Quem sou eu? O que faço

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João Pessoa, Paraíba, Brazil
Quem sou? O que faço. Sou Maria de Lourdes, tenho, agora, 62 anos, esposa, mãe e avó, formação jurídica, com pós graduação em Direitos Humanos e Direito Processual Civil, além de um curso não concluído de Filosofia. Conheci os clássicos muito cedo, pois não tinha permissão para brincar na rua. Nosso universo – meu e de meus irmãos – era invadido, diariamente, por mestres da literatura universal, por nossos grandes autores, por contistas da literatura infanto-juvenil, revistas de informação como Seleções e/ou os populares gibis. Todos válidos para alimentar nossa sede de conhecimento. Gosto de conversar, ler, trabalhar, ouvir música, dançar. Adoro rir, ter amigos e amar. No trabalho me realizo à medida que consigo estabelecer a verdade, desconstruir a mentira, fazer valer direitos quando a injustiça parece ser a regra. Tenho a pretensão de informar, conversar, brincar com as palavras e os fatos que possam ser descritos ou comentados sob uma visão diferente. Venham comigo, embarquem nessa viagem que promete ser, a um só tempo, séria e divertida; suave e densa; clássica e atual. Somente me acompanhando você poderá exercer seu direito à críticas. Conto com sua atenção.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

CONCURSOS PÚBLICOS

OPORTUNIDADE VERSUS VERGONHA
  
A sociedade brasileira vem, pouco a pouco, desde 5 de Outubro de 1988, buscando acostumar-se à idéia de que “Cargo Público”, de provimento efetivo, tem que ser ocupado via concurso público, que pode ser de provas e de provas e títulos. A determinação é Constitucional, integra o texto da Magna Carta, precisamente o Artigo 37, inciso II.

 Em razão desse ordenamento e, também, por ser o Estado Brasileiro, aquele que oferta as melhores oportunidades aos jovens em idade de iniciar uma vida produtiva, revela-se, assim, o maior empregador no território Nacional.

A busca pelo sucesso nos certames para investidura em cargos públicos tem produzido um verdadeiro exército de disciplinados candidatos, que diuturnamente, empenham-se na conquista de uma sonhada estabilidade na carreira a que direcionam os seus esforços.

Não raro alguns se ausentarem de todas e quaisquer atividades que os desviem de seu objetivo. Tornam-se “concurseiros”. Investem tempo, dinheiro, suor, sonhos. Queimam etapas de suas vidas, imolando-as nos altares dos cursinhos, dos “aulões”, dos simulados. Dedicam-se, exclusivamente, a estudar e adquirir conhecimentos que façam a diferença quando da prestação do concurso.

A concorrência é vista como uma rotina. Muitos são os que almejam um lugar ao sol. Cada candidato reage de forma única à hipótese da competição. Todos, invariavelmente, procuram superar seus medos, suas incertezas, dúvidas e deficiências. Até aí, tudo normal.

 Há, todavia, situações as quais os concorrentes não têm como fazer frente.  Refiro-me às fraudes, aos golpes, aos escândalos que rodeiam os serviços públicos, reduzindo as chances dos que se dedicam seriamente, dos que se preparam, dos que vêem no estudo uma oportunidade de viver com dignidade.

Por esse Brasil afora, multiplicam-se os cargos de provimento efetivo ocupados por pais, irmãos, cunhados, parentes - dos mais diferentes graus - dos gestores da coisa pública. Todos muito “certinhos”, devidamente aprovados em concurso público de provas e, em alguns casos, de provas e títulos.

Além da fraude, uma outra situação afigura-se perniciosa. Na grande maioria de nossos Municípios é comum encontrar o secretariado composto por parentes do Administrador. A usurpação do serviço público através da prática do nepotismo não se restringe apenas aos primeiros escalões, também se configura esse uso, nas escalas menores da hierarquia. Entretanto, o nepotismo, é uma figura jurídica, de certa forma possibilitada pela legislação, posto que ocorra, quase sempre, nos cargos ditos em comissão e de confiança. São os conhecidos cabides de empregos.

Muito embora o nepotismo seja uma forma de burlar a legislação, as fraudes nos concursos públicos atingem um número bem maior de pessoas na medida em que a sociedade é atingida como um todo, pois, além de um indivíduo desonesto, para quem o fim justifica os meios, certamente irá contar com um servidor despreparado, incompetente e aberto à corrupção.

A multiplicação de instituições que tem como finalidade a realização de concursos públicos, longe de ofertar boas opções, veio “inchar” o mercado, muitas vezes com um serviço destinado a burlar os certames, fraudar licitações, falsificar gabaritos, identificar candidatos com o intuito de privilegiá-los.

Em estrondoso escândalo recente, ecoaram por todo o País revelações atinentes à realização de concursos públicos viciados, que ocasionaram investigação do Ministério Público Estadual, especificamente no Espírito Santo. Registrando, com alarde, a imprensa nacional, que os concursos Municipais capixabas são o objetivo dos fraudadores.

