Quem sou eu? O que faço

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João Pessoa, Paraíba, Brazil
Quem sou? O que faço. Sou Maria de Lourdes, tenho, agora, 62 anos, esposa, mãe e avó, formação jurídica, com pós graduação em Direitos Humanos e Direito Processual Civil, além de um curso não concluído de Filosofia. Conheci os clássicos muito cedo, pois não tinha permissão para brincar na rua. Nosso universo – meu e de meus irmãos – era invadido, diariamente, por mestres da literatura universal, por nossos grandes autores, por contistas da literatura infanto-juvenil, revistas de informação como Seleções e/ou os populares gibis. Todos válidos para alimentar nossa sede de conhecimento. Gosto de conversar, ler, trabalhar, ouvir música, dançar. Adoro rir, ter amigos e amar. No trabalho me realizo à medida que consigo estabelecer a verdade, desconstruir a mentira, fazer valer direitos quando a injustiça parece ser a regra. Tenho a pretensão de informar, conversar, brincar com as palavras e os fatos que possam ser descritos ou comentados sob uma visão diferente. Venham comigo, embarquem nessa viagem que promete ser, a um só tempo, séria e divertida; suave e densa; clássica e atual. Somente me acompanhando você poderá exercer seu direito à críticas. Conto com sua atenção.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

VELHICE! QUEM DISSE?


UMA REFLEXÃO. 


Amados filhos de meu ventre e filhos de meu coração, meus familiares, amigos, seguidores, colegas, hoje acordei com a sensação de que deveria falar sobre algo que amedronta muita gente. É fato que  alguns tentam de qualquer maneira enganar-se e enganar aos demais. O assunto que hoje acordou comigo é idade. Pois é, aqui em nosso pedaço do mundo, o Brasil, a Lei nº 10.741 de 1º de Outubro de 2003 – Estatuto do Idoso - dispõe: Art. 1º. É instituído o Estatuto do Idoso, destinado a regular os direitos assegurados às pessoas com idade igual ou superior a sessenta anos.


Numa primeira leitura coloca-se como Idoso a pessoa com sessenta anos ou mais. Diferentemente de algo a que chamamos de compulsório que compele, obriga. Por exemplo, a idade definida para a aposentadoria compulsória, daqueles que estão no serviço público é setenta anos. A previdência Social - INSS, entretanto,  encontra uma fórmula própria para definir a aposentadoria, combinando idade do segurado e o tempo de contribuição, entre outros.



Mas, hoje trago para vocês algo que gostaria de ter imaginado para a minha vida. Quase aos 61 anos fico feliz em identificar-me com algumas passagens de um texto maravilhoso  e  que me foi enviado pela Jornalista DENISE SANTANA FON, minha tia materna, a quem amo e admiro por demais. Deliciem-se e vejam quanta sabedoria:
  

“Eu nunca trocaria meus amigos surpreendentes, minha vida maravilhosa, minha amada família por menos cabelo branco ou uma barriga mais lisa.  Enquanto fui envelhecendo, tornei-me mais amável para mim, e menos crítica de mim mesmo. Eu me tornei minha própria amiga... Eu não me censuro por comer biscoito extra, ou por não fazer a minha cama, ou para a compra de algo bobo que eu não  precisava, como uma escultura de cimento, mas que parece tão “avant garde” no meu pátio. Eu tenho direito de ser desarrumada, de ser extravagante.


Vi muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento.

Quem vai me censurar se resolvo ficar lendo ou jogar no computador até as quatro horas e dormir até meio-dia? Eu? Dançarei ao som daqueles sucessos maravilhosos dos anos 60 &70, e se eu, ao mesmo tempo, desejo chorar por um amor perdido… Eu vou.

 

Vou andar na praia em um maiô excessivamente esticado sobre um corpo decadente, e mergulhar nas ondas com abandono, se eu quiser, apesar dos olhares penalizados dos outros no jet set.

Eles, também, vão envelhecer.

Eu sei que eu sou às vezes esquecida. Mas há mais, algumas coisas na vida que devem ser esquecidas. Eu me recordo das coisas importantes.


Claro, ao longo dos anos meu coração foi quebrado. Como não pode quebrar seu coração quando você perde um ente querido, ou quando uma criança sofre, ou mesmo quando algum amado animal de estimação é atropelado por um carro? Mas corações partidos são os que nos dão força, compreensão e compaixão. Um coração que nunca sofreu é imaculado e estéril e nunca conhecerá a alegria de ser imperfeito.


