Quem sou eu? O que faço

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João Pessoa, Paraíba, Brazil
Quem sou? O que faço. Sou Maria de Lourdes, tenho, agora, 62 anos, esposa, mãe e avó, formação jurídica, com pós graduação em Direitos Humanos e Direito Processual Civil, além de um curso não concluído de Filosofia. Conheci os clássicos muito cedo, pois não tinha permissão para brincar na rua. Nosso universo – meu e de meus irmãos – era invadido, diariamente, por mestres da literatura universal, por nossos grandes autores, por contistas da literatura infanto-juvenil, revistas de informação como Seleções e/ou os populares gibis. Todos válidos para alimentar nossa sede de conhecimento. Gosto de conversar, ler, trabalhar, ouvir música, dançar. Adoro rir, ter amigos e amar. No trabalho me realizo à medida que consigo estabelecer a verdade, desconstruir a mentira, fazer valer direitos quando a injustiça parece ser a regra. Tenho a pretensão de informar, conversar, brincar com as palavras e os fatos que possam ser descritos ou comentados sob uma visão diferente. Venham comigo, embarquem nessa viagem que promete ser, a um só tempo, séria e divertida; suave e densa; clássica e atual. Somente me acompanhando você poderá exercer seu direito à críticas. Conto com sua atenção.

sábado, 9 de junho de 2012

PERFUME, AMOR E VIDA. PARTE I

O INÍCIO


O perfume, os cheiros, sempre tivereram seu lugar na história da humanidade. Assim, em alguns momentos de nossa evolução, poderia significar a sobrevivência ou a morte do indivíduo, que tornar-se-ia uma presa fácil de ser encontrada pelos predadores. Por outro lado poderia evocar boas ou más lembranças, ser bem recebido ou motivo de de rejeição, enfim, segue, pari passo, a raça humana.


Entretanto, discorrer sobre qualquer assunto nos leva, quase que instintivamente, a tentar defini-lo, bem como, a buscar  a origem do vocábulo que o designa.  A necessidade de estabelecer a procedência do nosso alvo é algo que se impõe, até mesmo para justificar o “porquê” e atribuir créditos.

Desse modo e nesse caso, nos deparamos com uma rotina na língua portuguesa: a origem latina. Fazendo reminiscência vemos que no latim "Per" significa através e, "fumus" (conhecido dos operadores do Direito), fumo, fumaça - o que sugere um início marcado por sopro, fumaça,  que era liberada por ocasião da queima de folhas, madeira e outros materiais, fato comprovado pelo próprio étimo.

A Fumaça Perfumada
Quando   os    pré-históricos aprenderam a fazer   o   fogo,   descobriram    que queimar aliviava o sabor   dos víveres. Inclusive,  já foi dito:“pensa-se que a arte da perfumaria se  terá   iniciado   ainda   na    Pré-História, quando o homem  primitivo   descobriu que certas    plantas    libertavam     fragrâncias agradáveis     quando      queimadas” .       Os primeiros  perfumes   teriam,    pois, surgido sob a forma de fumo ou "através do fumo".

 A vida nos mostra uma afinidade constante entre simbologia, ritual, fragrância e crenças. Desde o início da humanidade que o incenso guarda correlação com as práticas místicas de todas as eras. Do mais inculto ao mais erudito de cada povo e cultura, de alguma maneira, por algum instante, aromatizou o ambiente em que ocorreria uma prática ritualista. Representando, o ato de perfumar o espaço, uma oferta, uma devoção espiritual e uma oblação de pretensões dos cultuadores às divindades. Portanto, uma rotina no exercício da  religiosidade.

Árvores e Incenso
Destarte, o perfume e o incenso apresentam um conteúdo sacro. Alguns foram específicos para celebrações religiosas. A História da perfumaria registra que na coroação de druidesas utilizava-se “verbena e outras ervas sagradas, ungindo os sacerdotes com óleo sagrado perfumado e estimulando a criação de uma atmosfera devocional nos santuários.” 

Diz a tradição que óleos e incensos queimados atraiam anjos e afugentavam maus espíritos; o aroma  tem, então, uma conotação de benignidade, bons fluídos. 

