Quem sou eu? O que faço

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João Pessoa, Paraíba, Brazil
Quem sou? O que faço. Sou Maria de Lourdes, tenho, agora, 62 anos, esposa, mãe e avó, formação jurídica, com pós graduação em Direitos Humanos e Direito Processual Civil, além de um curso não concluído de Filosofia. Conheci os clássicos muito cedo, pois não tinha permissão para brincar na rua. Nosso universo – meu e de meus irmãos – era invadido, diariamente, por mestres da literatura universal, por nossos grandes autores, por contistas da literatura infanto-juvenil, revistas de informação como Seleções e/ou os populares gibis. Todos válidos para alimentar nossa sede de conhecimento. Gosto de conversar, ler, trabalhar, ouvir música, dançar. Adoro rir, ter amigos e amar. No trabalho me realizo à medida que consigo estabelecer a verdade, desconstruir a mentira, fazer valer direitos quando a injustiça parece ser a regra. Tenho a pretensão de informar, conversar, brincar com as palavras e os fatos que possam ser descritos ou comentados sob uma visão diferente. Venham comigo, embarquem nessa viagem que promete ser, a um só tempo, séria e divertida; suave e densa; clássica e atual. Somente me acompanhando você poderá exercer seu direito à críticas. Conto com sua atenção.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

MEMÓRIA O NOSSO HD

REFAZENDO CAMINHOS - NOSSO BAÚ


Todos, no mínimo, uma vez na sua existência, refaz seus passos, os caminhos percorridos, sem a preocupação de que  traduzam ou não coisas boas. É algo característicos dos seres humanos. Alguns acontecimentos têm o dom de sacudir as pessoas e despertar a memória realizando um caminho inverso e mágico. Um chão de estrelas, um raio de luz. *Imagem: euemeucaminho.com.blogspot.


Pois é, nada mais saudosista que as festividades de Natal, Réveillon, Aniversário, dia das Mães, dia dos Pais e encontro de colegas de formatura, de colégio, reuniões de família. Invariavelmente ressurgem pessoas das quais não temos notícias, daqueles que se foram, de sonhos da infância, adolescência, faculdade...enfim, uma nostalgia suave, gostosa. *Imagem: red-steps.blogspot.com.



Retroceder no tempo e no espaço é uma faculdade da qual os sensíveis não abrem mão.  Reencontrar-se, municiados por informações guardadas em dois nichos fantásticos: o cérebro – nosso HD e,  no coração – o baú de nossos sentimentos, não tem preço. *Imagem: pausaparacrescer.wordpress.com.


Com esses equipamentos voltamos ao passado, visualizamos  o futuro, fantasiamos o presente, tudo isso sem pagar passagem, mas rendendo tributo ao que se desenrola diante de nós. Se é algo triste, nos enchemos de melancolia; caso seja uma passagem alegre, um sorriso se desenha em nosso rosto; quando lembramos amores passados, nosso olhar se enche de mistérios e algumas vezes um sorriso maroto insiste em nos denunciar. *Imagem: emivanis.com.br



Algumas ocasiões são muito presentes em nossa retina, muito embora tenham acontecido há anos. Lembro como se fosse hoje de algumas passagens interessantes e que fazem festa no meu HD e brincam com o meu baú de emoções. *Imagem: mdemulher.abril.com.br.


Quando adolescente, as tardes de Domingo eram especiais.  Os jovens de minha geração circulavam pelo anel interno da lagoa e a paquera corria solta. Diferentemente de hoje, ninguém “ficava”, apenas nos acostumávamos com a figura do outro. Era o olhar que buscava, o coração que disparava, o rubor - agora tão desusado - a deixar em fogo as maçãs do rosto, a timidez que aflorava e nos deixava confusas. *Imagem: feita-de-coisas.blogspot.com