Eu sou tão abençoada por ter vivido o suficiente para ter meus cabelos grisalhos, e ter os risos da juventude gravados para sempre em sulcos profundos em meu rosto.

Muitos nunca riram, muitos morreram antes de seus cabelos virarem prata.

Conforme você envelhece, é mais fácil ser positivo. Você se preocupa menos com o que os outros pensam. Eu não me questiono mais.

Eu ganhei o direito de estar errada. Assim, para responder sua pergunta, eu gosto de ser idosa.


 
A idade me libertou. Eu gosto da pessoa que me tornei. Eu não vou viver para sempre, mas enquanto eu ainda estou aqui, eu não vou perder tempo lamentando o que poderia ter sido, ou me preocupar com o que será. E eu vou comer sobremesa todos os dias (se me apetecer).

Que nossa amizade nunca se separe porque é direto do coração!”


Eu quero pensar desse modo daqui a alguns anos. Hoje me sinto maravilhosa, cheia de vida, risonha, bonita. Não tenho limitações, não tenho sobrepeso, doença crônica ou depressão. A vida me sorriu a partir do nascimento. As dores que sofri são naturais, embora indesejadas. DEUS está e sempre esteve em meu coração.



 
Sou o que sou. A minha formação devo-a, inicialmente, a minha família primeira, meus pais, avós, tios e demais parentes com os quais convivi nessa fase; posteriormente fui sendo burilada no seio doutra família, os colégios por onde passei. Não foram poucos. Estudei no Colégio Nossa Senhora de Lourdes – Lourdinas; no Instituto Nossa Senhora Verônica (Santa Rita); no Colégio Nossa Senhora das Neves; no Colégio Estadual em Santa Rita; no Lins de Vasconcelos e no LICEU. Em todos fiz amigos para a vida inteira.



Depois fiz Direito na UFPB, casei, tive meus filhos, me divorciei - nesse período fiz duas pós-graduações e cursei Filosofia -, namorei, casei novamente.  e me sinto realizada como mulher, mãe e filha. A VIDA continua, tenho, ainda muitos planos e desejos. Entre eles viajar um pouco mais, ver coisas maravilhosas que homens e mulheres construíram e legaram à posteridade.



Uma parte de minha vida a que devoto muito carinho é o exercício da Advocacia. Nele tive grandes vitórias pessoais e não foram exatamente as ações que melhor me remuneraram. As mais gratificantes foram exatamente as da Justiça Gratuita. Desconstruir a hipocrisia, demonstrar que o dinheiro tem usos bem melhores do que comprar testemunhos e/ou desqualificar os menos favorecidos não tem preço. Ver o sorriso misturado às lágrimas de alegria energizam e nos dá a convicção de que estamos no caminho certo.



Assim colecionei realizações, frustrações, sucessos, insucessos, como uma pessoa qualquer. Nada em especial, exceto o meu amor pela verdade, pela família, pelas pessoas, por tudo aquilo em que acredito. Logo em meu vocabulário velhice é apenas a fase que vem após a idade adulta, sequência lógica, regra imutável da natureza. Ser velha, entretanto é outra coisa. É estado de espírito, opção de vida. Na minha trajetória optei por ser experiente, atraente, sorridente e vivente, é claro. Desejo a todos que em suas vidas optem por boas coisas, sejam limpos no pensar, saudáveis no agir e divertidos no viver. Chegarão aos 100 anos com rostinho e corpinho de 99...


3 comentários:

Anônimo disse...

LOURDES, LINDA POSTAGEM. UMA DEMONSTRAÇÃO DE COMO SE PODE CAMINHAR NA VIDA SEM DRAMAS. PARABÉNS. MÁRCIA.

Anônimo disse...

Ficar velho é uma opção. Hoje, sem necessidades de plásticas as pessoas podem conservar a saúde mental com opções que compreendem boa práticas, boa vontade, sorriso largo e cabeça voltada para o bem do próximo e a física com boa alimentação, exercícios físicos e um pouco de disciplina. Mas nada disso adianta se não tiver amor no coração.Isso você tem de sobra. Parabéns. Luísa.

Josélia Lins disse...

PALMAS!!!!! MUITAS PALMAS!!! TEXTO MARAVILHOSO....que deveria ser publicado no Grupo AMIGOS DAS ANTIGAS.