Quem sou eu? O que faço

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João Pessoa, Paraíba, Brazil
Quem sou? O que faço. Sou Maria de Lourdes, tenho, agora, 62 anos, esposa, mãe e avó, formação jurídica, com pós graduação em Direitos Humanos e Direito Processual Civil, além de um curso não concluído de Filosofia. Conheci os clássicos muito cedo, pois não tinha permissão para brincar na rua. Nosso universo – meu e de meus irmãos – era invadido, diariamente, por mestres da literatura universal, por nossos grandes autores, por contistas da literatura infanto-juvenil, revistas de informação como Seleções e/ou os populares gibis. Todos válidos para alimentar nossa sede de conhecimento. Gosto de conversar, ler, trabalhar, ouvir música, dançar. Adoro rir, ter amigos e amar. No trabalho me realizo à medida que consigo estabelecer a verdade, desconstruir a mentira, fazer valer direitos quando a injustiça parece ser a regra. Tenho a pretensão de informar, conversar, brincar com as palavras e os fatos que possam ser descritos ou comentados sob uma visão diferente. Venham comigo, embarquem nessa viagem que promete ser, a um só tempo, séria e divertida; suave e densa; clássica e atual. Somente me acompanhando você poderá exercer seu direito à críticas. Conto com sua atenção.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

O PRÍNCIPE DESNUDO!

A REALEZA EM POLVOROSA.

Pois é, entre outras coisas, fazer parte da realeza, em qualquer circunstância, é estar em evidência. Desde as mais remotas lembranças da humanidade que os reis, as rainhas, os príncipes e as princesas, são envolvidos por uma aura de fascínio que mexe com a imaginação dos súditos, inspirando as mais controvertidas situações.

No imaginário infantil, as estórias românticas de príncipes e princesas, castelos, dragões, bruxos, bruxas, feitiços  e sortilégios, são apresentadas em forma de contos por escritores, a exemplo de Hans Cristian Andersen,  que tem no conto O Patinho Feio o seu maior legado

A pequena ave, desengonçada, era alvo de zombarias dos demais e ao crescer   se transforma num magnífico cisne. Noutro momento o escritor nos mostra como reconhecer uma princesa, através  da estória "A Princesa e a Ervilha", onde uma só semente colocada no leito desmascara a impostura e identifica uma princesa verdadeira, que sente-se machucada com a incômoda presença que castiga a sua pele delicada, mesmo sob vários colchões. 

 Os irmãos Grimm, que encantaram a todos com seus contos como: Chapeuzinho Vermelho a mercê da maldade do lobo e que é salva graças a heroica proteção do caçador;  Branca de Neve e os Sete Anões, cuja protagonista após ser vítima da bruxa má encontra o seu príncipe encantado; Rapunzel, a das longas tranças e de quem se enamorou o príncipe herdeiro; a Bela Adormecida que retrata a saga da princesa Aurora e a felicidade de encontrar o seu “príncipe” na figura do cavalheiro Felipe e, ainda, Cinderela,  sempre castigada por sua madrasta e, a final, resgatada pelo amor do príncipe. Esse conto infantil possui versões dos irmãos Grimm e de Charles Perrault, (a mais conhecida).

A autoria de tais estórias muitas vezes são entrelaçadas. As fontes fornecem autores diversos para a mesma obra, justificando que a diferença de época faz com que elas apresentem nuances que as distanciam e individualizam. 

A paternidade ou maternidade da criação é de menor valia.  O que realmente importa é a magia que respinga sobre os meninos e meninas, jovens e adultos  que, mesmo existindo a Internet, as redes sociais, os games, buscam a fantasia, à semelhança da imaginada por  J.K. Rowling, com Harry Potter, seus amigos, inimigos, castelos, mágicas e criaturas  fantásticas.

O que se dizer da fábrica de ilusões de sagas como: o Senhor dos Anéis e sua triologia: "A Sociedade do Anel, As duas Torres e o Retorno do Rei". A beleza  que sequencia  "As Crônicas de Nárnia", compostas por uma série de sete livros da autoria de Clive Staples Lewis que valorizam e resgatam um mundo onde a pureza, a nobreza de caráter, a bondade e fidelidade são atributos que sobressaem a coragem, o auto sacrifício, a amizade e a honra!

Assim, passam os anos, a sociedade evolui, mudam os costumes mas, é recorrente, a idéia de que os Monarcas e suas famílias possuem  um brilho que os diferencia dos demais. O coletivo humano tem sempre um olhar atento para os membros de uma casa real. Nada é trivial quando se trata de “Majestades”.

Nenhuma casa real tem maior impacto na sociedade Ocidental que a Casa Windsor que retrocede a 1819, com a Rainha Vitória. Num passado não muito distante, alguns personagens reais causaram sensação: em 1936, o Rei Edward VIII, abdicou ao trono para casar com a divorciada norte-americana Wallis Simpson. O mundo a tudo assistiu boquiaberto. Seu sucessor George VI, assume a coroa e reina de 1936  até o ano de  1952.

Sua filha mais nova, a Princesa Margareth, apaixonou-se por um homem divorciado, Peter Townsend, passando a ser alvo de críticas e especulações; pressionada, renuncia ao seu amor e casa-se com o fotógrafo Antony Armstrong-Jones, de quem se divorciou posteriormente, sem ter encontrado a pretendida felicidade.

A Princesa real Elisabeth, primogênita, terceira na linha de sucessão,  que se tornaria a Rainha Elisabeth II, casa-se em 1947, na Abadia de Westminster com Philip,  único filho varão e, quinto e último filho do casal Príncipe André da Grécia e Dinamarca e da Princesa Alice Battenberg. 

O noivo, de origem Greco Dinamarquesa se torna Duque de Edimburgo; o enlace ocorre no pós-guerra, momento de dificuldades da humanidade. A noiva traja um vestido relativamente simples, ornado com símbolos patrióticos. O casal tem quatro filhos, Charles (1948), Anne (1950) esses antes de sua coroação e, Andrew (1960) e Edward (1964).

Elizabeth Destaca-se como a última Rainha que serviu ao exército Britânico, adorada por seus súditos sucedeu a seu pai assumindo o trono desde 1952, tendo, neste ano de 2012 em curso, celebrado o Jubileu de Diamantes, sessenta anos de seu reinado. 

Príncipes e Princesa, os filhos do casal real, não fogem à regra. O primogênito, Charles Philip Arthur George Mountbatten-Windsor, nascido em Londres aos 14 de Novembro de 1948, é o herdeiro do Reino Unido. 

Constantemente foi relacionado a mulheres, entre elas Georgina Russell (filha do Embaixador do Reino Unido na Espanha); a Davina Sheffield, Fiona Watson, a Lady Sarah Spencer, a Lady Tryon (esposa do terceiro Barão Tyron), a divorciada Jane War. Encantou-se com passista brasileira Maria da Penha Ferreira, a Pinah, entre outras.

Charles protagonizou um dos mais belos contos de fada da atualidade ao casar-se, em 29 de julho de 1981, com Diana Frances Spencer, na Catedral de St. Paul frente a 3500 convidados. A Princesa tornou-se uma das mulheres mais elegantes do mundo, admirada por sua solidariedade, empenho no combate a AIDS e na defesa de campanha internacional contra o uso de minas terrestres.  

Em meio a crises públicas, anorexia, choro, internamentos em clínicas,  o casamento do Príncipe e da Princesa de Gales acabou, oficialmente, em divórcio ocorrido em 28 de Agosto de 1996. Da união nasceram William e Harry. A princesa morreu de forma patética, em Paris, no ano de 1997, vitimada por um acidente de carro que matou, também o seu namorado, o milionário Dodi Al-Fayed e o motorista Henri Paul.

O funeral de Lady Diana sensibilizou a todos. Ocorrido em setembro, foi visto universalmente por aproximadamente 2,5 bilhões de expectadores, caracterizando-se num dos acontecimentos mais assistidos da história da televisão. A Princesa foi uma daquelas criaturas que marcam a sua passagem terrena com brilho próprio. Após a morte de Diana, Charles assumiu de forma oficial a até então amante, Camilla Parker-Bowles, com quem se relacionara quando eram ainda casados e cujo romance trouxe escândalo e sofrimento à casa Real.

Anne Elizabeth Alice Louise, filha única da rainha Elizabeth, casou com Mark Phillips, tenente do exército, na Abadia de Westminster. Acredita-se que, aproximadamente, 500 milhões de pessoas assistiram ao casamento pela televisão. Para as núpcias, celebradas em 1973, foi declarado feriado nacional. Sendo a segunda vez em dois séculos que um componente da família real britânica se casou com um plebeu. A Princesa Anne e Mark Phillips tiveram dois filhos: Peter e Zara, porém se divorciaram em 1992.

Andrew Albert Christian Edward, é o quarto na linha de sucessão, casou e posteriormente divorciou-se de Sarah Ferguson. A Jovem e bonita esposa  enfrentou dificuldades desde o início de sua relação com o filho da Rinha. Juntos, os Duques de Iorque tiveram duas filhas: as Princesas Beatriz e Eugênia.

Aparentemente numa relação feliz, menos ritualista e formal, terminaram por sucumbir às obrigações reais que mantinham Andrew longe da mulher e das filhas, nas Malvinas, servindo a Marinha Britânica. Somando-se à distância entre marido e mulher, as constantes críticas à Duquesa de Iorque feitas por membros da Coroa Britânica.

