tempo e no espaço, na diversidade do atendimento a ricos e pobres, na burocracia que não promove o desenvolvimento perseguido.

A idéia não é desempenhar parte do programado e sim buscar alternativas para cumpri-lo integralmente.  Com toda a certeza os intelectos constantemente de plantão para criticar podem oferecer alternativas que não sejam, necessariamente, cortar conteúdos, conhecimentos.


Finalmente a terceira indagação questiona se o atendimento das nobres intenções curriculares atenderia às aspirações de seus mentores e construiria um país menos desigual. E por que não? Quem escreveu um testamento deixando para os ricos a herança da intelectualidade e para os pobres a condenação à mesmice? A escola pública precisa ter qualidade exatamente para eliminar diferenças. 

Se os alunos ricos já trazem de casa competências intelectuais que serão repassadas aos alunos pobres através da escola não será certamente a adição dessas disciplinas que retardará a aprendizagem desses últimos. Não é o currículo o vilão da história. 

O “deus mercado”, competitivo e impessoal, apesar de ter apontada  a remuneração pela produtividade, ainda não tem nesta forma   uma unanimidade. Até mesmo não há um consenso meritório. As oportunidades combinam inúmeros fatores. Invariavelmente a necessidade da empresa, a mobilidade do interessado, a disponibilidade e aceitação as regras compõem o geral. 

Para alguns além do já citado exige-se: beleza, desenvoltura, capacidade de liderança, competitividade entre outros. Onde a especificidade dita a regra um bom currículo faz a diferença. Para a massa o que se vê, infelizmente é tão somente o interesse patronal.

É provável que ao empregador não interesse que o candidato a empregado tenha, em algum momento, recebido aulas de filosofia, música e sociologia.  Faz parte de uma cultura enraizada e que serve como uma luva a escola recusada por Paulo Freire, a idéia de que operário não pode e não deve pensar. A questão e deficiência da escola pública, hoje, não estão adstritas à grade curricular, é histórica e sua correção não será obtida com uma simples exclusão de disciplinas.

“Se a educação sozinha não pode transformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda.” Paulo Freire.


Não acredito que os brasileiros prefiram uma escola que ensine a fazer pagode (música) a uma que fracasse ao ensinar tabuada. Ao contrário, insisto, que estudar música, filosofia, sociologia, não exclui estudar matemática. Também discordo da venda de paraísos terrestre em função de “abissal” desconhecimento da maioria da população. O despreparo de que fala a matéria, jamais seria em função das mudanças operadas na grade curricular. Mais uma vez estamos diante de um problema crucial e recorrente. Falta de vontade política em patrocinar políticas públicas de qualidade voltadas à Educação. 



Discordo, inclusive que a utopia de uma educação com qualidade, como todas as outras acabe em decepção, atraso. Há 25 anos, o grupo "Nós do Morro," no Vidigal, vive momento de intensa produção cultural e artística – um sonho que deu certo; A Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida – de Hebert de Souza, o Betinho; o sonho do homem voar; o sonho da cura de doenças; o sonho de liberdade de ex-colônias; o sonho de plebéias que tornaram-se princesas; o sonho de “caipiras” que viraram estrelas; o sonho e um mundo melhor, mais justo, mais fraterno. Sonhar é preciso. Inclusive com educação de qualidade. 



 Todavia, concordo plenamente com o texto quando registra: “ A escola não pode fracassar, pois é a alavanca de salvação do Brasil.” Peço apenas permissão para estender: A escola é a catarse capaz de eliminar séculos de trevas. Ignorância. 

"Os sonhos devem ser ditos para começar a se realizarem. E como todo projeto, precisam de uma estratégia para serem alcançados. O adiamento destes sonhos desaparecerá com o primeiro movimento."(Paulo Freire)


terça-feira, 24 de abril de 2012

EDUCAÇÃO – FATOR DE DESENVOLVIMENTO HUMANO PARTE I I –


AS ORIGENS DA EDUCAÇÃO NO BRASIL –

NOÇÕES –


Buscar as raízes históricas da Educação no Brasil nos leva a constatação de que essas são marcadas por mudanças perceptíveis e, claramente evidenciadas. Tomando por ponto de partida o acontecimento da presença de portugueses no que se supôs ser uma ilha, carregando consigo um arquétipo de educação européia,  invariavelmente colidindo com o aprender livre dos índios, até porquê aqueles não estavam acostumados aos rigores da civilização com suas repressões, castigos e regras.



