Quem sou eu? O que faço

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João Pessoa, Paraíba, Brazil
Quem sou? O que faço. Sou Maria de Lourdes, tenho, agora, 62 anos, esposa, mãe e avó, formação jurídica, com pós graduação em Direitos Humanos e Direito Processual Civil, além de um curso não concluído de Filosofia. Conheci os clássicos muito cedo, pois não tinha permissão para brincar na rua. Nosso universo – meu e de meus irmãos – era invadido, diariamente, por mestres da literatura universal, por nossos grandes autores, por contistas da literatura infanto-juvenil, revistas de informação como Seleções e/ou os populares gibis. Todos válidos para alimentar nossa sede de conhecimento. Gosto de conversar, ler, trabalhar, ouvir música, dançar. Adoro rir, ter amigos e amar. No trabalho me realizo à medida que consigo estabelecer a verdade, desconstruir a mentira, fazer valer direitos quando a injustiça parece ser a regra. Tenho a pretensão de informar, conversar, brincar com as palavras e os fatos que possam ser descritos ou comentados sob uma visão diferente. Venham comigo, embarquem nessa viagem que promete ser, a um só tempo, séria e divertida; suave e densa; clássica e atual. Somente me acompanhando você poderá exercer seu direito à críticas. Conto com sua atenção.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A mulher na História - parte 4 - CONTINUAÇÃO



A IDADE CONTEMPORÂNEA               

O tempo em movimento
  Segundo Machado de Assis.”O tempo é um tecido invisível em que se pode bordar tudo, uma flor, um pássaro, uma dama, um castelo, um túmulo. Também se pode bordar nada. Nada em cima de invisível é a mais sutil obra deste mundo, e acaso do outro."

                O tempo sobre o qual estamos falando é o conhecimento normal e rotineiro, comum a todos os seres humanos, que revela-se  na capacidade de identificar, reconhecer e localizar os fatos aprendido por nossa sensibilidade, alinhando-os em compartimentos estanques que podem significar, segundos, minutos, horas, dias, meses, anos, séculos, milênios, eras.

o diáfano tecido do tempo
               O nosso tempo, a que nos referimos, é a Idade Contemporânea, que a humanidade vivencia, com erros e acertos, ganhos e perdas, alegrias e tristezas, num eterno caminhar que nos leva a descortinar situações inovadoras ou repetidas, todavia e sempre á frente. Por mais que a ciência tenha se desenvolvido nunca se ouviu dizer que alguém tenha conseguido retornar ao dia de ontem ou mesmo viver, hoje, o dia de amanhã. Cada dia é próprio, cada dia é o dia.

Portal do tempo
            O dia de hoje, a atualidade, traz para nós, mulheres que mudaram a história, que sofreram, ultrapassaram barreiras, que conseguiram se sobressair, muitas vezes lutando consigo, com os seus, com o seu dia a dia. Ainda que não possamos contemplar todas, conheçamos algumas dessas pioneiras, que lutaram, sobretudo contra o seu próprio gênero e, até mesmo, contra os seus familiares que desconheciam a genialidade e preocupavam-se tão somente com o sexo: feminino.


1° Ministra israelense
GOLDA MEIR, nascida Golda Mabovitch, em Kiev, no dia 3 de Maio de 1898 e falecida em Jerusalém aos 8 de Dezembro de 1978, foi uma das fundadoras do Estado de Israel. Emigrou para a Palestina no ano de 1921, onde militou no sindicato Histadrut e no partido trabalhista Mapai.Sobre ela, em determinada ocasião : “David Ben-Gurion disse : "Golda Meir é o único homem do meu gabinete".

                Sua carreira política vai desde a Militância Sindical, até tornar-se, sucessivamente, primeira Embaixatriz Israelense na extinta URSS em 1948, Ministra do Bem-Estar Social, Ministra do Exterior, Secretária-Geral do Mapai e foi o quarto Primeiro-Ministro de Israel, entre 1969 e 1974.

 
Interlocutora persistente
        Após a morte do Presidente Levi Eshkol, Golda Meir forma um novo Governo sendo primeira-ministra de Israel por cinco anos (1969-1974). Ao falar pela primeira vez à imprensa, como primeira-ministra, clamou aos árabes que se dispunha a qualquer coisa pela paz, exceto o suicídio nacional. E acenou diretamente, ao então presidente da República Árabe Egípcia, Nasser, incitando-o a mesa de negociações, falando que iria até mesmo ao Cairo, se necessário, para negociar a restituição de território, pacificamente. Embora este tenha recusado, seu sucessor Sadat atendeu aos pedidos.