No nosso percurso, sobre a historiografia do perfume vamos localizá-lo em diversas situações, senão vejamos:

NA BIBLIA -

O Perfume dos Templos
A história do perfume, que caminha junto com a trajetória do homem desde tempos imemoriais, desde o início se confunde com a do incenso. O uso de essências aromáticas aparece em relatos bíblicos desde o Velho Testamento. Em sinal de gratidão por ter sido salvo do Dilúvio, Noé teria queimado madeira de cedro e mirra. Os Reis Magos - Belchior, Baltasar e Gaspar, segundo as Sagradas Escrituras, ofereceram de presente ao Menino Deus, ouro, incenso e mirra.

Há também a transcrição de que os Hebreus empregavam o perfume na existência quotidiana e nas práticas religiosas. Assim é que na Bíblia, no livro Êxodo - Cap.30, V. 1, 7, 22-25, há uma fórmula para a confecção de um perfume especial, conforme teria sido determinado por DEUS: "Farás também um altar para queimar os perfumes; e Aarão queimará sobre ele um incenso de suave cheiro.”

O Tabernáculo
"Falou mais o Senhor a Moisés dizendo: Tu, pois, toma para ti das principais especiarias: da mais pura MIRRA, quinhentos siclos*; e de CANELA aromática, a metade, a saber, duzentos e cinqüenta ciclo , e de CÁLAMO aromático, duzentos e cinqüenta siclos; e de CÁSSIA, quinhentos siclos, segundo o siclo do Santuário; e de azeite de OLIVA, um him**. E disto farás o azeite da Santa Unção, o perfume composto segundo a obra do perfumista; este será o azeite da Santa Unção". (Êx. 30:22-25)*Siclo – unidade básica,  2 becas 11,4 gramas de prata Gn 23:15; 2 Rs 6:25."**Him -   1/6 do bato 6,2 litros Ex 29:40; Ez 4:11.

É também Bíblica a história da rainha ESTER. Contam os textos Sagrados que Mordecai criara Hadassa e a tomara por filha, essa era jovem e bela, de boa aparência e formosura. O rei Assuero  (Xerxes) havia repudiado a rainha Vesti por ter deixado de atender às suas convocações. Assim foram levadas virgens ao palácio real para, após o período de embelezamento, ser apresentadas ao Rei que escolheria a que mais lhe agradasse, para ser a nova rainha. 

Ester, que assumira esse nome para esconder a sua origem judia, foi levada a Hegai, eunuco que cuidava das moças e que se agradou da jovem que lhe pareceu formosa e alcançou favor perante ele; pelo que se apressou em dar-lhe os ungüentos e os devidos alimentos, como também sete jovens escolhidas da casa do rei; e a fez passar com as suas jovens para os melhores aposentos da casa das mulheres.

Hadassa ou Ester
Chegando o prazo de cada moça vir ao rei Assuero, depois de tratada segundo as prescrições para as mulheres, por doze meses (porque assim se cumpriam os dias de seu embelezamento, seis meses com óleo de mirra e seis meses com especiarias e com os perfumes e unguentos em uso entre as mulheres), então, é que vinha a jovem ao rei; a ela se dava o que desejasse para levar consigo da casa das mulheres para a casa do rei.

O perfume e os ungüentos, o amor paternal de seu pai adotivo,  transformaram Hadassa, uma menina judia, órfã, numa rainha muito amada e com uma missão, salvar o seu povo. Ester conquistou o Rei, o trono e uma posição de destaque. DEUS usou Ester, como um instrumento, para salvar o povo judeu de um decreto de morte. A Rainha Ester foi uma mulher de fé e obediência ao Senhor.

Há, ainda, em muitas outras ocasiões, referência na Bíblia à perfumes, ungüentos, e óleos, inclusive a passagem em que uma pecadora teria lavado  os pés de Jesus com suas lágrimas, ungido com  perfume e os enxugado com seus cabelos.

EGITO ANTIGO –


A civilização egípcia, reverenciava seus deuses incensando os locais de adoração; criando óleos aromatizado, a partir da utilização de algumas madeiras como o benjoim e o galbano, que eram esmigalhados,  juntados à mirra e ao azeite de oliva, para serem utilizados na prática de rituais em honra aos ídolos.