A diversidade
Todavia, o conquistador trouxe, também, educadores no sentido pedagógico da palavra. Vieram a reboque, padres Jesuítas com a missão de introduzir a moral, a religião e os costumes do colonizador, inclusive,  quando os jesuítas aportaram  aqui não trouxeram somente a moral, os costumes e a religiosidade européia, trouxeram também, na bagagem, a metodologia, doutrina e princípios pedagógicos que difundiam, originalmente em suas instituições. 


O Marquês d e Pombal

 A absorção do povo brasileiro a técnica de ensino trazida pelos Portugueses foi de tal forma recepcionada que do ano de 1549 a 1759, portanto por longos 210 anos, permaneceu vigente e único. Nesse momento ocorre um segundo dissenso, esse capitaneado pelo Marquês de Pombal - Sebastião José de Carvalho e Mello, considerado, ainda hoje, uma das figuras mais controversas e carismáticas da História de Portugal que bane os Jesuítas do solo brasileiro, por concluir que o ensino daqueles Padres servia a Fé e, ele, o Marques de Pombal, queria uma educação para servir ao Estado. Sua atitude ocasionou a total desestruturação da educação em território nacional,

Como formas de reorganização da educação no Brasil surgiram, no período Pombalino, aulas régias de Latim, Grego e Retórica que eram aulas separadas, cada uma com um professor sem que se estabelecesse qualquer interação entre essas; resultando infrutífera; posteriormente Portugal criou o chamado o subsídio literário, visando manter o ensino primário e médio, instituindo um imposto  sobre a aguardente, o vinho, o vinagre e a carne verde,  também sem qualquer efeito positivo, dês que era baixíssimo, não tinha continuidade, resultando na ausência dos pagamentos dos professores.




 Muito embora não tenha se estabelecido nova metodologia de ensino, a chegada da fugitiva Família Real ao Brasil, com a implantação do Reino em nossas terras, ocorre mais uma alteração na educação no solo brasileiro.  Assim, assoma realmente positiva para o Brasil, em termos de educação, o novo direcionamento haja vista que, de imediato, criou a Biblioteca Real, fundou Academias Militares, criou os Cursos de Medicina e de Direito, o Jardim Botânico, trazendo, ainda, para o território brasileiro a Imprensa Régia. Registre-se, por oportuno que tais providências foram tomadas por D. João VI que evadiu-se  de Portugal ante a ameaça de Napoleão Bonaparte. 



A Família Real
A vinda da família real para o Brasil é o marco inicial de  mudanças no cenário da educação. Porém os cursos superiores criados por Lei, tiveram resultado prático, com a criação, em 1808, das Cadeiras de Cirurgia e Anatomia que, em 1832, deram origem às Faculdades de Medicina da Bahia e do Rio de Janeiro e, a instituição Faculdades através da Lei Nº 1.827, de 11 de Agosto de 1827 , que “Crêa dous Cursos de sciencias Juridicas e Sociaes, um na cidade de S.Paulo e outro na de Olinda.”


 
Faculdade de Medicina

Segundo nos informa Maia, G. D. (1996). Biografia de uma faculdade. História e estórias da Faculdade de Medicina da Praia Vermelha. São Paulo: Atheneu: “ o ensino oficial de medicina teve.início logo após a chegada de D. João VI ao Brasil, através da criação da Escola de Cirurgia da Bahia e da Escola Anatômica, Cirúrgica e Médica do Rio de Janeiro, em 1808 (Santos Filho, 1991). Ambas funcionaram no Hospital Real Militar das respectivas cidades. Em 1813 (4) a Escola do Rio de Janeiro transformou-se na Academia Médico-Cirúrgica do Rio de Janeiro, tendo o mesmo acontecido, dois anos depois, com a Escola da Bahia.

No ano de 1829 é fundada a Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro. Chamada, em 1830, a dar parecer sobre os planos de reorganização do ensino médico, tem seu anteprojeto aprovado com pequenas alterações pela Comissão de Saúde Pública da Câmara, e promulgado como lei em 1832. A partir deste momento, estavam criadas as Faculdades de Medicina do Rio de Janeiro e da Bahia.”

D. Pedro II

 Com a análise da trajetória brasileira, seja no Império com as presenças de  D. João VI, D. Pedro I e D. Pedro II, verifica-se que a educação não obteve a qualidade pretendida sendo, criticada por aqueles que sonhavam com algo melhor para  pouco se pudesse ter um futuro melhor para os nacionais e para a nação.   O advento da  Proclamação da República em 1889, ensejou repetidas tentativas de melhoria, entretanto, segundo vários especialistas, não houve uma adoção de metodologia de desenvolvimento que proporcionasse um grande passo na educação brasileira.  

