Quem sou eu? O que faço

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João Pessoa, Paraíba, Brazil
Quem sou? O que faço. Sou Maria de Lourdes, tenho, agora, 62 anos, esposa, mãe e avó, formação jurídica, com pós graduação em Direitos Humanos e Direito Processual Civil, além de um curso não concluído de Filosofia. Conheci os clássicos muito cedo, pois não tinha permissão para brincar na rua. Nosso universo – meu e de meus irmãos – era invadido, diariamente, por mestres da literatura universal, por nossos grandes autores, por contistas da literatura infanto-juvenil, revistas de informação como Seleções e/ou os populares gibis. Todos válidos para alimentar nossa sede de conhecimento. Gosto de conversar, ler, trabalhar, ouvir música, dançar. Adoro rir, ter amigos e amar. No trabalho me realizo à medida que consigo estabelecer a verdade, desconstruir a mentira, fazer valer direitos quando a injustiça parece ser a regra. Tenho a pretensão de informar, conversar, brincar com as palavras e os fatos que possam ser descritos ou comentados sob uma visão diferente. Venham comigo, embarquem nessa viagem que promete ser, a um só tempo, séria e divertida; suave e densa; clássica e atual. Somente me acompanhando você poderá exercer seu direito à críticas. Conto com sua atenção.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

VOCÊ SABE QUEM É YOANI SÁNCHEZ?

 SATANIZADA POR CASTRO!


Impossível não iniciar esta postagem chamando a atenção para a Revista Veja desta semana que divulga a reunião, ocorrida na Embaixada de Cuba, na Capital Federal,  com militantes de esquerda, pessoas filiados ao PT e PCdoB, bem como membros do governo e da CUT, para tramar um plano de  satanização da blogueira Yoani Sanchez. Conforme a revista, "Ricardo Poppi Martins, coordenador-geral e Novas Mídias da Secretaria-Geral da Presidência, subordinado ao ministro Gilberto Carvalho, teria também participado do encontro."


Em pronunciamento indignado o Presidente Nacional do PPS, Deputado Federal Roberto Freire foi implacável  com a plausibilidade do fato, expressando:  "O Gilberto Carvalho tem tantas explicações para dar, inclusive para a própria Justiça, que essa é só mais uma. Infelizmente, falta de compromisso democrático é proverbial nesse governo”, reforçou o parlamentar. Sob esse clima, de desqualificação é que recebemos nossa ilustre visitante.
 
YOANI SANCHÉZ, uma das vozes mais críticas de Cuba e a quem, repetidas vezes, foi negada a permissão para sair da ilha, pouco importando a justificativa de sua pretensão. Trata-se de uma jovem senhora, casada, mãe de um filho, com residência fixa, num apartamento simples no bairro "Centro Havana", na Capital Cubana e que utiliza, por vias oblíquas, a rede mundial de computadores. Não para o seu deleite pessoal e sim como canal de oposição ao regime ditatorial e defesa da democracia.


Vista pelo regime como uma mercenária a serviço dos Estados Unidos e, da mesma forma por autoridades subservientes a Fidel e seus comandados, a blogueira encanta os que defendem a liberdade, por seu espírito combativo, ético e incansável, constituindo-se uma referência para aqueles que, mesmo debilmente, na surdina, difundem seus protestos, plantam semente de liberdade.


Tendo se lançado timidamente através de um blog denominado “http://desdecuba.com./generaciony, fala sobre  momentos considerados do dia a dia, mas que relatam as dificuldades dos habitantes da ilha, capitaneada pelos irmãos Castro e que exercem seu domínio como se aquela fosse uma extensão de suas personalidades.


Com uma linguagem coloquial, a blogueira, fiel em  seus relatos e, principalmente, por ser o seu blog uma janela através da qual o mundo pode vislumbrar o comando férreo do Partido Comunista, único partido político no País, bem como  a ausência de cidadania do povo cubano, tornou-se, ela, Yoani, “persona non grata” ao regime Castrita, aos seus seguidores, e a aqueles que se recusam a enxergar a realidade política: não há mais lugar na atualidade para se dividir a política em dois grupos fechados, não é tão simples assim. 


Yoani incomoda pelas informações transmitidas aos seguidores do blog e a interessados a exemplo da denúncia que sobreviver em Cuba é algo extenuante aos cubanos; ou mesmo o quanto é arriscada a locomoção em Cuba, seja na cidade em que mora ou pelo País; ou ainda em relação à crueldade e desgaste para uma simples marcação de uma consulta médica; e, também a pressão e a construção negativa de sua imagem por contrapor-se ao regime. Situações do cotidiano, aparentemente simples, mas que escancaram a condição de sujeição e penúria que exite na ilha. 


Sua atuação como blogueira começou nos idos de 2007, mais especificamente em abril. Iniciado de modo tímido, com forte carga emocional, ante a uma situação inusitada de opor-se a uma administração marcada por restrições, perseguições e por carências materiais de toda ordem. Isso num País fechado, recluso e cuja “nata social” ainda se traveste de salvadores da Pátria, apesar de negar, sistematicamente, toda forma de liberdade.


