Quem sou eu? O que faço

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João Pessoa, Paraíba, Brazil
Quem sou? O que faço. Sou Maria de Lourdes, tenho, agora, 62 anos, esposa, mãe e avó, formação jurídica, com pós graduação em Direitos Humanos e Direito Processual Civil, além de um curso não concluído de Filosofia. Conheci os clássicos muito cedo, pois não tinha permissão para brincar na rua. Nosso universo – meu e de meus irmãos – era invadido, diariamente, por mestres da literatura universal, por nossos grandes autores, por contistas da literatura infanto-juvenil, revistas de informação como Seleções e/ou os populares gibis. Todos válidos para alimentar nossa sede de conhecimento. Gosto de conversar, ler, trabalhar, ouvir música, dançar. Adoro rir, ter amigos e amar. No trabalho me realizo à medida que consigo estabelecer a verdade, desconstruir a mentira, fazer valer direitos quando a injustiça parece ser a regra. Tenho a pretensão de informar, conversar, brincar com as palavras e os fatos que possam ser descritos ou comentados sob uma visão diferente. Venham comigo, embarquem nessa viagem que promete ser, a um só tempo, séria e divertida; suave e densa; clássica e atual. Somente me acompanhando você poderá exercer seu direito à críticas. Conto com sua atenção.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

JOÃO PESSOA, HISTÓRIA, MEMÓRIA, CULTURA E CARNAVAL


JOÃO PESSOA, ONDE O SOL NASCE PRIMEIRO!



João Pessoa, Capital do Estado da Paraíba, Segunda cidade mais  verde do nosso universo, Capital das acácias, Cidade onde o sol nasce primeiro. Jampa, berço de brasileiros ilustres, fundada aos 05 de Agosto de 1585, é UMA SENHORA DE 428 ANOS! A terceira cidade mais antiga do Brasil. Nascida “Cidade Real de Nossa Senhora das Neves”, tem como antecessoras, apenas, Salvador em 1549 e a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, essa no ano de 1565.


A sua fundação urgiu da necessidade do governo Português de se assenhorear da região, impedir os constantes ataques indígenas da tribo Potiguara à Capitânia de Pernambuco, a exemplo da chacina de Tracunhaém e, também, coibir  as presenças constantes e ameaçadoras dos franceses no seu território.


A cidade “Cidade Real de Nossa Senhora das Neves”, teve o seu “marco zero” fixado aos 18 quilômetros adiante do ponto de embocadura do Rio Paraíba, numa colina, que visualizava e dominava totalmente o atracadouro, à margem direita do  Rio Sanhauá, seu afluente *. (Fonte - Portal da Cidade de João Pessoa).


Ao longo de sua história a cidade recebeu denominações de acordo com a política da época. Assim a partir de 1588 foi denominada de “Filipéia de Nossa Senhora das Neves”*, homenageando o Rei Filipe que se tornara Rei da Espanha e de Portugal. Depois passou a ser chamada de Friederickstadt – Cidade de Frederico ou simplesmente Frederika, numa homenagem ao Príncipe de Orange, Frederico Henrique, isso por ocasião da dominação Holandesa no Nordeste do Brasil que durou 20 anos. Com a retomada da Coroa Portuguesa em 1654,  passou a se chamar “Cidade da Parahyba”. * Imagem de Nossa Senhora das Neves.


Em 1930 mais uma vez muda de nome e torna-se “João Pessoa”, numa homenagem a João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, Presidente da Província, assassinado em Recife e cuja morte impulsionou a Revolução iniciada no mesmo ano.


A História oficial induz a conclusão de que os motivos do homicídio foram particulares, originados da invasão do escritório de Advocacia de seu inimigo político João Duarte Dantas, com a supressão de cartas de amor trocadas entre esse e sua amada, a professora Anayde Beiriz e, a publicação no Jornal Oficial – A União - de uma daquelas cartas, supostamente determinadas ambas, a invasão e a publicação, pelo então Presidente, com fito à desmoralização pública de seu desafeto. Há controvérsias,  fontes indicam outro conhecido articulista Político como a pessoa que comandou títeres mudando os destinos desses personagens da nossa história. 


Desde o seu nascedouro, a Cidade tem na bravura, na independência de sua gente um distintivo a ser preservado. A bandeira de João Pessoa registra como lema: INTREPIDA AB ORIGINE que em latim significa: INTRÉPIDA DESDE A ORIGEM. Uma cidade com memória e identidade. Mesmo estando aquém do que se deveria preservar, nela aflora, a todo o momento, a pacífica co-existência  entre o novo e o velho.  