 Até os dias de hoje muito tem se mexido no planejamento educacional, mas a educação continua a ter as mesmas características impostas em todos os países do mundo, que é a de manter o "status quo" para aqueles que freqüentam os bancos escolares.


Podemos dizer que a Educação Brasileira tem um princípio, meio e fim bem demarcado e facilmente observável. Entretanto a educação como problema,  com mordazes críticas aos erros e acertos, no momento atual, mostra-nos  esse aspecto da nossa vida como fator de efetivo desenvolvimento, muito embora a busca por perfeição tenha sido alvo, constante, de comentários, por vezes coerentes e, d'outras  os mais contraditórios.



Assim deixo para nosso próximo encontro, alicerçado na   genialidade de  um Paulo Freire, para discutir a utopia na Educação brasileira, trazendo, todavia, a mensagem fantástica desse revolucionário do ensino e da aprendizagem: " "Sem a curiosidade que me move, que me inquieta, que me insere na busca, não aprendo nem ensino"."A educação necessita tanto de formação técnica e científica como de sonhos e utopias".

Vamos em busca de utopias onde, sonhar é iluminar as trevas da ignorância, da mesmice e das tendências derrotistas. Sua participação é fundamental.

domingo, 15 de abril de 2012

EDUCAÇÃO COMO FATOR DE DESENVOLVIMENTO HUMANO

EDUCAÇÃO , DESENVOLVIMENTO. 

PARTE I –



Impulsos Neurais
Falar sobre a educação é sempre um desafio, especialmente hoje quando se multiplicam as fontes, os autores, os conceitos, os vieses. Quando o acesso à educação torna-se fator de transcendência do homem porquanto permite a correta apreensão de seu Ser, de seu habitat, de suas origens e possibilidades, o aprimoramento de sua inteligência, conferindo valores a ética e a dialética, a liberdade e a sensibilidade.

Todo e qualquer olhar sobre a sociedade humana, se não o faz, deveria fazê-lo: definir a historia, os acontecimentos, a relação entre as ocorrências e as mudanças, como ponto de partida para análise e inserção do assunto referido, desse modo a primeira abordagem, sob qualquer interesse da sociedade, torna-se efetivamente coerente quando se dá dentro de evolução histórica.

Naturalmente, torna-se impossível, num texto sem maiores pretensões, fazer toda exposição cronológica dos fatos que escreveram o percurso histórico  da educação na civilização humana, tal cronologia já foi reiteradamente estabelecida e nos permite ser mais objetivos.
 
BREVE CONSIDERAÇÕES HISTÓRICAS  -

EDUCAÇÃO  PRIMITIVA –


 Enquanto fase Histórica, a educação primitiva, no alvorecer da humanidade, ocorria com base na observação, na repetição e no sucesso da resposta produzida ante a reiteração de determinada prática. 

Assim, sem uma base científica, a maioria dos autores, ao discorrer sobre essa fase incivilizada, colocam a educação quase como sinônimo de aprendizagem, acontecendo através da  observação, ora das tarefas, a caça, da pesca, ora dos costumes religiosos - mais precisamente rituais -, dos acontecimentos relativos a fenômenos naturais bem como, dos atos e preparativos concernentes à  guerra.

  
A encenação da caça
 Aprender e apreender era uma questão, por vezes de sobrevivência e, invariavelmente de observar atitudes mecânicas – o fazer; o encadeamento de práticas com resultados positivos tornava o homem consciente de uma realidade, pois passa a  entender o que se passa a sua volta e o que fazer para obter aquilo que deseja.

A educação se caracteriza nesse período, muito mais no aspecto corporal cujo fim é intuitivo, almejava-se o atendimento de necessidades específicas como alimentar-se, vestir-se e abrigar-se, tudo significando sobreviver e ordenando situações diárias, inclusive, com atividades de jogos, delineando-se, dessa forma, o que seria uma sugestão à educação física. 


Em busca do fogo
 Numa outra observação entende-se que a repetição tem fim pedagógico dês que desse comportamento amiudado resulta o aperfeiçoamento, o conhecimento que capacita o membro da comunidade tornando-o apto ao atendimento de suas carências e das de outros indivíduos. Conclui-se que há um esboço de Educação intelectual, pois ocorre progresso em sua atividade física ao tempo em que há o  aprimoramento de sua inteligência.