O Príncipe Edward Antony Richard Louis Mountbatten-Windsor; nascido em 10 de março de 1964, Conde de Wessex, é talvez, o mais “distante” entre os filhos da rainha Elizabeth. Alistou-se como os demais na tentativa de cumprir seus deveres para com o reino, servindo no Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha Real Britânica.  

Desistiu da vida militar por sua dureza, recebendo da sociedade altas críticas e a fama de ser um fraco. Envolvido com produções teatrais, foi relacionado a escândalos e suspeito de homossexualismo.

Diferentemente dos outros filhos da Rainha, Edward não quis um casamento na Abadia de Westminster ou na Catedral de St. Paul. Casou-se com Sophie Helen Rhys-Jones, descendente do Rei Henrique II, de França, na Capela de St. George, no Castelo de Windsor, em 19 de junho de 1999.

 O casal tem dois filhos, Louise (2003) e James (2007). Em 2001 foram vítimas de uma farsa quando um repórter, a serviço de um milionário da comunicação de nome Rupert Murdoch, se passa por um dirigente árabe grava uma conversa nada convencional com a esposa de Edward e ameaça chantagiá-la. Para sanar a crise a casa real permite uma entrevista sobre a vida íntima do casal.

Entretanto e mesmo com jovens herdeiros, nenhum dos netos ou netas da Rainha faz sombra aos príncipes filhos de Charles e Diana. O Príncipe William Arthur Philip Louis, o primogênito, bonito, jovem, simpático no trato com a imprensa, queridinho da mídia, desportista, demonstra gosto e facilidade em futebol, rugby, polo aquático, natação e pigeon shoote, tendo sido capitão dos times de hóquei e rugby, quando na escola de Ludgrove.

William casou-se com Kate Middleton no dia  29 de Abril de 2011 na Abadia de Westminster, com uma lista de 1900 nomes e repercussão na mídia mundial. 

O casamento, semelhante aos dos contos de fadas, mostrou uma noiva mais independente, com pensamento e forma própria na condução de seu relacionamento e, um noivo mais atual, muito embora ainda presente todo um ritual comum a tais ocasiões.   Com as bodas, William passou a ser chamado de Sua Alteza Real o Duque de Cambridge. Kate e seu marido enfrentam, entre outras influências, a tradicional pressão pelo nascimento de filhos. O Príncipe está sendo preparado para ascender ao tono.

Kate tem enfrentado situações vexatórias tendo em vista acontecimento envolvendo Pippa, sua irmã e, também, uma prima distante que posou nua.

Com todo o charme e beleza William não trouxe maiores problemas à Casa Windsor. A pimenta, a notícia excitante, a malícia da intimidade desnudada fica por conta de Harry Charles Albert David, de apenas 27 anos, que tem sacudido o fleumático Reino Unido com a sua não convencional maneira de ser.

Terceiro na linha de sucessão do trono do Reino Unido,  HARRY INSISTE EM DESNUDAR-SE. Aos 17 anos teria sido acusado de abusar de álcool e ter consumido maconha. Como toda e qualquer sociedade, a Inglesa, abalou-se ante a notícia . Muitas foram as críticas e, também, as demonstrações de solidariedade, vinculando o fato aos acontecimentos que cercaram o desenvolvimento do Príncipe.

Num contexto de pressão, sofrimento dos pais - presos a convenções e normas ditadas pela casa real -, a anorexia de sua mãe, os falatórios, traições, separações, enfim, a aparente situação de desacerto que cercava a sua família primeira.

Posteriormente se viu Harry, aos 20 anos, novamente, dando margem a polêmicas e produzindo mal estar não somente à tradicional sociedade Britânica, mas a grande parte do Ocidente, ao se apresentar fantasiado com um uniforme nazista, ostentando, presa à manga de sua camisa, a famigerada Cruz Suástica.  

Agravada a desastrada escolha pelo fato de que, tal acontecimento ocorreu poucos dias antes da homenagem que a Rainha Elizabeth faria aos sobreviventes de Auschwitz, em recepção a ser realizada no Palácio Saint James por ocasião do Dia do Holocausto, aos 27 de Janeiro. Na ocasião foi divulgado um pedido de desculpas do Príncipe. 

Sempre sociável, disposto a viver a vida de acordo com a sua idade, Harry, gozando férias nos Estados Unidos, patrocinou e/ou participou, recentemente, com amigos e algumas garotas, de uma festa privada numa suíte VIP do hotel Wynn, aquecida à base de coquetéis, licores e champanhe..., com muito riso, suor, sexo e, uma indiscreta câmara fotográfica, possivelmente de uma das mulheres. 

As fotos mostram a nudez de Harry, seus amigos e as garotas, assim como os contatos físicos e as brincadeiras. Não são posadas, ou artísticas e sim naturais obtidas em momento de privacidade entre adultos. Algumas desagradáveis, outras nem tanto.

As redes sociais detonam fotos e mais fotos. Os “sebosos” permanentemente de plantão se esmeram em produzir textos os mais escabrosos possíveis. A imprensa especializada em escândalos, se delicia com o novo filão aberto. Cresceram as vendas. A plebe rude delira. As propostas descabidas e cretinas ganham dimensão na medida da coragem de seus portadores. A realeza em polvorosa. Mais um escândalo provocado por membro da casa Windsor. Novamente Harry. 


A Rainha se encoleriza, o príncipe consorte, recentemente saído de um hospital, participa e se integra ao doloroso momento; o pai, primogênito da casal real, deixa suas ocupações e junta-se ao grupo.  Ele, o Príncipe destoante, que fora  rapidamente reconduzido de  sua catastrófica diversão, foi admoestado em família no Castelo de Balmoral, na Escócia.  

Mas o que aconteceu? Harry cresceu. O patinho feio tornou-se um homem bonito. Sua virilidade é consciente e faz  aflorar sexualidade.  As fotos não deixam dúvida, o corpo definido do piloto de helicópteros certamente fez a fantasia de muita gente. Não se surpreendam. Creio que a partir dessa  estrondosa farra, realmente, matronas inglesas e de outros países, jovens senhoras e moças casadoiras, dispensarão ao Príncipe um novo olhar. Mais atento. 


Nada mais natural a um homem jovem que se entregar aos prazeres da vida, dentre esses, o sexo. Como ocultar a facilidade e afluência de mulheres e homens sobre ricos e famosos, celebridades do mundo fashion, da sétima arte, da televisão, dos esportes e de tantas outras facetas da sociedade.

Harry, segue seus impulsos naturais. É até mesmo muito contido, educado que foi para não escandalizar mas, humano e, portanto, passível de se deixar levar por “fraquezas”. 

Porém algo mudou no Reino da Inglaterra. O Príncipe divertia-se na companhia de mulheres e homens, adultos, donos de suas vontades. A cidade, Las Vegas, conhecida como o símbolo da diversão adulta. Na suíte VIP – portanto dentro de quatro paredes, abrigavam-se pessoas que ali estavam porque queriam estar. A diversão não foi imposta, os participantes por decisão própria buscavam satisfação, farra. As imagens  obtidas através de uma conduta desprezível. Harry não se expôs fazendo sexo numa rua escura, num parque, numa piscina ou em qualquer local público. Sua privacidade foi invadida, suas imagens lhe foram roubadas.

Os súditos entenderam. Em pesquisa realizada pelo Sunday Times, 68% dos que foram consultados não reprovaram a atitude do Príncipe. E, inclusive, 75% ratificaram seu conceito positivo sobre o jovem piloto de helicópteros da Força Aérea Britânica.

Membros do exército inglês se deixaram fotografar despidos em solidariedade à Harry. Jovens ingleses e de toda a parte do mundo, posam desnudos identificando-se com o Príncipe ruivo traído em Vegas. Até mesmo os tablóides ingleses que publicaram a notícia omitiram as fotos. A exceção do The Sun que, inclusive, fez uma montagem posterior, de uma estagiária e um editor imitando Henry.

O mundo político acostumou-se, ao que parece, com governantes apáticos, assexuados. Assustou-se com a renúncia de um Rei apaixonado; ficou perplexo com o sentimento arrebatador do Príncipe Rainier pela atriz americana Grace Kelly; foi perturbado com a revelação das gotas de Chanel nº. 5 vestindo Marilyn Monroe, para o deleite do Presidente Kennedy; rejeitou outro membro do clã Kennedy que ousou envolver-se com a secretária;  repudiou Clinton que mostrou ao mundo a possibilidade de lidar com grandes questões sem tornar-se impotente. E, em promissoras previsões, divide-se ante a nudez de Harry.


Mais sinceridade. Mais verdades. Bem melhor a nudez de um Príncipe que as constantes investidas e maledicências sobre a masculinidade de membros da família real. O adulto tem o direito de exercer a opção sexual que entender. Sou mulher, natural e conscientemente fiz minha opção pelo sexo oposto, ou como disse Juca Chaves, o Menestrel maldito, o ideal.

Celebremos, o Príncipe está vivo ! Vivíssimo. Só nos resta esperar que ele honre sua família, seu nome, sua natural disposição sexual. 

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O QUE FAZER NA VIDA?

 COISAS BOAS!

Celebrar a vida com alegria e esperança,  absorver e por em prática boas idéias. Alegrar-se com  a poesia  viva de nosso saudoso Gonzaguinha que nos deu um fantástico testemunho, cantando:  " Viver! E não ter a vergonha de ser feliz. Cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz...". Ter a certeza de que o aprendizado arrasta-se por toda a nossa existência e, com um pouco de sorte, talvez, identificar o que realmente legitima a nossa passagem por onde quer que possamos ir. 

