Quem sou eu? O que faço

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João Pessoa, Paraíba, Brazil
Quem sou? O que faço. Sou Maria de Lourdes, tenho, agora, 62 anos, esposa, mãe e avó, formação jurídica, com pós graduação em Direitos Humanos e Direito Processual Civil, além de um curso não concluído de Filosofia. Conheci os clássicos muito cedo, pois não tinha permissão para brincar na rua. Nosso universo – meu e de meus irmãos – era invadido, diariamente, por mestres da literatura universal, por nossos grandes autores, por contistas da literatura infanto-juvenil, revistas de informação como Seleções e/ou os populares gibis. Todos válidos para alimentar nossa sede de conhecimento. Gosto de conversar, ler, trabalhar, ouvir música, dançar. Adoro rir, ter amigos e amar. No trabalho me realizo à medida que consigo estabelecer a verdade, desconstruir a mentira, fazer valer direitos quando a injustiça parece ser a regra. Tenho a pretensão de informar, conversar, brincar com as palavras e os fatos que possam ser descritos ou comentados sob uma visão diferente. Venham comigo, embarquem nessa viagem que promete ser, a um só tempo, séria e divertida; suave e densa; clássica e atual. Somente me acompanhando você poderá exercer seu direito à críticas. Conto com sua atenção.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Mitologia Nórdica - Parte I

O NADA, O INÍCIO

 

O começo

 A princípio era o nada, apenas névoas chamadas Niflheim e o fogo, Musphelhein,  havendo entre eles o Ginungagap que era o "grande vazio" , onde não existia vida. Aconteceu que nesse imenso vazio houve o encontro do fogo e da névoa, surgindo um imenso bloco de gelo.  Sendo o fogo imutável e vigoroso foi dissolvendo o gelo e moldando um gigante, um colosso original - Ymir, que permaneceu adormecido por eras. Todavia, de seu suor nasceram os primogênitos gigantes. 

 

O gigante Ymir

 Ainda do fértil gelo surgiu a vaca gigante - Audumbla - com seu leite, que vertendo de sua tetas primiciais davam forma a quatro rios que nutriam o gigante Ymir. O gelo foi derretido pela vaca que o lambeu até libertar o primeiro deus, Buros, cuja genealogia mostra que foi pai de Borr, esse gerou o primeiro Æsir - Odin, bem como os seus irmãos, Vili e Ve.  Por sua vez os filhos de Borr, Odin, Vili e Ve, despedaçaram o corpo de Ymir criando, dos seus destroços, o mundo. 

Segundo o relato mitológico dos seus ossos e dentes originaram-se as rochas e as montanhas, do seu cérebro  originaram-se as nuvens. Os deuses, nessa ocasião, organizaram os dias e as noites e a passagem de um para o outro,  igualmente estabeleceram a mudança das estações. 


Há, também, outros deuses, como Sol que era filha de Mundifari e esposa de Glen. Reza o mito que ela cavalgava, através do céu,  todos os dias, em sua carruagem que era puxada por Alsvid e Arvaki, seus dois cavalos, sendo o seu passeio diário conhecido como Alfrodul, que quer dizer "glória dos elfos", que se tornou um Kenning ( expressão poética para os nórdicos) rotineiro para o sol. A deusa Sol durante o dia era perseguida por Skool que era um lobo e queria devorá-la. 

A ocorrência de eclipses solares significava momentos em que Skoll quase conseguia seu intento de pegar a presa. Diz ainda, a mitologia, que aconteciam ocasiões em que Skoll conseguia capturar e devorar Sol, todavia essa era substituída por sua filha. Por outro lado o irmão de Sol, a lua, Mani tinha o seu perseguidor, um lobo chamado Hati. Por sua vez  Svalin, que ficava, sempre, entre a terra e as estrelas a protegia do calor do sol. 


Yggadrasi
A luz, conforme a cosmogonia Viking, não se originava do sol mas saía da juba de Alsvid e Arvak. A literatura épica das Eddas, que são poemas e/ou prosas, redigido em nórdico antigo, preservado, com suas duas  compilações: a Edda prosaica (conhecida também como Edda Menor ou Edda de Snorri) e a Edda poética (também chamada Edda Maior ou Edda de Saemund), através da Sybil traça a Yggadrasi - Yggdrasil ou (nórdico antigo: Yggdrasill) que é uma árvore colossal, para alguns um freixo, para outros um teixo e que na mitologia nórdica era o eixo do mundo. 