Nascida às margens do Rio Sanhauá a cidade se desenvolveu no sentido do mar. Litorânea por natureza tem, aproximadamente, 30 quilômetros de praias com paisagens maravilhosas, recantos quase selvagens de águas azuis e mornas, piscinas naturais límpidas, falésias artisticamente esculpidas pelos ventos, pelas areias, pela ação das marés. Exuberante na sua flora e em sua fauna, revela-se uma cidade a ser conhecida.


Assim é João Pessoa. Em seu território, na parte leste, ostenta o ponto mais Oriental das Américas, localizado na Praia do Seixas batizado de “a Ponta do Seixas”. Caracteriza-se por ser o local situado mais a leste do Continente Americano. Uma faixa de areias brancas que dista pouco mais de 800 metros do Farol do Cabo branco e, ao sul da barreira onde esse foi edificado.  Com a Falésia e o Farol do Cabo Branco* na praia de mesmo nome, a Ponta do Seixas forma um conjunto de rara beleza, conhecido mundialmente e objeto de grande fluxo turístico.  * Foto.



Dentre as Praias da Capital merece destaque Tambaú, com seus 8 quilômetros de extensão, areia fina, águas claras,  mornas e calmas.  Uma das mais belas construções nessa área é o Hotel Tropical Tambaú, uma edificação da década de 70, construído nas areias da praia, possui arquitetura arredondada e parte dela é envolvida pelas ondas do mar. 


A última das Praias de João pessoa – Barra de Gramame, destaca-se pela beleza rústica, por seus recifes, por sua areia branca e solta. Além do que a formação de pequena ilha com palhoças na parte doce da Barra de Gramame proporiona um lindom espetáculo, Esse fenômeno de aguas doce, em plena praia, se dá em razão  da sua proximidade com a foz do Rio Gramame. Existem ainda, outras praias como Manaíra, Bessa, Penha, Cabo Branco, Seixas, Picaõzinho, Praia do Arraial, Praia de Jacarapé e Praia do Sol 


A vocação de João Pessoa é, sem sombra de dúvidas, envolver os seus visitantes numa teia de beleza e sedução. As águas têm importante papel nessa missão. Com belas Praias e Rios, oferta, entre esses, o Estuário do Rio Paraíba que banha diversas cidades, proporciona excelentes passeios onde se destaca o encontro dos três rios: Paraíba, Sanhauá e Rio do Meio, bem como os  bares rústicos à beira dos manguezais e as ilhas. 



As ruas da cidade, com ênfase para áreas mais antigas apresenta uma grande diversidade de estilos arquitetônicos. Passear em João pessoa, caminhando por suas ruas, vamos encontrar de arquitetura Barroca a “Art Noveaux”. Constitui-se uma festa para os olhos, a riqueza do Centro Cultural São Francisco, composto pela Igreja de São Francisco, o Convento de Santo Antônio, a Capela da Ordem Terceira de São Francisco, a Capela de São Benedito, a Casa de Oração dos Terceiros – a Capela Dourada* -, uma Fonte e um grande Adro  com um Cruzeiro. Essas edificações com datas a partir de 1588, com toda a certeza é um dos mais belos conjuntos representativos do Barroco Brasileiro nessa Capital. (*foto).



Consolidando a beleza da arquitetura em João Pessoa e a título de citação, destaca-se o Palácio da Redenção*  – em estilo Barroco, construído em 1586 pelos Jesuítas; a Faculdade de Direito*, também construída em 1586 pelos Jesuítas em estilo Barroco-Colonial; a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, no estilo Rococó; a Igreja da Misericórdia no estilo Maneirista; a Praça Antenor Navarro, representante da Art Noveau;  o Hotel Globo no estilo Art Decó; o Teatro Santa Roza de 1889, em estilo Barroco com fachada Greco-romana e que vem a ser um dos mais antigos do Brasil. (*fotos)




O novo também se sobressai em João pessoa. Com realce para: O Centro de Convenções “Poeta Ronaldo Cunha Lima” que se localiza no Polo Turístico Cabo Branco; a Estação Ciências Cabo Branco*, projetada por Oscar Niemeyer que possui 8.500m² de área construída, compõe-se de um conjunto de cinco edificações, destacando-se uma torre espelhada construída na forma octagonal, com 43 metros de distância dos lados opostos. Ainda e em construção, o Tour Geneve, em João Pessoa, com 183 metros, correspondendo a 51 andares.