Em programa semanal televisivo foi demonstrado para toda a nação, de forma clara, sem sombra de dúvidas, como as “empresas” preparavam os resultados, manipulavam os gabaritos, identificavam os destinatários das vagas e reservavam-nas para aqueles previamente indicados. Ainda, foi mostrada a negociação dos valores cobrados, proporcionais ao número de vagas reservadas e da garantia do resultado.

Por outro lado, a tranquilidade dos interlocutores envolvidos nas fraudes,  define a certeza de um bom negócio, com a antevisão da impunidade.  Um mar de lama envolvendo serviços essenciais. Ora são as fraudes.  Ora o nepotismo. A completar o quadro caótico as contratações a título precário, em afronta a concursos realizados, vigentes e com candidatos aprovados, enganados, subjugados, tolhidos em seus direitos.

Assim funciona a nossa sociedade. Desse modo, fomos nos acostumando a ver, sob o falso manto da normalidade, situações constrangedoras, nas quais muitas vezes os gestores fingem que agem legalmente; as autoridades fingem que não vêem, outras, ainda, simulam combater o ilícito e buscar a justiça.

Nesse emaranhado conflituoso surge como esperança o Ministério Público. Constitucionalmente defensor da Lei, destinado, em apertada síntese, a assegurar sua correta aplicação. Do parquet emerge a esperança da diminuição, lenta, paulatina, de tais ilegalidades, pelo combate às fraudes no seu início, de forma a impedir a realização de concursos que sugiram a possibilidade de adulteração. 

Com ações conjuntas, mutirões, listagem de empresas envolvidas em escândalos e falsificações, a publicização dessas e o fechamento de tais instituições, teremos no Ministério Público os autores de uma nova história de concursos públicos no Brasil.

Todavia, a postura dos gestores ante as contratações ao arrepio da lei, com total desrespeito aos concursos realizados, é algo a ser denunciado, perseguido, radicalizado, levado às últimas consequências, inclusive, para que não venhamos a perder o respeito por nós mesmos. Outrossim a busca por gestores públicos compromissados com a ética, a igualdade e a Justiça, se inicia a partir das escolhas eleitorais. 

Mudar a atitude do fraudador passa, também,  pelo comportamento da sociedade atingida. Quedar inerte, ver a mentira de tanto ser repetida tornar-se "verdade", é escolha pela qual cedo ou tarde seremos cobrados. A desconstrução da farsa  é algo a que podemos nos atrever, sempre, até mesmo como resgate à nossa autoestima, como certeza de que não nos acomodamos, não compactuamos com indignidades.



 Lutar em busca de sua verdade, seu direito, é salutar. O ser humano tem obrigação moral de  se empenhar na consecução daquilo que lhe é devido, mesmo que as portas nos sejam fechadas, que o poder com sua máquina administrativa passe sobre nós como um rolo compressor, pois, quanto maior, mais injusta e mais cruel a luta, MAIOR A VITÓRIA. 



 Nesse contexto há um referencial marcante em nossas vidas . Aprovada em concurso público, numa classificação inicial de 9º lugar, re-classificada para 14º, em virtude de empate em pontuação, ser a mais nova, solteira (a epóca), sem filhos e sem vínculo empregatício com a administração pública, minha filha, viu sua oportunidade escoar  por entre os dedos em virtude da contratação, a título precário, de 37 profissionais da área para a qual concorrera. 


Faltando apenas dois meses para o término da prorrogação do referido certame, com um Parecer favorável do Ministério Público Estadual  através do Promotor responsável pelas demandas envolvendo Concursos Públicos,  já desmotivada ante tanta injustiça, resolveu,  recorrer ao Poder Judiciário, última instância dos candidatos preteridos.


Com Mandado de Segurança  concedido á unanimidade do Pleno, iniciou um novo calvário, fazer cumprir a ordem judicial. Neste aspecto, ressalta-se a postura da Procuradoria Geral do Estado que, por seus Gestores providenciaram o impulso devido ao cumprimento supra, muito embora, por duas vezes, a ordem emanada daquela Corte de Justiça tenha recebido o carimbo de "Arquive-se".  Adotando a autoridade determinante uma atitude antijurídica. Incoerente.

A luta continua, o ato de nomeação, a investidura no cargo, o trabalho efetivo, tudo, resultado de uma luta ímpar. Conquista e   vitória merecidas, frutos da certeza de que: O homem que não luta pelos seus direitos não merece viver”. E mais:    Quanto maior o bem , maior o mal que da sua inversão procede”. Ruy Barbosa.
 

terça-feira, 12 de junho de 2012

CONEXÃO SANTO ANTÔNIO



 NAMORADOS ENAMORADOS –

O Amor Paixão
O DIA DOS NAMORADOS, como muitas de nossas comemorações, pode ter várias versões. Entretanto, historicamente, há um relato de que um Bispo Católico, de nome Valentin, a quem se homenageava com um dia de jejum, rebelou-se contra uma ordem imperial proclamada por Carlos II, que proibiu casamentos durante as guerras, por entender que soldados solteiros eram melhores guerreiros que os casados.