Assim, buscar e determinar algumas coisas que tornem a nossa caminhada mais rica, mais proveitosa é algo a por em prática. É lógico que não existe um padrão estático de mais valia. Não quando se fala em existência humana, com suas experiência e emoções; inclusive, e Graças a Deus, o ser humano não nasce com manual de instruções. 

Seríamos tremendamente chatos e monótonos se fôssemos iguais em nossa maneira de ser, pensar, agir e  reagir.  Cada ser humano possui uma maneira particular de atribuir ou não importância aos acontecimentos, aos fatos, aos lugares, as pessoas e, também, de manifestar-se.  

Desse modo acredito que alguns aspectos são relevantes e legítimos para compor a nossa bagagem terrena, embora percebidos, pensados e vivenciados de forma única, por cada indivíduo. Com certeza há muito o que ser resgatado e feito por cada um de nós. A exemplo:
  
RELEMBRAR -  Por mais simples que sejam as nossas lembranças, como extasiar-se revendo um lugar que não é mais o mesmo; ou uma praça onde brincamos enquanto crianças, aonde tivemos os nossos primeiros flertes e que, mesmo não mais guardando qualquer semelhança com a daquela época, nos leva de volta ao passado; é algo altamente significativo, parece traduzir as emoções anteriormente vividas. 

Olhar o jardim lembrando de imediato de um gesto, uma oferta, uma flor, uma declaração; observar e ver que um banco na praça faz ressurgir as moças namorando, os homens discutindo política; as  senhoras que, após a missa, rapidamente, repassavam as novidades e, os rapazes ,que trocavam suas impressões sobre as mais bonitas, as mais tímidas, as atiradas, enfim, sobre as moças.


A recordação solene da igreja, que nos parecia enorme, sempre cheia, onde as missas, as novenas, os casamentos, incitavam a nossa imaginação e nos causava, a um só tempo, sensações as mais controvertidas. Lembrar os Domingos onde acordávamos ansiosas e apressadas pois era dia de Missa. Dia de devoção e...novidades.

A escola com suas lembranças cheias de sonhos e decisões tomadas num dia e esquecidas no outro; a magia dos verdes anos, das conversas sobre os amigos, sobre moda, família; as saudáveis ambições que nos levavam a escolher, muito precocemente, o que gostaríamos de ser. A lembrança da vivência, saudável em cada etapa da vida, traduzindo-se em adultos em paz consigo mesmo e com os demais.

As imagens evocadas de reuniões familiares. Festas cujo prazer poderia ser dimensionado pelo rebuliço, pelos preparativos, pela emoção que invadia a todos. As crianças em polvorosa prevendo os docinhos, salgadinhos,  os refrigerantes e os presentes; os jovens preocupados com as roupas, com a presença ou ausência de alguém; os adultos, empenhados em realizar algo que fosse a um só tempo divertido e agradável a todos. Tudo significava alegria.

RIR  - O riso que ecoa enfeitando espaços, sinalizando felicidade.  Aquele que cresce dentro do peito, explode garganta a fora, sacode o corpo e nos causa uma tremenda sensação de bem estar.  O riso, o gargalhar, que embeleza o rosto, suaviza as linhas da face e que, fazendo parte da linguagem universal, privilégio da espécie humana...,  nos remete ao prazer, a alegria, a brincadeira, a troca calorosa de expressões de amizade. 

O riso, que é contido muitas vezes em razão de convenções sociais e que, uma vez liberado adquire uma força libertadora, catalisadora, capaz de tornar o nosso dia mais promissor. O riso contagiante, que embala as brincadeiras entre as crianças, aquece os lares, une os amantes, quebra a frieza e  o protocolo de ambientes , aparentemente,  devotados ao trabalho, a mesmice.  Saibam, ainda permanece a certeza de que "rir  é o melhor remédio". 

SONHAR.  Delicioso poder sonhar. Perder-se em quimeras, viajar sem sair de quatro paredes, se deixar levar pelo devaneio e ver, numa fração de segundos, o passado tornar-se presente, o presente se assenhorear de nossas vidas e, o futuro fazer-se tão próximo que quase conseguimos tocá-lo com as nossas mãos.

Imaginar-se no seu lugar preferido, sem nada para fazer, se deixar levar pela fantasia e, ter novamente consigo, pessoas queridas que já partiram deixando tantas recordações maravilhosas; a imagem de amigos queridos que estão longe, a lembrança de emoções vividas, a projeção de algo que você deseja, planeja, executa mil vezes em seu ideário. Sonhar é voar nas asas da fantasia sem limites de tempo, sem barreiras geográficas, sem censuras. É sentir-se livre.

FAZER AMIGOS. Tê-los, com certeza é um dos maiores tesouros que o ser humano pode possuir. Não falo daquele ou daquela que nos procuram quando estamos bem, quando nossas vidas caminham as mil maravilhas, nossa saúde está excelente, nossas finanças sem qualquer embaraço. 

Os amigos, que nos honram com sua  amizade, aproximam-se quando aquilo em que colocamos os nossos esforços não dá o resultado esperado; quando a saúde parece fraquejar e de repente alguém, em quem confiamos, nos diz ternamente: calma, vai passar. Esses surgem ao nosso lado, em silêncio, naquela hora triste  em que nos despedimos de alguém muito amado, esses simbolizam a verdadeira amizade, são jóias raras.

Esses amigos de que falo são aqueles mesmos que após anos e anos, nos reencontros, emocionam-se, demonstram seu carinho, sua preocupação em saber como estamos e como estão os nossos entes queridos; percebem, carinhosamente, que o tempo passou e só nos melhorou..., mesmo diante de tal incoerência, nos transmitem tanta  confiança, que só nos resta acreditar. 

Enternecer-se com a afeição, deliciar-se ante as recordações, as lembranças surpreendentes e nas quais cada um complementa a do outro, cada amigo citado traz de volta muitos outros, isso não tem preço e torna a nossa existência bem melhor, com qualidade.

APAIXONAR-SE. Sem a supressão dos sentidos que nos despersonaliza e nos torna escravos de uma fantasia. Mas e sim com emoção arrebatadora que fascina e nos leva a visualizar o objeto de nosso desejo de forma mítica, inigualável. A sensação gostosa, que desalinha pensamentos, acelera a pulsação, que nos faz desejar construir uma história, a nossa história, ao lado do outro e que, quando termina, deixa aquela doce lembrança, recorrente, até que chegue um novo amor.

E a nova paixão, como será? O que acrescentará ao nosso coração carente, sonhador? Pouco importa. Apaixonar-se, ter a sensação de que ama de forma absoluta, incondicional, se deixar levar por um novo sentimento, tão nosso conhecido; sentir de novo e imaginar “nova” a paixão;  fazê-la única à semelhança do sol que a cada dia “nasce novo em cada amanhecer”; tornar inesquecível um abraço que, o tempo inexoravelmente corroerá, pensando em ser único aquele amor porque atual e, mais tarde, lembrar que, em matéria de paixão, algumas coisas jamais mudam. 

Apaixonar-se é essencial, dedicar-se com intensidade  a aquilo a que nos propomos realizar; defender ardorosamente aquilo em que acreditamos; sermos apaixonados e vivermos apaixonadamente,  bem que vale a pena, até porquê já sabemos, graças a Roberto Freire que: “Sem tesão, não há solução”, isso para os que “sentem desejo pela alegria, beleza pelo desejo e alegria pela beleza”.

AMAR – Ah o amor. Aquele que é realmente incondicional e que nutrimos por tudo que nos é caro. Nossos filhos, nossos pais, nossos irmãos, parentes e amigos, nos enche de bons sentimentos, bons propósitos e atitudes. O amor  por nossos "companheiros"que nos leva a comportamentos  inusitados, a renúncias sequer cogitadas, a sacrifícios nunca pensados e que nos flagra falando ininterruptamente sobre a mesma criatura. O amor harmoniza as pessoas torna-as melhores, mais felizes. 


Esse sentimento gratificante que desconhece padrões sociais, sexo, cor, idade, tem por tônica a capacidade do ser humano de se doar, de se deixar invadir pela presença do outro, tecendo elos invisíveis que os une.

O amor que nos faz sentir necessidade de dar carinho, de agradecer a Deus pelas dádivas diárias, remove montanhas e coloca o riso em nosso rosto ainda que haja motivos para não fazê-lo. O amor que nos trouxe ao mundo, que nos leva, permanentemente, a tentar melhorá-lo. O amor que nos faz ver a beleza das flores, do mar, da música, do canto dos pássaros, do amanhecer, do crepúsculo, do orvalho, da chuva, da poesia. O amor que deu a nós, mulheres, a condição de ser mães e que nos deu Maria por nossa mãe e , ainda, a cada uma de nós, uma mãe para nos ensinar, fundamentalmente,  a amar.

CRER – A crença, para a qual direcionamos a nossa atenção, os nossos mais transformadores esforços e que pode ser exercida em relação a nós mesmos ou enfocando o Divino. A fé que cada um tem em si mesmo é a confiança, materializada em  atitudes, é a crença em nosso potencial, na nossa capacidade de conquistar aquilo que desejamos,  de realizar sonhos e desejos, essa é a fé que nos faz acreditar que  seremos vitoriosos, quer  individual ou  socialmente, como profissional ou como cidadão, como homens e mulheres motivados ao progresso,  ao sucesso.  

