Quem sou eu? O que faço

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João Pessoa, Paraíba, Brazil
Quem sou? O que faço. Sou Maria de Lourdes, tenho, agora, 62 anos, esposa, mãe e avó, formação jurídica, com pós graduação em Direitos Humanos e Direito Processual Civil, além de um curso não concluído de Filosofia. Conheci os clássicos muito cedo, pois não tinha permissão para brincar na rua. Nosso universo – meu e de meus irmãos – era invadido, diariamente, por mestres da literatura universal, por nossos grandes autores, por contistas da literatura infanto-juvenil, revistas de informação como Seleções e/ou os populares gibis. Todos válidos para alimentar nossa sede de conhecimento. Gosto de conversar, ler, trabalhar, ouvir música, dançar. Adoro rir, ter amigos e amar. No trabalho me realizo à medida que consigo estabelecer a verdade, desconstruir a mentira, fazer valer direitos quando a injustiça parece ser a regra. Tenho a pretensão de informar, conversar, brincar com as palavras e os fatos que possam ser descritos ou comentados sob uma visão diferente. Venham comigo, embarquem nessa viagem que promete ser, a um só tempo, séria e divertida; suave e densa; clássica e atual. Somente me acompanhando você poderá exercer seu direito à críticas. Conto com sua atenção.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

UMA CANÇÃO DE AMOR


O QUE DIZER SOBRE LUZIA


Ter veia poética, produzir rimas que avivam a sensibilidade dos enamorados. Dar letra e melodia a vida, a paixão, a dor, ao amor, em magistrais canções, como fizeram e fazem os grandes compositores. Tirar do coração a magia que eterniza sentimentos. Cantar a vida de forma harmoniosa. Dons que diferenciam pessoas.  Não tenho nenhum desses. Talvez, a opção da prosa descompromissada. Sim, bem ou mal, sempre gostei de falar, escrever, sobre pessoas e fatos, sejam atuais ou passados, brincar com eles, entremeá-los de forma a criar uma linha do tempo  contextualizando, estabelecendo um foco. Mas, em segundos, fugir sem escrúpulos,*Imagem: canaltech.com.br.


Hoje, no entanto, buscono fundo do baú o mês de fevereiro. Não o  presente, mas aquele que somado ao ocorrido no dia 03 de novembro de 1980, tornou-se símbolo de realização da mulher que habita o meu corpo. Corria o ano de 1982, morava em Brasília e tinha vindo a João Pessoa para festejos. Os de todos nós, Natal e Ano Novo e um em particular. Seria mãe pela segunda vez. A maternidade se avizinhava ante a proximidade do nascimento de minha filha, cujo sexo a tecnologia já me revelara. Esse é o foco: a chegada de Luzia. *Imagem: blogs.diariodonordeste.com.br


Tudo começou quando, cheia de planos e querendo aproveitar o máximo a permanência entre familiares, absolutamente serena, embora em avançada gravidez, resolvi passear no sertão paraibano, não perderia aquela chance. Logo, logo voltaria ao planalto central.  Fui cheia de graça e alegria, levando pela mão Fred, meu filho mais velho de apenas 2 (dois) anos e 2 (dois) meses. Me sentia leve, disposta, apesar de estar grávida de oito meses. *Imagem.www.fotosearch.com.br.


A viagem, confortável, com meu cunhado e minha irmã, numa “Caravan” marrom, que voava na estrada, transcorreu na mais perfeita tranquilidade. Bom, a estrada, sem as benesses da duplicação, nos obrigava a percorrer os quilômetros entre a Capital e a cidade de Santa Luzia em, aproximadamente,  4 h a 4 h 30 min.  Fui rindo das brincadeiras de Fernando, do espanto de Fred com os animais que pastavam e, perdoe-me, da seriedade de minha irmã. Que entre um mistério e outro de seu terço cuidadosamente rezado, tecia algum comentário*Imagem:carrosnaweb.com.br.


Chegamos a Santa Luzia. A primeira cidade do sertão da Paraíba e que, naquele período, já enfrentava o segundo ano de seca. Estranhamente, para mim que me acostumara ao calor do asfalto e a aridez do clima do Distrito Federal, senti um pouco de frio. Instintivamente agasalhei Fred que teimava, teimava, teimava, em não querer vestir o casaco. Ora, mãe tem o hábito de “não errar”. Se a mãe sente frio, na lógica materna, o filho devia sentir. Kkkkkkkkk. Pobre criança.* Imagem:pt.clipart.me


Uma vez no sertão Fred soltou-se, literalmente. Corria, caía, levantava, corria e caía novamente. Rindo. Tudo na maior alegria. No dia seguinte fomos à querida “Malhada do Umbuzeiro”, localizada no Junco do Seridó e, naquela época, pertencente a Seu João Bernardino e Dona Neném, adoráveis velhinhos, pais de Fernando. Ali a felicidade foi geral. Adorava a fazenda, os costumes e as pessoas. Além disso o meu estado parecia motivar mais sorrisos, mais atenção de todos.*Itunes.apple.com.