Falar em João Pessoa inevitavelmente nos leva a um de seus cartões postais: a lagoa do Parque Solon de Lucena, ou simplesmente: Lagoa. Com uma área de 150mil e 490 metros quadrados dos quais 120 mil metros correspondem a parte alagada e, cuja urbanização foi iniciada em 1920. Com traçado original do Paisagista Burle Marx ostenta belos exemplares de Palmeiras Imperiais, Pau Brasil, Pau D’arco, Bambus, além de um bonito espelho D’agua e uma fonte sonora  iluminada.



Outra referência é a Bica, nome popular  do Parque Arruda Câmara cuja informação inicial remonta a 1782, registrando a autorização para construção de uma fonte, no pequeno bosque onde fluía um córrego. Todavia e de forma bem mais poética, há  uma lenda indígena que nos fala sobre o amor entre jovens de tribos inimigas: a índia Aipó filha de um cacique Potiguara e o guerreiro Tambiá, da tribo Cariri. Aprisionado o valente teve por “esposa da morte” a filha de seu inimigo. Após o casamento foi morto na floresta, recebeu a última mensagem de sua amada em forma de pranto. Diz-se que por cinquenta luas, Aipé chorou sobre a tumba do amado. As suas lágrimas fizeram brotar a fonte logo chamada de “Fonte Tambiá.” Que jorra até a presente data.


A Bica, parque urbano com 26,8 hectares é um santuário ecológico coberto por restos de Mata Atlântica.  Tem cerca de quinhentos animais de oitenta espécies, com destaque para o elefante, leões, onças, macacos prego e rhesus  araras, emas,  jacarés,  um urso e uma lontra.  A flora que enfeita  e perfuma o ambiente é formada por plantas nativa e plantas exóticas, nele vamos encontrar árvores centenárias das espécies Pau Brasil, Jenipapeiro,  Ipê Amarelo, Ingazeiro, Cássia Rosa, Palmeira de várias espécies e muito outros.




A segunda cidade mais verde do mundo tem o privilégio de possuir duas grandes reservas de Mata Atlântica, que respiram juntamente com os munícipes e se constituem verdadeiros pulmões da cidade. A Bica e a Mata do Buraquinho* são reservas verdes de valor inestimável. Com 515 hectares de mata virgem, cortada por rios, riachos e fontes naturais a Mata do Buraquinho teve parte de sua área transformada em Jardim Botânico, aberto ao público para estudo, pesquisa, passeios, trilhas e outros. Uma floresta no meio de uma capital. Uma riqueza ímpar. *Mata do Buraquinho.



Com absoluta certeza coisas maravilhosas dessa cidade amada ficaram de fora. Sua beleza natural, seu charme, também passa por seu povo, sua gente e seus artistas. Passam, sobretudo,  por Pessoenses que se desdobram para fazer uma cidade melhor no seu dia a dia. * Vista noturna largo do Frei S. Pedro Gonçalo - Casarões - Hotel Globo. Ladeira da Rua Padre Antônio Pereira. Rio Sanhauá.


João Pessoa também é CARNAVAL. Com prévias animadíssimas,blocos arrastando multidões. Para 2014 estão previstos: Quinta-feira , 20/02 - Abertura C/ Monobloco e Orquestra Spok. Ponto do cem Reis; Sexta-feira, 21/02 - Picolé de Manga C/ Aviões do Forró, Amazan Elétrico, Samba da Elite, Ramon Schneider, Liss Albuquerque, Diana Miranda, Gracinha Teles e Diana Miranda; Sábado, 22/02 -Bloco dos Atletas C/ Xexéu (ex- Timbalada) e Banho de Cheiro: Play Way; Domingo, dia 23/02 - Virgens de Tambú C/ Margareth Menezes, Liss Albuquerque, Eletricaz, Eudinho Arruda, Rayane Stefanny e Jairo Madruga; Segunda-feira, dia 24/02 - Bloco da Melhor Idade C/ Orquestra de Frevo e Muriçoquinhas de Miramar; Quarta-feira,dia 26/02 - MURIÇOCAS DO MIRAMAR C/ Lucy Alves, Carlinhos Brown, Fuba, Gracinha Teles e Maiara Gonçalves; Sexta-feira dia 28/02 - CAFUÇU C/ Orquestras de Frevo.


