A SOCIEDADE TOUCH SCREEN

A humanidade sempre foi refém de medos, sobretudo
dos fantasmas da invasão e com ela, a morte, a perda da liberdade, a perda
territorial, a submissão a outros povos. Entretanto e apesar da sofisticação
das defesas, a tão temida invasão que há séculos assusta os homens, já
aconteceu. Não foram Extraterrestres que invadiram o planeta terra; também não
foi a poderosa Ex-União Soviética que invadiu os Estados Unidos, pondo em
risco todos os Países aliados; igualmente, não foram os Estados Unidos que
invadiram Cuba. A submissão a que me refiro é ampla e irrestrita. Não se
resume a um País, um Continente, um Hemisfério.*Imagem:noblat.oglobo.globo.com

Está em todos os lugares.
Passeia por logradouros públicos, pelos nichos políticos, pelas indústrias,
na agricultura e em casas comerciais. Insinua-se pelos Templos, independente
das denominações; alastra- se nas repartições, hospitais, quartéis e nas
áreas de lazer. Infiltra-se pelos motéis e hotéis, nas alcovas dos amantes,
nos quartos dos adolescentes e das crianças. É sem sombra de dúvidas a maior
e mais efetiva invasão de que se tem notícia. Domina as mentes, subjuga as
pessoas e enche de suspeitas àquelas que não se submetem a seu jugo.*Imagem:br.depositiphotos.com
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É
inquestionável que cada época tem suas novidades. O novo é sempre fonte de
preocupação. Afinal, o desconhecido tira as criaturas de suas zonas de
conforto, assim, lidar com as novidades traz inquietação totalmente
justificável. Tivemos isso em relação aos nossos pais, quando as gerações que
os antecederam censuravam tudo aquilo que se opunha a costumes enraizados. Com
a nossa geração não foi diferente e também não o foi com nossos filhos e, do
mesmo modo, não poderia sê-lo com os nossos netos.
*Imagem:deverasente.blogspot.com

A
atualidade trouxe grandes inovações, entre elas e com proporções incalculáveis, destaca-se a Tecnologia
touch
screen. Todos nós, de alguma forma, em maior ou menor
volume fazemos uso dela. Caixas eletrônicos, monitores de alguns computadores,
tablet e celulares, já respondem ao nosso toque como se estivéssemos tendo
contato físico com os objetos, figuras e/ou situações mostradas. Não é a toa
que se pode, em segundos, sair do Brasil para Austrália, de Tókio para uma
caverna na Turquia, de Paris a Botswana. Caíram as fronteiras mundiais.
Pelo menos no mundo virtual.
*Imagem:ideiademarketing.com.br

Encontrar
alguém “debruçado” , “absorvido”, "acorrentado" a uma tela, em qualquer lugar, é cena mais
que comum: quase obrigatória nos dias de hoje. Nela passam infinitas
informações, entretenimento e, por que não dizê-lo, incompreensíveis conceitos.
Não há restrição à idade, sexo, raça, escolaridade e opção política
partidária... Talvez alguma Religião limite os seus seguidores quanto a esse desvairado
comportamento, certamente o faz na medida de sua conveniência, uma vez que o
uso das redes para doutrinação e fanatismo tem corrido o Mundo.
*Imagem: pt.dreamstime.com