1883 Cartão S. Valentine
Valentim contrariando o edito do Imperador continuou celebrando casamentos, chegando ele mesmo a casa-se. Descoberto, foi preso e condenado á morte. Mesmo encarcerado Valentim continuou a receber cartas e flores que lhes eram enviadas pelos jovens. Enquanto prisioneiro conheceu a filha de um carcereiro que era cega. Tendo se apaixonado por ela, misteriosamente devolveu-lhe a visão, mantendo com ela uma relação amorosa. Com a assinatura “Seu namorado ou De seu Valentim”, despediu-se da amada antes de ser executado.


Nos  estados unidos o dia dos namorados é chamado de Valentine’s day.  O nome Valentine’s day configura-se numa forma reduzida de Saint Valentine’s day , sendo celebrado no dia 14 de fevereiro. Na europa o dia dos namorados é chamado de jour de San Valentin (dia de São Valentino), sendo celebrado sobretudo pelos casais  jovens. O  dia 7 de julho do calendário chinês marca o dia dos namorados na china, que celebra a ocasião na qual, multidões de pássaros formaram uma ponte sobre o rio de prata para facilitar a união - o encontro - de uma  família. Sem alternativa, o imperador celestial acabou por permitir que Tecelã (sua filha mais nova ) se encontrasse com seu marido (um pastor com quem casara contrariando o pai) e seus filhos (um menino e uma menina) na ponte das pegas, mas apenas uma vez por ano, no dia sete de julho.
Santo Antônio

No Brasil o Dia dos Namorados é comemorado no dia 12 de junho, véspera do dia de Santo Antônio, que por sua vez é considerado o Padroeiro dos Namorados. Não se sabe exatamente o porquê de lhe ter sido atribuída essa condição de Patrono.  Porém, a biografia do santo registra que o atual convento de Santo Antônio, do Tabuleiro da Baiana, no Rio de Janeiro, seja a origem da devoção ao Padroeiro dos Namorados.

Como ocorrência histórico,  conta-se, “que uma jovem rezava frente à imagem do Santo — a mesma existente no convento do Tabuleiro da Baiana — quando viu balançar, em gesto afirmativo, a cabeça do Menino Jesus que a imagem do santo tem nos braços. O gesto pareceu à jovem a resposta aos pedidos diários que vinha fazendo, ante o altar de Santo Antônio, para que um certo Manuel se decidisse a casar. Origem ou não, diz-se que nasceu daí a devoção a Santo Antônio, de quantas jovens andam em busca de namorado ou que, já o tendo, desejam com ele casar.”

Santo Castigado
Apesar da fé, sequer há garantia de cordialidade entre a pretendente ao casamento e o santo padrinho. Usa-se da coação para conseguir os favores da santidade. Assim, as formas de "diálogo" são divergentes. Ora usam “amarrar” o santo para que  providencie  um namorado para a pretendente ao casamento, a forma de amarrá-lo varia de região a região e se multiplica. Ora ocorrem castigos que mantém a imagem de cabeça para baixo, dentro o fora de poços, potes,  copos, xícaras ou outros locais; ou é mantido em lugar de honra na casa, cheio de fitas, orações   e  com a realização de trezena ou tríduos; ainda com promessas, invariavelmente pagas a partir da chegada do sonhado candidato.

Verdade, lenda, crendice ou fé, Santo Antônio é um dos festejados Santos de junho, mês repleto de Santidades professadas com especial atenção por nós, brasileiros,  ESPECIALISTAS EM NAMÔRO, AMOR E PAIXÃO! SENÃO VEJAMOS:

NOS VERSOS –DESDE O ALÉM MAR.

Amor é Fogo

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade;
Se tão contrário a si é o mesmo amor?


Amor Confundido
Memória

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.

NA MÚSICA SENSUAL E ARDENTE.

A Sensualidade
O Meu Amor
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo, ri do meu umbigo
E me crava os dentes

Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que me deixa maluca, quando me roça a nuca


O Carinho
E quase me machuca com a barba mal feita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios, de me beijar os seios
Me beijar o ventre e me deixar em brasa
Desfruta
do meu corpo como se o meu corpo
Fosse a sua casa

Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz

Chico Buarque


NA GENIALIDADE  -

Com Amor
Duvida da luz dos astros,
De que o sol tenha calor,
Duvida até da verdade,
Mas confia em meu amor.

Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção.

De longe te hei de amar- da tranquila distância
em que o amor é saudade e o desejo, constância.


Em busca do Amor
Amar talvez seja isso...
Descobrir o que o outro fala mesmo quando ele nao diz.