A Fé divina, é aquela que nos  revigora, eleva, enche de paz,  nos irmana  como membros de uma só família. É o exercício continuado que impulsiona a sermos melhores, a olhar o outro com mais cuidado, a tentar ver, em cada um,  o nosso próximo mas, tão próximo,  que só nos inspire amor. 

A fé que nos leva a dependência do amor de Deus é a fé divina. É a certeza de que nunca estamos sós e que, nos momentos mais difíceis de nossa vidas, estaremos sob a proteção de um Ser Superior a nos inspirar na superação de todas as dificuldades. É o aflorar da espiritualidade que independentemente do credo, traz consigo conscientização, humanização, harmonia, amor.

RESPEITAR - Ter respeito à vida, às pessoas, às diferenças, às crenças, às opções . É possível que o respeito seja um dos maiores valores da humanidade e que ratifique a muitos outros. O mundo atual com sua costumeira pressa, por vezes põe em prática atos de desrespeito que, inevitavelmente, resultam em desequilíbrio social. Todavia, ter respeito é portar-se com ética, é contribuir para que haja compreensão entre posições divergentes de modo que não ocorra  imposições geradoras de insatisfações.


Lembrar, sempre, que nenhum de nós é o dono ou dona da verdade é um excelente começo para exercitar o respeito ao próximo. Conviver com o diferente sem alardes, críticas, repudio; fixar em nossas mentes que, embora não possa falar sobre nossa maneira de ser, as crianças em tenra idade, os animais, os muito idosos,  são dignos e merecedores de nosso respeito e que, a discriminação, os maus tratos, as punições, são aspectos que denigrem, envergonham e brutalizam a convivência humana.

Assim, a capacidade de rever pessoas e fatos, de relembrar situações de grande emoções e ou mesmo corriqueiras que tomam uma conotação diferente com o passar dos anos, a possibilidade de externar a alegria através do riso, de abraçar fortemente aos entes queridos e amigos, o viver amores e paixões, o manter inabalável a fé o respeito a humanidade ....essas coisas com toda certeza dão qualidade, marcam a vida tornando-a digna de ser vivida.


sábado, 28 de julho de 2012

SEXAGENÁRIA OU SEXY ?

REFLEXÕES AOS SESSENTA.
UMA VIDA!

Sempre me questionei dos sentimentos que cercam as pessoas à medida que vêem o mundo mudar a sua volta. Indagar e escutar explicações interiores foram rotinas em minha existência. Pedir e agradecer, também. O riso frouxo, a veia cômica sempre pulsante, lado a lado com o choro fácil, a tendência ao drama, à tagarelice em contraponto a responsabilidade, a persecução de objetivos são traços de minha personalidade.

Dentre as minhas convicções uma se sobressai. A certeza de que, ao nascer mulher, a natureza me ofertou a grande opção de minha vida. Sempre me senti perfeita nessa condição. Jamais tive preocupações estéticas que viessem a tirar o brilho dessa maravilhosa experiência. Vivi, a cada tempo, todas as emoções que o gênero feminino coloca ao alcance de seus membros. 

Amei e fui amada. Acalentei dentro de mim o amor Eros. Vivi a paixão dos verdes anos e, sem traumas, consegui ir transformando sentimentos, tornando-os maduros, quase sem arroubos. Fieis as mudanças do corpo, da psique e da alma. Não existe, nesse contexto, feminil, emoções sadias e maravilhosas que eu não tenha experimentado.

Perto dos  catorze anos tive o meu primeiro namorado. Quase platônico. Assim o digo porque admitir, para mim, que estava namorando me deixava envergonhada. Esse início vivi em Santa Rita, minha pequena cidade natal. A gruta onde tantas vezes rezei pedindo a Nossa Senhora de Lourdes, Paz, Saúde e Amor para meus pais, meus irmãos e todos os meus familiares, ouviu também minhas preces compatíveis com a minha idade, com a minha Fé.

Pedi, inúmeras vezes a Santa pela Paz Mundial, pelos pobres, pelos doentes e tive, secretamente, o hábito de olhar naquela direção todas as ocasiões em que me senti, por algum motivo, desassossegada.


Desse modo elevei meu pensamento a Nossa Senhora de Lourdes rogando que não deixasse meus pais tomarem conhecimento de que eu estava namorando. Ou mesmo, me indagando sobre o fato de que tê-lo deixado pegar em minha mão pudesse me impedir de receber a Sagrada Eucaristia. O meu mundo era realmente muito diferente dos dias atuais.

Cresci. Conclui meu Curso de Direito. Casei. Me tornei mãe. Me divorciei e casei novamente. E, de repente, sessenta anos, bem vividos. Onde a tônica tem que ser o AGRADECIMENTO. Sim porque vinda de PAIS maravilhosos. Simples, honestos.

Ele, homem que iniciou sua vida como agricultor e, aos dezessete anos viu partir o seu genitor, sofreu o golpe e continuou sentido sua perda até o dia em que ele também se foi.

Ela, filha querida de um autodidata, um homem simples, modelo de honestidade e que, numa visão rara para a época a levou para estudar em colégio interno, de onde, segundo suas palavras, sairia professora e não dependeria de um marido para sobreviver.

Mas, falar sobre eles daria não uma página, duas, três....se faria necessário o resto de meus dias e quiçá a eternidade. Sim, pois a graça de ter nascido filha de Álvaro e Luzia, com certeza absoluta traçou o meu caminhar, a minha forma de ver e entender a vida. As falhas, debito-as ao livre arbítrio, as minhas possibilidades de decidir entre essa ou aquela atitude.

 O amor, a confiança, a dedicação e a paciente insistência que dedico as minhas metas podem ser atribuídas a herança genética e social dessas maravilhosas criaturas. Os erros não. Foram e são exclusivamente meus. Fazem parte de minha aprendizagem, meu crescimento como eterna aprendiz.

Entretanto e mesmo com a origem abençoada com que fui agraciada por Deus, a minha grande conquista não se revela nas razões de um pedido deferido, de um recurso provido, de uma unanimidade obtida. 


Não foi com a “beca “ a minha maior e melhor performance Com absoluta certeza o ápice de honrarias recebidas aconteceu para mim quando me tornei mãe. Este é o meu tesouro. Esta é a justificativa para a luta diária, para o progresso interior, para valorizar cada momentos, cada dia.

Nesse contexto extremamente pessoal, ser mãe sempre foi um desejo em minha existência. Desde muito cedo resolvi que se não me tornasse mãe biológica, seria por adoção. Porém não necessitei recorrer a adoção. Deus me fez mãe. Os meus filhos, dois, um homem e uma mulher. Cujo pai, Charles, não mais está entre nós. Sadios, inteligentes, amorosos, lindos aos meus olhos. Tudo o que uma mulher pode idealizar em relação à maternidade.

Primeiro, aos 28 anos, já considerada prímipara idosa, tive a felicidade de ver nascer Fred, meu filho primogênito. Nessa hora passei a dimensionar a palavra com outro significado. Eu que me acostumara a ser filha, mãe, tia...me transformara em mãe. 


Aquela criaturinha pequena, indefesa, sangue de meu sangue, carne de minha carne, trouxera para mim a mais forte experiência que se possa imaginar. Neste período vária pessoas foram importantíssimas, entre muitas: uma médica amiga, neo-natal, de nome Eugênia Emília; uma amiga transformada em mãe de leite, Ana Gláucia; “Maria Jorge” uma Senhora que há muito trabalhava na minha família e que por sua amizade e dedicação tornou-se uma grande amiga de todos nós; minha mãe, Luzia, amiga número um e companheira de todas as horas e muitas outras, familiares ou não.

No primeiro ano, como mãe, vivenciei os medos característicos de mães de primeira viagem; fiquei maravilhada ao menor gesto, ao primeiro sorriso. Com emoção vi que já se virava no berço, que já se sentava, que dava os braços pedindo colo, os primeiros passos. Tudo era beleza ante os meus olhos, tudo era festa para o meu coração.

Ao batizá-lo o vesti de calça comprida em cetim, camisa de manga longa e nervuras no peito e, uma linda gravata borboleta. Correu a Igreja toda, chamou a atenção, sorriu com o sal e chorou com água gelada da Pia Batismal enquanto os Padrinhos, Paula e Fernando sorriam apresentando-o a Comunidade Católica.

Assim foi com Fred, a quem o Pai chamava de Campeão ou de Vida e tantos outros nomes carinhosos. Mas o tempo passou, a criança cresceu, o menino sonhador, criativo, capaz de mergulhar horas num mundo imaginário povoado por criaturas fantásticas, onde a aventura o transportava, dando-lhe contentamento, paz,  se desenvolvia a olhos vistos
Um belo dia descobri: meu filho cresceu, é um homem. Constituiu sua família, trouxe-me mais uma filha, Lílian por quem agradeço todos os dias, pedindo a Deus que abençoe cada dia dessa menina que se tornou a mãe de minhas netas. Lílian, nora que em nada segue os parâmetros tradicionais de rivalidade. Uma pessoa querida, incentivadora de novos desafios, uma grande mulher. Hoje, quase transformada apenas na Mãe de Ceci e/ou, na Mãe de Carol, pelo menos para os mais novos da família. Com a chegada de Lílian veio também um novo status: virei avó.

