Quem sou eu? O que faço

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João Pessoa, Paraíba, Brazil
Quem sou? O que faço. Sou Maria de Lourdes, tenho, agora, 62 anos, esposa, mãe e avó, formação jurídica, com pós graduação em Direitos Humanos e Direito Processual Civil, além de um curso não concluído de Filosofia. Conheci os clássicos muito cedo, pois não tinha permissão para brincar na rua. Nosso universo – meu e de meus irmãos – era invadido, diariamente, por mestres da literatura universal, por nossos grandes autores, por contistas da literatura infanto-juvenil, revistas de informação como Seleções e/ou os populares gibis. Todos válidos para alimentar nossa sede de conhecimento. Gosto de conversar, ler, trabalhar, ouvir música, dançar. Adoro rir, ter amigos e amar. No trabalho me realizo à medida que consigo estabelecer a verdade, desconstruir a mentira, fazer valer direitos quando a injustiça parece ser a regra. Tenho a pretensão de informar, conversar, brincar com as palavras e os fatos que possam ser descritos ou comentados sob uma visão diferente. Venham comigo, embarquem nessa viagem que promete ser, a um só tempo, séria e divertida; suave e densa; clássica e atual. Somente me acompanhando você poderá exercer seu direito à críticas. Conto com sua atenção.

sábado, 9 de junho de 2012

PERFUME, AMOR E VIDA. PARTE I

O INÍCIO


O perfume, os cheiros, sempre tivereram seu lugar na história da humanidade. Assim, em alguns momentos de nossa evolução, poderia significar a sobrevivência ou a morte do indivíduo, que tornar-se-ia uma presa fácil de ser encontrada pelos predadores. Por outro lado poderia evocar boas ou más lembranças, ser bem recebido ou motivo de de rejeição, enfim, segue, pari passo, a raça humana.


Entretanto, discorrer sobre qualquer assunto nos leva, quase que instintivamente, a tentar defini-lo, bem como, a buscar  a origem do vocábulo que o designa.  A necessidade de estabelecer a procedência do nosso alvo é algo que se impõe, até mesmo para justificar o “porquê” e atribuir créditos.

Desse modo e nesse caso, nos deparamos com uma rotina na língua portuguesa: a origem latina. Fazendo reminiscência vemos que no latim "Per" significa através e, "fumus" (conhecido dos operadores do Direito), fumo, fumaça - o que sugere um início marcado por sopro, fumaça,  que era liberada por ocasião da queima de folhas, madeira e outros materiais, fato comprovado pelo próprio étimo.

A Fumaça Perfumada
Quando   os    pré-históricos aprenderam a fazer   o   fogo,   descobriram    que queimar aliviava o sabor   dos víveres. Inclusive,  já foi dito:“pensa-se que a arte da perfumaria se  terá   iniciado   ainda   na    Pré-História, quando o homem  primitivo   descobriu que certas    plantas    libertavam     fragrâncias agradáveis     quando      queimadas” .       Os primeiros  perfumes   teriam,    pois, surgido sob a forma de fumo ou "através do fumo".

 A vida nos mostra uma afinidade constante entre simbologia, ritual, fragrância e crenças. Desde o início da humanidade que o incenso guarda correlação com as práticas místicas de todas as eras. Do mais inculto ao mais erudito de cada povo e cultura, de alguma maneira, por algum instante, aromatizou o ambiente em que ocorreria uma prática ritualista. Representando, o ato de perfumar o espaço, uma oferta, uma devoção espiritual e uma oblação de pretensões dos cultuadores às divindades. Portanto, uma rotina no exercício da  religiosidade.

Árvores e Incenso
Destarte, o perfume e o incenso apresentam um conteúdo sacro. Alguns foram específicos para celebrações religiosas. A História da perfumaria registra que na coroação de druidesas utilizava-se “verbena e outras ervas sagradas, ungindo os sacerdotes com óleo sagrado perfumado e estimulando a criação de uma atmosfera devocional nos santuários.” 

Diz a tradição que óleos e incensos queimados atraiam anjos e afugentavam maus espíritos; o aroma  tem, então, uma conotação de benignidade, bons fluídos. 

No nosso percurso, sobre a historiografia do perfume vamos localizá-lo em diversas situações, senão vejamos:

NA BIBLIA -

O Perfume dos Templos
A história do perfume, que caminha junto com a trajetória do homem desde tempos imemoriais, desde o início se confunde com a do incenso. O uso de essências aromáticas aparece em relatos bíblicos desde o Velho Testamento. Em sinal de gratidão por ter sido salvo do Dilúvio, Noé teria queimado madeira de cedro e mirra. Os Reis Magos - Belchior, Baltasar e Gaspar, segundo as Sagradas Escrituras, ofereceram de presente ao Menino Deus, ouro, incenso e mirra.

Há também a transcrição de que os Hebreus empregavam o perfume na existência quotidiana e nas práticas religiosas. Assim é que na Bíblia, no livro Êxodo - Cap.30, V. 1, 7, 22-25, há uma fórmula para a confecção de um perfume especial, conforme teria sido determinado por DEUS: "Farás também um altar para queimar os perfumes; e Aarão queimará sobre ele um incenso de suave cheiro.”

O Tabernáculo
"Falou mais o Senhor a Moisés dizendo: Tu, pois, toma para ti das principais especiarias: da mais pura MIRRA, quinhentos siclos*; e de CANELA aromática, a metade, a saber, duzentos e cinqüenta ciclo , e de CÁLAMO aromático, duzentos e cinqüenta siclos; e de CÁSSIA, quinhentos siclos, segundo o siclo do Santuário; e de azeite de OLIVA, um him**. E disto farás o azeite da Santa Unção, o perfume composto segundo a obra do perfumista; este será o azeite da Santa Unção". (Êx. 30:22-25)*Siclo – unidade básica,  2 becas 11,4 gramas de prata Gn 23:15; 2 Rs 6:25."**Him -   1/6 do bato 6,2 litros Ex 29:40; Ez 4:11.