"Se um dia tiver que escolher entre o MUNDO e o AMOR...
Lembre-se:... Se escolher o MUNDO, ficará sem o AMOR...
mas se escolher o AMOR... com ele conquistará o MUNDO!"

Albert Einstein


NAMOROS E NAMORADOS !

Amor 


Carinho a Toda Prova 



Um amor de Jantar

O Amor nas Alturas


O Amor Ecológico...Verde...Verde!


Um Amor Urso


O AMOR NÃO TEM ROSTO
O AMOR NÃO TEM IDADE


                                          PARA TODOS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

sábado, 9 de junho de 2012

PERFUME, AMOR E VIDA. PARTE I

O INÍCIO


O perfume, os cheiros, sempre tivereram seu lugar na história da humanidade. Assim, em alguns momentos de nossa evolução, poderia significar a sobrevivência ou a morte do indivíduo, que tornar-se-ia uma presa fácil de ser encontrada pelos predadores. Por outro lado poderia evocar boas ou más lembranças, ser bem recebido ou motivo de de rejeição, enfim, segue, pari passo, a raça humana.


Entretanto, discorrer sobre qualquer assunto nos leva, quase que instintivamente, a tentar defini-lo, bem como, a buscar  a origem do vocábulo que o designa.  A necessidade de estabelecer a procedência do nosso alvo é algo que se impõe, até mesmo para justificar o “porquê” e atribuir créditos.

Desse modo e nesse caso, nos deparamos com uma rotina na língua portuguesa: a origem latina. Fazendo reminiscência vemos que no latim "Per" significa através e, "fumus" (conhecido dos operadores do Direito), fumo, fumaça - o que sugere um início marcado por sopro, fumaça,  que era liberada por ocasião da queima de folhas, madeira e outros materiais, fato comprovado pelo próprio étimo.

A Fumaça Perfumada
Quando   os    pré-históricos aprenderam a fazer   o   fogo,   descobriram    que queimar aliviava o sabor   dos víveres. Inclusive,  já foi dito:“pensa-se que a arte da perfumaria se  terá   iniciado   ainda   na    Pré-História, quando o homem  primitivo   descobriu que certas    plantas    libertavam     fragrâncias agradáveis     quando      queimadas” .       Os primeiros  perfumes   teriam,    pois, surgido sob a forma de fumo ou "através do fumo".

 A vida nos mostra uma afinidade constante entre simbologia, ritual, fragrância e crenças. Desde o início da humanidade que o incenso guarda correlação com as práticas místicas de todas as eras. Do mais inculto ao mais erudito de cada povo e cultura, de alguma maneira, por algum instante, aromatizou o ambiente em que ocorreria uma prática ritualista. Representando, o ato de perfumar o espaço, uma oferta, uma devoção espiritual e uma oblação de pretensões dos cultuadores às divindades. Portanto, uma rotina no exercício da  religiosidade.

Árvores e Incenso
Destarte, o perfume e o incenso apresentam um conteúdo sacro. Alguns foram específicos para celebrações religiosas. A História da perfumaria registra que na coroação de druidesas utilizava-se “verbena e outras ervas sagradas, ungindo os sacerdotes com óleo sagrado perfumado e estimulando a criação de uma atmosfera devocional nos santuários.” 

Diz a tradição que óleos e incensos queimados atraiam anjos e afugentavam maus espíritos; o aroma  tem, então, uma conotação de benignidade, bons fluídos. 

No nosso percurso, sobre a historiografia do perfume vamos localizá-lo em diversas situações, senão vejamos:

NA BIBLIA -

O Perfume dos Templos
A história do perfume, que caminha junto com a trajetória do homem desde tempos imemoriais, desde o início se confunde com a do incenso. O uso de essências aromáticas aparece em relatos bíblicos desde o Velho Testamento. Em sinal de gratidão por ter sido salvo do Dilúvio, Noé teria queimado madeira de cedro e mirra. Os Reis Magos - Belchior, Baltasar e Gaspar, segundo as Sagradas Escrituras, ofereceram de presente ao Menino Deus, ouro, incenso e mirra.

Há também a transcrição de que os Hebreus empregavam o perfume na existência quotidiana e nas práticas religiosas. Assim é que na Bíblia, no livro Êxodo - Cap.30, V. 1, 7, 22-25, há uma fórmula para a confecção de um perfume especial, conforme teria sido determinado por DEUS: "Farás também um altar para queimar os perfumes; e Aarão queimará sobre ele um incenso de suave cheiro.”