                        No cargo de Primeira Ministra, recusou-se a aceitar as resoluções da ONU, que nulificavam a anexação israelita de Jerusalém oriental e que determinavam o êxodo de Israel dos territórios árabes ocupados em 1967 na guerra dos seis dias, por acreditar que, como não existiria equivalência para evitar agressão dos palestinos e de nações árabes, tais medidas poriam em risco a existência do Estado de Israel. Golda Meir fez uso de uma política de medidas extremas contra membros de organizações que realizavam atentados, chegando a ordenar o assassinato de suas lideranças.
               
                Aos 6 de Outubro de 1973 ocorreu a quarta guerra do conflito árabe-israelense, chamada "Guerra do Yom Kippur" (os israelitas celebram nesse dia a grande data religiosa de "Yom Kippur", onde se faz jejum completo por 24 horas, daí o nome atribuído ao conflito). Contaram, os agressores, com o elemento surpresa considerando que nesse dia os Israelense não cogitavam de qualquer ataque. Os conflitos seguiram causando grandes baixas nas forças de Israel. Todavia Israel conseguiu, com suas tropas, chegar até bem próximo do Cairo, capital do Egito e de Damasco, obrigando os agressores ao recuo. Em represália os paises Árabes deixaram de exportar petróleo para os Estados Unidos. 

Guerra do Yom Kippur
        Debaixo de duras críticas Golda Meir apresentou sua demissão em Abril de 1974. Volta a cena política em 5 de março de 1976, publica um livro biográfico sob o título “Minha Vida”. Finalmente, aos 80 anos de idade, morre, vitimada por um câncer, em Jerusalém. Foi uma das mulheres que escreveu seu nome na História Universal, posto que, israelita, mostrou ao mundo que ser mulher não significa ser condescendente. Lutou, disse não e sobressaiu-se num espaço tipicamente masculino. Golda Meir é uma dessas mulheres que engrandece sua pátria, seu povo, sua crença e revela significativa consciência social.



Filósofa existencialista
 Nascida em Paris, aos 9 de janeiro de 1908 e, falecida em Paris em 14 de abril de 1986, foi uma escritora,  filósofa, existencialista e feminista, cujo nome SIMONE LUCIE ERNESTINE-MARIE BERTRAND DE BEAUVOIR, foi sintezado em SIMONE DE BEAUVOIR, como ficou mundialmente conhecida.

                Ainda adolescente já havia decidido ser escritora. Juntamente com sua única irmã, foram educadas no Institut Adeline Désir ou Cour Désir, um colégio católico feminino, o que naquela época era repudiado pela elite pensante; ali conheceu aquela que seria a sua melhor amiga:. Elisabeth Le Coin, a ZaZa nas recordações de Beauvoir. Simone amou sua escola e no ano de 1924, concluíu, com distinção, os seus estudos. A morte prematura de sua  amiga trouxe-lhe profunda tristeza e pesar.

                Prestou vestibular em Matemática e Depois de passar nos exames de bacharelado em matemática e filosofia, estudou filosofia na Universidade de Paris (Sorbonne) e, matemática no Instituto Católico. Estudou, ainda, literatura e línguas no Instituto Sainte-Marie. Corria o ano de  1929, quando na Sorbonne, Beauvoir fez uma apresentação sobre Leibniz. Ali encontrou e fez amizades com jovens intelectuais, dentre eles, Maurice Merleau-Ponty, René Maheu – que deu-lhe o apelido de Castor, que a seguiu por toda a vida; conheceu, também, Jean-Paul Sartre. Em 1929, com apenas vinte e um anos de idade, Beauvoir começa a escrever o seu nome na Filosofia  ao se tornar a pessoa mais jovem a obter o Agrégation na filosofia, e a nona mulher a obter este grau.

                Simone de Beauvoir dona de uma personalidade forte, uniu-se a Jean Paul Sartre numa ligação diferente; embora assumissem a postura de casal e houvesse entre eles sentimento, ambos viveram outros relacionamentos, onde, viajavam a quatro, Simone com Claude Lanzmann e Sartre com sua amante Michelle Vian, ex-esposa do escritor Boris Vian. Inclusive, Simone de Beauvoir teve com o escritor norte-americano Nelson Algren uma relação duradoura. A  escritora morreu em 1978, de pneumonia e foi enterrada no túmulo de Sartre.

                Em sua obra, muito rica, ressaltam-se: A convidada (1943), O sangue dos outros (1944), Os mandarins (1954) - obra pela qual recebeu o Prêmio Goncourt e que é considerada a sua obra-prima., Memórias de uma moça bem-comportada (1958), A força das coisas (1963) e Tudo dito e feito (1972), O Segundo Sexo (1949) A velhice (1970) A cerimônia do adeus (1981). 
 