É também Bíblica a história da rainha ESTER. Contam os textos Sagrados que Mordecai criara Hadassa e a tomara por filha, essa era jovem e bela, de boa aparência e formosura. O rei Assuero  (Xerxes) havia repudiado a rainha Vesti por ter deixado de atender às suas convocações. Assim foram levadas virgens ao palácio real para, após o período de embelezamento, ser apresentadas ao Rei que escolheria a que mais lhe agradasse, para ser a nova rainha. 

Ester, que assumira esse nome para esconder a sua origem judia, foi levada a Hegai, eunuco que cuidava das moças e que se agradou da jovem que lhe pareceu formosa e alcançou favor perante ele; pelo que se apressou em dar-lhe os ungüentos e os devidos alimentos, como também sete jovens escolhidas da casa do rei; e a fez passar com as suas jovens para os melhores aposentos da casa das mulheres.

Hadassa ou Ester
Chegando o prazo de cada moça vir ao rei Assuero, depois de tratada segundo as prescrições para as mulheres, por doze meses (porque assim se cumpriam os dias de seu embelezamento, seis meses com óleo de mirra e seis meses com especiarias e com os perfumes e unguentos em uso entre as mulheres), então, é que vinha a jovem ao rei; a ela se dava o que desejasse para levar consigo da casa das mulheres para a casa do rei.

O perfume e os ungüentos, o amor paternal de seu pai adotivo,  transformaram Hadassa, uma menina judia, órfã, numa rainha muito amada e com uma missão, salvar o seu povo. Ester conquistou o Rei, o trono e uma posição de destaque. DEUS usou Ester, como um instrumento, para salvar o povo judeu de um decreto de morte. A Rainha Ester foi uma mulher de fé e obediência ao Senhor.

Há, ainda, em muitas outras ocasiões, referência na Bíblia à perfumes, ungüentos, e óleos, inclusive a passagem em que uma pecadora teria lavado  os pés de Jesus com suas lágrimas, ungido com  perfume e os enxugado com seus cabelos.

EGITO ANTIGO –


A civilização egípcia, reverenciava seus deuses incensando os locais de adoração; criando óleos aromatizado, a partir da utilização de algumas madeiras como o benjoim e o galbano, que eram esmigalhados,  juntados à mirra e ao azeite de oliva, para serem utilizados na prática de rituais em honra aos ídolos.

Egipcias e Perfumes
Os egípcios produziam, ainda, um incenso especial chamado "kyphi". Na sua elaboração faziam preces e pronunciavam magias,  ao mesmo tempo combinavam os elementos para saturar o incenso com a energia dos sacerdotes. Esses religiosos dedicavam as suas vidas ao cultivo de tais plantas. Viviam em completa pureza e rigidez, tendo sido  sendo uma tarefa de particular importância aos sacerdotes escolhidos, o desempenho de sua missão religiosa.


CLEOPATRA – Considerada como a mais famosa de toda a humanidade, usou e abusou de perfumes. Conta a História que Cleópatra (69 – 30 a.C) era uma mulher   frente de seu tempo. Tomava banhos perfumados, mantinha um cuidado exagerado com a pele, utilizava ervas curativas, emplastros, o kyph e óleos aromáticos como o de rosas, que era colocado em seu banho e por vezes esfregado em seu corpo.

Cleópatra a Rainha Perfumada
Dentre as lendas a respeito da rainha há aquela que atribui suas conquistas amorosas não só a beleza mas e também às suas fragrâncias sedutoras. Fala-se que a rainha do Egito mandava que colocassem essência de rosas nas velas de seu barco para que navegasse pelo Nilo, precedida e acompanhada de um perfume simultaneamente envolvente e suave. Este e outros relatos fazem seu perfil.

O seu romance, primeiro com Júlio César (100-44 a.C) e posteriormente com Marco Antônio (83-30 a.C,), em pleno período do Império Romano, conforme os registros históricos, demonstra que ambos  apaixonaram-se pela rainha egípcia, uma inteligentíssima mulher, considerada uma expert na arte de se perfumar e seduzir.

OS ÁRABES –


Avicena o Sábio
Os     Mouros não só compreendiam e apreciavam os prazeres    dos    perfumes,     mas   e   também tinham conhecimentos avançados de higiene, medicina e outras ciências. Eles produziram elixires, partindo de plantas e animais, com propósitos cosméticos e terapêuticos. O médico Avicena (980-1073) descobriu, por acaso, os princípios básicos da destilação a vapor.

Inventado o alambique tornou-se plausível destilar matérias-primas, configurando-se tal ação um reforço essencial à evolução da perfumaria. Os Árabes também extraíram suas informações sobre os efeitos do incenso, do Antigo Egito e, velozmente, ampliaram a utilização de fragrâncias e óleos em uma arte super-evoluída, sendo aceita e cultuada,  até os nossos dias  

Vidro Árabe Antigo
Um hábito arraigado entre os antigos, o uso de resinas, gomas e especiarias era empregado no embalsamamento, defumação e na prática médica em diferentes civilizações. A Pérsia, 0 Iraque além da Arábia, onde eram abrasadas nas fogueiras funerárias, em bodas e em diferentes comemorações (batismos, funerais e festas religiosas).    


O incenso desempenhou uma função significante no exercício místico e cerimônias da antiga Babilônia, Pérsia, Turquia, Síria e Arábia – e, segundo informações sobre o tema, se diz que foram os árabes que, com seus mercadores, trouxeram o incenso para Europa e o fizeram popular.  

No continente Europeu, a utilização maciça do incenso, em suas cortes bem como nas igrejas, transformou-se num marco, uma insígnia a indicar domínio e opulência. Aos poucos as fragrâncias perfumadas dominaram as culturas clássicas de todo o o Velho Mundo.  
   
GRÉCIA –

A Vaidade Grega
Médicos-Filósofos como Hipócrates, Críton e outros, viram na perfumaria uma  contribuição essencial nas práticas curativas, classificando-a como medicamentosa e aplicando-a em tratamentos, com ênfase a sua utilização para diversas doenças nervosas. 