Desses passeios guardo um acontecimento que hoje me causa riso. Na lagoa, "Parque Solon de Lucena", passeando com minha irmã Socorro e amigas do Lins de Vasconcelos, cruzamos com alguns colegas. Tudo normal, comum. Eu era a última, caminhava quase no meio fio, quando passamos pelos meninos senti que algo roçara a minha mão, não entendi. No segundo encontro, um deles parou e estendeu a mão, naturalmente respondi o cumprimento, surpresa: o colega enfiou um bilhete em minha mão e ainda piscou pra mim. KKKKKKKKK, namoramos uns meses... *Imagem: welcome.com.br

 
Do convívio com meus irmãos lembro-me de muitos momentos curiosos. Certa feita, estávamos jantando (papai e mamãe ainda não tinham chegado da padaria) e surgiu, não sei de onde, uma história sobre uma tampinha de garrafa. Um dos irmãos jogou-a para trás. Acontece que, para nosso espanto, a tampinha voadora atravessou a grade, passou por cima do muro, caiu no prato de um dos vizinhos.* Imagem: copanacozinha.blogspot.com.


Suspense total. Ouvimos os gritos: um dizendo que fora o outro irmão que jogara a tampa em sua sopa. A briga rolou, ouvimos gritos e sons típicos de socos e de coisas caindo no chão. Permanecemos em silêncio, temerosos que alguém se desse ao trabalho de reconstruir a rota do objeto inesperado. Graças a Deus que a briga ofuscou uma possível investigação. Ficamos assustados pois não houvera nenhuma intenção de provocar o incidente. Passado algum tempo, o fato tornou-se motivo de risos*Imagem: reportesmessias.blogspot.com.



A lista é extensa. Uma ocasião, íamos para o colégio, a pé, era perto de casa e não havia os riscos de hoje. Na esquina de nossa casa tinha um rapaz que não conhecíamos. Quando passamos ele beliscou minha irmã e cinicamente saiu andando como se não tivesse feito nada. Ela abaixou-se rapidamente, tirou o sapato Vulcabrás e arremessou, certeiramente, nas costas do indivíduo que estatelou-se no chão. *Imagem: gartic.com.br.


Gente o pior ainda aconteceria. A noite quando ficávamos conversando com a turma da rua eis que chega o RIDÍCULO. Antes que fosse dito qualquer coisa, um dos amigos apresentou a peça: seu irmão que morava no Rio de Janeiro e estava passeando. Acreditem, o cara morava encostado à nossa casa. Ficou um clima terrível até entendermos que ele não falaria. Era adulto e sabia que errara. Nunca conseguimos sequer conversar com a criatura. Jamais falamos sobre o assunto com o irmão que era nosso amigo.* Imagem: síndicoprof.blogspot.com.



Tem ainda o caso de uma senhora que encontramos quando íamos para a loja de D. Menininha, mãe de nossas amigas Lúcia e Glória. A madame estava frente ao Banco do Estado em Santa Rita, era cedo. Estava exageradamente maquiada, com sombra verde, batom vermelho, uma roupa com brilho – cetim -, sapatos altíssimos e um cinto que “estrangulava” sua cintura. Éramos crianças mas, nossa idade já permitia saber que era falta de educação rir dos outros, entretanto não conseguimos segurar o riso: rimos, rimos e rimos. * Imagem: betmichel.com.br.



Gente, moleza é um negócio esquisito. Fomos à loja, compramos uma roupinha para Fábio com a ajuda de D. Menininha e voltamos. Vocês não imaginam o susto. Em nossa casa, muito bem sentada, conversando com papai e mamãe estava a senhora, devidamente acompanhada do marido. Foi triste. Descobrimos que ela era casada com um amigo de papai, gerente de banco. Não sei o que ela disse, sei que ficamos de castigo. Mesmo assim, quando ninguém estava por perto, o riso ecoava. * Imagem: blogdoarcoriris.blogspot.com.br



Em casa nos divertimos muito. Principalmente na infância quando éramos vizinhos de Seu Paulo e D. Lourdes, pais de Roberto Furtado. Nossos pais não nos deixavam brincar na rua, exceto quando um adulto podia permanecer. Assim criamos um mundo à parte. Os livros eram praticamente devorados. o que líamos, usávamos em nossas brincadeiras.* Imagem: condesdalousaazevedo,blogspot.com.br.