O dia, naquele recanto de paz e beleza transcorreu diferente de tantos que eu passara lá. Todos muito solícitos, amáveis e cuidadosos comigo, especialmente os irmão mais velhos de meu cunhado, Antônio Bernardo e Maria Geni, ambos se esmeraram em gentilezas. Gostava de conversar com eles, a forma como se referiam a família, a terra que tanto amavam. Sentia-me em casa. Experimentava a sensação de ser querida  naquele lar. *Imagem: revistadominios.com.br.


Usufrui de cada minuto daquela família hospitaleira. Como se não bastasse,  fechando com chave de ouro a visita, fui servida com um lanche dos deuses: num prato fundo, cheio de queijo quente, coberto com rapadura ralada, formava-se um mel de engenho que se infiltrava no queijo. Fred, no meu colo, sorvia pequenas porções e sorria com o gosto doce daquela merenda. Até hoje encho minha boca de água, só com a lembrança daquela comida tão simples quanto gostosa. Era dia 10 de fevereiro, uma quarta feira. À noite me senti estranha. Claro, coloquei a culpa na gula. Quem mandou comer tanto? * Imagem:amarantes-vinho.com.br.


 À medida que as horas iam passando a estranheza ia aumentando. Ledo engano, a comida em nada contribuíra para meu desconforto. O dia 11 de fevereiro de 1982, amanheceu com o céu claro, de um azul anil límpido.  As nuvens, branquinhas tal qual flocos de algodão, criavam figuras curiosas. O céu que, à noite, fora de Brigadeiro, logo cedo, tornara-se uma festa aos nossos olhos com a presença do rei sol, absoluto em sua majestade, a todos subjugando com a sua luz.


Pelas 9 horas não havia mais dúvidas: Luzia estava a caminho e Fred chorava, queria o braço de sua mãe que estava esquisita e ainda não o colocara em seu colo. Aí começa outro drama. É eu estava no Sertão. Na casa de Fernando e Paula, meu cunhado, Médico, cirurgião. Havia a real possibilidade dele fazer meu parto .... *Imagem:ru.dreamstime.com.



Uma coisa falou alto dentro de mim. Meu irmão, também Médico Cirurgião estava mais próximo de nós que a capital. Resolvi investir nesse raio luminoso e lá fomos nós para a cidade de Piancó. A bolsa estourou e não havia contrações, tampouco dilatação. O Hospital da cidade, de nome Venceslau Lopes estava em reforma. Havia barulho de obras, pessoas apressadas, corre corre. Era imprescindível operar e assim  tudo aconteceu. *Imagem:fotosearch.com.br

Luzia nasceu às 10 horas 53 minutos do dia 11 de fevereiro de 2016, Quinta-feira. Veio ao mundo com 3 quilos, 50 centímetros. A cesárea foi realizada por Álvaro, auxiliado por Fernando. Já chegou Linda. O rosto bem gordinho, cabeluda, branquinha, pernas grossas e os lábios bem vermelhinhos. Não chorou. Houve um fração de segundo, Álvaro com voz firme determinou: aspirem a menina. A ar em seus pulmões rompendo a dependência materna, destamparam nosso ouvidos e produziratranquilidade.*Imagem:desenchufadosfm.blogspot.com
          

A calma, entretanto, deu lugar à apreensão quando a recém-nascida recusou alimentar-se. Lembro como se vivesse o momento. Minha irmã, Paula, que nos acompanhara, já se preparava para viajar a João Pessoa trazendo consigo minha filha. Fechei os olhos e pedi em silêncio, o tempo pareceu congelar e mais uma vez tentei amamentá-la, como num sonho senti que sugava o colostro, engoli em seco e novamente agradeci.  Foram muitas as peripécias que cercaram o milagre da vida que se iniciava.* Imagem:mamifran.blogspot.com.


Luzia, que também é Maria, cresceu linda e inteligente. Sempre cautelosa, cuidadosa com o irmão mais velho, amorosa com as sobrinhas e sobrinhos, amiga e atenciosa com a cunhada e os cunhados, trata com respeito às pessoas independente de convenções. Feliz em seu casamento, tem no marido o amor, o companheiro de todas as horas. Capaz de enxergar além dos sentimentos vê, em entes queridos aspectos às vezes desconhecidos até mesmo para eles separando a realidade e os afetos.  


Minha filha, hoje adulta, consciente, uma mulher admirável, uma profissional competente. Conseguiu o que poucos conseguem: o respeito e a admiração até mesmo daqueles que discordam de suas posições. Eu poderia passar a noite falando sobre ela. Entretanto, me basta declarar meu amor, a minha admiração e respeito, agradecer a Deus pela dádiva de sua existência em minha vida. Obrigada por, juntamente com seu irmão realizar o meu maior sonho, completar a minha vida. Obrigada por tudo!

2 comentários:

Gabriella Nóbrega disse...

Lindo e emocionante! Família em cada frase...amor.
Gabi

Fernanda Nóbrega disse...

Maravilhoso tia!!! Como sempre suas palavras eivadas de emoção e amor filial!!!
Muitas lembranças vieram à minha mente, me emocionei do começo ao fim. Te amo!!! Nanda