Encontrando-se no centro do universo a Yggadrasi reunia os nove mundos do universo nórdico, cujas raízes mais profundas estão situadas em Niflheim, cravavam os mundos subterrâneos; o tronco era Midgard, ou seja, o mundo material dos homens; a parte mais alta, que se dizia tocar o Sol e a Lua, chamava-se Asgard (a cidade dourada), a terra dos deuses, e Valhala, o local onde os guerreiros vikings eram recebidos após terem morrido, com honra, em batalha.

 
Valquírias
As frutas da Yggdrasil guardam as respostas as mais inquietantes questões da humanidade. Por tais razões está diuturnamente defendida por uma centúria de valquírias, chamadas protetoras. Apenas os deuses podem visitá-la. O mito nórdico  diz ainda que as folhas de Yggdrasil podiam trazer pessoas de volta à vida e  um  só de seus frutos, curaria qualquer doença. 

As eddas que são , numa visão simplista o relato de tudo, através  da Sybil, fala sobre as três Nornas que são símbolos femininos da fé inexorável, conhecidas como Urðr - Urdar, Verðandi - Verdante e Skuld, que indicam o passado, a atualidade e futuro,  tecem as linhas do destino. Descreve também a guerra inicial entre o Æsir e o Vanir e o assassinato de Balder.  Então, o espírito gira sua atenção ao futuro.

A guerra
 O surgimento de vários deuses sempre dá início a conflitos que visam estabelecer o domínio, o poder. A guerra na mitologia Escandinava ocorreu a partir do estabelecimento do eixo - Yggadrasi -, Odin, Vili e Ve, criaram o lar dos deuses, Asgard a Cidade Dourada. 

Posteriormente Odin criou mais deuses, osÆsires, para povoar Asgard. Ainda, que, apareceu outro grupo de deuses, os Vanires, cujo surgimento é cercado de  imprecisão  inexistindo informações que o situe antes  ou depois dos Aesires. Povoando Vanahein que era uma terra próxima  a Asgard, os Vanires tem uma procedência nebulosa, sem explicações.

Há o relato de que esses deuses, os Aesires são divindades da guerra e do destino, por outro lado os Vanires se caracterizam como deuses de fertilidade e prosperidade. Por muito tempo aconteceu uma sangrenta guerra envolvendo  as divindades, motivada pelo rapto de uma Vanir chamada Gullveig, guardiã do segredo da criação de riquezas, motivando tal segredo uma incontrolável cobiça que culminou com o ato de arrebatamento pelos  Aesires.  Em virtude da divindade de ambos os lados, nenhum demonstrava estar próximo a liquidar com o rival. A permuta de prisioneiros foi um arranjo que possibilitou a  paz . 
 
 "Os Vanires mandaram Njord e seus filhos gêmeos Frey e Freya para viver com os Aesires, e estes mandaram Hoenir, um homem grande que eles disseram ser um de seus melhores líderes, e Mimir, o mais sábio dos Aesires, para viver com os Vanires. 

Desconfiados de Hoenir, os vanires ficaram acreditando que ele era menos capaz do que os Aesires disseram e, perceberam que suas respostas eram menos autoritárias quando Mimir não estava presente para aconselhá-lo. Quando eles perceberam que haviam sido trapaceados, os Vanires cortaram a cabeça de Mimir e mandaram-na de volta aos Aesires. 

Ask e Embla
   Aparentemente, os Aesires consideraram isto como um preço justo por terem enganado os Vanires, pois os dois lados permaneceram em paz. Com o passar do tempo, as duas raças foram se integrando e tornaram-se grandes aliadas. Após estabelecerem controle sobre Asgard, os deuses criaram o primeiro homem, Ask, de um carvalho e a primeira mulher, Embla, de um olmo. Odin deu a cada um dos dois um espírito, Hoenir (Honir/Vili) presenteou eles com seus cinco sentidos e a habilidade de se mover, e Lodur (Ve) deu a eles vida e sangue. 