Democrático,
acontece em todas as faixas etárias e em qualquer ambiente, embora o adulto tenha, potencialmente,
melhor condição de controlar seus impulsos e também faça uso da tecnologia para
diversão, usa-a, também, no cenário dos investimentos, na ciranda financeira, no comércio: exportando ou importando; no aperfeiçoamento do trabalho; na otimização do tempo de
que dispõe; nas obrigações; na vida. Infelizmente, a exacerbação recai sobre jovens,
adolescentes e crianças, alheios ao que acontece ao seu lado e, profundamente,
concentrados no mundo virtual.
*Imagem:metropoles.com
Há uma
febre, uma mania. Há, também, uma parcela que apenas observa, analisa essa desmesurada
epidemia. Em alto e bom som ou, mesmo em seus pensamentos, abomina a prática e atribui ao incontrolável desejo de estar permanentemente “logado”, a
capacidade destrutiva da atividade cerebral e, causa de atrofia no
desenvolvimento saudável das relações sociais e familiares. Estão enganados?
*Imagem:blog.clickgratis.com.br
Não se
sabe. Lógico que, como todas as coisas, a tecnologia tem bônus e ônus. Todavia
não há como ignorar a letargia que envolve as pessoas. O domínio das ilusórias
situações é, paradoxalmente, verdadeiro. Cresce assustadoramente uma massa sonolenta
que, à moda zumbi, vaga pelas casas, escolas, shopping, praças e ruas. Digitam
continuadamente em verdadeiro transe, cujo despertar se dá apenas para vibrar,
gesticular, pela eliminação de inimigos imaginários ou pela consecução de um
objetivo que pode ser a mera ultrapassagem de uma fase.
*Imagem:jornalggn.com.br
A atenção maior volta-se,
naturalmente, às crianças e adolescentes, em continuado processo de
desenvolvimento de suas faculdades. São promessas, vivem o por vir a ser, os
estímulos e as oportunidades têm que seguir um curso normal de adequação.
Isolá-los, privá-los do contato com a realidade, cercear sua interação,
invariavelmente terá respostas.*Imagem:www.oarquivo.com.br
Tornar o mundo real muito distante, uma sombra
distorcida e sem contexto, é clara alienação em proporções nunca dantes
imaginada fora da doença mental. Adolescentes e crianças não têm
como perceber a nocividade do descontrole de tais fatos. Enquanto a ausência de equilíbrio traz suas consequências, muitos pais alegam os riscos que crescem a cada dia nas cidades, para justificar uma perigosa comodidade.
*Imagem:mentirinhas.com.br
As
crianças, cada vez mais mais novas estão presas a tecnologia touch screen. Muitas, até bem pouco tempo eram reféns da televisão. Atualmente, não mais se prendem, por
muito tempo, nesse universo. Meninos e meninas são lentos e focados, tão
somente, em movimentar os dedinhos e, às vezes, os braços. Ninguém mais corre
atrás do outro, se esconde, dança sozinho na frente de um espelho ou mesmo
ouvindo música.
*Imagem:atitudemovel.com.br
Sumiram os cowboys; os aventureiros que de capa e
espada que matavam dragões para salvar alguém em perigo; os cientistas que faziam
misturas incríveis com fórmulas jamais escritas; os artistas que montavam peças
teatrais nos quintais de suas casas e moldavam figuras de massa ou qualquer
outra matéria prima; os meninos maluquinhos, palhacinhos; o pedalar na pracinha; as casinhas de boneca; a bola –
aquela que se faz presente desde a mais tenra idade – está se tornando obsoleta.
Sumiram os quintais!
*Imagem:revistacrescer.globo.com
A arte escapa por entre os dedos infantis. Poucos,
mesmos quando dotados de tal inclinação, não querem “perder tempo” criando,
estimulando suas fantasias com desenhos, pinturas, ou qualquer tipo de
criatividade. E as habilidades sociais? Onde se esconderam os meninos
passarinhos? E a vontade de voar? Ao que parece andam em franca retração,
hipnotizados perderam as asas e a curiosidade.
*Imagem:novonerd.xpg.uol.co.br
É inegável. Os equipamentos postos á disposição da
sociedade contemporânea afetam de forma significativa á juventude. Ora, as
relações de amizade construídas través da convivência, de hábitos que se tornam
comuns e, principalmente, da afetividade, necessitam de recepção física e
mental para que fluam e transformem-se em emoções. Mas, a emoção cedeu lugar à
frieza dos jogos programados para eliminação do “inimigo”; para seguidores
virtuais; amigos nunca conhecidos; a construção de fortalezas irreais; para a deformação da mitologia... *Imagem:leals.wordpress.com
Como estimular anseios saudáveis em crianças e
adolescentes? Levam seus Celulares, Tablets, Ipad, Iphone e similares em suas
mochilas. Nos intervalos, sequer veem seus colegas, estão imersos no mundo imaginário.
E passa rápido. A vida social cada vez mais achatada, as crianças escravizadas
num mundo onde “tudo acontece”, inclusive, em grande escala, a maldade do
adulto pervertido que se traveste, do outro lado da tela, como se criança
fosse.
*Imagem:casosedescasosrj.blogspot.com
Todos sabem que o fascínio da tecnologia é imenso.
Idosos, Adultos, Jovens, Adolescente e Crianças, mergulhados na ficção dormem
menos, muitos se alimentam mal e têm problemas de concentração. É certo que os
defensores das mídias digitais acreditam que suas amizades crescem de forma
exponencial. Bom, “milhares, quiçá milhões de pessoas”, possuem milhões de
amigos, seguidores. Disputam “games” com os contendedores em diferentes
Continentes. Influenciam fortemente outros que sequer imaginam existir. Quantos
efetivamente se conhecem? Quantos sequer já viram a figura do outro? Quantos já confortaram o outro na
adversidade?
*Imagem:belverede.blogspot.com
A
utilização demasiada desses dispositivos pode
ocasionar problemas de saúde. São comuns o ressecamento e dores nos olhos;
inquietação durante o sono, inclusive com pesadelos; alteração na coluna,
causados tanta pela mesma postura durante muito tempo como e também pela postura errada; obesidade, por associarem
á diversão a comidas industrializadas, como biscoitos, chocolates e outros. Além
disso a ausência de exercícios, brincadeiras saudáveis, movimentação normal a idade, refletem no humor, na sociabilidade.
*Imagem:escolavicentepallotti.blogspot.com
A
fórmula, a receita para transformar a realidade, integrar-se às novidades sem que
crianças e adolescente sejam escravizadas, adoeçam e se isolem, continua sendo o
velho e chato equilíbrio. Ora, o exagero é sempre pernicioso. Comer em demasia,
engorda; beber constantemente vicia e adoece; fumar com exagero traz o risco de
doença pulmonar; o exercício físico em excesso pode causar a fadiga dos
músculos. Enfim, nada mais saudável que o equilíbrio. *Imagem:estilo.uol.com.br
Enfim, o “quantum” pode fazer a diferença entre o
remédio e o veneno. A prisão sufoca. A ausência de cuidados e o excesso de liberdade,
colocam os que ainda estão em formação em constantes perigos físicos e psíquicos.
Pais e responsáveis não podem se deixar levar pelo engodo do filho quieto,
dentro de casa, ocupado com o mundo virtual.*Imagem:www.oarquivo.com.br
Não entreguem o amor, a formação, a educação de seus
maiores tesouros às máquinas. Nelas não existem sentimentos, capacidade de
enxergar o ético, o moral. Podem amargar, num futuro próximo, desvios comportamentais
e, sérias consequências no âmbito afetivo, psicológico e civil. Com as máquinas
o aprendizado é claro: os fins justificam os meios. Doem tempo,
afeto, zelo aos seus. Pode parecer muito, mas não é. Um adulto bem resolvido,
saudável, pode ter sua origem em pais afetivos, cuidadosos e vigilantes.
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