Na sua obra “História Natural”, Plínio utiliza perfumes florais como drogas naturais. Pos sua vez Theofrasto creditava à inalação de perfumes diferentes a aceleração e crises de algumas doenças. Fazendo uso de outros, conforme fosse o que desencadeara o episódio, para devolver a normalidade e curar o doente.



Para os gregos os perfumes evocavam os deuses.   Um relato mítico do povo grego, conta que  através de uma ninfa de Afrodite, chamada Aeone, por um descuido o deixou chegar até os homens.

IMPÉRIO ROMANO -

Banhos   Público

Os gregos com seus costumes influenciaram o povo Romano no uso do perfume. A influência grega  foi de tal alcance que o  império romano,  que se estendeu por todo Sudoeste da Europa Central, Sudeste da Europa/Bálcãs e toda a bacia do Mediterrâneo, tornou-se decisivo para a ampliação da perfumaria, uma vez que passou a se utilizar das fragrâncias de forma  intensa.


A comercialização de matérias primas aromáticas foi vitalizada pela criação de caminhos mercantis para a Arábia, Índia e China. Durante o império, o interesse dos romanos por resinas, fragrâncias, bálsamos e perfumes extrapolou as fronteiras possíveis,  causando  um desequilíbrio nas contas  do império,  forçando uma crise.
 
            Registra-se que mirra e olíbano eram trazidos para Roma através do mar. Todo cidadão romano se perfumava. Há registro de que alguns perfumavam também  os seus cavalos.

 É relato histórico a existência, em Roma, de banhos públicos, cheios de luxo e rituais perfumados com as mais diversas porções aromatizadas. 


Os romanos mais abastados mandavam que seus escravos  perfumassem as solas dos seu pés.

ÍNDIA –

Merece destaque, a utilização de perfume entre os indianos. Em toda a história desse povo há registro do uso do incenso, que produz perfume, fumaça perfumada.  O lado poético indiano faz requintadas descrições de nuvens sublimes, divinais, a partir de óleos extraídos de plantas como o cipreste, o sândalo, a rosa, o patchouli, o jasmim.


Um ritual devocionário
O fogo, a queima de incenso, o perfume, as piras funerárias, tudo leva a ritual, religião. É recorrente e impossível dissociar, na Índia, o perfume dos deuses, do sagrado. Um povo que respira religiosidade e tem em seus hábitos cheiros e fragrâncias para cada  situação.

O uso do incenso, a prática de perfumar os locais torna visual seu efeito sobre os adoradores. O transe, a interação com o sagrado aumenta à medida que o perfume, o incenso invade o local. Pode-se dizer que perfumar santifica as áreas e lembra aos indivíduos a presença dos deuses.

Incenso e Pedras Incandescentes
Igualmente aos egípcios, os indianos tinham confiança em que sua religiosidade e reconhecimento chegariam até os deuses por meio de perfumes. A religião veda seria a grande responsável pelo hábito de queimar incenso e perfumar ambientes sagrados, banhar-se e fazer rituais de expurgação e limpeza. Esses rituais eram eram concluídos com o uso de óleos, unguentos e pó perfumado, esfregado ou passados no corpo. Os budistas acreditam que o caminhar para a outra vida tem um acesso  pela “montanha fragrante”.

O      PERFUME CAMINHA COM O HOMEM, DEIXA DE SER ASSOCIADO AO SAGRADO, TRANSFORMA-SE EM MEIO DE SEDUÇÃO, TORNA-SE SÍMBOLO DE PODER AQUISITIVO E PODE TRANSFORMAR-SE NA ÚNICA ROUPA VESTIDA POR UMA BELA E DESEJADA MULHER, MAS ISSO SÓ NA SEGUNDA PARTE. VENHAM, CONFIRAM. VEJAM.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

O PORQUÊ DE SUELEN OU


E NÓS AONDE VAMOS?
  
As pessoas que me conhecem sabem que sou uma mulher de meu tempo. Gosto de rir, de brincar, trabalhar, ser feliz, viver. Busco realizar aquilo que necessito tentando causar o mínimo de impacto aos que me cercam ou qualquer um que possa ser alcançado pelo eco de minhas ações.

Sou, a um só tempo, comedida e ousada. A minha atitude, na maioria das vezes, depende do assunto e do resultado de alguma análise, reflexão. Se for algo no âmbito familiar é mais simples, até porquê se trata de pessoas conhecidas. Se for no trabalho, de certo modo, também é possível lidar dentro de uma zona de conforto. Entretanto quando é algo externo e relacionado á sociedade, ao público em geral, torna-se bem mais difícil fazermos a nossa crítica.

Porém algo me deixa muito a vontade, é a certeza de que se vou encontrar, com minhas posições, discordância e contrariedade, certamente também vou atrair adeptos. Tenho absoluta convicção de que eu não estou sozinha.

Falo dos vilões e vilãs que o imaginário de nossos autores produzem ininterruptamente. A lista é imensa, só a título de lembranças, dentre os que efetivamente pude ver em ação, podemos citar alguns como o Leôncio da Escrava Isaura; Odete Roitman e Maria de Fátima de Vale Tudo; Laura Prudente de Celebridade; Nazaré Tedesco de Senhora do Destino; Leonardo Brandão de Insensato Coração e Teresa Cristina de Fina Estampa.

É evidente que a amostra acima não é referencial para a sempre crescente “lista do mau”. Um dos aspectos preocupantes é que o nosso cotidiano é riquíssimo de personagens de má índole. Não há privilégios nesse sentido. Encontramos “a galera do mau”, entre jovens e velhos; brancos, negros, orientais; ricos, classe média e pobres; homens ou mulheres; cultos, incultos, analfabetos, alfabetizados; realidade ou ficção, enfim, como dissemos, não há imunidade para a perversão.


No cenário da fantasia, aonde a licença criativa corre a solta, por vezes nos chocamos por encontrar, no personagem mais odiado, características e atitudes de pessoas do nosso dia a dia. É triste, doloroso, ver que a maldade, o crime, a falta de ética, o desrespeito à legislação, a moral e aos bons costumes rende altos picos no IBOPE, eleva a tiragem e venda de jornais, muda conceitos e entram em nossas casas sem pedir licença.