VENHAM, CONHEÇAM JOÃO PESSOA E APAIXONEM-SE POR ESSE "RECANTO TÃO BONITO DO BRASIL".

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

ZONAS DE CONFORTO


A ARTE DE VIVER DE ESPERANÇA



O ser humano necessita criar nichos psicológicos nos quais possa entrincheirar-se em momentos de desconforto. São inúmeras as denominações atribuídas às essas zonas inventadas assim como, os usos e alcance dessas. As atribulações da vida atual, o corre-corre, a perturbação decorrente das múltiplas escolhas que somos obrigados a fazer nos leva a construir vias alternativas, comuns ou individuais.


Observar o que se passa ao nosso redor pode nos dar pistas dessa criatividade que alcança homens e mulheres, independentemente de classe social, condição financeira, sexo e opção sexual, cor, condição cultural, idade. 

Acredito que cada um tenha uma forma própria, para lidar com suas frustrações, desencantos, ausências, decepções... Há muito ouço uma velha expressão: “ o ano passado foi melhor”. Não sei até onde podemos crer na afirmativa, talvez funcione em oposição aos amores. Sempre escuto dos que amam “ser aquele, o amor vivido naquela ocasião”, o grande amor de sua vida, não obstante tenha vivenciado outras histórias.


Nada mais desanimador que ouvir um “não” quando se necessita desesperadamente ouvir “sim”. Difícil encarar resultados que tira da gente a certeza que habitava em nosso íntimo. O que dizer então das sucessivas privações dos desejos, da ausência repetida de satisfação das necessidades?


O querer, o desejar, poderá ser vivido, no âmago de cada pessoa sem que aconteça realmente, ou seja, sem exteriorização dessa realização. A essa capacidade de auto enganar-se se dá o nome de FANTASIA, um dos artifícios que a mente humana produz para atender a necessidade de viver algo, ser parecido com alguém, ter alguém, enfim, reinventar seu dia a dia, sua história.


Quem não fantasiou? Quem não se imaginou naquele emprego tão maravilhoso que parece ter sido feito exatamente para si? Quem não se imaginou dentro de uma roupa de grife ou pilotando um carro de luxo? Quem não se viu nos braços daquela criatura “dos deuses” que, em determinados momentos foi alvo dos mais profundos desejos? Imaginação, é  o passaporte para essa terra de ninguém.  

 
E como já dizia o meu Pai: “ Pensamento é terra que ninguém anda”. Cada um imagina o que quer e às vezes o que não quer. A mente humana, pelo menos até agora permanece individualista. Viajar nas asas da imaginação tem sido válvula de escape para muita gente. Sonhar acordado é algo que mexe com o equilíbrio e conforme o sonhador ou a sonhadora pode ter resultados benéficos ou não.


Existem muitas outras estratégias para tratar a realidade, entre elas o ESQUECIMENTO.  Algumas pessoas esquecem, rapidamente, aquilo que lhes incomoda. Ou pelo menos aparentam esquecer. A idéia é assemelhada a de tampar ou ouvidos. Se eu não escuto o que me incomoda não irei me aborrecer. Esquecer aquilo que me é desagradável vai devolver-me a serenidade daquilo que me é favorável, agradável e concorde.
De bom grado deixaríamos de lado tudo o que se opõe a nossos sentimentos, desejos, necessidades. “Esquecer” funciona como um placebo, não cura, mas, oferece o bálsamo indispensável às inquietações. O esquecimento proporciona o analgésico que tira a dor, mas não trata a doença.



Na diversificada criação da mente humana uma se estendeu por toda a humanidade. É utilizada com ou sem justificativa. Infelizmente muitos a usam compulsivamente. Falo da MENTIRA.  Imaginem uma ocorrência que paira sobre todos. Pode ser algo suave, repentino, sem maldade. Também acontece em condições de extrema maldade, por pura diversão, por provocação e ou simplesmente necessidade de controlar o ambiente, as pessoas, questão de poder.