Madre Tereza
 AGNES GONXHA BOJAXHIU, posteriormente, MADRE TEREZA DE CALCUTÁ, nasceu no dia 26 de agosto de 1910 em Skopje, Macedônia, no seio de uma família de descendência albanesa. Transcorria o mês de setembro de 1928 quando Agnes deixou o seu lar, entrando no convento de Loreto a Rathfarnam, em Dublim, na Irlanda, onde foi recebida como postulante no dia 12 de outubro, sendo denominada de Tereza, numa homenagem a sua padroeira, Santa Tereza de Lisieux.

               
  A postulante Agnes foi encaminhada pela abadia de Loreto para a Índia, tendo chegado a  Calcutá no dia 6 de janeiro de 1929. Imediatamente entrou no noviciado de Loreto, em Darjeerling. Posteriormente, aos 24 de maio de 1937 fez sua  profissão perpétua, na condição de irmã de Loreto, passando, a partir daí, a ser chamada de Madre Tereza. Na década de 1930 a 1940, viveu em Calcutá, ocasião na qual ensinou na escola secundária Bengalese, Sta Mary.


      Era o dia 10 de setembro de 1946, quando em viagem de trem de Calcutá a Darjeeling, Madre Tereza sentiu aquilo que denominaria de “a  chamada na chamada” no trem que a conduzia, dando origem a família dos Missionários da Caridade, Irmãs, Irmãos, Padres e Colaboradores. O insight é revelado no objetivo e na missão que ela teria no seu novo Instituto: “Saciar a infinita sede de Jesus sobre a cruz de amor e pelas almas, laborando para a salvação e para a santificação dos mais pobres entre os pobres”. No dia 7 de outubro de 1950, a nova congregação das Missionárias da Caridade foi instituída oficialmente como instituto religioso pela Arquidiocese de Calcutá.

 
A mãe dos pobres
Ao longo dos anos de 1950 a 1980, a Congregação cresceu muito. As missionárias da Caridade operavam em quase todo o mundo. Madre Tereza abriu fundações na Austrália, no Vizinho Oriente, na América do Norte, e o primeiro noviciado fora de Calcutá, em Londres. Em 1979 Madre Tereza recebeu o Premio Nobel pela Paz. No mesmo ano existiam 158 casas de missão. Madre Tereza estendeu o alcance de sua Missão até os Países Comunistas, abrindo uma fundação em Zagabria, em Berlim. Nos anos de 80  abriu casas em quase todos os países comunistas, incluindo 15 fundações na ex União Soviética. Todavia e não obstante seus esforços, Madre Tereza não conseguiu abrir nenhuma fundação na China.

Com graves problemas de saúde, no final dos anos 80 e durante os anos 90, Madre Tereza continuou a viajar pelo mundo para a profissão das noviças, para abrir novas casas de missão e para servir os pobres e aqueles que tinham sido atingidos por diversas calamidades. Também foram constituídas novas comunidades na África do Sul, Albânia, Cuba e Iraque, que estava dilacerado por causa da guerra. Em 1997 as irmãs eram cerca de 4000, presentes em 123 países do mundo em aproximadamente 600 fundações.


Retornando a Calcutá em 1997, Madre Tereza  morreu às 9:30 da noite do dia 05 de setembro de 1997, na Casa Geral. O seu corpo foi transferido para a Igreja de São Tomas, conjugada ao Convento de Loreto, precisamente no local onde tinha chegado 69 anos antes. Centenas de milhões de pessoas de todas as classes sociais religiões, da Índia e do exterior lhe renderam homenagem. No dia 13 de setembro recebeu o funeral de Chefe de Estado e o seu corpo foi conduzido em um longo cortejo através das estradas de Calcutá, sobre uma carreta de canhão que tinha trazido também os corpos de Mahatma Gandhi e Jawaharlal Nehru. Chefes de nações, primeiros Ministros, Rainhas e enviados especiais chegaram para representar os países de todo o mundo.

 
A saudade
Merece destaque o seu carinho, seu desvelo no trato com os acometidos pela Hanseníase, é celebre  a sua frase: “O senhor não daria banho em um leproso nem por um milhão de dólares? Eu também não. Só por amor se pode dar banho em um leproso”. Fundou uma casa para doentes de hanseníase nos arredores de Calcutá, num terreno cedido pelo governo indiano. Os hansenianos estavam por toda a Índia, em cada canto de Calcutá, mas ninguém os ajudava. Para a população em geral o terror maior era o medo do pobre, do moribundo e, usando um termo bíblico, do pestilento. A partir de então Madre Tereza não era mais uma evangelizadora cristã. O seu trabalho com os hansenianos mudou a mentalidade de muitos habitantes de Calcutá.

Irmã Dulce
             IRMