Quem sou eu? O que faço

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João Pessoa, Paraíba, Brazil
Quem sou? O que faço. Sou Maria de Lourdes, tenho, agora, 62 anos, esposa, mãe e avó, formação jurídica, com pós graduação em Direitos Humanos e Direito Processual Civil, além de um curso não concluído de Filosofia. Conheci os clássicos muito cedo, pois não tinha permissão para brincar na rua. Nosso universo – meu e de meus irmãos – era invadido, diariamente, por mestres da literatura universal, por nossos grandes autores, por contistas da literatura infanto-juvenil, revistas de informação como Seleções e/ou os populares gibis. Todos válidos para alimentar nossa sede de conhecimento. Gosto de conversar, ler, trabalhar, ouvir música, dançar. Adoro rir, ter amigos e amar. No trabalho me realizo à medida que consigo estabelecer a verdade, desconstruir a mentira, fazer valer direitos quando a injustiça parece ser a regra. Tenho a pretensão de informar, conversar, brincar com as palavras e os fatos que possam ser descritos ou comentados sob uma visão diferente. Venham comigo, embarquem nessa viagem que promete ser, a um só tempo, séria e divertida; suave e densa; clássica e atual. Somente me acompanhando você poderá exercer seu direito à críticas. Conto com sua atenção.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Mitologia Nórdica - Parte I

O NADA, O INÍCIO

 

O começo

 A princípio era o nada, apenas névoas chamadas Niflheim e o fogo, Musphelhein,  havendo entre eles o Ginungagap que era o "grande vazio" , onde não existia vida. Aconteceu que nesse imenso vazio houve o encontro do fogo e da névoa, surgindo um imenso bloco de gelo.  Sendo o fogo imutável e vigoroso foi dissolvendo o gelo e moldando um gigante, um colosso original - Ymir, que permaneceu adormecido por eras. Todavia, de seu suor nasceram os primogênitos gigantes. 

 

O gigante Ymir

 Ainda do fértil gelo surgiu a vaca gigante - Audumbla - com seu leite, que vertendo de sua tetas primiciais davam forma a quatro rios que nutriam o gigante Ymir. O gelo foi derretido pela vaca que o lambeu até libertar o primeiro deus, Buros, cuja genealogia mostra que foi pai de Borr, esse gerou o primeiro Æsir - Odin, bem como os seus irmãos, Vili e Ve.  Por sua vez os filhos de Borr, Odin, Vili e Ve, despedaçaram o corpo de Ymir criando, dos seus destroços, o mundo. 

Segundo o relato mitológico dos seus ossos e dentes originaram-se as rochas e as montanhas, do seu cérebro  originaram-se as nuvens. Os deuses, nessa ocasião, organizaram os dias e as noites e a passagem de um para o outro,  igualmente estabeleceram a mudança das estações. 


Há, também, outros deuses, como Sol que era filha de Mundifari e esposa de Glen. Reza o mito que ela cavalgava, através do céu,  todos os dias, em sua carruagem que era puxada por Alsvid e Arvaki, seus dois cavalos, sendo o seu passeio diário conhecido como Alfrodul, que quer dizer "glória dos elfos", que se tornou um Kenning ( expressão poética para os nórdicos) rotineiro para o sol. A deusa Sol durante o dia era perseguida por Skool que era um lobo e queria devorá-la. 

A ocorrência de eclipses solares significava momentos em que Skoll quase conseguia seu intento de pegar a presa. Diz ainda, a mitologia, que aconteciam ocasiões em que Skoll conseguia capturar e devorar Sol, todavia essa era substituída por sua filha. Por outro lado o irmão de Sol, a lua, Mani tinha o seu perseguidor, um lobo chamado Hati. Por sua vez  Svalin, que ficava, sempre, entre a terra e as estrelas a protegia do calor do sol. 