No ano de 1982, mais uma vez fui transportada a um mundo cheio de amor, ternura, cuidados e zelo. Nasceu a minha boneca. Minha filha. Desde o seu nascimento caí de amores por aquela criança de rostinho redondo, olhos grandes e uma boca que de tão vermelha parecia ter nascido de batom. Luzia, este é o seu nome, fechou meu ciclo reprodutivo e o fez em grande estilo.

Nasceu no sertão da Paraíba, viera ao mundo quando, no oitavo mês de gestação, resolvi passear e visitar minha irmã em Santa Luzia. Sua chegada foi um tanto tumultuada, nasceu em Piancó, alto Sertão. Era tão linda que emocionava, foi crescendo e mostrando que além de linda era inteligente, comunicativa, carinhosa e tagarela. Foi batizada em Santa Luzia, vestindo uma linda camisa de batismo – branca e toda bordada. Seus Padrinhos José Álvaro e Lúcia, meu irmão e sua mulher a quem até hoje devotamos amor e carinho.

Foi crescendo, sempre cercada de primas e amigas, corria a vontade com Luíza, Juliana, Ana Zéa. Mas havia alguém que se destacava no quesito cumplicidade: Kaline, a prima com quem dividia meus perfumes, falava em código, comungava do mesmo medo de desconhecidos e da preocupação de perder entes queridos. Entre as amigas Virgínia, Lílian, Regina e Michelle. Nesse universo havia espaço para meninos, o seu irmão Fred, seu primo Alvinho, nossos vizinhos Moisés e Jorge e um pouco mais tarde Leones (Léo) que se tornaria cunhado de Fred. Hoje, lembro das vezes que enchi o carro para levá-los a um show e, na madrugada, ir buscá-los. Sempre, prazerosamente.

A menina transforma-se numa mocinha. Primeiro, houve um comportamento compatível com sua idade. Como todas aprendia músicas, adorava os “Mamonas Assassinas”, falava em paqueras. Namorar mesmo nunca me deu problemas. Um namoro rápido com um primo e vários anos tranqüila. Fiquei muito agradecida a Nosso Senhor. É que eu quando mais nova gostava, “só um pouquinho”, de namorar. Luzia, foi a adolescente que toda mãe deseja.

Já uma moça, continuou dando alegrias a mim e ao Pai. Fez sua Faculdade, concluiu seu curso e, casou. Ganhei mais um filho, Léo – Leonardo, quem o conhece sabe que não preciso gastar palavras para dizer quem ele é. Costumo dizer que é puro, diferente. 


Um rapaz bonito, sorriso largo, inteligente, dotado de uma força moral demonstrada desde o primeiro contato. Um genro que não precisou se esforçar para ser visto como um filho. Uma pessoa querida a quem entregar minha filha, um dos maiores tesouros da minha vida, foi como aninhá-la em novo e protetor abraço.

Entretanto não haveria justiça nesta reflexão se aqui não fossem incluídos os meus irmãos. Pessoas a quem dedico um grande amor. Diferentes entre si e tão iguais no trato das grandes necessidades, na afetividade e na certeza de sermos a síntese dos anos de dedicação, carinho, amor. Afeto responsável, capaz de dizer sim quando deveria e, dizer não, quando se fazia necessário. Meus irmãos, sobre quem eu costumava brincar, atribuindo aos dois primeiros às características marcantes de serem: a primogênita e o “filho homem”. Eu, a terceira, dizia, entre risos, que era fruto do   descuido, aquela que viera sem ser planejada, numa época em que o planejamento familiar era feito com a famigerada tabela.

Bom, independentemente de tal fato jamais me senti menos amada de que meus irmãos mais velhos ou mesmo do que os mais novos. Sim, porque somente para que eu não fosse a última – fechasse o ciclo da reprodução – vieram mais dois Eu me tornei a do meio. Algumas vezes ouvi minha mãe dizer: “vocês mais velhos já estão bastante crescidos para fazerem uma besteira dessa” e, no dia seguinte ouvia: “vocês, os três, são muito pequenos para tomarem decisões.....”, nessas ocasiões não conseguia processar no meu cérebro se eu já estava crescidinha ou se era uma pirralha. Dúvida cruel.

Assim são os meus irmãos, Paula, a mais velha, naturalmente séria. Competente em todos os segmentos de sua vida. Capaz de dedicar-se com afinco sob os processos da Defensoria Pública como se fosse à última chance dada na vida daquele que está sob a chancela da Lei. Sua capacidade de doar-se como mãe e mulher tornam singular o seu casamento, tendo na figura de Fernando um pai amigo para suas filhas, carinhoso, uma pessoa digna.

Suas filhas, adultas, conscientes e a exemplo de seus pais com Formação Superior sendo, respectivamente a mais velha, Representante do Ministério Publico - Fernada; a segunda, Veterinária com Doutorado - Giovanna e, a mais nova, com formação superior em Ciências Contábeis e em Ciências Jurídicas e Sociais, com Doutorado - Gabriela. Criaturas maravilhosas as quais sinto-me honrada por tê-las como sobrinhas, respeitando as características de cada uma, que vão da generosidade, passando pela saudável sagacidade e, finalmente pela persistência e competência. Assim são essas grandes garotas.

Meu irmão José Álvaro. a quem dedico um profundo sentimento. Irmão, amigo, protetor e companheiro. Sempre contei com ele nos momentos de grandes dificuldades em minha vida. Um ser humano fantástico, de memória seletiva ou, como dizem os filósofos, de esquecimento seletivo. Capaz de esquecer muitas coisas para lembrar apenas o que é importante, o que lhe é significativo.

José Álvaro que na sua missão de salvar vidas, no exercício da Medicina, conseguiu vencer sua própria natureza. Menino avesso a tudo o que denotava sofrimento. Incapaz de suportar a visão do sangue, de enfrentar as dores alheias ou as de sentido próprio. Amado e festejado não só por familiares. Na rotina de agradecimentos pessoas simples, idosos e idosas, abandonados da sorte, filhos de ninguém, criaturas de Deus, sempre com uma prece nos lábios, com boa vontade e amor no coração colocando o “Doutor” em verdadeiros pedestais por ter, em algum momento aliviado o sofrimento, ajudado a preservar dignidade, a funcionalidade, a vida

 O meu irmão cujo registro nesses sessenta anos revela responsabilidade, zelo, carinho e, acima de tudo, amor à família, aos seus, e aos que dele necessitam. Sua prole, filhas e genros, filho e nora, neta e netos, representam a continuidade da história familiar, uma marca indelével onde se repete, também, a trajetória dos pais. Nessa parte do núcleo familiar uma tendência dominante, a presença de uma Advogada/Enfermeira - a nossa Ana Carolina, cujos olhos lembram um riacho de águas claras;  uma Contadora, Ana Zéa - cujo sorriso de menina  desarma qualquer pessoa,  e um Advogado - Álvaro Neto, ex- amante de vaquejada e ora atual marido de Neudja e pai de Alvinho. Todos, brilhantes e promissores.

Socorro, minha irmã mais nova, Centrada, extremamente competente, dona de um senso de justiça que extrapola, em muito, o que se vê rotineiramente. Os seus olhos, grandes e castanhos, desde criança refletiram o grande amor que há em seu coração. Por vezes e aparentemente exigente, se o é,  inicia consigo mesma posto que perfeccionista. Como rotina busca dar o melhor de si. Sempre primando pela ética.

Nossa família, multidisciplinar no quesito profissional, com. Socorro abriu sua excursão na área de exatas. Engenheira Civil, buscou no Serviço Público Federal a sua realização. Desde a mais tenra idade demonstrou firmeza de caráter e senso de justiça. Incapaz de um gesto vazio, minha irmã sempre exigiu de si muito mais do que dos outros. Diuturnamente comprometida com os seus, com sua convicções.

Hoje, reside com sua família, marido, Carlos e filho, Iuri, em Salvador. É a que se encontra mais distante, em termos geográficos pois, no quesito assistência,  não passa um único dia sem ter contato com nossa mãe. Está  sempre presente, sempre disposta a ajudar. Acolhedora, recebe como poucos. Ser sua hóspede é ter a certeza de atenção e diversão.

Finalmente, fechando o ciclo família temos Fábio. Meu irmão mais novo com características tão próprias. Vai, em segundos da condição de muito amado a de abusado. Dono de um jeito de ser todo diferente não se reprime, fala o que sente vontade, capaz de gestos que nos leva ao desespero e ao mesmo tempo de atitudes amigas, fraternais.

Inteligente, se submeteu e foi aprovado em vestibulares como Engenharia Civil na UFPB, tendo cursado até o quarto ano; Administração, também na UFPB, sem concluir o curso e, finalmente concluiu com brilho na  primeira turma da UFPBA do Curso Superior em Técnicas de Corretagem Imobiliárias.

Irreverente é pai de Luíza, Juliana, Júnior, Daniela, Fabiana, Ana Carolina, Isabela, Mariana e Rachel. Sua prole, diga-se de passagem, agraciada com a beleza, reflete seu universo diferente, onde as paixões correram soltas. Meu irmão é assim, caracteristicamente extremista, com padrões de comportamento próprios, mas nem por isso menos amado.

Ao longo desses anos colecionei amizades. Pessoas queridas, parentes ou não, tias, tios, primas, primos com quem contei ou conto em momentos de amenidades, de necessidades, de alegria ou de sofrimento. Cada um com o seu modo de ser. 