Registro de luta cotidiana
Igualmente, alguns aspectos são marcantes e transcendem a época. Assim, o iterar práticas de respeito aos velhos e aos pais, o culto aos antepassados, ao sentimento da honra, à fidelidade à palavra empenhada, à obediência às autoridades legítima, o hábitos de rituais e práticas religiosas, por mais rudimentares que fossem denotavam educação moral e religiosa ou, pelo menos uma silhueta do que se projetaria como tal. 

Da pré-história, dos povos primitivos  chegaram até nós registros de pesca, caça, dança, rituais, em inúmeras pinturas e desenhos, como se tivesse a função precípua de mostrar, ensinar. No início da Idade Antiga são destacadas as concepções e práticas educativas das culturas indiana, chinesa, egípcia e hebréia.


A EDUCAÇÃO E O POVO GREGO -

Muitos historiadores enfatizam a impossibilidade de se referir à educação sem realçar a civilização grega. É belo o registro feito sobre esse povo que desde os primórdios já considerava a Educação como algo complexo, difícil. Assim, especialmente no que concerne a arte de educar, os gregos, efetivamente, principiam o que se chamou de “História da Educação”, dentro de uma visão que se assemelha ao nossa definição atual.

Teoria Atômica Grega




De fato, ao volvermos a nossa atenção para a Educação na História Universal, sua evolução ao longo do túnel do tempo, vemos que a civilização grega contribuiu, largamente, para tornar  o mundo um cenário expressivo onde aprender é um processo ininterrupto de crescimento intelectual, físico e  moral , capaz de  proporcionar a integração do ser humano à sociedade.  

A Grécia, entre outros tesouros culturais, nos legou a primeira teoria atômica de que se tem registro.



Educação - do latim educatione,  educere "sacar, extraer" ou educare "formar, instruir" - Com os gregos é lançada pela primeira vez com a conotação de problema; também o é, a idéia de “educar” profissionalmente, que surge com os Sofistas. Ainda é naquele celeiro intelectual que a literatura, através da poesia, da tragédia e mesmo da comédia questiona o que até então se conceituava como Educação.


Aedo em apresentação
Puramente mítica, a Grécia em meados do século V e século VI justifica as atuações humanas pelo sobrenatural, pela sorte, pelo sublime, pelo divino. Desse modo, há uma difusão oral dos costumes, das ocorrências, da moral, por meio de “ rapsodos” - nome dado a artistas, trovadores andarilhos que, utilizando-se de odes já compostas,  cantavam  relatos épicos ou os declamavam, de memória, nos espaços públicos. 

Com destaque ainda mais pertinente os  “aedos” – que compunham suas próprias obras e as cantavam acompanhados da lira, instrumento musical de sons suaves e agradáveis aos ouvidos. 



Rapsódia
Heródoto –  pai da História, já relata a ocorrência de concurso para rapsodos. Essas figuras históricas ressoam até os nossos dias, com destaque para a passagem da narrativa oral para a escrita, da obra de Homero, supostamente, por um rapsodo de nome Pisistrato, que tornou possível, entre outras,  a ampliação da divulgação do relato da Guerra de Tróia na epopéia Ilíadas; bem como a Odisséia, que descreve o regresso de Ulisses e a Ítaca, narrativa posterior a guerra de Tróia. 

Em todas esses épicos  percebe-se a intenção de contar, repassar e transmitir conhecimentos, inclusive através de representações denominadas rapsódias.

Platão e Aristóteles
Ensinar algo que não tenha aplicação prática imediata, que não se constitua “ fazer e sim apreender”, tornou-se presente no século V a.C, inicialmente com os Sofistas e a partir desses com Sócrates, Platão, Isócrates e Aristóteles. Com esses filósofos vislumbra-se para a Educação um novo enfoque, com a conotação de tese filosófica.

A civilização ocidental reconhece alguns títulos imputados aos Gregos, assim, entre outros, são chamados de Pais da Filosofia, Criadores da Democracia e Berço da Pedagogia. Com muita propriedade, também no século V, desenvolveram os  princípios e ideários da Paidéia que foram fundamentados em práticas educativas ancestrais. 


 Conforme significado original do vocábulo “ paidéia” sintetizava o modo, a forma para criação de meninos, entretanto, sua significação expande-se e no século IV a.C., passa a adotar  uma configuração consolidada e categórica a partir do qual   foi convencionado, na Grécia Clássica, como modelo perfeito de ideal educacional.

Todavia, como bem explicita Werner Jaeger, estudioso da cultura grega "Não se pode utilizar a história da palavra paideia como fio condutor para estudar a origem da educação grega, porque esta palavra só aparece no século V" (Jaeger, 1995: 25).