Yggadrasi
A luz, conforme a cosmogonia Viking, não se originava do sol mas saía da juba de Alsvid e Arvak. A literatura épica das Eddas, que são poemas e/ou prosas, redigido em nórdico antigo, preservado, com suas duas  compilações: a Edda prosaica (conhecida também como Edda Menor ou Edda de Snorri) e a Edda poética (também chamada Edda Maior ou Edda de Saemund), através da Sybil traça a Yggadrasi - Yggdrasil ou (nórdico antigo: Yggdrasill) que é uma árvore colossal, para alguns um freixo, para outros um teixo e que na mitologia nórdica era o eixo do mundo. 

Encontrando-se no centro do universo a Yggadrasi reunia os nove mundos do universo nórdico, cujas raízes mais profundas estão situadas em Niflheim, cravavam os mundos subterrâneos; o tronco era Midgard, ou seja, o mundo material dos homens; a parte mais alta, que se dizia tocar o Sol e a Lua, chamava-se Asgard (a cidade dourada), a terra dos deuses, e Valhala, o local onde os guerreiros vikings eram recebidos após terem morrido, com honra, em batalha.

 
Valquírias
As frutas da Yggdrasil guardam as respostas as mais inquietantes questões da humanidade. Por tais razões está diuturnamente defendida por uma centúria de valquírias, chamadas protetoras. Apenas os deuses podem visitá-la. O mito nórdico  diz ainda que as folhas de Yggdrasil podiam trazer pessoas de volta à vida e  um  só de seus frutos, curaria qualquer doença. 

As eddas que são , numa visão simplista o relato de tudo, através  da Sybil, fala sobre as três Nornas que são símbolos femininos da fé inexorável, conhecidas como Urðr - Urdar, Verðandi - Verdante e Skuld, que indicam o passado, a atualidade e futuro,  tecem as linhas do destino. Descreve também a guerra inicial entre o Æsir e o Vanir e o assassinato de Balder.  Então, o espírito gira sua atenção ao futuro.

A guerra
 O surgimento de vários deuses sempre dá início a conflitos que visam estabelecer o domínio, o poder. A guerra na mitologia Escandinava ocorreu a partir do estabelecimento do eixo - Yggadrasi -, Odin, Vili e Ve, criaram o lar dos deuses, Asgard a Cidade Dourada. 

Posteriormente Odin criou mais deuses, osÆsires, para povoar Asgard. Ainda, que, apareceu outro grupo de deuses, os Vanires, cujo surgimento é cercado de  imprecisão  inexistindo informações que o situe antes  ou depois dos Aesires. Povoando Vanahein que era uma terra próxima  a Asgard, os Vanires tem uma procedência nebulosa, sem explicações.

Há o relato de que esses deuses, os Aesires são divindades da guerra e do destino, por outro lado os Vanires se caracterizam como deuses de fertilidade e prosperidade. Por muito tempo aconteceu uma sangrenta guerra envolvendo  as divindades, motivada pelo rapto de uma Vanir chamada Gullveig, guardiã do segredo da criação de riquezas, motivando tal segredo uma incontrolável cobiça que culminou com o ato de arrebatamento pelos  Aesires.  Em virtude da divindade de ambos os lados, nenhum demonstrava estar próximo a liquidar com o rival. A permuta de prisioneiros foi um arranjo que possibilitou a  paz . 
 
 "Os Vanires mandaram Njord e seus filhos gêmeos Frey e Freya para viver com os Aesires, e estes mandaram Hoenir, um homem grande que eles disseram ser um de seus melhores líderes, e Mimir, o mais sábio dos Aesires, para viver com os Vanires. 

Desconfiados de Hoenir, os vanires ficaram acreditando que ele era menos capaz do que os Aesires disseram e, perceberam que suas respostas eram menos autoritárias quando Mimir não estava presente para aconselhá-lo. Quando eles perceberam que haviam sido trapaceados, os Vanires cortaram a cabeça de Mimir e mandaram-na de volta aos Aesires. 

Ask e Embla
   Aparentemente, os Aesires consideraram isto como um preço justo por terem enganado os Vanires, pois os dois lados permaneceram em paz. Com o passar do tempo, as duas raças foram se integrando e tornaram-se grandes aliadas. Após estabelecerem controle sobre Asgard, os deuses criaram o primeiro homem, Ask, de um carvalho e a primeira mulher, Embla, de um olmo. Odin deu a cada um dos dois um espírito, Hoenir (Honir/Vili) presenteou eles com seus cinco sentidos e a habilidade de se mover, e Lodur (Ve) deu a eles vida e sangue. 