Por mais que sejamos atuais, vivamos em harmonia com a nossa realidade, não dá para deixar de lado algumas abominações. Fatos terríveis e escândalos, cada vez mais escabrosos envolvem, diuturnamente, o nosso cenário político, onde Ex-Presidentes, Governadores, Senadores, Deputados e outros parlamentares ganham destaque na mídia, envolvidos em histórias indecorosas; a criminalidade cresce a olhos vistos; o tráfico invade as vidas destruindo, impunemente, as famílias; as doenças se alastram, principalmente entre os mais pobres e, via de regra, mais desassistidos; cresce, assustadoramente o número de crianças nas ruas e que são a cada minuto vítimas da violências, da fome, dos maus tratos e da insensibilidade das autoridades.

 Uma disparidade assustadora com um Brasil dos abastados que educam seus filhos nas melhores escolas no exterior; possuem, invariavelmente, altos valores em dinheiro e ações, se locomovem em jatinhos particulares, ostentam jóias caríssimas, são proprietários de imóveis espetaculares, de veículos que podem ultrapassar a “bagatela” de R$ 2,8 milhões de reais – preço da Ferrari Four, trazida ao Brasil no final de 2011, para 11º Fórum Empresarial de Comandatuba, na Bahia.

Esta é uma panorâmica de nossa Pátria onde se desenrola a história na qual Suelen é coadjuvante. A atriz, uma moça muito bonita, dona de um rosto quase angelical, um corpo escultural, bastante representativa da beleza perseguida por muitas mulheres. Todavia não é sobre a profissional e sim sobre o personagem por ela interpretado.

Pautar com clareza nossos objetivos pode conter uma grande dificuldade, principalmente se a indignação é a cada dia alimentada com a descida de mais um degrau rumo à devassidão. Pois é, na novela Avenida Brasil, Suelen é o protótipo da imoralidade, da promiscuidade, da luxúria, da falta de ética, do mau gosto, da vulgaridade, da indecência.

Qual o propósito de ter uma personagem como a dessa moça? A primeira vez que a vi em cena havia uma discussão em torno de uma chantagem que a mesma usava para obrigar “Diógenes” e seus filhos a “hospedá-la”. Nessa ocasião – quando era hóspede, através de uma extorsão - a jovem mantém relações com Leandro, um dos filhos do dono da casa. Até aí, aparentemente, dentro da normalidade, de alguém que se dispõe a constranger outras pessoas.

No mesmo período, a história se desenrola mostrando a anti-heroína, sempre apelativa em roupas típicas de academia de ginástica, sensualmente vestida ou propositalmente desnuda, pulando de “cama em cama”, com o já citado Leandro, com Darkson, Iran e Lúcio, insinuando-se para Adauto, Valentim e, presumivelmente “se divertindo” com outros personagens, leia-se: o time de futebol do Divino.

Não fosse suficiente, a personagem após ser atendida num serviço médico – rede pública – convence um enfermeiro, fazendo sexo com aquele profissional, para que diga aos homens presentes e que a acompanhavam na ocasião, que ela está grávida. Daí em diante passa a gozar da hospedagem de um, a pedir dinheiro a outro para fazer um aborto e, ainda, dinheiro a outros, sob as mais ridículas e estaparfúdias desculpas.

A personagem é um poço de falcatruas. Nada tem que se possa extrair de digno. Em determinado capítulo fiquei pasma quando a mesma repreendeu um jovem que explora sua mãe. Ledo engano, no minuto seguinte exige desse a quantia de R$ 2.000,00 para fazer um aborto, que já pedira a outro, tudo para matar um feto inexistente. Mesmo assim, ainda tem a desfaçatez de tentar dar lição de moral, coisa que não denota conhecer sequer superficialmente.


Não fosse o péssimo exemplo de promiscuidade e total despudor passado às nossas jovens e adolescentes que, muitas vezes, movidas pela natural sede de viver com liberdade, deixam-se iludir pelo mundo imaginário da televisão, sobraria, ainda, a irresponsabilidade das relações sem proteção sugerida nas entrelinhas, isto porquê ao atribuir a paternidade de seu “filho” a três homens, “Suelen” deixa claro ter tido sexo com esses sem a menor preocupação de resguardar-se de alguma doença ou de uma gravidez indesejada, ou até mesmo as duas coisas simultaneamente.

Em sua farsa há diversão maldosa em relação à mãe de um dos pseudos-pais; Suelen se compraz em torturá-la, manipula o filho contra a mãe, se insinua para o futuro marido dessa e ainda a destrata sempre que pode.  

Há mudança nas maldades e não o é em sentido decrescente. O que se mostrava como uma mocinha desprotegida, “tonta”, revelou-se desonesta, sem escrúpulos, má, chantagista, despudorada e, no bom e velho linguajar Nordestino, uma sem vergonha.

Algumas questões me incomodam. Por que Suelen, por que personagens como essa estão sendo, sempre repetidas? A que se deve a insistência em mostrar como normais à chantagem, a promiscuidade, a irresponsabilidade, a exploração do outro, a falta de objetivos? Tudo isso sem falar no que seria absurdo, diante dos “predicados” da moça, como por exemplo, um trabalho digno, estudo, normalidade, coerência.

Aonde vamos com visões tão distorcidas de como deve se comportar um ser humano? Aonde nos levará o exercício diário, por quase uma hora, de mentiras, adultério, traições, enganos, furtos, coação? Como assistir calmamente as maquinações cada vez mais escabrosas de pessoas numa mesma “família”, contra seus familiares? O que estamos repassando aos nossos filhos com nossa atitude de mesmice, vendo e calando diante de tantas iniqüidades?

 O meu desabafo é a crítica que faço a esta invasão diária aos nossos lares por personagens tão nocivas e às vezes mais que Suelen. A novela em foco tem uma senhora galeria de personagens deturpadas.   Aos que pensam no simples ato de mudar de canal ou desligar a televisão como opção aos que não gostam do que vêem, deixo um alerta: cuidado! Sua filha, seu filho, sua irmã, seu irmão ou quem sabe, aqueles primos , sobrinhos, adolescentes, de que você tanto gosta, pode estar num shopping, numa sorveteria, ou mesmo em casa, “aprendendo” com excelentes professores, como extorquir, enganar os pais e outros, se promiscuir, ridicularizar de quem age com seriedade.