IDADE MÉDIA –

Nesse imenso período medieval, os historiadores registram que a educação  desenvolvia-se em laços associativos, comungando os mesmos entendimentos “com a Igreja, a fé cristã e as instituições sacras que – enquanto acolhiam os oratores (os especialistas da palavra, os sapientes, os cultos, distintos dos bellatores e dos laboratores) – eram as únicas delegadas (com as corporações no plano profissional) a educar, a formar, a conformar”.





Originaram-se dentro da Igreja padrões educativos e suas metodologias.  Da Igreja partiram os modelos e os método de ensino, estabeleciam-se as instituições ad hoc e planejava-se as ingerência, analisando, criticando e, portanto, discutindo o exercício e os padrões, segundo a posição na escala social.

 Havia  um projeto educacional para o povo e um para as classe altas, até porque, na Idade Média o dualismo existente na era primitiva persistiu, como de fato persiste até os nossos dia.




O formato da escola, como  vivenciada em nossos dias, mantém os moldes estruturais da Idade Média. Assim a rotina presencial de um professor que instrui diversos alunos, de diferentes origens, estando o mestre hierarquicamente subordinado a um poder, ao qual presta constas de seu ofício; a aprendizagem relacionada leitura e a autores, ao debate, ao desempenho, a explanação, à argumentação; as avaliações com seus prêmios e castigos, sugere a continuidade, aos séculos nos quais vêm daquela época e da coordenação dos estudos nos monastérios, nas catedrais e,  de forma especial nas universidades. 


 Remontam a Idade Média certos conhecimentos acolhidos e repetidos na escola moderna e, também, na escola atual: como a visão da filosofia, como lógica e metafísica; a atribuição e contribuição dada ao e pelo latim; a instrução gramatical e a oratória.

Também na Idade Média a cartografia revela-se de suma importância , especificamente no que diz respeito a instrumentalizar as navegações. Surgida em 2.500 a.C, ganha notável impulso nos últimos seculos da Idade Medieval, lembrado que este período foi do século V ao XV.

A Idade Média é reconhecida como um período de efervescência cultural, especialmente quando se adentra no chamado Renascimento de Países como a Holanda, a Alemanha, Espanha, Inglaterra e/ou cidades como Veneza, Gênova, Florença, Siena, Lisboa, Coimbra, Paris, Flandres, Pisa vivenciaram uma verdadeira febre cultural e, também educacional com o surgimento e aprimoramento do ensino voltado para perfeição do espírito, para o fomento da nobreza, da ética e dos bons propósitos norteadores de um novo homem. 


 OUTROS REGISTROS -


Merece referência, ainda, a educação Romana. O texto - base da educação romana, conforme Cícero, resumiu-se, por um longo período nas Doze tábuas, cuja origem remonta a  451 a.C.,fixadas no bronze e publicadas no fórum, para que a exposição daquelas permitisse a todos vê-las para que todos pudessem vê-las. 

Naquelas ressaltava-se a importância da  tradição com ênfase ao respeito a regras e normas;  a cultura materializada  na assimilação social dos valores do povo romano; ainda ao espírito dos pais, assim considerado como senhores detentores da justiça familiar o chamado “pátria potestas”. Havia, uma rudimentar forma de “Código Civil”, marcantemente conservador preservando meios de subordinação social características de uma coletividade agrícola retrógrada.



Num império decadente onde o conquistador perdeu sua identidade cultural, ante a absorção da cultura dos conquistados mas  que lega ao mundo preciosos ensinamentos do Direito Romano, fundamento e base de muitos institutos de Direito que até hoje compõem o nosso arcabouço jurídico.

 É nessa fonte que vamos buscar conhecimentos  que fundamentam  as normas do direito civil brasileiro, bem como português, dentre outros que também teem o Direito Romano como norte a ser seguido .

 
Sendo uma tarefa a exigir uma explanação muito ampla, quando a educação no Brasil, de um modo geral ainda repete em muitos espaços senão a metodologia mas o modelo do colonizador, se tem nisto mais uma razão a reforçar de pronto o mergulho específico em  nosso caminhar, não somente no sentido de escolaridade mas de meio de redenção, esperança de desenvolvimento. 

A nossa matéria na segunda parte, enfoca a educação como esperança de fuga a condições sociais econômicas desfavoráveis bem como formar cidadãos. Inclusive, com vista a tentar a compreensão de alguns fatos, algumas colocações e conclusões, recentes sobre o desejo da execelência no ensino como utópico e fonte de atraso ao que efetivamente se poderia obter.
Mas esse é outro momento. 
Conto com vocês