O Tabernáculo
"Falou mais o Senhor a Moisés dizendo: Tu, pois, toma para ti das principais especiarias: da mais pura MIRRA, quinhentos siclos*; e de CANELA aromática, a metade, a saber, duzentos e cinqüenta ciclo , e de CÁLAMO aromático, duzentos e cinqüenta siclos; e de CÁSSIA, quinhentos siclos, segundo o siclo do Santuário; e de azeite de OLIVA, um him**. E disto farás o azeite da Santa Unção, o perfume composto segundo a obra do perfumista; este será o azeite da Santa Unção". (Êx. 30:22-25)*Siclo – unidade básica,  2 becas 11,4 gramas de prata Gn 23:15; 2 Rs 6:25."**Him -   1/6 do bato 6,2 litros Ex 29:40; Ez 4:11.

É também Bíblica a história da rainha ESTER. Contam os textos Sagrados que Mordecai criara Hadassa e a tomara por filha, essa era jovem e bela, de boa aparência e formosura. O rei Assuero  (Xerxes) havia repudiado a rainha Vesti por ter deixado de atender às suas convocações. Assim foram levadas virgens ao palácio real para, após o período de embelezamento, ser apresentadas ao Rei que escolheria a que mais lhe agradasse, para ser a nova rainha. 

Ester, que assumira esse nome para esconder a sua origem judia, foi levada a Hegai, eunuco que cuidava das moças e que se agradou da jovem que lhe pareceu formosa e alcançou favor perante ele; pelo que se apressou em dar-lhe os ungüentos e os devidos alimentos, como também sete jovens escolhidas da casa do rei; e a fez passar com as suas jovens para os melhores aposentos da casa das mulheres.

Hadassa ou Ester
Chegando o prazo de cada moça vir ao rei Assuero, depois de tratada segundo as prescrições para as mulheres, por doze meses (porque assim se cumpriam os dias de seu embelezamento, seis meses com óleo de mirra e seis meses com especiarias e com os perfumes e unguentos em uso entre as mulheres), então, é que vinha a jovem ao rei; a ela se dava o que desejasse para levar consigo da casa das mulheres para a casa do rei.

O perfume e os ungüentos, o amor paternal de seu pai adotivo,  transformaram Hadassa, uma menina judia, órfã, numa rainha muito amada e com uma missão, salvar o seu povo. Ester conquistou o Rei, o trono e uma posição de destaque. DEUS usou Ester, como um instrumento, para salvar o povo judeu de um decreto de morte. A Rainha Ester foi uma mulher de fé e obediência ao Senhor.

Há, ainda, em muitas outras ocasiões, referência na Bíblia à perfumes, ungüentos, e óleos, inclusive a passagem em que uma pecadora teria lavado  os pés de Jesus com suas lágrimas, ungido com  perfume e os enxugado com seus cabelos.

EGITO ANTIGO –


A civilização egípcia, reverenciava seus deuses incensando os locais de adoração; criando óleos aromatizado, a partir da utilização de algumas madeiras como o benjoim e o galbano, que eram esmigalhados,  juntados à mirra e ao azeite de oliva, para serem utilizados na prática de rituais em honra aos ídolos.

Egipcias e Perfumes
Os egípcios produziam, ainda, um incenso especial chamado "kyphi". Na sua elaboração faziam preces e pronunciavam magias,  ao mesmo tempo combinavam os elementos para saturar o incenso com a energia dos sacerdotes. Esses religiosos dedicavam as suas vidas ao cultivo de tais plantas. Viviam em completa pureza e rigidez, tendo sido  sendo uma tarefa de particular importância aos sacerdotes escolhidos, o desempenho de sua missão religiosa.


CLEOPATRA – Considerada como a mais famosa de toda a humanidade, usou e abusou de perfumes. Conta a História que Cleópatra (69 – 30 a.C) era uma mulher   frente de seu tempo. Tomava banhos perfumados, mantinha um cuidado exagerado com a pele, utilizava ervas curativas, emplastros, o kyph e óleos aromáticos como o de rosas, que era colocado em seu banho e por vezes esfregado em seu corpo.

Cleópatra a Rainha Perfumada
Dentre as lendas a respeito da rainha há aquela que atribui suas conquistas amorosas não só a beleza mas e também às suas fragrâncias sedutoras. Fala-se que a rainha do Egito mandava que colocassem essência de rosas nas velas de seu barco para que navegasse pelo Nilo, precedida e acompanhada de um perfume simultaneamente envolvente e suave. Este e outros relatos fazem seu perfil.

O seu romance, primeiro com Júlio César (100-44 a.C) e posteriormente com Marco Antônio (83-30 a.C,), em pleno período do Império Romano, conforme os registros históricos, demonstra que ambos  apaixonaram-se pela rainha egípcia, uma inteligentíssima mulher, considerada uma expert na arte de se perfumar e seduzir.

OS ÁRABES –


Avicena o Sábio
Os     Mouros não só compreendiam e apreciavam os prazeres    dos    perfumes,     mas   e   também tinham conhecimentos avançados de higiene, medicina e outras ciências. Eles produziram elixires, partindo de plantas e animais, com propósitos cosméticos e terapêuticos. O médico Avicena (980-1073) descobriu, por acaso, os princípios básicos da destilação a vapor.

