Quem sou eu? O que faço

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João Pessoa, Paraíba, Brazil
Quem sou? O que faço. Sou Maria de Lourdes, tenho, agora, 62 anos, esposa, mãe e avó, formação jurídica, com pós graduação em Direitos Humanos e Direito Processual Civil, além de um curso não concluído de Filosofia. Conheci os clássicos muito cedo, pois não tinha permissão para brincar na rua. Nosso universo – meu e de meus irmãos – era invadido, diariamente, por mestres da literatura universal, por nossos grandes autores, por contistas da literatura infanto-juvenil, revistas de informação como Seleções e/ou os populares gibis. Todos válidos para alimentar nossa sede de conhecimento. Gosto de conversar, ler, trabalhar, ouvir música, dançar. Adoro rir, ter amigos e amar. No trabalho me realizo à medida que consigo estabelecer a verdade, desconstruir a mentira, fazer valer direitos quando a injustiça parece ser a regra. Tenho a pretensão de informar, conversar, brincar com as palavras e os fatos que possam ser descritos ou comentados sob uma visão diferente. Venham comigo, embarquem nessa viagem que promete ser, a um só tempo, séria e divertida; suave e densa; clássica e atual. Somente me acompanhando você poderá exercer seu direito à críticas. Conto com sua atenção.

domingo, 6 de janeiro de 2013

A INDIVIDUALIDADE DOS SONHOS

UMA VISÃO PESSOAL.



Sonhar é abrir-se a possibilidades. É viajar sem os percalços naturais às viagens. É potencializar desejos e eliminar distâncias. Sonhar permite alterar convenções, realizar as impossibilidades, galgar instâncias sequer imaginadas. Se é sonho, voe alto, busque as repetidas limitações impostas pela pequenez dos que não sonham, ouse, realize. 

Os sonhos podem ser involuntários, Aqueles que nos invadem quando dormimos. Sua importância para o dia dia, para a saúde mental, para nossa psiqué é imensa e, objeto de estudos,  teses, teorias, obras e outros.  Segundo Freud " O sonho é a estrada real que conduz ao inconsciente".


Conforme Nestor Vaz, integrante da escola de psicanálise Letra Freudiana,  em artigo publicado aos 21 de julho de 2012, Globo Ciência, "os sonhos têm a função de manter o sono, e começam quando a pessoa está prestes a despertar. Como o sonho tem a ver com a vida inconsciente, segundo os conceitos da psicanálise freudiana, é durante o sono que ela se manifesta. Freud, por meio de suas interpretações, defendeu essa teoria, indo de encontro ao que pregava a ciência, para quem os sonhos eram tidos como o lixo do pensamento."


Asim e apesar da importância dos sonhos, quando se está acolhido nos braços de Morfeu,  não é esse o propósito desse texto. Como também o  foco proposto não será aquele "sonhar acordado", situação definida e rotulada, pelo sempre recorrente Freud como "característica infantil e neurótica" e, por estudiosos, inclusive, Neurocientistas no passado, como "falha da disciplina mental, ou pior".  

Esses sonhos foram resgatados no presente uma vez que pesquisadores descobriram virtudes no sonhar acordado e que tais sonhos podem ser bastante comum e úteis. Defendem essa teoria pesquisadores como, Jonathan Schooler e Jonathan Smallwood, da Universidade da Califórnia, em Santa Barbara; Eric Klinger - Psicólogo da Universidade de Minnesota e outros.Cientistas descobrem virtudes de 'sonhar acordado' - Publicado em 05 de julho de 2010 - Terra - Ciência.



Os sonhos a que nos referimos são aqueles que invadem a nossa alma - não são pueris ou devaneios e,  tornam-se metas em nossas vidas. Muitos sonham em ter carro, roupas, casa, apartamento de luxo e se dedicam a amealhar dinheiro para tal, independentemente de quantos ou o quê necessite deixar para trás na materialização de seu sonho.



Alguns sonham com fama, reconhecimento público e financeiro. Nesse aspecto muitas vezes são encontrados pessoas com dons artísticos, culturais,  profissionais de outras áreas, mas aos quais a possibilidade de tornarem-se medalhões em seu campo de ação tornam-se objetivos veementemente perseguidos.


Outros sonham em tornarem-se pessoas dedicadas a servir aos seus semelhantes. Assim, muitos deixam suas casas, suas famílias, suas cidades e até mesmo seus países de origem  e transformam-se em sacerdotes, freiras, missionários, voluntários de todas as profissões, realizando-se no ato de doarem-se.


Há os que sonham com coisas mais rotineiras. Cuidar de suas famílias, seus filhos e vê-los aptos a realizarem-se pessoal e profissionalmente. Sonho comum e que pode exigir dos "sonhadores" esforços sobre-humano, principalmente se considerarmos as desigualdades sociais no Brasil. Para a grande maioria dos habitantes da Zona Rural no nordeste brasileiro e em outra regiões, onde há, historicamente, famílias numerosas, salários baixos e raridade de bons administradores públicos é realmente sonhar alto a  capacitação, a Universidade, a realização das potencialidades dos filhos.


E os casais? O seu sonho pode ser o dele. O sonho dele pode ser o seu. MAS, O SEU SONHO NÃO TEM QUE SER O SONHO DO SEU AMADO E VICE VERSA. O casal pode sonhar junto. Mais que uma coincidência tal acontecimento é a certeza de que um completa o desejo do outro e um representa para o outro a convivência/parceria que não deseja perder.


E os sonho pessoais, individuais e intransferíveis. Aqueles que existem lá no cantinho do coração, que alimentam o dia a dia enchendo as pessoas de esperanças e motivações. Estes, por vezes resultam em impasses de embaraçadas soluções.

Muitos iniciam com sonhos comuns. Crescer juntos, viajar, ter filhos, casa própria. A medida que o tempo vai passando os sonhos podem mudar. Gerir as diferentes aspirações pode ter como consequência privações, frustrações e retardamentos. O sonho de um é poder, finalmente, fazer aquela viagem a cidades históricas, enquanto o outro não quer, sequer, ouvir falar em tal coisa. Um, só espera a aposentadoria para poder realizar seu sonho de viver onde não tenha compromissos com hora, obrigações com familiares e coisas que, sob sua ótica, dificultam a relação"; o outro quer poder dedicar mais tempo a si mesmo, passear com seu companheiro e resgatar laços familiares, afinal, passou a vida toda correndo de um lado para o outro sem tempo para si e para os seus.


Acreditem, são muitos os aspectos que ameaçam os sonhos. O excesso de ambição de um, a apatia, a ausência de projetos do outro ou mesmo a existência de um plano incompatível com os desejos do outro; as pressões familiares e sociais que cercam as pessoas; a ausência de diálogos e a temível oração do eu sozinho: eu quero, eu decido, eu faço, simbolizando: você não conta, não tem vontade, só acompanha.


Encontrar o equilíbrio passa pelo respeito ao sonho alheio. Passa também pela não desistência do seu. É estar diligente,  cuidadoso consigo e com "sua cara metade". Se respeitar e respeitar os demais. Principalmente, acumule  ânimo, coragem, para seus sonhos, agindo com serenidade de modo a possibilitar concessões em prol de objetivos, de modo que o sonho e a realidade possam acontecer harmonicamente. 


SONHE, PLANEJE, VIVA!


segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

PROMESSAS BEM INTENCIONADAS



ANO NOVO



Todo  ano  a mesma coisa. Tenho a absoluta certeza de que farei diferente no ano vindouro. Quero tomar as rédeas de minha vida. Não posso adiar algumas coisas. Inclusive, dominar esta forte tendência ao drama, que me leva do riso às lágrimas sem pagar passagem. Em mim o sério e o caricato habitam um mesmo texto.  Mas, vejamos as fortíssimas decisões. 



A primeira e a mais prometida dentre todas é a dieta. Dieta? Não eu não preciso. Quando muito uma reeducação alimentar. Leve. Nada de radicalismo, o preço é muito alto para o organismo e sempre nos é devolvido em dobro. Farei o seguinte: evitarei massas, com moderação é claro, pois quem resiste e consegue ficar, o tempo todo, longe de uma boa pizza, uma gostosa macarronada?  E o que dizer de uma suculenta lasanha? Pegarei leve, diminuirei o tamanho do prato e aumentarei o peso do garfo, essa combinação é muito chata: prato pequeno e garfo pesado, conclusão: não dá para comer muito.