A mentira pode servir para adiar uma resposta difícil, para afastar uma pretensão, para livrar-se de algo inoportuno ou até mesmo para brincar. Infelizmente, a busca pela tranquilidade, pelo conforto da pessoal (mental) poderá fazer com que surjam mentiras graves e que tragam consequências desagradáveis. Dizer que a mentira tem pernas curtas é dar-lhe uma fragilidade nem sempre confirmada. Afinal, mentirosos podem ser exímios naquilo que fazem, saírem-se muito bem e, ao ser descobertos de nada mais vale a verdade encontrada pois a mentira já surtiu o efeito desejado.




Felizmente, o ser humano, talvez até imersos em Livros Sagrados, cunhou a ESPERANÇA. Questiona-se o que vem a ser essa zona de conforto imaginária? Funciona mais ou menos como uma projeção para o futuro – não muito longe – daquilo que queríamos para o agora, o já.



A esperança é algo tão confortável, tão fantástico, que é capaz de existir por anos a fio, sustentar sonhos, ilusões e ainda proporcionar alegria pela simples lembrança de que o desejo será um dia satisfeito. 



Aguardar o que mais se deseja, confiantemente, é algo que não tem preço. Nós, brasileiros, já fomos rotulados com a seguinte frase: “Brasileiro Profissão Esperança”.   A origem dessa expressão foi à peça escrita em 1966 pelo grande Paulo Pontes. Produtor, Escritor e Dramaturgo Paraibano, nascido em Campina Grande. A obra em si fala sobre Antônio Maria e Dolores Duran, de como suas vidas estiveram o tempo todo vinculadas. Entretanto, a mensagem, o eco detectado no letreiro o fez repositório de uma condição típica à brasilidade: a assunção da Esperança.




A peça foi escrita numa época de efervescências sociais e políticas cujas mudanças,  ocorridas a partir de 1963, fomentavam sonhos e montavam ilusões. O título forte, significativo, gerou na cabeça de muitos quase que um comando: saber esperar, ter esperança. O sucesso da peça, levada aos palcos em sua primeira montagem no ano de 1970, mais que uma expectativa, trouxe implícito o êxito capitaneado pelas interpretações de Maria Bethânia e Ítalo Rossi, sob a direção de Bibi Ferreira.


Em 1974, uma nova montagem de “Brasileiro, Profissão Esperança” trouxe Paulo Gracindo e Clara Nunes, também com a direção de Bibi Ferreira. Sucesso de palco, povo, crítica, já reconhecido e aclamado, mexia com a imaginação de todos desde a mera menção de seu título. Apenas a sugestão já se fazia suficiente para atiçar o imaginário de todos, do intelectual ao iletrado.



A esperança é o último dos nichos de conforto fabricados pela mente humana a deixar-nos. Esperamos dias melhores, maiores realizações, o sucesso de nossos entes queridos, a saúde, a paz o amor. Esperamos também ver, um dia, mais honestidade, ética, verdade, compromisso, foco... . Enfim, temos ESPERANÇA em nos mesmos, em nossos jovens, em nossas crianças, em nossos experientes idosos. Somos tão esperançosos que insistimos na busca de bons representantes para o povo, de melhores oportunidades, de uma divisão justa da riqueza e, também, de que venhamos um dia alcançar consciência social, tão propalada quanto usurpada.



Ter ESPERANÇA é acreditar que um dia combater-se-á, realmente, a corrupção; é ter fé nos bons propósitos emanados de pessoas éticas, corretas; é crer em investimentos, em curto espaço de tempo, nas áreas  de educação, saúde, segurança e tecnologia, comparáveis ao que hoje se investe para o evento copa do mundo; é confiar na adoção pelos governantes de políticas de geração de empregos e rendas, que melhorem a qualidade de vida das populações.



TER ESPERANÇA É ENXUGAR O PRANTO, CONTER O GRITO, SUFOCAR A DOR E ESBOÇAR UM SORRISO, NA CERTEZA DE QUE, UM DIA, NÃO IMPORTA QUANDO,  ESTAREMOS, NOVAMENTE  JUNTOS NA CASA DO PAI.
 
LEMBREM-SE: A ESPERANÇA NÃO É SÓ A ÚLTIMA QUE MORRE, É PRIMEIRA QUE NASCE QUANDO MORREM AS POSSIBILIDADES HUMANAS.



sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

O QUE DÁ PRA RIR, DÁ PRA CHORAR


SENSO OU CONTRASSENSO?