Não esqueça, Suelen sabe, pratica, ensina e ainda premia você e quem gosta com um sorriso angelical. Aos que pensam como eu, tentem, se possível, mostrar como a personagem é falsa e como é nociva aos que se aproximam dela, em razão de seu modo de ser, de ver a vida e de se relacionar com seus semelhantes. Boa sorte.



quinta-feira, 31 de maio de 2012

MARIA NOSSA MÃEZINHA


UMA MULHER, UMA MISSÃO.

A historiografia de Maria de Nazaré nos é repassada, no Novo Testamento, através dos evangelistas Mateus, Lucas e João.  Com destaque para Lucas cuja graça e suavidade nos incitam à devoção Mariana, o fazendo em linhas traçadas com o olhar luminoso da alma.

A Bíblia nos relata que em Jesus Cristo “o Verbo que se fez carne e habitou entre nós”. Assim, nele a humanidade conheceu “o Filho do homem e ao mesmo tempo Filho de Deus, o Homem predestinado, cuja vinda muda o curso do mundo.” O Messias, enviado para dar liberdade ao povo Judeu oprimido pelo jugo Romano, conduzindo-os a uma outra realidade.

A anunciada vinda de Jesus o seria através de uma virgem. O Ofício de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, nas Vespertinas, assim refere-se: “Deus vos salve, relógio, que atrasado, serviu de sinal, ao Verbo encarnado. Para que o homem suba às sumas alturas, desce Deus do céu, para as criaturas.” Nesta passagem o sol que retrocede representa o Cristo que se rebaixa, fazendo-se homem. “Então Maria é comparada ao relógio, no qual se realiza essa aniquilação do Sol divino.

Outra analogia que se pode fazer é que em Nossa Senhora no momento de sua Concepção Imaculada o sinal da Redenção foi nela impresso antecipadamente, em virtude da previsão dos méritos do seu divino Filho. As sombras do pecado original foram como que recuando para dar passagem a essa alma predestinada, que deva irradiar ao mundo o Sol da Justiça, Jesus Cristo, Salvador dos homens.” Fonte. Urbanomedeiros.com

Segundo os historiadores Maria teria entre aproximadamente 15 ou 16 anos de idade quando se tornou mãe. Descendia da casa de Davi e morava na região da Baixa Galiléia e fora prometida a José de quem ficou noiva. No  Evangelho de São Lucas (Lucas 1:26-38): 26. Quando Isabel estava no sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia chamada Nazaré, 27. a uma virgem prometida em casamento a um homem de nome  José, da casa de Davi. A virgem se chamava  Maria.  28. O anjo entrou onde ela estava e disse: " Alegra-te, cheia de graça! O Senhor está contigo".  29. Ela perturbou-se com estas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação. 30. O anjo, então, disse: “Não tenhas medo, Maria! Encontraste graça junto a Deus. 31. Conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. 32. Ele será grande; será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai. 33. Ele reinará para sempre sobre a descendência de Jacó, e o seu reino não terá fim”. 34. 

Maria, então, perguntou ao anjo: “Como acontecerá isso, se eu não conheço homem?” 35. O anjo respondeu: “O Espírito Santo descerá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso, aquele que vai nascer será chamado santo,Filho de Deus. 36. Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na sua velhice. Este já é o sexto mês daquela que era chamada estéril, 37. pois para Deus nada é impossível”. 38. Maria disse: “Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra”. E o anjo retirou-se.

Definida nas Sagradas Escrituras como a Virgem Maria, desde os primórdios do Catolicismo passou a ser venerada pelos cristãos como a Mãe de Deus. A virgindade de Maria é reconhecida pela igreja católica, sendo um dogma de fé firmado pela Cristandade. Inicialmente como a Imaculada Conceição e posteriormente Assunta ao Céu. O credo na virgindade de Maria durante toda a sua vida surgiu em meados do século VII. Entretanto, foi a partir da Idade Média que a pureza eterna de Maria significava a ausência total de pecado, inclusive, do pecado original.

O Culto Mariano é de veneração dos fiéis para com a Mãe de Deus. O amor que lhe é devotado é aquele que os filhos dedicam às mães.

Nossa Senhora tem nos visitado através de aparições a ardorosos crentes no decorrer da humanidade. Tais acontecimentos criaram verdadeiras ilhas de amor e devoção, onde Maria é revisitada, constantemente por fiéis de todo o mundo. Os santuários em homenagem a Mãe de Deus estendem-se por toda a parte, assim temos como marcos de sua passagem entre nós: o da Madona Negra de Chestochowa, na Polônia, reverenciado desde o século XIV; o retrato de Nossa Senhora de Guadalupe, comemorando a aparição no México, em 1531; Nossa Senhora de Lurdes (França, 1858); e Nossa Senhora de Fátima (Portugal, 1917). Maria (Mãe de Jesus Cristo).

REPRESENTAÇÕES DA MÃE -


NOSSA SENHORA APARECIDA.

Padroeira de Brasil, cujo santuário atrai milhares de fiéis que buscam ver a Santa, original, resgatada pelas rede de um pescador.



NOSSA SENHORA DE FÁTIMA E OS TRÊS PEQUENOS PASTORES .

LÚCIA,


JACINTA e


FRANCISCO.





NOSSA SENHORA 

DAS


GRAÇAS.




NOSSA SENHORA  DE

GUADALUPE.


A CURA DE JUAN BERNARDINO.

NOSSA SENHORA DA GUIA,REVERENCIADA NO
SANTUÁRIO EM LUCENA NA PARAÍBA, POR
PESCADORES E PELO POVO EM GERAL.

NOSSA SENHORA 

DA

IMACULADA CONCEIÇÃO

DE  MARIA





NOSSA SENHORA 

          DE

LOURDES.


A SENHORA ENTRE AS ROCHAS.






NOSSA SENHORA DAS NEVES


A PADROEIRA

          DE 

NOSSO ESTADO.