O casal deu origem a uma nova raça, sobre a qual eles, os deuses, estariam exercendo permanente a sua tutela. Mas Odin, deus da sabedoria e da vitória, era o protetor dos guerreiros aos quais proporcionava um especial afeto, cuidando deles da altura do seu trono, o Hlidskialf, enquanto vigiava o resto do Universo, no nível dos deuses, no dos humanos e no dos elfos.

EDDAS
  A Mitologia nórdica, também chamada de mitologia germânica, mitologia viking ou mitologia escandinava foi uma religião pré-cristã, crenças e mitos dos povos escandinavos, incluindo aqueles que se estabeleceram na Islândia, onde a maioria das fontes escritas para a mitologia nórdica foram construídas. Esta é a versão mais bem conhecida da mitologia comum germânica antiga, que inclui também relações próximas com a mitologia anglo-saxônica. Por sua vez, a mitologia germânica evoluiu a partir da antiga mitologia indo-europeia. (Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre).

OS DEUSES - Segundo, os poemas islandeses da Edda e a prosa da Edda de Snorri Sturluson, no Skáldskaparmál ("A Linguagem Poética") há doze deuses principais, que costumam ser os juízes nas assembléias, sentando-se em seus grandes tronos: Thor, Niord,  Freyr, Týr, Heimdall, Bragi, Vidar, Váli, Ullr , Haenir, Forseti e LoKi, presididos pelo maior de todos, ODIN; e as suas companheiras são: Frigg, Frejya, Gefion, Idun, Gerd, Sigyn,Fulla e Nanna. Porém há outros deuses e deusas, não menos importantes, mas que são pouco descritos pela mitologia. (Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre).

Odin e seus lobos
ODIN -  É Filho de Borr e da giganta Bestla, irmão de Vili e Ve, esposo de Frigg. É para estudiosos da mitologia Viking o principal deus. Morador de ASGARD , chamada de "a morada dos deuses",  onde tinha o seu palácio Valaskjálf e o seu trono de  onde  espreitava tudo o que ocorria nos nove mundos. Era o deus da sabedoria, da guerra, da morte, da magia, da poesia, da profecia, da vitória e da caça. 

 Além disso Odin tinha a seus pés  os lobos Geri e Freki, a quem Odin fornece toda a carne que é colocada diante dele, já que ele próprio não precisa alimentar-se. A sua figura imponente, ficava ainda mais marcante em razão de suas armas , de seus lobos e do cavalo, diferente de todos os outros.



Odin no seu cavalo Sleipnir
Odin montava o cavalo Sleipnir, que tinha oito patas. Como deus da guerra, era o responsável por mandar suas filhas, as Valquírias, recolher os corpos dos heróis que pereciam em combate e que , mortos, eram levados a Valhalla - cidade dos mortos - sentando-se ao lado de Odin durante os banquetes em sua homenagem. 

Na mitologia Nórdica, no final dos tempos haverá a grande batalha - Ragnarok - onde Odin guiará os deuses e os homens no confronto com as forças do caos. Neste embate o deus será morto e devorado pelo lobo Fenrir, que ato contínuo será abatido por Vidar, esse, por sua vez arrancará a mandíbula da fera apoiando o pé sobre a garganta daquele.
Mimir

Sobre Odin, há ainda o relato da perda de seu olho, desejoso de saber todas as coisas manifestou seu interesse  em beber da fonte da Sabedoria, onde  Yggdrasill imerge uma das  suas raízes; entretanto, seu tio, Mimir,  o guardião da fonte, que era sábio e prudente,  apenas lhe concedeu a permissão sob  a condição de que Ódin lhe desse um de seus olhos. Odin arrancou o olho sem duvidar e entregou-o a Mimir, que lançou-o para o fundo do poço. 

Uma vez bebida a água do poço, Odin soube imediatamente tudo o que se podia saber, até o fim que esperava o Universo e os deuses, após a luta final que teria que ter lugar no campo de Vigrid. Assim, êle  encontrou na água da fonte milagrosa tanta sabedoria e poderes secretos que tornou-se  capaz, logo que Mímir foi morto na guerra entre os Æsir e os Vamir, lhe conferir a faculdade de renascer pela sabedoria: sua cabeça, embalsamada graças aos cuidados dos deuses, é capaz de responder a todas as perguntas que lhe dirigem em troca do segredo da água . 