Diz o cancioneiro popular, na fantástica visão de Billy Blanco, em seu “Canto Chorado”: “O que dá pra rir dá pra chorar. Questão só de peso e medida. Problema de hora e lugar. Mas, tudo são coisas da vida”. Vidência, experiência, poesia ou simplesmente inspiração. O fato é que a cada dia a canção se torna mais atual, mais fidedigna, atende e estimula a indagações de toda ordem. Numa modesta excursão por nossa atualidade podemos aplicá-la numa escala bastante variada.


A exemplo, a Presidente Dilma Rousseff, na improdutiva e malfadada missão, amargando o insucesso financeiro e um desempenho econômico pífio , participou do Segundo Encontro da CELAC- Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos – ocasião na qual e, em “segredo” , rendeu suas homenagens a quem chama carinhosamente de Comandante: o caudilho Fidel Castro, abraçá-lo corresponde, ironicamente, a reiterar  anos de terror, submissão, assassinatos a tantos quantos se opunham ao regime Castrita.



E, como um golpe de misericórdia, inaugurou ao lado de Raul Castro, a primeira fase da “Zona de Desenvolvimento do Porto de Mariel”, nada demais, ao não ser o fato de ter sido parcialmente financiado com recursos do Brasil. Enquanto isso, em Paulista, Pernambuco, a Refinaria acordada por Lula e outro “grande parceiro” Hugo Chavez,  foi, literalmente para o brejo.


A caminho de Cuba, Dilma Roussef, que voltava de Davos, Suíça, foi a Portugal.  Jantou no Eleven que é considerado um dos restaurantes mais caros do País, sendo, inclusive, citado no guia Michelin, se hospedou no hotel Ritz, fez cara feia para perguntas sobre seu passeio, esbravejou quanto a pagamentos no melhor estilo petista: curto e grosso. 


 
Seria simples, não fosse o fato de que não havia agenda oficial para Portugal e, ainda que, foi apontado pela BBC – Brasil, as escalas não oficiais da Presidente, no ano de 2013,   num montante de R$ 433.000,00 (Quatrocentos e trinta e ter mil reais) contra os cofres públicos. Isso, considerando tão somente as viagens a Atenas, Praga e Granada. Claro, um roteiro altamente cultural, mas com o dinheiro público corre-se o risco de, no mínimo, ser antiético. O QUE FAÇO, RIO OU CHORO?

O jogo é duro. Não se sabe o que ou quem é mais polêmico. O Governo Brasileiro ou a Copa do Mundo de 2014? Está achando engraçado? Pois confira a bravata brasileira a respeito do tema. A mídia especialista no assunto divulgou a semana passada o discurso da Presidente da República na FIFA:... “estádios são obras relativamente simples”..., “haverá todo o empenho para ser a Copa das copas. Isso inclui estádios, aeroportos, portos.”  Não quero ser o dedo de Genoíno, mas será que nenhum assessor poderia explicar a D. Dilma o que é planejar, administrar e realizar um bilionário mega evento desportivo?


Como conciliar relaxamento, negligência com empenho? O Brasil, popularmente, “a toque de caixa”, se viu repentinamente, sede dos dois maiores acontecimentos esportivos mundiais. Entretanto, não se tem notícia de que tenha havido ou haja qualquer projeto destinado à formação de atletas com vinculação e parceria escolar. Também  e a exceção das apressadas e ineficientes ações, acopladas a fins eleitoreiros, não temos projetos sociais na área, efetivamente destinados, de forma responsável, continuada e assistida. 


Não se pode concluir outra coisa a nãos ser que as milionárias cifras, os superfaturamentos, o falso aquecimento tenha superado toda e qualquer chance de projeção humana, de crescimento esportivo, de credenciamento do Brasil ante a comunidade internacional. Se houvesse seriedade a Copa do Mundo de 2014 já teria sofrido um outro tipo de revés, teria sido mudado o seu cenário. 


Não sei como, onde, mas sei o porquê, as causas. É público e notório o patético despreparo do Brasil. Ao que parece foi outorgado e recebido pela FIFA, com muito gosto e receptividade, o famoso jeitinho brasileiro de empurrar com a barriga, não fiscalizar coisa nenhuma,  fazer de conta e ainda jactar-se como se fosse o supra sumo da competência. E AGORA, CHORO OU RIO?


Para os que me acham pessimista, crítica ou outros adjetivos que lhes parece pejorativo, trago um assunto claro, limpo e cheio de amor, solidariedade, seriedade...