Farei todos os trabalhos que estão esperando uma vaga na minha "assoberbada" rotina. Serei rápida e produtiva. Mas, tudo dentro de uma boa margem de segurança, afinal a pressa é inimiga da perfeição. É evidente que terei o máximo cuidado para não deixar que a urgência baixe a qualidade do serviço ofertado. Pensando melhor, farei uma triagem e trabalharei dentro da normalidade. É mais tranquilo, mais sensato.



Desculparei as afrontas recebidas. Buscarei aquelas criaturas ofensivas como se nada houvesse acontecido. Mostrarei para elas o quanto sou “magnânima”, pois é assim que deve proceder uma cristã verdadeira. Algo, entretanto, acendeu uma luzinha vermelha. Não sei bem o que é. Meu cérebro insiste em colocar de sobreaviso o meu instinto de preservação. E aí? Se alguém não entender o meu gesto grandioso? Pior, se o fulano ou as      fulanas acharem que eu, finalmente, reconheci que estou errada e a minha atitude é uma confissão.  O mais conveniente é aguardar o desenrolar dos fatos. Ficarei observando.



E as providências que vem sendo continuamente adiadas? É impossível não resolver as pendências, enfim tenho que fazer o ano novo acontecer diferentemente do que se despede.  Pois é, aquela organização no guarda roupa faz meses que está para acontecer. As roupas que não uso faz anos. As bijuterias, antigas que só vendo.  Uma lembra um período em que era solteira, fazia faculdade e comprei em Goiás – Buriti Alegre; outra lembra quando engravidei de meu filho que já está com trinta e dois anos. São várias e trazem à memória pessoas e histórias. Mas vou descartá-las, acho que vou.

E a retirada dos comprovantes de pagamentos realizados – há bem mais de cinco anos e que venho planejando há tanto tempo? Não gostei. Usei o gerúndio que é quase igual à eternidade. Não é bom sinal colocar o famigerado tempo verbal em relação às ações que devemos intentar. Agora ficou melhor, senti firmeza. O presente do indicativo seguido de infinitivo significa algo atual e imediato. Uma ordem! Vou retirar os pagamentos velhos, rasgar e queimar para não ter a má ideia de retorná-los para a caixinha onde estavam guardados. Minha única dúvida está em que pode ocorrer uma pane nos computadores das empresas e aí, como posso comprovar o meu pagamento? Tenho que pesar e medir as minhas pretensas futuras atitudes.



Nada como ter planos para o Ano Novo. Há anos planejo caminhar. Até comecei, mas, chegou o inverno e com ele as chuvas, a gripe, o cabelo molhado, não deu certo. A chegada do verão coincidiu com total desânimo. Penso que dois mil e treze será um bom ano para caminhar. Primeiro um bom tênis. Aí começa o drama: detesto tênis. Tenho que superar tal situação e, imaginar a roupa ideal para caminhada já oferece uma válvula de escape.  
Está decidido: caminhar será uma das minhas decisões para o futuro, mas, tem que se logo, antes que o inverno chegue.



Ah, tem algo que não posso deixar para mais tarde. Preciso ler mais, o tempo passa e a necessidade de fazer uma reserva mental não pode ser procrastinada (pois é, uma olhadinha no dicionário já ajuda) com desculpas  rotas de que não tenho tempo. Também tem a musculação. Não pensem bobagens, não tenho cara de quem pega peso;  falo de exercício para o cérebro, a minha preferência é palavras cruzadas, gosto de “Coquetel”, Desafio, assim tenho excelente desculpa para ficar rastreando na memória o conhecimento necessário para resolver questões sem nenhuma importância, salvo, revascularizar meus neurônios. Adoro, entretanto não consigo aumentar minha “produção”. No próximo ano é claro que farei em dobro...sei que farei...pelo menos tentarei.



Sim há uma sábia resolução a caminho. Não que eu seja compulsiva ou deselegante. Mas, sabe aquele costume que muitos têm de fofocar? Pois é, não      quero saber de fofocas. Por favor ninguém venha me contar coisas dos outros. A vida alheia para mim é tabu; não quero saber nada...exceto, se for alguém muito famoso ou, aquele político que de tão mentiroso já virou chacota ou, aquela “madame” que vive de passado, aquela funcionária que se acha mais poderosa do que a ex-chefe do Gabinete da Presidência da Republica em São Paulo. Bem, casinhos fortuitos, namoricos, birras, essas coisinhas que movimentam o disse me disse não farão parte do Ano Novo. Tenho certeza.