Odin, também , protagoniza o ato de ferir-se, com um lança, pendurando-se na árvore Yggdrasill o freixo do mundo, e ali  permanecer durante nove dias, balançando ao sabor dos ventos. Com isso Odin visou sua iniciação  na sabedoria das runas, inclusive, criou algumas, assumindo a condição de senhor do hidromel dos poetas, licor mágico que pronuncia previsões. Durante os combates, o deus agitava a sua lança chamada Gungnir. 

Tendo conquistado as runas, o alfabeto nórdico  para a humanidade, através de um ato de sacrifício pessoal - posto que trocou seu olho direito por sabedoria -  Odin ratifica sua vocação de benfeitor, Pai da civilização Nórdica. Com o alfabeto, a escrita, abria-se nova página para a Cosmogonia.

Thor e Loki
THOR - o filho de Odin com Jord, esposo da deusa Sif, que era a deusa da colheita. Com a giganta Jarnsaxa, teve seus filhos Magni e Modi, O melhor dos guerreiros Thor possuía um martelo denominado Mjolnir,  que além de lançar raios jamais errava o alvo , retornando sempre para a mão de seu dono, para segurá-lo o deus vestia luvas brancas mágicas e usava  o cinturão Megingjard que detinha o poder de dobrar sua força. Muito forte e glutão,  numa só refeição, por vezes, comia uma vaca inteira. Guerreiro por excelência gostava de por a prova a sua força, tendo nos gigantes de gelo, seus inimigos, aqueles que mais sentiam seu vigor. 

Os camponeses o adoravam, era honesto, simples e demonstrava total aversão ao mal.
O seu meio-imão Loki, era muito querido por Thor, embora diferentes entre si, suas aventuras  nos revelam belas histórias dos mitos viking.  Thor matará a terrível serpente Jormungad e deverá ser morto por ela, conforme  profetizado no Ragnarok.


Balder era belo e amado

BALDER - (Baldur ou Grin)  é filho de Odín e pai de FORSETI, Deus da justiça,  diz a mitologia que ainda pequeno era torturado por sonhos horríveis que anunciava a sua morte . Frigga, esposa de Odin e sua mãe viaja pelos nove mundos conseguindo a promessa de todo ser com vida,   animal, vegetal e mineral de que jamais fariam qualquer mal a Balder. Entretanto, uma planta - visco - não faz o juramento, Frigga releva a exceção e crê que conseguiu por fim aos pesadelos do filho.  

Assim, Balder, aos olhos de todos,  torna-se imortal. No Valhalla , as flechas disparadas contra Balder, pelos outors deuses, apenas divertem sem lhe causar qualquer lesão. LOKI, o deus do fogo, engana os deuses. Dá ao deus cego HODR uma flecha  com a ponta preparada  com visco.  Balder é atingido e  cai mortalmente ferido; em seu leito de morte, seu pai, o maior dos deuses, Odín sussurra aos seus  ouvidos palavras inaudíveis para os demais. Conta o  mito que trata-se da promessa de ressurreição, depois da grande catástrofe em Ragnarok...que irá purificar o mundo.

A aventura nórdica é maravilhosa, rica e cheia de surpresas. Continuar desbravando-a um convite a ser, no mínimo, analisado. Venha..., não resista....

domingo, 26 de fevereiro de 2012

A BELEZA , O BELO

Imensurável
O ser humano independentemente da época, de sua origem, condição, sexo, cor, etnia, meio, crenças, motivação, valores e/ou aspectos, qualquer que seja o prisma adotado, sempre  buscou o belo. A beleza em cada coisa, em cada gesto, em cada ser.  Assim, alguns perseguiram a simetria, outros a harmonia, o físico, o espiritual, o sentimento subjetivo, a essência da arte, o sublime, o bem e o antagônico  mal. Observa-se que a beleza foi e continua sendo,  rotineiramente associada ao bem, porém o reverso da medalha, a fealdade, por sua vez, é sistematicamente associada ao mal.