Com roteiros imaginários promovíamos desfiles de modas, de misses;   peças de teatro. Gostar de pular corda, jogar amarelinha,  vôlei e tênis de mesa (a nossa mesa era oficial) era algo comum entre nossos amigos e amigas. O ping pong, como era chamado, foi uma das paixões de papai. Os meninos, além dos esportes citados, também jogavam futebol, faziam guerra de mamona, colecionavam álbuns de figurinhas e gibis. * Imagem: conteudoteatral.com.br.



Socorro, a mais nova das irmãs, adorava bonecas. Tinha tudo da Estrela. Eu nunca gostei. Assim divertia-se com suas “filhas”, brincando, entre outras amiguinhas, como Emilinha – irmã de Eunice Celani. Eu tinha pavor das bonecas, com seus olhos fixos e sem vida. À noite me dava ao trabalho de virar todas para a parede. Para mim não era estranho, era a diferença entre dormir ou não. Cada um com sua neura. * Imagem: carinteriordesign.net.



As comemorações em família eram esperadas ansiosamente. O dia das mães e dos pais eram oportunidades para extravasarmos o nosso amor, nosso carinho por quem se desdobrava para nos nutrir emocional e fisicamente. Os presentes, inicialmente comprados por papai, passaram a ser escolhidos por ele e Paula, que os distribuía. Ao acordar íamos juntos presentar mamãe. Eram dias de alegria, amor e paz numa família muito bem estruturada.*Imagem:portaltaiacuonline.blogspot.com.


Esse “Dia das Mães” ativou o meu HD e o meu baú. Sacudiu minha memória e escancarou meu coração lembrou Vovó Beatriz, Mamãe Quetinha, Tia Nevinha, Tia Nena e tantas outras que já se foram. Como é bom sentir esse gostinho de simplicidade, de verdade, essa emoção típica de família, reunindo pessoas essenciais às nossas vidas. Há dois anos, por ocasião da passagem de um Dia das Mães manifestei o meu desejo de poder dar a de presente a minha mãe "MARIA LUZIA" "um cartão de "saúde", com crédito ilimitado  e sem data de vencimento. AINDA CONTINUO PENSANDO ASSIM E A CADA DIA FICA MAIS NECESSÁRIO ESSE CARTÃO.




Esse dia das mães trouxe de volta uma linda canção.

MAMÃE

TOQUINHO

Ela é a dona de tudo
Ela é a rainha do lar
Ela vale mais para mim
Que o céu, que a terra, que o mar

Ela é a palavra mais linda
Que um dia o poeta escreveu
Ela é o tesouro que o pobre
Das mãos do Senhor recebeu

Mamãe, mamãe, mamãe
Tu és a razão dos meus dias
Tu és feita de amor e de esperança
Ai, ai, ai, mamãe
Eu cresci, o caminho perdi
Volto a ti e me sinto criança

Mamãe, mamãe, mamãe
Eu te lembro o chinelo na mão
O avental todo sujo de ovo
Se eu pudesse
Eu queria, outra vez, mamãe
Começar tudo, tudo de novo

Ela é a dona de tudo
Ela é a rainha do lar
Ela vale mais para mim
Que o céu, que a terra, que o mar

Ela é a palavra mais linda
Que um dia o poeta escreveu
Ela é o tesouro que o pobre
Das mãos do Senhor recebeu

Mamãe, mamãe, mamãe
Tu és a razão dos meus dias
Tu és feita de amor e de esperança
Ai, ai, ai, mamãe
Eu cresci, o caminho perdi
Volto a ti e me sinto criança

Mamãe, mamãe, mamãe
Eu te lembro o chinelo na mão
O avental todo sujo de ovo
Se eu pudesse
Eu queria, outra vez, mamãe
Começar tudo, tudo de novo

(Dorme, dorme, filhinho)

Um comentário:

Lilian Rodrigues disse...

É isso aí, Maria... recordar é viver. E sua recordações são sempre cheias de muito amor.
Bjo.