Da época de menina destaco Fátima, uma prima muito querida e Silvana, também prima que, inclusive morou conosco. Da adolescência, Neuman, minha tia quase irmã. Dos colégios destaque para, Valdenise e sua irmã Eliane, no Colégio Nossa Senhora das Neves; Rosângela, Lúcia oliveira, Franceclaire, Ivynha no Colégio Lins de Vasconcelos. As demais perdoem minha falta de memória.

Em minha casa, já dona de minhas decisões me tornei amiga de uma pessoa fantástica. Uma senhora da idade de minha mãe, Maria do Carmo Moura, esteticista e dona de um enorme coração e que me ajudou na vigilância diária uma vez que o trabalho me mantinha de certa forma longe de meus filhos mais tempo que o desejado. Como domésticas amigas contei ainda com Helena e Vera.


No trabalho muitas são as pessoas queridas, assim e em razão da proximidade e confiança não posso esquecer Estelídia, Nabor, Graça,  Marcus na antiga FUNDAP;  Salete, Cynthia, Zilka, Rachel, Solange, Souto, Eudes (amigo desde a adolescência) na PGE e tantos que me honram com sua amizade que fica difícil enumerar sem cometer injustiças. Peço desculpas e esclareço que cabem todos dentro do meu coração.

São sessenta anos, neles um registro especial. Há cinco anos acreditava que já havia fechado um ciclo em minha vida. Que num natural declínio não mais havia espaço para outras coisas que não fossem filhos, família e trabalho.


Jamais me senti velha ou acabada. Acreditava sim que já vivera todas as emoções nesse sentido. Mas eis que, mais uma vez, a vida me surpreende. Assim, do nada, como se ouvisse a narrativa da história de outra pessoa me vi envolvida numa nova situação. Eu que já me definia como “aposentada” vi surgir em minha história um novo recomeço.

No final do ano de 2006, eis que surge alguém que passa a fazer parte de minha história. José Humberto é o seu nome. Com ele revivi um aspecto de minha vida que estava adormecido.


Recomecei a viver as situações que envolvem relações adultas. Em minhas lembranças havia a decisão de não casar novamente. Ficara com dois filhos e sempre tive a preocupação de como seria a nossa existência a partir de um novo casamento.

O novo casamento me trouxe um companheiro com virtudes e defeitos semelhantes aos meus. Claro que dois adultos acostumados a decidirem o que lhes diz respeito, invariavelmente, têm que encontrar pontos de equilíbrio para somar na relação. 


Meu marido, uma pessoa maravilhosa e que como todo ser humano por vezes tem atitudes diferentes das que seria a desejada por mim. Nada demais, situações normais que cercam duas pessoas com histórias de vida, formação, interesses e grupos familiares diferentes. José Humberto por nossas escolhas é o meu amor maduro, consciente, acredito piamente que será o meu canto do cisne.

É isso e aqui estou eu. Não vou ser otimista a ponto de definir esta como a melhor idade. Somente sei que me sinto bem. Olho para dentro de mim e não encontro erros que me constranjam, que não possam ser justificados pela conjuntura que cercava a situação. Lógico que foram erros, hoje sei que não os repetiria. Sei também que cada idade tem posturas que lhes são peculiares, as atitudes que tomamos aos 20, aos 30 ou mesmo aos 40, creio eu, jamais seriam repetidas aos sessenta. 


Mais engana-se quem me imagina como uma recatada senhora. Convivo com o tempo conforme ele vai caminhando. Fui menina, fui mocinha, fui jovem, adulta, hoje, idosa diante da Lei. Mas qualquer que tenha sido a época, em todas fui mulher, gênero feminino. Assim, continuo a vivenciar essa dádiva divina. Se não dá mais para usar biquíni, besteira, uso um maiô cuidadosamente escolhido para esconder o que não me favorece e realçar o que realmente me embeleza.

Se não posso usar os adorados sapatos vermelho de salto agulha, troco-os, conservando a cor e adaptando o salto. Se não há como ostentar aqueles maravilhosos decotes, a gente inventa, coloca transparências, uma fenda, um detalhe em renda, o importante é sentir-se bem.


Até porquê se existem limitações decorrentes da idade, nos tornamos mais sábias, Usamos nossa inteligência para driblamos o que possa nos causar restrições. Esse é um aspecto interessante dessa nova fase do nosso viver.

Se os cabelos embranqueceram, deixa-los natural é hoje “chic’. Muitas são as estrelas hollywoodiana que fizeram essa opção. Se antes era sinal de decrepitude, hoje já tem um significado de independência, rompimento com a tirania dos padrões de beleza ditado por salões e academias. Desfilo os meus me sentindo poderosa. Sim porquê aos SESSENTA NÃO ME SINTO SEXAGENÁRIA E SIM SEXY, DE NOVO. POIS SE O FUI AOS TRINTA, HOJE ME SINTO DUPLAMENTE SEXY, SEM OBRIGAÇÕES ESTÉTICAS , SEM MEDO DE SER FELIZ.


Bom essa é a minha análise, se concordam agradeço mas, se discordam  e quiserem expor suas observações estou aberta a ouvi-los.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS

REMINISCÊNCIAS E ATUALIDADES.

Quem nos idos de 1990 deixou de se emocionar com a  riqueza e profundidade de algumas célebres produções de Hollywood? Entre outros, assisti, naquela década, ao filme que considero um dos melhores que já vi. Trata-se do fantástico Sociedade dos Poetas Mortos”, produzido no ano de 1989, que teve a direção de Peter Weir nascido em Sydney, Australia, com magistral interpretação de Robin Williams e, ainda, Ethan Hawke. O filme se passa nos anos 50, trazendo um ex-aluno, que se tornara Professor de Literatura na Welton Academy, uma escola secundária e tradicional.
O Mestre, cuja visão de ensino repudia o método ortodoxo até então  empregado pela instituição, mostra-se, desde o início, avesso à rigidez de uma educação meramente destinada a repetição do que era ensinado. Nesse contexto o aluno era moldado segundo o seu educador. Não havia ambiente para o lúdico. Amoldar-se ou não a tradição era a diferença entre “ajustado e desajustado”.

O jovem professor, que confidencia aos alunos o seu desejo de ser chamado “Oh! Captain! My Captain lança um novo olhar sobre a vida e a educação, motivando-os a refletir sobre o que lhes era repassado. O filme evoca a emoção, os sentimentos verdadeiros que emergem dos textos e dos autores, provocando o alunado com a finalidade de torná-los, verdadeiramente, aprendizes na arte de viver.
Os alunos, adolescentes, cheios de vida e curiosidade, encontram naquela visão diferenciada a ruptura com um sistema acadêmico retrógrado,  autoritário que complementava a visão familiar dominante na sociedade. A simbiose da escola com o núcleo familiar podava os jovens, impedindo-os de florescerem diferentemente de seus pais. O mesmismo condenava-os a reproduzirem entendimentos, comportamentos e situações pré-estabelecidas.

Um marco, um divisor de águas, a Sociedade dos Poetas Mortos, retrata, também, um professor diferente, compromissado consigo e, com seus ideais. Um desbravador que se coloca lado a lado com os seus pupilos. Que emociona e se emociona a cada revelação obtida a partir das sugestões oferecidas e dos caminhos escolhidos. Há para o espectador a sensação de que o mestre vai construindo o seu saber juntamente com os alunos, a troca de conhecimentos, de experiências, é palpável.

O encanto, o entrosamento do mestre com seus alunos são compartilhados com a platéia quando, John Keating – Robin Williams, fala sobre a Sociedade dos Poetas Mortos. Coletividade na qual para se ter acesso, teria o candidato que ser um leitor freqüente, produzir versos, reunir-se para aprofundamento e deleite dos seus membros. O contraditório estava no fato do mestre, ex-aluno da escola, recusar-se a  dar  continuidade   aos   métodos   ali  utilizados; criar a sua própria metodologia, estimular sentimentos cunhar emoções, abandonar conceitos e preconceitos dominantes na sociedade.

Surpreendente no seu desenrolar, o filme dá aos alunos a sensação de que devem viver o dia de hoje como se fosse o último de suas vidas, com emoção. - “Carp Diem” propõe o Mestre. O mestre sugere a quebra de protótipos educacionais, John Keating, propõe outra conjuntura e mudanças de conceitos sobre o universo;  tece um  paralelo entre a vida efetivamente vivida e a ideal, aquela que todos deveriam viver. Acende no emocional, de cada um, concepções diferenciadas, sentimentos novos, idéias novas.