Através do blog Yoani transformou-se numa pessoa conhecida internacionalmente, sendo considerada por internautas, jornalistas, escritores e outros, uma das blogueiras mais conhecidas da Web e quiçá do planeta. Conforme Sandro Vaia - jornalista, ex-diretor de Redação do Jornal O Estado de São Paulo, que retratou a história de resistência da jovem em seu livro  “A Ilha Roubada - Yoani, a Blogueira Que Abalou Cuba ", os seus “post” merecem especial atenção, o que pode ser medido pela ocorrência regular e aproximada de cerca de 2.000 (dois mil) comentários para cada postagem.


Registra a mídia, especificamente através de jornais e da Net que, algumas postagens de Yoani receberam mais de 6.000 (seis mil) comentários. A luta diuturna dessa cubana, sujeita a Fidel e Raúl Castro, parece ter aberto os olhos do Ocidente sob a incoerência da negação de tantos direito e da tamanha falta de condições essenciais.


Enganam-se os que acreditam que ser blogueira em Cuba e criticar as autoridades locais é algo simples, de fácil execução e sem consequências pessoais. É do conhecimento dos que tem interesse na Política Internacional, que em Cuba, assim como toda a imprensa, a internet é controlada pelo Governo. Sendo considerada uma  pessoa “nociva” aos interesses dos irmãos Castro, Yoani não tem acesso a rede de computadores e em decorrência disso não pode estabelecer qualquer comunicação com o seu blog. Mas, tem sobre si uma maciça campanha de desqualificação e a constante produção de dossiês e imagens montadas para o convencimento dos mais simples.


Sua dedicação torna-se ainda mai admirável ante as peripécias utilizadas para alimentar o seu blog. Os seus textos são digitalizados em computadores que não possuem conexão com a internet. Uma vez terminado é o texto salvo em disquete, esse é processado através de lan house e enviado, como arquivo anexo, a internautas de países os mais variados possíveis. Os amigos que recebem os arquivos fazem sua tradução, re-enviam o post a um servidor, naturalmente fora de Cuba e, daí para o mundo em diversos idiomas.


A vinda de Yoani Sanchéz ao Brasil visa prestigiar o lançamento do documentário “Conexão Cuba-Honduras”, feito pelo cineasta brasileiro Cláudio Galvão da Silva, em Jequié/BA, do qual é personagem principal e que enfoca a liberdade de imprensa em Cuba e Honduras.


Sem o visto para deixar seu país, entregou à Presidente Dilma, em Havana, uma carta onde solicitou a sua intervenção para a sonhada autorização. Sua viagem ao nosso país, concedida sob os olhos e pressão da imprensa, dos países e dos povos livres, infeliz e vergonhosamente sofreu um deprimente boicote divulgado na imprensa brasileira e comprovado, a olhos vistos, por atitudes orquestradas, comportamentos repetidos e lições de cabresto, aprendidas por quem jamais deveria repeti-las.


Vaiada em Jequié, impedida de ver o documentário produzido pelo cineasta baiano,  quando questionada sobre o fato disse aos jornalistas: “respeito a manifestação, isso é democracia”. Será? Terá sido fruto da democracia, vaiar e boicotar quem luta contra um governo ditatorial? Mudou o sentido das palavras ditadura e democracia? Ou, ainda permanecem, o primeiro como: “governo que cerceia e suprime as liberdades individuais” e o segundo “baseado nos princípios da soberania popular e da distribuição equitativa do poder, tendo como essência a liberdade...? Ressoa indigesta qualquer tentativa de confundir tais conceitos.

Em visita ao Congresso Nacional,  Yoani pode experimentar, mais uma vez, o peso das cartas marcadas. Pequenos blocos de manifestantes sociais (?) tumultuavam a visita no lado de fora, entretanto, a cubana, mais uma vez não se intimidou e declarou: “Isso não me assusta. São meus colegas.”


Uma vez no Congresso, foi recebida por parlamentares, e assessores e repórteres,  sendo encaminhada ao plenário da Câmara dos Deputados – onde desencadeou-se uma discussão com o protesto de alguns que não aceitavam a presença da blogueira -, conduzida  a sala da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional foi aplaudida por pelo menos a metade dos presentes, assistiu ao documentário, falou sobre a criação de seu blog, criticou a falta de liberdade em Cuba, a satanização pública que lhe é atribuída, expressando, ainda, o seguinte: “Levo do Brasil a recordação da pluralidade.”


Apesar dos Generalíssimos, surgidos após cada revolução, o mundo muda a passos largos. Num momento diferente para os cidadãos cubanos, a blogueira, misto de insurgente e voz que clama no deserto, representa a esperança de um povo sofrido e sob o jugo do medo.


“Mutatis mutandis” as civilizações se aprimoram, todavia algumas questões permanecem e parecem desafiar a constante evolução, em rota de colisão com atrasos e truculências. Conhecer, saber da existência e da persistência de pessoas como YOANI SANCHÉZ, a blogueira premiada por fazer a defesa dos Direitos Humanos e a estudante paquistanesa MALAIA YOUSUFZA - ferida a bala por talibãs em virtude de defender o direito à educação para as mulheres - faz acontecer, faz a diferença!


Parabéns Yoani, inclusive, por entender e se irmanar com aqueles que vaiam você, consciente de que foram manipulados como se fossem marionetes, escondidos com a cauda de fora,  sob o manto da democracia.


Um comentário:

Lilian Rodrigues disse...

Como sempre, textos coerentes, bem escritos, atualíssimos e dotados de muita sensibilidade. Parabéns...