Egipcias e Perfumes
Os egípcios produziam, ainda, um incenso especial chamado "kyphi". Na sua elaboração faziam preces e pronunciavam magias,  ao mesmo tempo combinavam os elementos para saturar o incenso com a energia dos sacerdotes. Esses religiosos dedicavam as suas vidas ao cultivo de tais plantas. Viviam em completa pureza e rigidez, tendo sido  sendo uma tarefa de particular importância aos sacerdotes escolhidos, o desempenho de sua missão religiosa.


CLEOPATRA – Considerada como a mais famosa de toda a humanidade, usou e abusou de perfumes. Conta a História que Cleópatra (69 – 30 a.C) era uma mulher   frente de seu tempo. Tomava banhos perfumados, mantinha um cuidado exagerado com a pele, utilizava ervas curativas, emplastros, o kyph e óleos aromáticos como o de rosas, que era colocado em seu banho e por vezes esfregado em seu corpo.

Cleópatra a Rainha Perfumada
Dentre as lendas a respeito da rainha há aquela que atribui suas conquistas amorosas não só a beleza mas e também às suas fragrâncias sedutoras. Fala-se que a rainha do Egito mandava que colocassem essência de rosas nas velas de seu barco para que navegasse pelo Nilo, precedida e acompanhada de um perfume simultaneamente envolvente e suave. Este e outros relatos fazem seu perfil.

O seu romance, primeiro com Júlio César (100-44 a.C) e posteriormente com Marco Antônio (83-30 a.C,), em pleno período do Império Romano, conforme os registros históricos, demonstra que ambos  apaixonaram-se pela rainha egípcia, uma inteligentíssima mulher, considerada uma expert na arte de se perfumar e seduzir.

OS ÁRABES –


Avicena o Sábio
Os     Mouros não só compreendiam e apreciavam os prazeres    dos    perfumes,     mas   e   também tinham conhecimentos avançados de higiene, medicina e outras ciências. Eles produziram elixires, partindo de plantas e animais, com propósitos cosméticos e terapêuticos. O médico Avicena (980-1073) descobriu, por acaso, os princípios básicos da destilação a vapor.

Inventado o alambique tornou-se plausível destilar matérias-primas, configurando-se tal ação um reforço essencial à evolução da perfumaria. Os Árabes também extraíram suas informações sobre os efeitos do incenso, do Antigo Egito e, velozmente, ampliaram a utilização de fragrâncias e óleos em uma arte super-evoluída, sendo aceita e cultuada,  até os nossos dias  

Vidro Árabe Antigo
Um hábito arraigado entre os antigos, o uso de resinas, gomas e especiarias era empregado no embalsamamento, defumação e na prática médica em diferentes civilizações. A Pérsia, 0 Iraque além da Arábia, onde eram abrasadas nas fogueiras funerárias, em bodas e em diferentes comemorações (batismos, funerais e festas religiosas).    


O incenso desempenhou uma função significante no exercício místico e cerimônias da antiga Babilônia, Pérsia, Turquia, Síria e Arábia – e, segundo informações sobre o tema, se diz que foram os árabes que, com seus mercadores, trouxeram o incenso para Europa e o fizeram popular.  

No continente Europeu, a utilização maciça do incenso, em suas cortes bem como nas igrejas, transformou-se num marco, uma insígnia a indicar domínio e opulência. Aos poucos as fragrâncias perfumadas dominaram as culturas clássicas de todo o o Velho Mundo.  
   
GRÉCIA –

A Vaidade Grega
Médicos-Filósofos como Hipócrates, Críton e outros, viram na perfumaria uma  contribuição essencial nas práticas curativas, classificando-a como medicamentosa e aplicando-a em tratamentos, com ênfase a sua utilização para diversas doenças nervosas. 


Na sua obra “História Natural”, Plínio utiliza perfumes florais como drogas naturais. Pos sua vez Theofrasto creditava à inalação de perfumes diferentes a aceleração e crises de algumas doenças. Fazendo uso de outros, conforme fosse o que desencadeara o episódio, para devolver a normalidade e curar o doente.