Coisas boas virão. Estas acontecerão realmente. Quero respirar fundo cada vez que algo me aborrecer e avaliar se vale a pena me deixar perturbar. Lembrar como a vida é um maravilhoso dom Divino. Buscar soluções. Aproveitar a beleza desse imenso litoral que nos margeia e sentar calmamente olhando o mar, renovar as energias ante tão marcante expressão da natureza.  Agradecer a DEUS pela vida, pela família, pelos amigos, pelo trabalho, por tudo o que fiz e o que não fiz. Por ter dito sim na hora certa e ter tido a coragem de dizer não quando deveria.




Quero rir, rir muito. Não aquele sorriso tímido, preocupado com os olhares, com as críticas. Rir com o corpo e alma, gargalhar deixando a alegria contagiar todo o ambiente.  No Ano Novo, não importam as decisões tomadas e jamais executadas; os bons propósitos que nunca são realizados ; o pedido de desculpas que morre na garganta; a mão que permanece inerte quando deveria ser estendida, se podemos, como diz a canção, fazer novas todas as coisas.  




A todos um ANO NOVO repleto de PAZ, SAÚDE e REALIZAÇÕES.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

O AMOR DE DEUS


O SIM DE MARIA!

É chegado o NATAL. A nós cristãos é hora de rememorar. Nos voltarmos para o DEUS CRIADOR, que sinaliza o seu amor nos enviando a sua Luz. Materializando promessas  das Sagradas Escrituras,  manda, à frente do menino Jesus, um brilho que se faz ver por todo o  Oriente. É a estrela guia. Aquela que foi seguida pelos Magos que vieram para adorar o Salvador. JESUS, presente do PAI para o mundo.



Diferentemente da lógica humana o projeto de DEUS para os homens não prioriza a racionalidade. Faz nascer o Verbo Encarnado através de uma virgem, da casa de Davi, porém,  de  condição  humilde - uma jovem crédula, esposa e não mulher de um carpinteiro piedoso - , crente e zeloso das coisas do alto. 

As profecias começam a acontecer:  O  anjo do Senhor anuncia a Maria:



“O anjo Gabriel foi enviado da parte de Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma jovem, prometida em casamento a um homem chamado José, da casa de David. O nome da jovem era Maria. Entrando onde ela estava, o anjo disse-lhe:
- Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!
Ao ouvir as palavras, ela perturbou-se e reflectia no que poderia significar a saudação.
Mas o anjo continuou:
– Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus!
Eis que conceberás e darás à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo.
O Senhor Deus lhe dará o trono de David, seu pai. Ele reinará na casa de Jacob pelos séculos e seu reino não terá fim.
Maria perguntou ao anjo:
– Como acontecerá isso, pois não conheço homem?
Em resposta o anjo disse-lhe:
– O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; é por isso que o menino santo  vai nascer.
  Eis aqui a serva do Senhor. Aconteça comigo segundo tua palavra!
E conclui:
E o anjo afastou-se dela.
será chamado Filho de Deus.”
COM O SIM DE MARIA!




Surge o Magnificat

A minha alma glorifica o Senhor *
E o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.

Porque pôs os olhos na humildade da sua Serva: *
De hoje em diante me chamarão bem aventurada todas as gerações.
O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: *
Santo é o seu nome.

A sua misericórdia se estende de geração em geração *
Sobre aqueles que o temem.
Manifestou o poder do seu braço *
E dispersou os soberbos.

Derrubou os poderosos de seus tronos *
E exaltou os humildes.
Aos famintos encheu de bens *
E aos ricos despediu de mãos vazias.

Acolheu a Israel, seu servo, *
Lembrado da sua misericórdia,
Como tinha prometido a nossos pais, *
A Abraão e à sua descendência para sempre

Glória ao Pai e ao Filho *
E ao Espírito Santo,
Como era no princípio, *
Agora e sempre. Amem.

MARIA, estrela que Deus colocou à frente de outra para ser modelo de mulher, mãe, ouvinte e intercessora de todas as horas.