É evidente que os padrões encontrados sofrem a influência de fatores internos e externos, numa visão macro ou em particular. Nenhum ser humano deixa de fazer adaptações no seu modo de perceber a beleza, haja vista as informações coletadas ao longo de sua história. Desse modo os conceitos são moldados conforme esteja o indivíduo na infância, na juventude, na idade adulta ou na velhice. Igualmente a bagagem cultural,  a experiência, a cognição, tudo permeia o olhar lançado sobre a diversidade humana onde a fantasia desconhece limites, renovando-se, continuamente na caça à estética. 

A beleza, a luz
Se pensarmos num conceito de beleza vamos encontrar uma gama muito grande de definições, para uns “A beleza é uma experiência, um processo cognitivo ou mental, ou ainda, espiritual, relacionada à percepção de elementos que agradam de forma singular aquele que a experimenta.” Suas formas são inúmeras, e a ciência ainda tenta dar uma explicação para o processo. Fonte - Wikipédia, a enciclopédia livre.


Uma das mais concretas descrições de beleza foi feita por S. Tomás de Aquino, que a descrevia como “aquilo que provoca um conhecimento gozoso”, ou seja, a emoção que nos é provocada pelo estético. Na Grécia Antiga, a tese de corpo são em mente sã não era garantia apenas de saúde, mas também de beleza e proporcionalidade. Se na Idade Média, as senhoras de formas generosas eram as mais apreciadas pela sociedade, no Renascimento a beleza baseava-se na representação do Homem de Vitrúvio, de Leonardo da Vinci, devido à sua proporcionalidade.

A beleza espiritual, adorno da alma

Tem-se por beleza espiritual aquela que nos fala a alma, a essência, ao ser. Num mergulho em busca de raízes vamos encontrar a beleza espiritual nos livros sagrados.  A Bíblia Sagrada,  diz em na Primeira Epístola de São Pedro 3:3-4 “O vosso adorno não seja o enfeite exterior, como as tranças dos cabelos, o uso de jóias de ouro, ou o luxo dos vestidos, mas seja o do íntimo do coração, no incorruptível traje de um espírito manso e tranqüilo, que és, para que permaneçam as coisas.”



A Bíblia Sagrada
Ainda, a beleza verdadeira não é egocêntrica. A Bíblia, também quando na Primeira Epístola de Paulo a Timóteo, seu filho na Fé, segundo capítulo e versículos transcritos: 2:9-10 “Quero, do mesmo modo, que as mulheres se ataviem com traje decoroso, com modéstia e sobriedade, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos custosos, mas (como convém a mulheres que fazem profissão de servir a Deus) com boas obras.” Igualmente, diz  o Livro Sagrado dos Cristãos: A beleza verdadeira encontra-se no Senhor. Na Bíblia, no Livro dos  Salmos 90:17 “Seja sobre nós a graça do Senhor, nosso Deus …”. 

Depreende-se dos textos Bíblicos que no contexto theocrático a beleza não é referência física e sim adorno da alma. Para a religião, portanto," a verdadeira beleza está na integralidade da propriedade da conduta do indivíduo para com um plano sagrado, em detrimento do mundo físico. Quanto mais completa é a imersão e desprendimento do mundo vulgar, maior beleza há naquele que a faz viver." (Fonte Wikipedia)



 Para os Gregos, a simetria constituia o encontro entre a beleza física e a a espiritual.  A prece de Sócrates, anunciada por Platão, em FEDRO, deixa claro o limite estético a ser atingido: “Divina Pã – e vós deuses outros destas paragens! Dai-me a beleza da alma, a beleza interior e fazei com que meu exterior se harmonize com essa beleza espiritual. Que o sábio me pareça sempre rico; que eu tenha tanta riqueza quanto um homem sensato possa suportar e empregar.”   Prece de Sócrates. In PLATÃO. Fedro: texto integral. São Paulo: Martin Claret, 2003. pg. 125.