Falo da generosidade de uma parcela de nossa sociedade que, em tempo recorde, doou – leiam devagar: d o o u,  ao condenado José Genoíno a importância de R$ 700.000,00 (Setecentos mil reais), segundo matéria veiculada pelo Jornal Folha de São Paulo que circulou no dia 20.01.2014, “para quitar multa aplicada pela Justiça por sua condenação no processo do mensalão”. 


E, pasmem, ante o deboche DECLARADO da família, para com todo cidadão brasileiro honesto, trabalhador e cumpridor da lei: “ Essa é uma vitória não nossa, mas de todos aqueles que não querem se calar diante das injustiças, de todos os que sabem que a história de José Genoíno sempre esteve relacionada apenas a luta  por causas, sonhos e projetos coletivos.” Me esclareçam por favor: corrupção, formação de quadrilha e compra de votos integram o que? Causas, sonhos e/ou projetos coletivos? E mais, Genoíno deu a ideia, ainda faltam arrecadações em favor de outros "mártires do partido." Haja solidariedade!

Com absoluta certeza Genoíno identifica-se com trabalhadores que saem de suas casas as 05:00hs., chacoalham em ônibus, trens urbanos e outros meios de transportes, por 01:00h ou 02:00hs, ou quem sabe, iguala-se aos que ganham salário mínimo...aos professores... aos empregados que trabalham o ano todo e ao final não têm sequer dinheiro para fazer o jantar da Noite de Natal, ou comprar uma roupa, um presente para o filho. Esses mesmos operários sofrem, agonizam e perdem seus membros nas funestas filas dos SUS, nos atendimentos públicos e na espera do medicamento indispensável que a Constituição garante, mas os governos esquecem. Tal e qual o sonhador e "fidelíssimo" guerrilheiro do Araguaia.

Falo, especialmente do Norte e Nordeste, mas esse povo idealista, que se doa a causa, aos sonhos coletivos,  não sabe o que é isso, não sabe, realmente, o sentido das palavras injustiça, lealdade, honestidade, sofrimento, fome, dor...? Faz tantos anos que deram ouvidos  a qualquer coisa desse tipo, se é que ouviram, que o tempo já retirou de suas mentes quaisquer vestígios. E essa generosidade, do povo? Das empresas? Das empreiteiras? Dos interessados? Daqueles que soturnamente fazem parte do mensalão, FAZ VOCÊ RIR OU CHORAR?


E a personagem de TATÁ WERNECK, a Valdirene, com a assessoria impagável de ELISABETH SAVALLAS que dá vida a  mãe da pererigueti e se transforma em Tête pára-choque pára-lama fiel escudeira da filha, aquela sempre na busca desenfreada por um milionário, pela chance de estar no “BIG BODE” – conforme dizia em alto e bom som – ambas representam o quê? A falta de moral? De ética? De credibilidade aos caminhos normalmente trilhados de estudos e trabalhos? 



Será que o autor, conhecidamente avesso a normalidade social constituída a partir de “velhos conceitos”, quer no divertir ou demonstrar que a ideia de quanto pior melhor, vende espetáculo? Rende pontos no IBOPE? Pode influenciar, maciçamente as frágeis cabecinhas de tantas e tantos jovens que veem na televisão o que gostariam de ver em suas vidas?


E personagens do tipo Dr. César aparentemente sério, honesto e, na sua intimidade, desumano, calhorda, traidor, ladrão, nos remete a realidade ou existe apenas no terreno da ficção? Amante da sétima arte rapidamente a televisão me encantou. A profusão de gêneros culturais, a pluralidade de autores e artistas, a facilidade de tudo ver, comodamente instalada em minha casa, me tornou  telespectadora...crítica, cética em algumas ocasiões, mas, garimpando com ênfase bons programas, boas ideias. 



 
Porém surge na minha mente algumas criações que me levam a pergunta, tantas vezes repetidas, programas como: o Big Brother Brasil, A Fazenda, Domingo Espetacular, Cidade Alerta,  Superpop, Divertics e tantos outros tão ruins quanto, são exatamente para que? RIR OU CHORAR? Envergonhar-nos ou nos fazer bater em retirada da sala ou, ainda, as duas coisas?



E a campanha política que promove o desmonte moral, a falta de ética, a barganha ideológica, o assalto a cofres, as doações recheadas de contraprestações, é para RIR ou para CHORAR? Está só começando, vamos ver.