Inventado o alambique tornou-se plausível destilar matérias-primas, configurando-se tal ação um reforço essencial à evolução da perfumaria. Os Árabes também extraíram suas informações sobre os efeitos do incenso, do Antigo Egito e, velozmente, ampliaram a utilização de fragrâncias e óleos em uma arte super-evoluída, sendo aceita e cultuada,  até os nossos dias  

Vidro Árabe Antigo
Um hábito arraigado entre os antigos, o uso de resinas, gomas e especiarias era empregado no embalsamamento, defumação e na prática médica em diferentes civilizações. A Pérsia, 0 Iraque além da Arábia, onde eram abrasadas nas fogueiras funerárias, em bodas e em diferentes comemorações (batismos, funerais e festas religiosas).    


O incenso desempenhou uma função significante no exercício místico e cerimônias da antiga Babilônia, Pérsia, Turquia, Síria e Arábia – e, segundo informações sobre o tema, se diz que foram os árabes que, com seus mercadores, trouxeram o incenso para Europa e o fizeram popular.  

No continente Europeu, a utilização maciça do incenso, em suas cortes bem como nas igrejas, transformou-se num marco, uma insígnia a indicar domínio e opulência. Aos poucos as fragrâncias perfumadas dominaram as culturas clássicas de todo o o Velho Mundo.  
   
GRÉCIA –

A Vaidade Grega
Médicos-Filósofos como Hipócrates, Críton e outros, viram na perfumaria uma  contribuição essencial nas práticas curativas, classificando-a como medicamentosa e aplicando-a em tratamentos, com ênfase a sua utilização para diversas doenças nervosas. 


Na sua obra “História Natural”, Plínio utiliza perfumes florais como drogas naturais. Pos sua vez Theofrasto creditava à inalação de perfumes diferentes a aceleração e crises de algumas doenças. Fazendo uso de outros, conforme fosse o que desencadeara o episódio, para devolver a normalidade e curar o doente.



Para os gregos os perfumes evocavam os deuses.   Um relato mítico do povo grego, conta que  através de uma ninfa de Afrodite, chamada Aeone, por um descuido o deixou chegar até os homens.

IMPÉRIO ROMANO -

Banhos   Público

Os gregos com seus costumes influenciaram o povo Romano no uso do perfume. A influência grega  foi de tal alcance que o  império romano,  que se estendeu por todo Sudoeste da Europa Central, Sudeste da Europa/Bálcãs e toda a bacia do Mediterrâneo, tornou-se decisivo para a ampliação da perfumaria, uma vez que passou a se utilizar das fragrâncias de forma  intensa.


A comercialização de matérias primas aromáticas foi vitalizada pela criação de caminhos mercantis para a Arábia, Índia e China. Durante o império, o interesse dos romanos por resinas, fragrâncias, bálsamos e perfumes extrapolou as fronteiras possíveis,  causando  um desequilíbrio nas contas  do império,  forçando uma crise.
 
            Registra-se que mirra e olíbano eram trazidos para Roma através do mar. Todo cidadão romano se perfumava. Há registro de que alguns perfumavam também  os seus cavalos.

 É relato histórico a existência, em Roma, de banhos públicos, cheios de luxo e rituais perfumados com as mais diversas porções aromatizadas. 


Os romanos mais abastados mandavam que seus escravos  perfumassem as solas dos seu pés.

ÍNDIA –

Merece destaque, a utilização de perfume entre os indianos. Em toda a história desse povo há registro do uso do incenso, que produz perfume, fumaça perfumada.  O lado poético indiano faz requintadas descrições de nuvens sublimes, divinais, a partir de óleos extraídos de plantas como o cipreste, o sândalo, a rosa, o patchouli, o jasmim.


Um ritual devocionário
O fogo, a queima de incenso, o perfume, as piras funerárias, tudo leva a ritual, religião. É recorrente e impossível dissociar, na Índia, o perfume dos deuses, do sagrado. Um povo que respira religiosidade e tem em seus hábitos cheiros e fragrâncias para cada  situação.

O uso do incenso, a prática de perfumar os locais torna visual seu efeito sobre os adoradores. O transe, a interação com o sagrado aumenta à medida que o perfume, o incenso invade o local. Pode-se dizer que perfumar santifica as áreas e lembra aos indivíduos a presença dos deuses.

Incenso e Pedras Incandescentes
Igualmente aos egípcios, os indianos tinham confiança em que sua religiosidade e reconhecimento chegariam até os deuses por meio de perfumes. A religião veda seria a grande responsável pelo hábito de queimar incenso e perfumar ambientes sagrados, banhar-se e fazer rituais de expurgação e limpeza. Esses rituais eram eram concluídos com o uso de óleos, unguentos e pó perfumado, esfregado ou passados no corpo. Os budistas acreditam que o caminhar para a outra vida tem um acesso  pela “montanha fragrante”.