NOSSA SENHORA DA PENHA SANTUÁRIO EM JOÃO PESSOA CONSTRUÍDO PELO PORTUGUÊS
SÍLVIO SIQUEIRA EM 1763.  A SANTA, APÓS
INVOCAÇÃO,  TERIA SALVO TODA A TRIPULAÇÃO QUE NAVEGAVA A COSTA DA PARAÍBA.



NOSSA SENHORA 

         DO

PERPÉTUO SOCORRO







A ORAÇÃO SAUDAÇÃO A MARIA.

MAGNIFICAT

A minha alma glorifica o Senhor *
E o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.

Porque pôs os olhos na humildade da sua Serva: *
De hoje em diante me chamarão bem aventurada todas as gerações.
O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: *
Santo é o seu nome.

A sua misericórdia se estende de geração em geração *
Sobre aqueles que o temem.
Manifestou o poder do seu braço *
E dispersou os soberbos.

Derrubou os poderosos de seus tronos *
E exaltou os humildes.
Aos famintos encheu de bens *
E aos ricos despediu de mãos vazias.

Acolheu a Israel, seu servo, *
Lembrado da sua misericórdia,
Como tinha prometido a nossos pais, *
A Abraão e à sua descendência para sempre

Glória ao Pai e ao Filho *
E ao Espírito Santo,
Como era no princípio, *
Agora e sempre. Amém.

MÚSICA - MAGNIFICAT, MAGNIFICAT - O LOUVOR, O AMOR.




Magnificat, Magnificat é o canto de amor. Minha alma engrandece a Deus, meu Salvador. 

Canta coração, alegre e feliz, com gratidão a Deus bendiz. (bis)

 Santo é seu nome que está em toda terra. Puro é seu amor que alegria encerra. (bis)


 Nossa união é o milagre de amor vindo de Jesus, o nosso Salvador. (bis)


Deus é um Pai fiel, de ninguém esquece. Obrigado, Deus, ouve esta prece. (bis)

Que Maria Santíssima derrame suas bençãos sobre nós e que cada um, em seu íntimo se alegre e renda graças a aquela que Deus Pai escolheu para Mãe do Deus  homem e de toda a humanidade.       




 

sexta-feira, 25 de maio de 2012

A FESTA DO ESPÍRITO SANTO

PENTECOSTES –

É Bíblica a origem da festa de Pentecostes ou Festa da Messe. Até mesmo anteriormente à condição de festa cristã. Essa era uma tradição Judaica, com simbologia ligada à agricultura e com denominação diversas.

Assim, no Livro do Êxodo referente às Leis acerca das festas religiosas, capítulo 23, versículos 14 a 16,  é chamada de festa da Colheita, a festa dos primeiros feixes de trigo colhidos. 


Ainda, em Êxodo, desta feita no capítulo 34 em seu versículo 22, é designada de festa das Semanas. Tal nominação é explicada no Levítico, capítulo 23, versículos 15 a 21, que inicia com a determinação da contagem de sete semanas completas, calculando-se cinquenta dias até o dia seguinte ao sétimo sábado, para que fosse apresentada uma nova oferta ao Senhor, delineando-se, nos versículos subsequentes, toda uma ritualística para reconhecimento do que se afigurava como uma Lei perpétua .

No mundo Hebraico da época de Jesus Cristo a solenidade de Pentecostes acontecia cinquenta dias depois da Páscoa, fazendo memória do dia em que Moisés recebeu de DEUS, no Monte Sinai, as tábuas da Lei, fato que se estendeu à civilização cristã como os Dez Mandamentos.  O passar dos tempos fez com que a festa perdesse seu elo, sua vinculação com a realidade agrícola, passando a ser denominada com o vocábulo grego Pentecostes, assumindo uma condição de  festa cívico-religiosa.

Originado na Grécia o termo Pentecostes, é grafado em grego antigo como πεντηκοστή , significando "o quinquagésimo dia". Constitui-se numa das comemorações mais importantes do Calendário Eclesiástico, porquanto celebra a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos de Jesus Cristo. Juntamente com o Natal e, a Páscoa, configura a base, tríplice, mais importante do chamado Ano Litúrgico.


O Dia de Pentecostes é festejado, pela cristandade, cinquenta dias após o Domingo de Páscoa, que vem a ser o décimo dia subsequente ao dia da Ascensão de Jesus Cristo

Para os católicos a festa de Pentecostes fecha um ciclo iniciado com o Natal quando se comemora o nascimento do menino Jesus; seguido da Páscoa, que revela e confirma o Verbo Encarnado, o Deus Homem, o ministério terreno do Deus Criador - consumado através do Cordeiro e de sua missão salvadora -; finalmente,  a festividade de Pentecostes que significa o batismo no Espírito Santo.


Pormenorizar essa sequência permite uma melhor compreensão da Festa de Pentecostes como uma das três que faz o Ciclo da Páscoa.

Nos Atos dos Apóstolos, há a coincidência da descida do Paráclito* do Senhor com a festa judaica de Pentecostes (*Paráclito = paracleto = Espírito Santo). Considerando a associação ao fogo, que é um dos símbolos do amor, elegeu-se o vermelho como tom dominante nas vestes sacerdotais e paramentos para a celebração Pentecostal.  Espírito Santo ou Espírito de Amor são usados como sinônimos entre os católicos.  

 Seguindo uma interpretação literal do relato fático, os católicos são levados a entender que o Espírito Santo “desceu” sob os Doze apóstolos, que os receberam.


Todavia, diante do encadeamento que nos é mostrado na Bíblia, inclusive, durante a vida pública de Jesus, bem como nas mensagens dos evangelistas e na própria exposição do ocorrido no cenáculo, podemos concluir de forma extensiva, que o Pentecostes aconteceu para muitos. 

A Bíblia descreve o evento de Pentecostes no Livro Atos dos Apóstolos, em seu capítulo 2, versículos de 1-11. Também o faz, de forma diversa a ali colocada por Lucas, em Mateus 28 -16 a 20 e no Evangelho de São João, 20:22. Há quem diga ter havido dois Pentecostes. Um prefacial, narrado pelo evangelista acima, segundo o qual Jesus soprou sobre os Apóstolos exclamando: “recebei o Espírito Santo”, por ocasião da Páscoa, no cenáculo, logo após a Ressurreição.