 O traço da tragédia fica por conta da morte do personagem Neil Perry, que sai de cena exatamente quando a vida lhe oferece probabilidade de proveito a cada momento, cultivando afinidade direta com a frase já referida: Carpe Diem (aproveite o dia). 
Ela é imolada em suicídio sob o pretexto mais fortemente narrado no filme, à brutalidade versus a vontade individual, essa, acrescida às injunções profissionalizantes, educacionais, capitalistas,  que  caracterizavam, já naquela época,  a sociedade global mundial.
Durante todo o espetáculo, é mostrado o valor das emoções humanas que se sobrepõem aos limites impostos pela sociedade, o valor atribuído a cada um é em razão de sua essência e não em aceitação a regras cegas, é o rompimento com o estático para que ocorra a renovação.
 Todavia, a manifesta transgressão de princípios, desvendada como sendo a linha mestra da história, entra em rota de colisão com a própria constituição da Sociedade dos Poetas Mortos, pela obrigação da leitura, da produção intelectual, da discussão com data e horário previamente definidos, numa sociedade cultuadora do intelecto, portanto e coerentemente, de livre acesso e permanência, sem metas a atingir.
A Sociedade ressalta criações de poetas famosos bem como dos participante/personagens, que se tornam inovadores e incitadores de atuações e pensamentos. Discutindo e analisando famosos, a Sociedade avalia o poeta Norte-americano Walt Whitman, precursor do verso livre naquela nação, utilizando para si a fala do poeta que chamava o  “captain” referindo-se a  Abraham Lincoln. Ainda, entre os grandes são citados no filme Shelley e Shakespeare.
A beleza do filme apenas é superada pelo extraordinário trabalho de Robin Williams que transforma um professor atemporal, atípico e contraditório numa figura humana incomparável, capaz de arrancar de dentro de nós momentos mágicos de emoção e prazer. Seu rosto, seus gestos e expressões levam o espectador a mergulhar naquele universo, a se transformar num adolescente, rompendo barreiras, reconciliando-se com suas aspirações e naturais sentimentos de rebeldia.

O ator, de inigualável atuações, nos conduz a um mundo novo. Com ele caminhamos floresta adentro, com a sensação do frio rodeando nosso corpo, quase podemos sentir a brisa suave soprando em nossos ouvidos. Os passos sobre folhas secas produzindo estalos e sobressaltos. A companheira inseparável de Keating, a liberdade abrindo suas portas acolhe os caminhantes em clareiras, cavernas e, sob luz tremulante, permite  que se desarrolhem os ouvidos da alma, que se colham a verdadeira poesia, bebendo da fonte primeira, a natureza, que envolve poetas e poemas, derramando  gotas mágicas de sentimentos.
É tão forte o envolvimento, ator, personagens e espectadores,  que nos vemos “presentes” , sofrendo com a pressão exercida pelo genitor do jovem Neil Perry, ao tomar conhecimento da decisão em seguir seus sentimentos, tornar-se um amante das letras, um poeta. A truculência da ameaça de tirá-lo da escola e matriculá-lo no colégio militar, leva-o por fim em sua vida. Nessa hora sentimo-nos impotentes e frustrados pela impossibilidade de mergulhar na história, modificar esse acontecimento que burla a nossa expectativa de que tudo vá mudar.
John Keating nos leva a repensar a nossa técnica pedagógica, o modelo de escola desejado e, especialmente, sobre a formação de cidadãos conscientes, coerentes, integrados, comunicativos, que se apercebam de suas potencialidades e percebam os demais. A proposta é construir criaturas humanas que não sejam permanentemente tolhidas em suas emoções e que possam exercitar suas emoções, seus sentimentos sem culpa, sem medos.

MAS, NÓS TAMBÉM TEMOS A NOSSA  SOCIEDADE DOS POETAS  MORTOS.

Nela encontramos beleza, amor, dor, perdão, paixão e afago entre tantos sentimento e emoções que a enriquecem. Poetas eruditos, cantando o amor, a liberdade, a arte, a vida. Poetas que conviveram com a morte como se essa fosse a sua amante, sua companheira. Poetas que não freqüentaram escola, academias ou quaisquer outras instituições. Poetas matutos que usam uma linguagem colorida, afetiva em cordéis ou não. Poetas que sequer sabiam ler mas que distribuíam versos e amor em palavras simples e sábias. Poetas bem vestidos, limpos, lavados. Poetas sujos, trazendo nas vestes e no corpo a areia das noites mal dormidas nas praias. Poetas convencionais, Poetas com permissão poética para serem e dizerem segundo as suas necessidades. Poetas com traços tão diferenciados que seria impossível enumerá-los.
A nossa terra é pródiga em talentos. A poesia nos deu o homem do século: Augusto dos Anjos; a rima de Jomar Souto;  a genialidade de Lúcio Lins; a vocação de  Ascendino Leite; a poesia matuta mas em nada inferior de Zé da Luz, e tantos outros. Infelizmente, no momento presente podemos dizer que cresceu a nossa Sociedade dos Poetas Mortos. Nós, Paraibanos, vimos partir nosso grande Poeta. Um homem que inquietou-se em busca de respostas, que viveu tão intensamente que se consumiu e foi consumido por sua paixão pela vida.
Ronaldo Cunha Lima, nascido na cidade de Guarabira. Bacharel em Direito pela Universidade Federal da Paraíba, membro das Academias Paraibana e Campinense de Letras, político – Democrata em sua essência,  de projeção nacional, ocupante de todos os cargos políticos de seu Estado natal,  viveu, em toda a sua extensão a sua veia poética, notabilizando-se ao chegar ao final de conhecido programa de televisão denominado “Sem Limite”, da extinta Rede Manchete, apresentado pelos saudosos J. Silvestre e Luís Armando Queirós, onde respondia sobre a vida e obra de Augusto dos Anjos, o paraibano do século, em verso. Pai de  Cássio,  Gal  e Savigny.
Não quero falar sobre Ronaldo. Não sobre o que se foi. A sua obra como Político, Poeta, Escritor, Homem Público, falará por ele, contará sua história, suas dores, seus amores, seus humores, enfim, dirá a todos nós quem foi o poeta Ronaldo Cunha Lima, permeando a saudade com um legado rico, profundo,  pontilhado de fé, emoção e sentimento. Um homem que assumiu o “Carp Diem” e, em homenagem a essa figura singular desfrutemos de:

RONALDO EM VERSO E PROSA - DOSE HOMEOPÁTICA .

HABEAS PINHO -

 Corria o ano de 1955, na cidade de Campina Grande, na Paraíba, onde jovens amigos,  boêmios,  faziam  serenata durante a madrugada do mês de junho, quando foram surpreendidos com a chegada da polícia que apreendeu o violão.
Frustrado, o grupo buscou o trabalho do
Jovem Advogado Ronaldo Cunha Lima, naquela ocasião recém-formado, conhecido e reconhecido, também, como um admirador da seresta. Como bom conhecedor da alma humana, ele buscou o Juiz de Direito competente,  intercedendo pela liberação do violão. O  Magistrado mostrou-se compreensivo dizendo que o livraria desde que lhe fosse peticionado, em forma de verso. Ronaldo, conforme a exigência judicial  requereu em Juízo, em verso,  para que fosse liberado o violão. Sua peça tomou a denominação "Habeas-Pinho" ou, para alguns “Hábeas-Corpus para um violão” e adorna escritórios advocatícios, bares de praias, quiosque, barraquinhas no Nordeste.
Essa é a famosa petição:
Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito da 2ª Vara desta Comarca:
O instrumento do crime que se arrola
Neste processo de contravenção
Não é faca, revólver nem pistola,
É simplesmente, doutor, um violão.

Um violão, doutor, que na verdade,
Não matou nem feriu um cidadão,
Feriu, sim, a sensibilidade
De quem o ouviu vibrar na solidão.

O violão é sempre uma ternura,
Instrumento de amor e de saudade,
Ao crime  ele nunca se mistura,
Inexiste entre eles afinidade.

O violão é próprio dos cantores,
Dos menestréis de alma enternecida
Que cantam as mágoas e que povoam a vida
Sufocando suas próprias dores.

O violão é música e é canção,
É sentimento de vida e alegria,
É pureza e néctar que extasia,
É adorno espiritual do coração.

Seu viver, como o nosso, é transitório,
Porém seu destino se perpetua,
Ele nasceu para cantar na rua
E não para ser arquivo de Cartório.

Mande soltá-lo pelo Amor da noite,
Que se sente vazia em suas horas,
Para que volte a sentir o terno açoite
De suas cordas leves e sonoras.

Libere o violão, Dr. Juiz,
Em nome da Justiça e do Direito,
É crime, porventura, o infeliz
cantar as mágoas que lhe enchem o peito?

Será crime, e, afinal, será pecado,
Será delito de tão vis horrores,
perambular na rua um desgraçado
derramando ali as suas dores?

É o apelo que aqui lhe dirigimos,
Na certeza do seu acolhimento,
Juntando esta petição aos autos nós pedimos
e pedimos também DEFERIMENTO.

Autor: Ronaldo Cunha Lima, advogado.


O julgador, Dr. Arthur Moura, poeta e admirador dessa maravilhosa arte, apoderando-se, também, da rima, sentenciou sem afastar-se do tom:




"Para que eu não carregue remorso no coração,
Determino que seja entregue ao seu dono,
Desde logo, O malfadado violão! “

Recebo a Petição escrita em verso
E
, despachando-a sem autuação,
Verbero o ato vil, rude e perverso,
Que prende, no cartório, um violão.

Emudecer a prima e o bordão,
Nos confins de um arquivo em sombra imerso
É desumana e vil destruição
De tudo, que há de belo no universo
.
Que seja Sol, ainda que a desoras,
E volte à rua, em vida transviada
Num esbanjar de lágrimas sonoras.

Se grato for, acaso ao que lhe fiz,
Noite de lua, plena madrugada,
Venha tocar à porta do Juiz. 


TERCETOS - 
Extraídos de: Lima, Ronaldo Cunha. BREVES E LEVES; tercetos e outros poemas. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 2004. 287 p.




NATUREZA MORTA

A fama do pintor, já não importa.
A natureza não existe morta:
o quadro é que parece não ter vida.