O casal deu origem a uma nova raça, sobre a qual eles, os deuses, estariam exercendo permanente a sua tutela. Mas Odin, deus da sabedoria e da vitória, era o protetor dos guerreiros aos quais proporcionava um especial afeto, cuidando deles da altura do seu trono, o Hlidskialf, enquanto vigiava o resto do Universo, no nível dos deuses, no dos humanos e no dos elfos.

EDDAS
  A Mitologia nórdica, também chamada de mitologia germânica, mitologia viking ou mitologia escandinava foi uma religião pré-cristã, crenças e mitos dos povos escandinavos, incluindo aqueles que se estabeleceram na Islândia, onde a maioria das fontes escritas para a mitologia nórdica foram construídas. Esta é a versão mais bem conhecida da mitologia comum germânica antiga, que inclui também relações próximas com a mitologia anglo-saxônica. Por sua vez, a mitologia germânica evoluiu a partir da antiga mitologia indo-europeia. (Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre).

OS DEUSES - Segundo, os poemas islandeses da Edda e a prosa da Edda de Snorri Sturluson, no Skáldskaparmál ("A Linguagem Poética") há doze deuses principais, que costumam ser os juízes nas assembléias, sentando-se em seus grandes tronos: Thor, Niord,  Freyr, Týr, Heimdall, Bragi, Vidar, Váli, Ullr , Haenir, Forseti e LoKi, presididos pelo maior de todos, ODIN; e as suas companheiras são: Frigg, Frejya, Gefion, Idun, Gerd, Sigyn,Fulla e Nanna. Porém há outros deuses e deusas, não menos importantes, mas que são pouco descritos pela mitologia. (Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre).

Odin e seus lobos
ODIN -  É Filho de Borr e da giganta Bestla, irmão de Vili e Ve, esposo de Frigg. É para estudiosos da mitologia Viking o principal deus. Morador de ASGARD , chamada de "a morada dos deuses",  onde tinha o seu palácio Valaskjálf e o seu trono de  onde  espreitava tudo o que ocorria nos nove mundos. Era o deus da sabedoria, da guerra, da morte, da magia, da poesia, da profecia, da vitória e da caça. 

 Além disso Odin tinha a seus pés  os lobos Geri e Freki, a quem Odin fornece toda a carne que é colocada diante dele, já que ele próprio não precisa alimentar-se. A sua figura imponente, ficava ainda mais marcante em razão de suas armas , de seus lobos e do cavalo, diferente de todos os outros.



Odin no seu cavalo Sleipnir
Odin montava o cavalo Sleipnir, que tinha oito patas. Como deus da guerra, era o responsável por mandar suas filhas, as Valquírias, recolher os corpos dos heróis que pereciam em combate e que , mortos, eram levados a Valhalla - cidade dos mortos - sentando-se ao lado de Odin durante os banquetes em sua homenagem. 

Na mitologia Nórdica, no final dos tempos haverá a grande batalha - Ragnarok - onde Odin guiará os deuses e os homens no confronto com as forças do caos. Neste embate o deus será morto e devorado pelo lobo Fenrir, que ato contínuo será abatido por Vidar, esse, por sua vez arrancará a mandíbula da fera apoiando o pé sobre a garganta daquele.
Mimir

Sobre Odin, há ainda o relato da perda de seu olho, desejoso de saber todas as coisas manifestou seu interesse  em beber da fonte da Sabedoria, onde  Yggdrasill imerge uma das  suas raízes; entretanto, seu tio, Mimir,  o guardião da fonte, que era sábio e prudente,  apenas lhe concedeu a permissão sob  a condição de que Ódin lhe desse um de seus olhos. Odin arrancou o olho sem duvidar e entregou-o a Mimir, que lançou-o para o fundo do poço. 