Afrodite a Deusa da Beleza e do Amor
Assim Platão considerava que a beleza era a idéia (forma) acima de todas as outras idéias.  Aristóteles, por sua vez, viu uma relação entre o belo e a virtude, argumentando que "A virtude visa à beleza."  É puramente filosófica a idéia de que " a beleza advém da pureza do raciocínio, da surpresa e da consistência dos axiomas. Raramente está relacionada à aparência superficial (salvo no caso das correntes como o hedonismo, por exemplo).Podemos dizer que na antiga Grécia a beleza era o encontro da estética, da moral e da filosofia.


O reconhecimento da beleza
A Beleza, enquanto sentimento subjetivo – A humanidade é dotada de sensibilidade, a que  se aliam múltiplos conceitos, ou diferentes caracterizações, ou ainda várias maneiras de se apresentar, podendo sugerir alguma coisa boa e prazerosa. Nesse liame, nesse tecido emaranhado ato, fato, coisa e a percepção agradável, situa-se a beleza – percepção  festiva aos olhos. 

Parecer belo não depende tanto das características do objeto como da forma de o sujeito o perceber e sentir. Ser belo para um não significa ser belo para todos, ou mesmo para muitos.  A percepção é algo individual, subjetivo, próprio de cada um.  

A beleza ideal
 O filósofo francês Voltaire, que há dois séculos tentava através da sátira pôr fim aos padrões invioláveis que definiam a beleza, dizia: "Para um macaco não existe não existe nada mais belo do que uma macaca". Para Voltaire, o conceito de beleza residia nos olhos de quem a observava. "A cegueira do amor não equipara uma camponesa vesga e nariguda à Vênus de Botticelli?", argumentava ele. Certamente, Voltaire não encerrou, nem encontrou solução para a antiga polêmica para as visões subjetiva e objetiva da beleza.

No imaginário da criança
 A sabedoria popular tem cunhado expressões que revelam situações cheias de nuances filosóficos, nessa escala há um adágio popular que demonstra o objeto, sua apresentação e as diferentes percepções, desse modo temos a expressão: “QUEM AMA O FEIO BONITO LHE PARECE”. Ora, o sentimento modifica a percepção. A apresentação, o invólucro não tem para o amante a mesma resposta visual que teria para outros, destituídos do apelo emocional.  Como negar os olhares de cumplicidade dos personagens do estúdio Disney- Pixar.


Na natureza
A coruja da filosofia é a Coruja de Minerva que é uma deusa romana e seu equivalente grego é Athena. Diz a mitologia que Athena, a deusa grega da Sabedoria e da Justiça, possuía uma Coruja de estimação que permanecia sempre em seu ombro e lhe revelava as verdades invisíveis. Essa Coruja tinha o poder de iluminar o lado obscuro da deusa.

Assim a coruja tem sido símbolo da sabedoria, da paciência e, também, da fealdade, para os humanos. Todavia em sua especíe, como no seio de todas as outras, o indivíduo que lhe pertence não destoa, ao contrário, com rarissímas exceções,  como é o caso de animais albinos, com má-formação, atende o que dele se espera: que represente-a de forma inconfundível.

O amor é lindo
A beleza, na maioria das vezes aliada ao Amor, esse sentimento maior da Cristandade e quiça de todo o universo, assume  variadas formas e expressões. É percebida conforme a sensibilidade de quem a  vê e, por vezes, a experiência de quem está arrebatado pelo  encantamento, de modo que  encontrar alguém e vivenciar o amor, de forma intensa e prolongada vai muito além da aparência física, da presençã ou não do belo.

A literatura nos tem brindado com situações onde a diferença, a aparência fora dos padrões dita a aceitação ou não do indivíduo, seja em relacionamentos amorosos ou fora dele. É célebre a historia de Quasimodo, o corcunda de Notre -Dame de Paris, que se enche de amores pela bela cigana Esmeralda, desafiando as regras de então e, também o seu padrinho, Frollo, arquidiácono que o adotara e que igualmente amava Esmeralda. 