O mistério da Encarnação começava a se materializar, nele a figura masculina de JOSÉ “O carpinteiro, homem justo e fiel. Ouviu a voz do Pai : “José, filho de Davi, não tenhas cuidado em admitir Maria, tua esposa, em tua companhia. Saberás que o que foi concebido em seu ventre é fruto do Espírito Santo. Dará, então, à luz um filho, a quem tu porás o nome de Jesus. Ele apascentará os povos com o cajado de ferro. Dito isso, o anjo desapareceu. José, voltando do sono, cumpriu o que lhe havia sido ordenado, admitindo Maria consigo, e acolheu a mãe de Deus Protegendo e educando o menino Deus.”


As promessas estavam tomando forma, BELÉM, uma dentre as menores, foi a cidade escolhida por Deus para acolher o Messias.  As profecias  já registravam que em Belém havia de nascer o que governaria Israel: - “ Mas tu, Belém de Efrata, tão pequena para seres contada entre as famílias de Judá. É de ti que há-de sair Aquele que governará em Israel. (*Miq. 5/1).” * Profeta Miquéias.


Para a glória de DEUS e redenção dos homens, nasce o menino JESUS.  Aparece nos céus à estrela que sinaliza a sua presença e enche de alegria os Reis Orientais que conheciam o oráculo do Senhor. Os monarcas buscavam o Rei dos reis para adorá-lo, ouviram as enganosas palavras de Herodes, acharam o recém-nascido, Maria sua mãe e José, prostraram-se diante DELE adorando-o. Apresentaram-lhe os presentes trazidos: ouro, incenso e mirra.  Após adorá-lo partiram para sua terra evitando o caminho antes percorrido , enganando, assim,  o rei Herodes.


É tempo de concretização de promessas repetidas. O anunciado Messias, aquele que resgataria o homem da vida de pecado para a salvação, promessa vaticinada desde o Gênese, cantada nos Salmos, reiterada pelos profetas, Isaías, Miquéias e Zacarias e, também revelada através de Mateus, João, Lucas e Marcos, os evangelistas que trouxeram a boa nova: finalmente está entre nós o Cordeiro de Deus, enviado para ensinar, com a sua essência Divina, o camiho  da Graça, do Perdão e da Misericórdia.

Pilares de fé e esperança fundem-se numa única palavra: AMOR. O verdadeiro espírito do Natal, a justificativa da Natividade de Maria. O NATAL do Pai nos faz REFLETIR como DEUS manifesta o seu amor por nós. É tempo de Graça, de grandes esperanças nos corações e nas mentes pelo nascimento do MENINO JESUS, O PRÍNCIPE DA PAZ.




Mais uma vez a natividade. Paira sobre grande parte da humanidade  um misto de fé, esperança, caridade. Há  alegria pela experiência de  tais sentimentos.  DEUS, em sua infinita benevolência se dispõe a nos redimir através de Jesus. Reveste-se de humanidade, mostra  a verdadeira solidariedade sem qualquer exigência de retorno. Doa-se em nome de um sentimento único, espontâneo e ilimitado por cada ser humano: O AMOR.

Nesse NATAL que o Menino Deus atue sobre todos nós para que  possamos trocar tudo aquilo que nos magoa, entristece, envergonha,  irrita, constrange por sentimentos bons, orações e braços abertos, não no sentido de nos vermos como magnânimos e sim para acolher e abraçar tantos quantos sejam guiados até  nos pelo ANIVERSARIANTE!  




quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

DESPREZO AO SEXO!

CHOQUE!
             Acredito que, entre outra coisa, o bom senso é algo a ser utilizado em qualquer faceta da vida humana e, invariavelmente, resulta em ganho à convivência das pessoas, isso até mesmo sem que se examine a questão da aprendizagem que provêm de tais direcionamentos.


             A interpretação de fatos e atos comuns  pertence a cada um dos que integram a ação ou apenas a observam. Aprendi que a mais simples das explicações acerca de algo é a literalidade da coisa. Ao ler um texto, o mais simples é apreender o sentido das palavras e do conjunto, a literalidade do que está escrito.  Se é um fato, a príncipio e a forma mais natural é ver o quadro que se desenrola diante dos olhos sem buscar outros significados. É por assim dizer, uma visão reta, sem entrelinhas, sem atalhos.