O MAR
                                              O mar corteja a praia e, uma a uma,
                                               as ondas pousam perolas de espuma
                                                 sobre seu ventre branco, umedecido.


A CARTA

Aquela carta, fiz bem em escondê-la.
Sinto , as vezes, vontade de retê-la
mas tenho medo de querer rasgá-la.

INDUÇÃO

                                                  A dúvida, afinal, esclarecida:
                                                   ela jamais se foi da minha vida.
                                                    Minha vida, sem ela, e que se foi.

                           DESPENHADEIRO

Porque eu te amei o quanto pude,
em dimensões de abismo e de altitude
o nosso amor se fez despenhadeiro.


MODORRA

Ancorado na barra de mar morto,
do navio um marujo espia o porto,
como quem se perdeu do horizonte.


                                                              AUSÊNCIA

Renasces, recompões e me retornas
paisagens mortas e lembranças mornas
mas tu mesma não vens para vivê-las.

O QUE RESTOU DE NÓS

Além do adeus, da lágrima velada,
do nosso amor se não restou mais nada,
fica, entretanto, o que restou de nós.


                                            ALHEAMENTO

                                          A vida não me alheie no absorto
                                                                     enquanto eu não me encontre, vivo ou morto,
                                                                     e, estando vivo, enquanto eu não me esqueça.

                                      SONHOS

                                                    Se nas horas dos dias de crescer
                                                       eu sonhava com o que queria ser,
                                                            hoje sonho em ter sido o que não fui.

TRAVESSIA

Ondas navegadas
marulham, cansadas,
nas encostas do cais.


POUCO A POUCO

                                                Assisto triste, aflito, quase louco
o nosso amor morrendo pouco a pouco                                                                                                      
                                                                  e meu querer sem poder fazer mais nada.
  
              
      ESPELHO

                        O espelho e o meu castigo.
                   Nele eu pareço comigo,
                            não com o que penso que sou.





O DISCURSO EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA.
SENADO FEDERAL -12 DE NOVEMBRO DE 1998
Necessidade de regulamentação que preserve a língua nacional do avanço dos estrangeirismos, principalmente dos anglicismos, registrados em grande número na última edição do vocabulário ortográfico da língua portuguesa editado pela Academia Brasileira de Letras
"A língua portuguesa, como forma oficial de expressão, constitui patrimônio cultural brasileiro e, por isso, incumbe ao Poder Público e à comunidade o dever de promovê-la e protegê-la, em especial neste momento em que ela vem sofrendo constante e preocupante invasão de palavras e expressões estrangeiras. O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, em sua edição mais recente, acresceu nada mais, nada menos que seis mil novas palavras, em sua maioria de origem inglesa.
O Presidente da Academia Brasileira de Letras, Professor Arnaldo Niskier, em artigo publicado no jornal A Folha de S. Paulo, edição de 15 de janeiro do corrente ano, sob o título "Na ponta da língua inculta e bela", cuja transcrição nos Anais da Casa desde já requeiro, produziu excelente e oportuna defesa da língua Pátria, advertindo-nos do risco da invasão estrangeira e da falta de cuidados que quase todos temos ao falar e escrever a nossa língua.
Rachel de Queiroz, em artigo publicado no jornal Correio Braziliense, de maio último, já advertia para o bilingüismo emergente. É tempo de o Brasil cuidar melhor da língua pátria. Nem socializar os solecismos, nem elitizar os anglicismos. Nem a falsa cultura dos termos importados, nem a linguagem incorreta de erros primários. Este discurso tem o sentido de advertência e objetivo de apelo. Apelo ao Ministro da Educação e ao Ministro da Cultura para que, ouvida a Academia Brasileira de Letras, seja constituída uma comissão para o estabelecimento de regras para preservação e prestígio da língua portuguesa.
A maioria dos povos faz questão de preservar seu idioma. Quando a possibilidade de deterioração se torna muito grande, os legisladores intervêm para tentar impedir que isso ocorra. É o caso da França, que editou a Lei nº 94.665, de 4 de agosto de 1994, buscando disciplinar e prestigiar o uso da língua francesa.
No Brasil, tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei nº 2.893, de 1997, do eminente Deputado Remi Trinta, dispondo sobre o emprego do idioma oficial brasileiro, cuja aprovação rápida seria valiosa colaboração ao restabelecimento do nosso prestígio lingüístico.
Quando abordo as questões de nossa língua, sempre me lembro da minha época de escola.
Nos meus tempos de ginásio, em Campina Grande, estudei no velho e querido Colégio Diocesano Pio XI, parada obrigatória no itinerário das minhas lembranças e nas andanças das minhas saudades. Ali, fui aluno, aprovado com dificuldades, e, depois, fui professor, escolhido por generosidade. Um dia, o Professor Raimundo Gadelha Fontes, que nos ensinava Português, passou como dever de casa a leitura de um soneto de Olavo Bilac, intitulado Língua Portuguesa, que começa assim:
"Última flor do Lácio, inculta e bela, és, a um tempo, esplendor e sepultura"
Na sala de aula, o debate despertou em nós, alunos, o maior interesse pela língua pátria. O Professor nos falou de neologismo e de estrangeirismo, principalmente os anglicismos e os galicismos, palavras e expressões inglesas e francesas que entram no vocabulário do nosso cotidiano. Cada aluno teria que gravar, pelo menos, dez nomes franceses já incorporados ao nosso idioma. Para facilitar a memorização, preferi formar onze nomes, formando um time de futebol: abajur, chofer e butique; laquê, bisturi e filé; bureau, buquê, boné, toalete e purê.
A influência francesa, antes predominante, foi, aos poucos, abrindo espaço para os termos ingleses e é, hoje, cada vez mais crescente o anglicismo dentro do nosso idioma. Seja qual for o campo de atividades, o uso de palavras estrangeiras, notadamente inglesas, já se torna comum.
Na área dos esportes, por exemplo (e esporte já é uma palavra de origem inglesa), quase todas as práticas desportivas têm nome originário do inglês: futebol, tênis, basquetebol, vôlei, golfe, surfe, handebol, etc.
No ramo do Direito, também não é diferente. O writ, sucedâneo do mandamus latino, abriu porta para a common law, o due process of law, o impeachment e ainda a joint venture, o franchising, o leasing, o copyright, a holding, o lobby, a trading.
Com a globalização da economia, ficou mais fácil para o economês invadir o português: e tome open market, over night , spread, cash, fob, cif, trust, dumping, lockout, royalties, made in Brazil, hot money, etc. Já existe, inclusive, um Dicionário de Termos Financeiros e de Investimento, com mais de mil expressões inglesas, que me foi cedido ontem pelo Senador Esperidião Amin.
Na música, importamos o jazz, o swing, o reggae, o rock, o twist, o rap, o funk, a música country, e até o Falcão, nosso irreverente cantor, de forma cômica e irônica, dá ênfase ao inglês em suas letras, cantando: I´m not dog no (eu não sou cachorro, não!).
Na informática, a moda agora é site, mouse, byte, home page, shift, chip, e-mail, on line, software, game, afora os neologismos como deletar, formatar, navegar e clicar.
Hoje em dia, é esnobe, é chique, é VIP (very important person) usar palavras inglesas. Até as casas comerciais estão preferindo as denominações estrangeiras, mesmo que os produtos à venda sejam nacionais. No interior do Nordeste, um restaurante (e restaurante é nome francês), cuja especialidade é carne assada com macaxeira, adotou o nome de Steak Grill.
A invasão de termos estrangeiros tem sido tão intensa que ninguém estranharia se eu fizesse aqui o seguinte relato do meu cotidiano:
Fui ao freezer, abri uma coca diet; e saí cantarolando um jingle, enquanto ligava meu disc player para ouvir uma música new age.
Precisava de um relax. Meu check up indicava stress. Dei um time e fui ler um bestseller no living do meu flat. Desci ao playground; depois fui fazer o meu cooper. Na rua, vi novos outdoors e revi os velhos amigos do footing. Um deles comunicou-me a aquisição de uma nova maison, com quatro suites e até convidou-me para o open house. Marcamos, inclusive, um happy hour. Tomaríamos um drink, um scotch, de preferência on the rocks. O barman, muito chic, parecia um lord inglês. Perguntou-me se eu conhecia o novo point society da cidade: o TimeSquare, ali no Gilberto Salomão, que fica perto do Gaf, o La Basque e o Baby Beef, com serviço a la carte e self service. Preferi ir ao Mc Donald’s, para um lunch: um hamburger com milk shake. Dali, fui ao shopping center, onde vi lojas bem brasileiras, a começar pelas Lojas Americanas, seguidas por Cat Shoes, Company, Le Postiche, Lady, Lord, Le Mask, M. Officer, Truc’s, Dimpus, Bob’s, Ellus, Arby’s, Levi’s, Masson, Mainline, Buckman, Smuggler, Brummel, La Lente, Body for Sure, Mister Cat, Hugo Boss, Zoomp, Sport Center, Free Corner e Brooksfield. Sem muito money, comprei pouco: uma sweater para mim e um berloque para a minha esposa. Voltei para casa ou, aliás, para o flat, pensando no day after, o que fazer? Dei boa noite ao meu chofer, que, com muito fair play, respondeu-me: Good night.
Senhoras e senhores, muito obrigado, ou, se preferirem, thank you very much!"
Esta é uma amostra milimétrica do Advogado, do Poeta, do Intelectual, digno representante desta Paraíba na "Sociedade dos Poetas Mortos".