Amor a luz das estrêlas
No aspecto beleza física, atualmente podemos enumerar, casais bem diferentes, a exemplo de Jennifer Lopez e Marc Anthony; Josh Holloway - galã de Lost - e Yessica Kumala; Evan Rachel Wood, muito bonita e dezenove anos mais nova que Marilyn Manson ( que foi casado por sete anos com a belíssima Dita Von Teese, stripper americana); Catherine Zeta-Jones, 25 anos mais nova que seu amado, Michael Douglas.  Soon-Yi Previn e Woody Allen, 35 anos de diferença. Ron Wood (guitarrista dos Stones) e Ekaterina Ivanova, 42 anos de diferença. Os contrários continuam em constante atração.




O casal Mahal
A beleza, do sentimento - Amor -  a saga dos amantes, belos ou não, sempre foi e será alvo de legados à humanidade. Nessa seara  os  historiadores, escritores, romancistas, filósofos e artistas são pródigos ao cultuar e imortalizar os protagonistas. Assim foi com Cleópatra e Marco Antônio;  Caio Calígula e Drusila (ele imperador, ela sua irmã)Shah Jahan e Mumtaz Mahal (ele o príncipe que construiu o Taj Mahal, ela a sua amada que morrera); Orfeu e Eurídice (Mitologia grega); Cirano e Roxane ("Cirano de Bergerac"); Dante e Beatriz (Dante Alighieri existiu de verdade, mas aqui ele aparece como personagem do seu próprio livro: "A Divina Comédia"); Dom Quixote e Dorotéia ("O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de la Mancha");  Cathy Linton e Heathcliff ("O Morro dos Ventos Uivantes"); Olga Benário e Carlos Prestes; Tomás antônio Gonzaga e Maria Dorotéia Seixas; Anita Garibaldi e Giuseppe Garibaldi;  Werther e Carlota; Tristão e Isolda; Eros e Psique; Bentinho e Capitu. 


Romeu e Julieta
 Quem desconhece os belos jovens que formaram o mais famoso casal da literatura:  Romeu e Julieta, de  William Shakespeare; e lembrança alegre dos personagens brasileiros que povoaram a literatura dos gibis; Zé Carioca (papagaio e malandro) e  Rosinha  (periquita e bonita); Donald e Margarida, Rosinha e Chico Bento, Mickey e Minnie; Luluzinha e Bolinha. Outrossim, como deixar de lado a saga de beleza, sangue e tragédia que acompanhou o cangaço com Lampião e Maria Bonita( Maria Déia); Corisco e Dadá; Galo e Inacinha; Moita Brava e Sebastiana; José Sereno e Cila; Labareda e Maria; José Baiano e Lídia;  Luís Pedro e Neném.


O amor posto que é chama...
 Algumas frases sintetizam o quão é maravilhoso e belo o sentimento que rende homenagem á beleza, senão vejamos: Amor é quando as diferenças não são mais capazes de separar. (J. de Bourboun Busset).  "O essencial é invisível para os olhos" - Saint-Exuperry, escritor de O pequeno príncipe. "O amor é quando a gente mora um no outro." (Mário Quintana). Sobre o  amor escreveu o nosso poetinha - "Que não seja imortal posto que é chama. Mas que seja infinito enquanto dure. E, ainda, "As muito feias que me perdoem mas a beleza é fundamental." Vinicius de Moraes.




A filosofia, a beleza
Para Immanuel Kant, filósofo alemão,   a beleza traduz-se num juízo que exprime um sentimento de prazer. Kant, para evitar o relativismo estético, tem contudo o cuidado de mostrar que quando dizemos “Algo é belo” o fazemos como se a beleza fosse uma qualidade do objeto, isto é, uma propriedade objetiva, apesar de ter a sua origem num estado subjetivo.
Kant vê na experiência do belo (e mais ainda do sublime) a realização das capacidades mais elevadas do ser humano. A riqueza do real admitida na contemplação estética é experimentada como afirmação prazerosa de sua ampla determinabilidade por nós. (Seel, 2004)

Falar de beleza e deixar de lado a fealdade seria como dar a uma moeda, uma única face. Rotineiramente colocamos como feio, num primeiro momento, aquilo que não agrada aos nossos olhos. Entetanto quando refletimos sobre o que é a fealdade nos deparámos com imprecisões, dificuldades. Para Félicité, condessa de Brusbart e madame de Genlis, "A fealdade é a melhor guardiã de uma jovem, a seguir a virtude."
O riso que suaviza

A fealdade atravessa a história da humanidade quase sempre associada ao Mal, assim desde a mais tenra infância de nossos ancestrais seus medos foram alimentados com bruxas, sempre horrorosas, com grande nariz e verruga na ponta, corcundas ou simplesmente vergadas, vestidas de preto e capazes de lançar feitiços, voar em vassouras, cozinhar pessoas e porções em grande caldeirões,  e/ou bruxos, homens coxos, barbudos, cobertos de andrajos e pestilentos,  devoradores de criancinhas. 