             Pois é, hoje quero abordar a questão da sexualidade. Não a opção exercida por adultos que têm o direito de livre escolha, de exercer a sua preferência, o seu comando íntimo. Falo de algo mais emocional, algo que influi deformando a natureza dos seres.

             Li e não acreditei. Numa publicação da revista Veja, datada de 19 de dezembro de 2012, às folhas 92, 94 e 96, há uma matéria que registra inovação nas propagandas das filiais das lojas de brinquedo Touys ”R”Us e BR Toys, no que tange a confecção dos novos catálogos destinados a época de Natal.

            
              Seguindo  “uma orientação da Swedish Advertising Ombudsman, uma das organizações que regulam a propaganda na Suécia", nos anúncios destinados a venda de brinquedos, naquelas especializadas, as crianças foram fotografadas de forma inversa ao que tradicionalmente ocorre em tais ocasiões. 


             Vê-se sob o título “EDUCADOS NO SEXO NEUTRO”, fotografias de crianças, de ambos os sexos, onde o menino, passa roupa usando um ferro cor de rosa, sob uma mesa de passar também cor de rosa;  uma menina faz pose usando uma metralhadora. Normalmente tais brinquedos estariam nas mãos inversas. A criança do sexo masculino com a arma e a do sexo feminino com os costumeiros instrumentos á moda das donas de casa. Inclusive, há o registro de que no impresso promocional " as fotos mostram as meninas com carrinhos e armas de mentira e meninos se divertindo com bonecas e utensílios domésticos...".


             Sob o argumento de que foram inúmeras as reclamações da propaganda conservadora praticada pelas lojas, o órgão orientou que se adotasse uma visão “ de uma corrente pedagógica que defende a tese de que meninos e meninas devem ser criados da mesma forma”. Leia-se criação sem observação, distinção do sexo das crianças. Isenção de Gênero.
      
             Pois é, me defino como uma pessoa simples. Sem o verniz dos intelectuais. Sem o conhecimento dos Mestres. Sem a petulância e a certeza dos “donos da verdade” que encontramos no nosso dia a dia. Me vejo como uma amante da natureza, acredito que deixá-la seguir o seu curso é uma grande escolha.

      
             A condução deliberada de atos contrários ao que se apresenta com naturalidade, pelo menos para mim, é algo que ressoa assustador. Demonstrar total desprezo ao sexo pode resultar em algo extremamente nocivo aos envolvidos.

             Realmente eu já havia visto imagens de crianças trajadas diferentemente do que seria comum ao sexo, mas, em momento algum me deparei com artigos onde a situação fosse tratada com a clareza e detalhes  expostos na revista Veja. Há explicações sobre a atitude,  as suas origens,  adeptos e  resultados visíveis de tais opções.



             Assim causou-me um misto de dor e pena ver uma das filhas de um casal famoso,  que  desde bebê – foi vestida pelos pais como se fosse um menino. A criança, uma linda menina, aparece, talvez beirando sete anos, vestida de menino, com uma expressão masculina, totalmente descaracterizada de sua natureza feminina. O gênero feminino parece fazer parte de uma ficção, pelo menos para aqueles pais em relação à filha.
           
              E não foi opção, tal caracterização foi imposta, lhe foi tirado o direito de se mostrar como menina, criança do sexo feminino, uma direção escolhida por quem a educa e que, necessariamente, não teria de ser  a adotada, por inclinação natural, da maior interessada. Há uma violação, uma indução que, inclusive, a uma pessoa dotada de senso comum, sem especialização sobre o assunto, poderia sugerir problemas psicológicos, confrontos e indefinição.



             Para mim a sexualidade é algo extremamente pessoal. Vi ao longo de sessenta anos as mais estranhas situações envolvendo tão importante aspecto da vida humana. Conheci alguém que durante muitos anos foi vista e tratada pelos pais como menino porque eles desejavam um filho homem. Esta menina, embora muito nova, tem apenas dezoito anos, comporta-se como se fosse um adolescente. Cerca-se de amigos, faz referências a si como do sexo masculino, veste-se e assume posições extremamente masculinas. Hoje há um visível arrependimento dos pais.