O      PERFUME CAMINHA COM O HOMEM, DEIXA DE SER ASSOCIADO AO SAGRADO, TRANSFORMA-SE EM MEIO DE SEDUÇÃO, TORNA-SE SÍMBOLO DE PODER AQUISITIVO E PODE TRANSFORMAR-SE NA ÚNICA ROUPA VESTIDA POR UMA BELA E DESEJADA MULHER, MAS ISSO SÓ NA SEGUNDA PARTE. VENHAM, CONFIRAM. VEJAM.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

O PORQUÊ DE SUELEN OU


E NÓS AONDE VAMOS?
  
As pessoas que me conhecem sabem que sou uma mulher de meu tempo. Gosto de rir, de brincar, trabalhar, ser feliz, viver. Busco realizar aquilo que necessito tentando causar o mínimo de impacto aos que me cercam ou qualquer um que possa ser alcançado pelo eco de minhas ações.

Sou, a um só tempo, comedida e ousada. A minha atitude, na maioria das vezes, depende do assunto e do resultado de alguma análise, reflexão. Se for algo no âmbito familiar é mais simples, até porquê se trata de pessoas conhecidas. Se for no trabalho, de certo modo, também é possível lidar dentro de uma zona de conforto. Entretanto quando é algo externo e relacionado á sociedade, ao público em geral, torna-se bem mais difícil fazermos a nossa crítica.

Porém algo me deixa muito a vontade, é a certeza de que se vou encontrar, com minhas posições, discordância e contrariedade, certamente também vou atrair adeptos. Tenho absoluta convicção de que eu não estou sozinha.

Falo dos vilões e vilãs que o imaginário de nossos autores produzem ininterruptamente. A lista é imensa, só a título de lembranças, dentre os que efetivamente pude ver em ação, podemos citar alguns como o Leôncio da Escrava Isaura; Odete Roitman e Maria de Fátima de Vale Tudo; Laura Prudente de Celebridade; Nazaré Tedesco de Senhora do Destino; Leonardo Brandão de Insensato Coração e Teresa Cristina de Fina Estampa.

É evidente que a amostra acima não é referencial para a sempre crescente “lista do mau”. Um dos aspectos preocupantes é que o nosso cotidiano é riquíssimo de personagens de má índole. Não há privilégios nesse sentido. Encontramos “a galera do mau”, entre jovens e velhos; brancos, negros, orientais; ricos, classe média e pobres; homens ou mulheres; cultos, incultos, analfabetos, alfabetizados; realidade ou ficção, enfim, como dissemos, não há imunidade para a perversão.


No cenário da fantasia, aonde a licença criativa corre a solta, por vezes nos chocamos por encontrar, no personagem mais odiado, características e atitudes de pessoas do nosso dia a dia. É triste, doloroso, ver que a maldade, o crime, a falta de ética, o desrespeito à legislação, a moral e aos bons costumes rende altos picos no IBOPE, eleva a tiragem e venda de jornais, muda conceitos e entram em nossas casas sem pedir licença.

Por mais que sejamos atuais, vivamos em harmonia com a nossa realidade, não dá para deixar de lado algumas abominações. Fatos terríveis e escândalos, cada vez mais escabrosos envolvem, diuturnamente, o nosso cenário político, onde Ex-Presidentes, Governadores, Senadores, Deputados e outros parlamentares ganham destaque na mídia, envolvidos em histórias indecorosas; a criminalidade cresce a olhos vistos; o tráfico invade as vidas destruindo, impunemente, as famílias; as doenças se alastram, principalmente entre os mais pobres e, via de regra, mais desassistidos; cresce, assustadoramente o número de crianças nas ruas e que são a cada minuto vítimas da violências, da fome, dos maus tratos e da insensibilidade das autoridades.

 Uma disparidade assustadora com um Brasil dos abastados que educam seus filhos nas melhores escolas no exterior; possuem, invariavelmente, altos valores em dinheiro e ações, se locomovem em jatinhos particulares, ostentam jóias caríssimas, são proprietários de imóveis espetaculares, de veículos que podem ultrapassar a “bagatela” de R$ 2,8 milhões de reais – preço da Ferrari Four, trazida ao Brasil no final de 2011, para 11º Fórum Empresarial de Comandatuba, na Bahia.

Esta é uma panorâmica de nossa Pátria onde se desenrola a história na qual Suelen é coadjuvante. A atriz, uma moça muito bonita, dona de um rosto quase angelical, um corpo escultural, bastante representativa da beleza perseguida por muitas mulheres. Todavia não é sobre a profissional e sim sobre o personagem por ela interpretado.

Pautar com clareza nossos objetivos pode conter uma grande dificuldade, principalmente se a indignação é a cada dia alimentada com a descida de mais um degrau rumo à devassidão. Pois é, na novela Avenida Brasil, Suelen é o protótipo da imoralidade, da promiscuidade, da luxúria, da falta de ética, do mau gosto, da vulgaridade, da indecência.