A literatura por sua vez não se dissociava da idéia, o mal era sempre vestido de preto, o vilão rotineiramente feio, a maldade anunciada com a chegada de um ser que se caracterizasse por sua feiura, de sorte que os ogros, os anões, os dragões, as serpentes, o ciclope, as harpias, os gigantes, o minotauro, os sátiros. A peversão e a peversidade constituiam degraus da fealdade, tanto é assim que a desconstrução dessas "certezas", desde o genese, até os dias atuais tem se desenvolvido de forma lenta, num compasso em desacerto com a pressa da humanidade.


A beleza que transcende
Porém a associação do belo com o bom e, do feio com o mal, é frágil e não se sustenta ante as mais simples idéias. A Bíblia trata a maciera como a árvore da vida e da verdade, no sentido de sabedoria. O seu fruto é lindo, a maçã. Ora, através da maçã o homem conheceu a maldade, o pecado e a expulsão do paraíso. A fruta, diga-se de passagem, muito bela, é responsável, ainda, com a ajuda de sua beleza, pelo envenamento de Branca e Neve... 

Não há uma correspondência entre o belo e o bem, o feio e  o mal. Césare Lombroso, Médico Psiquiatra, Antropólogo e Político, italiano, nascido em 1835 cunhou um tipo físico para   "O criminoso nato seria caracterizado por uma cabeça sui generis, com pronunciada assimetria craniana, fronte baixa e fugídia, orelhas em forma de asa, zigomas, lóbulos occipitais e arcadas superciliares salientes, maxilares proeminentes (prognatismo), face longa e larga, apesar do crânio pequeno, cabelos abundantes, mas barba escassa, rosto pálido. Posteriormente, estas associações foram consideradas altamente inconsistentes ou completamente inexistentes, e as teorias baseadas na causa ambiental da criminalidade se tornaram dominantes.

Lucrécia Bórgia
 Mulheres lindas foram assassinas a serviço de interesses próprios ou de outrens, como Lucrécia Bórgia que  por sua beleza, aos treze anos já provocava discussões entre seus irmãos que disputavam a sua preferência e, que passou a história como uma das mulheres mais cruéis da humanidade, sendo ela uma entre muitas; o Pastor norte-americano Jim Jones, bonito, jovem, comunicativo, fundadador da seita "Templo do Povo", leva ao suicídio coletivo 900 (novecentas) pessoas.

Na atualidade as pressões ditadas pela moda, pela sociedade criam normas e tabus que impõem estereótipos muitas vezes nocivos não apenas ao indivíduo em si, mas na formação de opiniões desvirtuadas e que repelem aqueles que não se apresentam como tal. Assim não há e também nunca houve um consenso sobre a beleza. 

Todavia é possível que se não há um consenso, muitos, vejam a BELEZA nas seguintes imgens:

Taj Mahal

Catedral de Notre Dame

Phaternon

Jardim Suspenso da Babilônia

Veneza

Natureza

A beleza de Botticelli

A Madona, de Rafael

Monalisa ou Gioconda

Davi, de Michelangelo

Vênus de Milo

O Pensador, de Rodin

A Pietá, de Michelangelo
Coroa afegã - século  I

Coroa de Henrique XVIII

Coroa de S. Venceslau - Tcheca

Coroa da rainha Vitória

Jóias da Coroa inglesa

Jóias da coroa espanhola

Diamante Hortênsia - Coroa francesa

KOH-I-NOOR
Estrela da África - maior diamante do mundo - Coroa inglesa


BELAS E BELOS 
Angelina Jolie

Gisele Bundche

Lucy Liu

George Clooney

Brad Pitt

Eric Bana