             Nesta mesma linha de ação, um menino que foi tratado por sua mãe como se fosse menina, sempre recebeu presentes de meninas, tinha toda a coleção da boneca Barbie, era vestido sempre com roupinhas rosa, shortinho com babado nas pontas, blusas e não camisas. É hoje um jovem totalmente despersonalizado em sua masculinidade, não se reconhece como do sexo masculino. Cito um exemplo de cada caso. Conheço muitos outros com maiores ou menores repercussões, em todos observei a ausência de respeito dos pais e dos cuidadores e o total aborrecimento quando se lhes fazia alguma observação.


             Estranho mundo esse onde os responsáveis pela formação de seus filhos, influenciados até mesmo por decepções,  sonhos que não conseguiram realizar ou por orientações de profissionais descompromissados com a boa mídia e que, por anos a fio erotizam crianças através de anúncios, artigos e outros, negam-lhes o direito de serem – enquanto crianças, em formação física e psíquica - ajustados a realidade de seus corpos. O tratamento de crianças deve ser igualitário, respeitadas as diferenças próprias dos sexos, da idade, da condição física e psicológica.
            
             A repulsa à orientação sexual, na conformidade do que é natural pode levar a erros incorrigíveis. A Veja o citou e a enciclopédia Wikipédia registra:  “ David Reimer - nascido saudavelmente do sexo masculino, mas que teve sua identidade sexual modificada e foi criado como uma menina depois que seu pênis foi acidentalmente destruído durante uma circuncisão. Nascimento: 22 de agosto de 1965, Winnipeg. Falecimento: 4 de maio de 2004, Ottawa. Cônjuge: Jane Fontaine (1990 a 2004). Irmão: Brian Reimer. Filiação: Janet Reimer, Ron Reimer.


             Resta informar que a mesma fonte – A Veja – publicou, que David jamais aceitou ser tratado como menina, aos dois anos rasgava os vestidos, recusava-se a brincar com bonecas, sofreu bulliyng na escola e somente veio a saber da mudança de sexo aos 14 anos. Os seus pais, sob a orientação de um psicólogo nos Estados Unidos foram aconselhados a uma cirurgia para construção de uma vagina artificial.    

  
             O profissional buscava comprovar uma teoria segundo a qual não eram as características físicas que determinavam o sexo e sim a forma como as crianças eram criadas por seus pais. Mais uma vez a minha visão de leiga sugere deduções diferenciadas quais sejam:  o remorso  ditou a opção dos pais e a ânsia de comprovar uma teoria e  ser reconhecido por tal, ditou a conduta do profissional. Ambos fracassaram. David pagou com sua vida o erro desses. Não só ao suicidar-se em agosto de 2004, mas e principalmente, durante toda a sua atormentada existência. 


                Os problemas decorrentes da ausência de definição foram abordados  em Tomboy que é um longa-metragem escrito e dirigido por uma francesa, Céline Sciamma, sobre a atração na adolescência, quando a personagem título se revela atraída por outra do mesmo sexo, assumindo personalidade dupla, identificando-se mais como do sexo oposto ao seu, criando um nome diferente e o utilizando fora de sua casa. 


                O filme não define o que acontecerá no futuro, mesmo assim mostra a flexibilidade dos pais que estão preocupados com a gravidez da mãe, a adolescência da irmã mais velha e sequer se vê um só diálogo que passe informações, esclareça dúvidas, demonstre interesse dos pais em relação à filha. Será essa a ideia de família a que devemos nos acostumar?

             Aos pais um apelo no sentido da preservação de seus filhos. Não há pieguice, redundância ou atraso, em prover as crianças da proteção necessária enquanto não estão desenvolvidas, física, mental, moral, espiritual e socialmente em condição de liberdade e dignidade, conforme estabelece o Estatuto da criança e do Adolescente.


         Ainda, o direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, idéias e crenças, dos espaços e objetos pessoais (Art. 17 ECA). 
             Imagine-se adulto, exercendo plenamente a sua sexualidade e de repente tomar conhecimento, através de pessoas ou de fotografias, que em determinado período de sua vida você foi tratado e caracterizado como sendo do sexo oposto. Ou você que vive em conflito com seu corpo descobrir que ouviu de seus pais, durante toda a sua infância o quanto foi decepcionante ter uma filha ao invés de um filho homem? Ou vice-versa.