Qual o propósito de ter uma personagem como a dessa moça? A primeira vez que a vi em cena havia uma discussão em torno de uma chantagem que a mesma usava para obrigar “Diógenes” e seus filhos a “hospedá-la”. Nessa ocasião – quando era hóspede, através de uma extorsão - a jovem mantém relações com Leandro, um dos filhos do dono da casa. Até aí, aparentemente, dentro da normalidade, de alguém que se dispõe a constranger outras pessoas.

No mesmo período, a história se desenrola mostrando a anti-heroína, sempre apelativa em roupas típicas de academia de ginástica, sensualmente vestida ou propositalmente desnuda, pulando de “cama em cama”, com o já citado Leandro, com Darkson, Iran e Lúcio, insinuando-se para Adauto, Valentim e, presumivelmente “se divertindo” com outros personagens, leia-se: o time de futebol do Divino.

Não fosse suficiente, a personagem após ser atendida num serviço médico – rede pública – convence um enfermeiro, fazendo sexo com aquele profissional, para que diga aos homens presentes e que a acompanhavam na ocasião, que ela está grávida. Daí em diante passa a gozar da hospedagem de um, a pedir dinheiro a outro para fazer um aborto e, ainda, dinheiro a outros, sob as mais ridículas e estaparfúdias desculpas.

A personagem é um poço de falcatruas. Nada tem que se possa extrair de digno. Em determinado capítulo fiquei pasma quando a mesma repreendeu um jovem que explora sua mãe. Ledo engano, no minuto seguinte exige desse a quantia de R$ 2.000,00 para fazer um aborto, que já pedira a outro, tudo para matar um feto inexistente. Mesmo assim, ainda tem a desfaçatez de tentar dar lição de moral, coisa que não denota conhecer sequer superficialmente.


Não fosse o péssimo exemplo de promiscuidade e total despudor passado às nossas jovens e adolescentes que, muitas vezes, movidas pela natural sede de viver com liberdade, deixam-se iludir pelo mundo imaginário da televisão, sobraria, ainda, a irresponsabilidade das relações sem proteção sugerida nas entrelinhas, isto porquê ao atribuir a paternidade de seu “filho” a três homens, “Suelen” deixa claro ter tido sexo com esses sem a menor preocupação de resguardar-se de alguma doença ou de uma gravidez indesejada, ou até mesmo as duas coisas simultaneamente.

Em sua farsa há diversão maldosa em relação à mãe de um dos pseudos-pais; Suelen se compraz em torturá-la, manipula o filho contra a mãe, se insinua para o futuro marido dessa e ainda a destrata sempre que pode.  

Há mudança nas maldades e não o é em sentido decrescente. O que se mostrava como uma mocinha desprotegida, “tonta”, revelou-se desonesta, sem escrúpulos, má, chantagista, despudorada e, no bom e velho linguajar Nordestino, uma sem vergonha.

Algumas questões me incomodam. Por que Suelen, por que personagens como essa estão sendo, sempre repetidas? A que se deve a insistência em mostrar como normais à chantagem, a promiscuidade, a irresponsabilidade, a exploração do outro, a falta de objetivos? Tudo isso sem falar no que seria absurdo, diante dos “predicados” da moça, como por exemplo, um trabalho digno, estudo, normalidade, coerência.

Aonde vamos com visões tão distorcidas de como deve se comportar um ser humano? Aonde nos levará o exercício diário, por quase uma hora, de mentiras, adultério, traições, enganos, furtos, coação? Como assistir calmamente as maquinações cada vez mais escabrosas de pessoas numa mesma “família”, contra seus familiares? O que estamos repassando aos nossos filhos com nossa atitude de mesmice, vendo e calando diante de tantas iniqüidades?

 O meu desabafo é a crítica que faço a esta invasão diária aos nossos lares por personagens tão nocivas e às vezes mais que Suelen. A novela em foco tem uma senhora galeria de personagens deturpadas.   Aos que pensam no simples ato de mudar de canal ou desligar a televisão como opção aos que não gostam do que vêem, deixo um alerta: cuidado! Sua filha, seu filho, sua irmã, seu irmão ou quem sabe, aqueles primos , sobrinhos, adolescentes, de que você tanto gosta, pode estar num shopping, numa sorveteria, ou mesmo em casa, “aprendendo” com excelentes professores, como extorquir, enganar os pais e outros, se promiscuir, ridicularizar de quem age com seriedade.

Não esqueça, Suelen sabe, pratica, ensina e ainda premia você e quem gosta com um sorriso angelical. Aos que pensam como eu, tentem, se possível, mostrar como a personagem é falsa e como é nociva aos que se aproximam dela, em razão de seu modo de ser, de ver a vida e de se relacionar com seus semelhantes. Boa sorte.