A Igreja já registrou a duplicidade de transcrições sobre a vinda do Espírito Santo. O Doutor da Igreja, Santo Agostinho, referindo-se ao acontecimento narrado por João o vê como prenúncio, como uma dádiva adstrita aos Apóstolos e o Pentecostes, após a Ascensão de Jesus, como algo universal, para todos.

Os Evangelistas imaginam e discorrem de forma diferente o que seria dom do Espírito Santo. A diversidade Teológica, sob  o domínio de dois pontos de vista diferentes, também aponta  dois vértices que fundamentam a inquietação de cada um dos expositores. Desse modo, há a confirmação de que em dois momentos diferentes os Apóstolos foram “tocados” pelo Espírito Santo, tal constatação apenas enriquece o Batismo pelo Paráclito.

Como ponto fundamental há o mesmo fato da história da salvação, isto é, o derramamento do Espírito Santo tornado crível para cumprimento das Sagradas Escrituras com a Ressurreição de Cristo. Com os relatos das duas passagens se conclui pelo acontecimento da renovação espiritual e da santificação. Pode-se dizer que na descrição de S. Lucas há um realce para a dimensão carismática  do batismo do Espírito Santo enquanto que para S. João há vivificação. 

São recorrentes as citações sobre Pentecostes, assim vamos conferir o Batismo pelo  Espírito Santo no batismo da Samaria, Act 8,17; no batismo de Cornélio, Act 10,44-46; no batismo de Éfeso, Act 19,6.


Todavia a exposição de Lucas, antecedendo o Espírito, é algo marcante, senão vejamos: num primeiro momento há a afirmação da volta dos apóstolos para Jerusalém, uma vez que aqueles  estavam no monte das Oliveiras, próximo de Jerusalém: uma caminhada de sábado, qual seja: a distância que os judeus podiam percorrer num dia de sábado, sem violar a lei do repouso, foi reduzida pelo costume a uns 1000 metros. "Entraram no cenáculo e subiram ao quarto de cima, onde costumavam permanecer. 


Eram eles: Pedro e João, Tiago e André, Filipe e Tome, Bartolomeu e Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão Zelote e Judas, filho de Tiago. Chegando o dia de Pentecostes, tendo havido a substituição de Judas por Matias, Lucas afirma que " estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse  um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo, que se repartiram e repousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem" (2,1-4).


Ainda,    o relato  dos     versículos    de    5 a 12,  demonstra   o recebimento      do dom do Espírito Santo por Galileus, Partos, Medas, Elamitas, habitantes da Judéia, Mesopotâmia, Judéia, Capadócia e Ponto na Ásia.  Na fala depois de terem recebido o Espírito Santo, Pedro cita o profeta Joel, que previa a efusão do Espírito sobre todas as pessoas: Nos últimos dias, diz o Senhor, eu derramarei o meu Espírito sobre todas as pessoas. Os filhos e filhas de vocês vão profetizar, os jovens terão visões e os anciãos terão sonhos. E, naqueles dias, derramarei o meu Espírito também sobre meus servos e servas, e eles profetizarão" (2,17-18; veja Joel 3,1-5). 

Não se deve, consequentemente, asseverar que exclusivamente os Doze Apóstolos é que receberam o Espírito Santo.


Percebe-se em 1 Coríntios 12-14 que o fenômeno de falar em línguas diferentes ocorria em Corinto, onde às comunidades cristãs se reuniam para orar em línguas diversas, como um hábito sem que tal fato se relacionasse a Pentecostes. Foi Paulo quem determinou que cada um dos que oravam em língua estranha o fizesse em separado e com interprete. Os primeiros Cristãos e muitos ainda hoje, entendem Pentecostes como o Dom de Falar em línguas, supervalorizando-o.


Entre todas as direções que venham a ser seguidas, nenhuma esclarece mais do que nos faz Paulo, quando nos demonstra que - O AMOR É O DOM SUPREMO (Coríntios I, cap. 13; vers. 1 a 13), conforme se transcreve:

"E eu passo a mostrar-vos ainda um caminho sobremodo excelente.

Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine.

E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará.

O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se recente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.


O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará; porque, em parte, conhecemos e em parte, profetizamos.

Quando, porém, vier o que é perfeito, então o que é parte será aniquilado. 



Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino.


Porque, agora, vemos como em espelho, obscuramente, então, veremos face a face. Agora, conheço em parte; então, conhecerei como também sou conhecido.

Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor.

Que possamos comemora o Pentecostes fazendo aquilo que é agradável aos olhos de DEUS, que nos amemos como ELE nos amou.

PARA TODOS UM DIA SANTO, DEDICADO AO ESPÍRITO CONSOLADOR.



terça-feira, 22 de maio de 2012

POR QUE ACREDITAR?


POR AQUELES QUE BUSCAM A VERDADE -

Aos que me honram com sua leitura, hoje trago uma passagem a um só tempo triste e bela. A certeza de que DEUS nos faz instrumento de sua vontade. A constatação de que nada é por acaso e que somos, sempre, guiados por fios invisíveis que nos conduzem, num mundo povoado por escândalos, falcatruas, desumanidade, truculência e mandonismo, de volta à sombra do Altíssimo nosso escudo e nossa proteção.

As informações, por vezes chegam até nós de forma espontânea e, como somos curiosos e sequiosos de boas notícias nos sentimos na obrigação de dividir com aqueles que nos prestigiam.  Tendo recebido o que ora passo a vocês, através da Drª. MARISE ARCOVERDE que, por sua vez, o recebeu do Dr. PEDRO ERNANE, compartilho com tantos quantos queiram se deliciar com a maravilhosa atuação do Desembargador JOSÉ LUIZ PALMA BISSON.