Para os gregos os perfumes evocavam os deuses.   Um relato mítico do povo grego, conta que  através de uma ninfa de Afrodite, chamada Aeone, por um descuido o deixou chegar até os homens.

IMPÉRIO ROMANO -

Banhos   Público

Os gregos com seus costumes influenciaram o povo Romano no uso do perfume. A influência grega  foi de tal alcance que o  império romano,  que se estendeu por todo Sudoeste da Europa Central, Sudeste da Europa/Bálcãs e toda a bacia do Mediterrâneo, tornou-se decisivo para a ampliação da perfumaria, uma vez que passou a se utilizar das fragrâncias de forma  intensa.


A comercialização de matérias primas aromáticas foi vitalizada pela criação de caminhos mercantis para a Arábia, Índia e China. Durante o império, o interesse dos romanos por resinas, fragrâncias, bálsamos e perfumes extrapolou as fronteiras possíveis,  causando  um desequilíbrio nas contas  do império,  forçando uma crise.
 
            Registra-se que mirra e olíbano eram trazidos para Roma através do mar. Todo cidadão romano se perfumava. Há registro de que alguns perfumavam também  os seus cavalos.

 É relato histórico a existência, em Roma, de banhos públicos, cheios de luxo e rituais perfumados com as mais diversas porções aromatizadas. 


Os romanos mais abastados mandavam que seus escravos  perfumassem as solas dos seu pés.

ÍNDIA –

Merece destaque, a utilização de perfume entre os indianos. Em toda a história desse povo há registro do uso do incenso, que produz perfume, fumaça perfumada.  O lado poético indiano faz requintadas descrições de nuvens sublimes, divinais, a partir de óleos extraídos de plantas como o cipreste, o sândalo, a rosa, o patchouli, o jasmim.


Um ritual devocionário
O fogo, a queima de incenso, o perfume, as piras funerárias, tudo leva a ritual, religião. É recorrente e impossível dissociar, na Índia, o perfume dos deuses, do sagrado. Um povo que respira religiosidade e tem em seus hábitos cheiros e fragrâncias para cada  situação.

O uso do incenso, a prática de perfumar os locais torna visual seu efeito sobre os adoradores. O transe, a interação com o sagrado aumenta à medida que o perfume, o incenso invade o local. Pode-se dizer que perfumar santifica as áreas e lembra aos indivíduos a presença dos deuses.

Incenso e Pedras Incandescentes
Igualmente aos egípcios, os indianos tinham confiança em que sua religiosidade e reconhecimento chegariam até os deuses por meio de perfumes. A religião veda seria a grande responsável pelo hábito de queimar incenso e perfumar ambientes sagrados, banhar-se e fazer rituais de expurgação e limpeza. Esses rituais eram eram concluídos com o uso de óleos, unguentos e pó perfumado, esfregado ou passados no corpo. Os budistas acreditam que o caminhar para a outra vida tem um acesso  pela “montanha fragrante”.

O      PERFUME CAMINHA COM O HOMEM, DEIXA DE SER ASSOCIADO AO SAGRADO, TRANSFORMA-SE EM MEIO DE SEDUÇÃO, TORNA-SE SÍMBOLO DE PODER AQUISITIVO E PODE TRANSFORMAR-SE NA ÚNICA ROUPA VESTIDA POR UMA BELA E DESEJADA MULHER, MAS ISSO SÓ NA SEGUNDA PARTE. VENHAM, CONFIRAM. VEJAM.

2 comentários:

Daniela Amorim disse...

Se ainda não se inscreveu, se inscreva para o sorteio,ainda da tempo. Vamos edificar a cada dia mais a nossa vida. Grande beijo
http://grandeigualdavi.blogspot.com.br/

Seu BLOG ta de parabens !!!

Rocio disse...


Hoje em dia, os perfumes desempenham um papel importante em mulheres. As mulheres têm muitos perfumes diferentes e utilizados de acordo com a ocasião. Eu tenho muitos perfumes, mas o meu perfume favorito é perfumes cacharel.