             Os ensinamentos, a orientação, a educação no lar é a primeira que um ser humano recebe. Na  Bíblia Sagrada em João 8:38 há a seguinte passagem:” Eu falo das coisas que o meu Pai me mostrou, mas vocês fazem o que aprenderam com o pai de vocês.” O Cristo assinalou a importância da postura, das escolhas feitas pelos pais como caminho indicado aos filhos. O desprezo pela natureza desses certamente não poderá repercutir bem em sua intimidade.
             Espero jamais ter que conviver com um desrespeito tão grande as nossas crianças!
          

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

CLARICE LISPECTOR


PERTENCER

Houve entre nós, por pouco mais de cinco décadas, uma criatura que se lapidava a medida  em que fazia suas opções. Uma escultura viva, moldada por um vivente que foi a um só tempo criador e criatura, incansavelmente  mergulhada em seu íntimo buscando respostas às suas indagações.  A  ininterruptas inquietações. 


Exercia a crítica não somente no sentido de separação, mas e principalmente de partejamento, de fazer aflorar a verdade, sempre focando a essência até mesmo se para isso fosse necessário refazer caminhos, ideias. Acreditava que tênues limitações justificariam uma liberdade que a levasse a respostas, naquela conjuntura, definitivas. 


Com uma atitude que poderia ser erroneamente entendida como inconstante , essa Ucraniana perseguiu, a exaustão,  o âmago de suas personagens, imiscuindo-se  em seus cérebros,  tentando apreender  todo o pensar, o agir, os intricados processos de funcionamento da psiquê. Em sua obra  o enredo é de somenos, tudo gira em torno dos atributos mentais, psíquicos de cada uma das figuras criadas para dar vida aos seus escritos. Assim Clarice via as suas criações literárias:
"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..."
"A descoberta do Mundo" , seleção de Crônicas originalmente publicada em coluna semanal assinada pela escritora, no Jornal do Brasil, no período compreendido entre agosto e 1967 e dezembro de 1973 nos trouxe "Pertencer", que mostra a dualidade, o tênue equilíbrio e a genialidade da autora, senão vejamos:


"Pertencer

Um amigo meu, médico, assegurou-me que desde o berço a criança sente o ambiente, a criança quer: nela o ser humano, no berço mesmo, já começou.
 
Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça. 


Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus.


Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso. 


Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não sei mais como se é. E uma espécie toda nova de "solidão de não pertencer" começou a me invadir como heras num muro. 


Se meu desejo mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de clubes ou de associações? Porque não é isso que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço. Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética. É como ficar com um presente todo embrulhado em papel enfeitado de presente nas mãos - e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos. 


Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força - eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa. 


Quase consigo me visualizar no berço, quase consigo reproduzir em mim a vaga e no entanto premente sensação de precisar pertencer. Por motivos que nem minha mãe nem meu pai podiam controlar, eu nasci e fiquei apenas: nascida. 

No entanto fui preparada para ser dada à luz de um modo tão bonito. Minha mãe já estava doente, e, por uma superstição bastante espalhada, acreditava-se que ter um filho curava uma mulher de uma doença. Então fui deliberadamente criada: com amor e esperança. Só que não curei minha mãe. E sinto até hoje essa carga de culpa: fizeram-me para uma missão determinada e eu falhei. Como se contassem comigo nas trincheiras de uma guerra e eu tivesse desertado. Sei que meus pais me perdoaram por eu ter nascido em vão e tê-los traído na grande esperança.


Mas eu, eu não me perdôo. Quereria que simplesmente se tivesse feito um milagre: eu nascer e curar minha mãe. Então, sim: eu teria pertencido a meu pai e a minha mãe. Eu nem podia confiar a alguém essa espécie de solidão de não pertencer porque, como desertor, eu tinha o segredo da fuga que por vergonha não podia ser conhecido. 


A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver. Experimentei-o com a sede de quem está no deserto e bebe sôfrego os últimos goles de água de um cantil. E depois a sede volta e é no deserto mesmo que caminho!"


Clarice Lispector, no mínimo será inspiração aos que não se contentam com o óbvio. Uma mulher fantástica que conseguiu conviver e usar sua doença para melhor desvendar a alma humana. Uma escritora que explorou o existencial, fragmentando-o, indo ao fundo de seus personagens como se mergulhasse em si , exigindo respostas. Difícil, porém, fascinante!