“Agravo de Instrumento/ Uma Lição ESPETACULAR

Pela beleza e profundidade do despacho exarado pelo douto Desembargador em favor do menino que pedia gratuidade nas custas do processo e que lhe fora negada em 1a. instância.
                                                          

ALÉM DE TUDO UMA LIÇÃO DE VIDA.
 PEÇO VÊNIA PARA INSERIR IMAGENS
AOS ADVOGADOS AMIGOS E PARENTES E AOS AMIGOS QUE TÊM CAUSÍDICOS NA FAMÍLIA , BEM COMO A TODOS QUE PRIMAM PELA ÉTICA, EQUIDADE E JUSTIÇA.

AGRAVO DE INSTRUMENTO/
 LIÇÃO ESPETACULAR

 
Decisão do Desembargador José Luiz Palma Bisson, do Tribunal de Justiça de São Paulo, proferida num Recurso de Agravo de Instrumento ajuizado contra despacho de um Magistrado da cidade de Marília (SP), que negou os benefícios da Justiça Gratuita a um menor, filho de um marceneiro que morreu depois de ser atropelado por uma motocicleta. O menor ajuizou uma ação de indenização contra o causador do acidente pedindo pensão de um salário mínimo mais danos morais decorrentes do falecimento do pai.

ALÉM DE TUDO UMA LIÇÃO DE VIDA.

Por não ter condições financeiras para pagar custas do processo o menor pediu a gratuidade prevista na Lei 1060/50. O Juiz, no entanto, negou-lhe o direito dizendo não ter apresentado prova de pobreza e, também, por estar representado no processo por "advogado particular". A decisão proferida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo a partir do voto do Desembargador Palma Bisson é daquelas que merecem ser comentadas, guardadas e relidas diariamente por todos os que militam no Judiciário." (Encaminhamento do E-mail recebido).

Transcrevo a íntegra do voto:

 
“É o relatório. Que sorte a sua, menino, depois do azar de perder o pai e ter sido vitimado por um filho de coração duro - ou sem ele -, com o indeferimento da gratuidade que você perseguia. Um dedo de sorte apenas, é verdade, mas de sorte rara, que a loteria do distribuidor, perversa por natureza, não costuma proporcionar. Fez caber a mim, com efeito, filho de marceneiro como você, a missão de reavaliar a sua fortuna.

Aquela para mim maior, aliás, pelo meu pai - por Deus ainda vivente e trabalhador - legada, olha-me agora. É uma plaina manual feita por ele em paubrasil, e que, aparentemente enfeitando o meu gabinete de trabalho, a rigor diuturnamente avisa quem sou, de onde vim e com que cuidado extremo, cuidado de artesão marceneiro, devo tratar as pessoas que me vêm a julgamento disfarçados de autos processuais, tantos são os que nestes vêem apenas papel repetido. É uma plaina que faz lembrar, sobretudo, meus caros dias de menino, em que trabalhei com meu pai e tantos outros marceneiros como ele, derretendo cola coqueiro - que nem existe mais - num velho fogão a gravetos que nunca faltavam na oficina de marcenaria em que cresci; fogão cheiroso da queima da madeira e do pão com manteiga, ali tostado no paralelo da faina menina.

Desde esses dias, que você menino desafortunadamente não terá, eu hauri a certeza de que os marceneiros não são ricos não, de dinheiro ao menos. São os marceneiros nesta Terra até hoje, menino saiba, como aquele José, pai do menino Deus, que até o julgador singular deveria saber quem é.

O seu pai, menino, desses marceneiros era. Foi atropelado na volta a pé do trabalho, o que, nesses dias em que qualquer um é motorizado, já é sinal de pobreza bastante. E se tornava para descansar em casa posta no Conjunto Habitacional Monte Castelo, no castelo somente em nome habitava, sinal de pobreza exuberante.
Claro como a luz, igualmente, é o fato de que você, menino, no pedir pensão de apenas um salário mínimo, pede não mais que para comer. Logo, para quem quer e consegue ver nas aplainadas entrelinhas da sua vida, o que você nela tem de sobra, menino, é a fome não saciada dos pobres.

Por conseguinte um deles é, e não deixa de sê-lo, saiba mais uma vez, nem por estar contando com defensor particular. O ser filho de marceneiro me ensinou inclusive a não ver nesse detalhe um sinal de riqueza do cliente; antes e ao revés a nele divisar um gesto de pureza do causídico. Tantas, deveras, foram as causas pobres que patrocinei quando advogava, em troca quase sempre de nada, ou, em certa feita, como me lembro com a boca cheia d'água, de um prato de alvas balas de coco, verba honorária em riqueza jamais superada pelo lúdico e inesquecível prazer que me proporcionou.

Ademais, onde está escrito que pobre que se preza deve procurar somente os advogados dos pobres para defendê-lo? Quiçá no livro grosso dos preconceitos...
Enfim, menino, tudo isso é para dizer que você merece sim a gratuidade, em razão da pobreza que, no seu caso, grita a plenos pulmões para quem quer e consegue ouvir.

Fica este seu agravo de instrumento então provido; mantida fica, agora com ares de definitiva, a antecipação da tutela recursal.

É como marceneiro que voto.
JOSÉ LUIZ PALMA BISSON -- Relator Sorteado”
 
Juízes assim, são capazes de nos fazer continuar acreditando na Justiça...Ainda que nos falte a crença em inúmeras instituições seculares, acreditar NELA é, antes  de  qualquer  coisa,     um alento,   uma esperança de que de alguma forma e através de alguém o DIREITO E A JUSTIÇA possam triunfar.

É certo que simbolicamente a Justiça nos é apresentada como uma  Deusa  de olhos vendados - apresentação de Themis - de forma a  sugerir cegueira. Uma opção de modo a não ver diferenças que possam influenciar . É necessário, todavia, que essa cegueira não se dê de forma unilateral, como o fez o Magistrado de 1ª instância que espero se trate de decisão isolada, fruto de um dia ruim.



Para todos nós a figura ímpar do grande 

          CARPINTEIRO

que esculpiu na pedra - o novo Pedro; na madeira de Lei,  Saulo de Tarso que transformou-se em Paulo e, também por  "trabalhar"  a nossa humanidade nos transformando em pessoas melhores.