Uma vez bebida a água do poço, Odin soube imediatamente tudo o que se podia saber, até o fim que esperava o Universo e os deuses, após a luta final que teria que ter lugar no campo de Vigrid. Assim, êle  encontrou na água da fonte milagrosa tanta sabedoria e poderes secretos que tornou-se  capaz, logo que Mímir foi morto na guerra entre os Æsir e os Vamir, lhe conferir a faculdade de renascer pela sabedoria: sua cabeça, embalsamada graças aos cuidados dos deuses, é capaz de responder a todas as perguntas que lhe dirigem em troca do segredo da água . 

Odin, também , protagoniza o ato de ferir-se, com um lança, pendurando-se na árvore Yggdrasill o freixo do mundo, e ali  permanecer durante nove dias, balançando ao sabor dos ventos. Com isso Odin visou sua iniciação  na sabedoria das runas, inclusive, criou algumas, assumindo a condição de senhor do hidromel dos poetas, licor mágico que pronuncia previsões. Durante os combates, o deus agitava a sua lança chamada Gungnir. 

Tendo conquistado as runas, o alfabeto nórdico  para a humanidade, através de um ato de sacrifício pessoal - posto que trocou seu olho direito por sabedoria -  Odin ratifica sua vocação de benfeitor, Pai da civilização Nórdica. Com o alfabeto, a escrita, abria-se nova página para a Cosmogonia.

Thor e Loki
THOR - o filho de Odin com Jord, esposo da deusa Sif, que era a deusa da colheita. Com a giganta Jarnsaxa, teve seus filhos Magni e Modi, O melhor dos guerreiros Thor possuía um martelo denominado Mjolnir,  que além de lançar raios jamais errava o alvo , retornando sempre para a mão de seu dono, para segurá-lo o deus vestia luvas brancas mágicas e usava  o cinturão Megingjard que detinha o poder de dobrar sua força. Muito forte e glutão,  numa só refeição, por vezes, comia uma vaca inteira. Guerreiro por excelência gostava de por a prova a sua força, tendo nos gigantes de gelo, seus inimigos, aqueles que mais sentiam seu vigor. 

Os camponeses o adoravam, era honesto, simples e demonstrava total aversão ao mal.
O seu meio-imão Loki, era muito querido por Thor, embora diferentes entre si, suas aventuras  nos revelam belas histórias dos mitos viking.  Thor matará a terrível serpente Jormungad e deverá ser morto por ela, conforme  profetizado no Ragnarok.


Balder era belo e amado

BALDER - (Baldur ou Grin)  é filho de Odín e pai de FORSETI, Deus da justiça,  diz a mitologia que ainda pequeno era torturado por sonhos horríveis que anunciava a sua morte . Frigga, esposa de Odin e sua mãe viaja pelos nove mundos conseguindo a promessa de todo ser com vida,   animal, vegetal e mineral de que jamais fariam qualquer mal a Balder. Entretanto, uma planta - visco - não faz o juramento, Frigga releva a exceção e crê que conseguiu por fim aos pesadelos do filho.  

Assim, Balder, aos olhos de todos,  torna-se imortal. No Valhalla , as flechas disparadas contra Balder, pelos outors deuses, apenas divertem sem lhe causar qualquer lesão. LOKI, o deus do fogo, engana os deuses. Dá ao deus cego HODR uma flecha  com a ponta preparada  com visco.  Balder é atingido e  cai mortalmente ferido; em seu leito de morte, seu pai, o maior dos deuses, Odín sussurra aos seus  ouvidos palavras inaudíveis para os demais. Conta o  mito que trata-se da promessa de ressurreição, depois da grande catástrofe em Ragnarok...que irá purificar o mundo.

A aventura nórdica é maravilhosa, rica e cheia de surpresas. Continuar desbravando-a um convite a ser, no mínimo, analisado. Venha..., não resista....

Um comentário:

Lílian disse...

D. Lourdinha. Como eu já havia falado antes, adorei este post por vários motivos:
1- Sempre tive curiosidade, porém uma relativa preguiça de ler a respeito do tem;
2- Seus textos são muito bem escritos, cheios de informações interessantíssimas;
3- Este post marcou sua independência como editora dos seus textos, conhecedora das ferramenas do Blogger.

Parabéns e que venha a parte 2 sem mais demora!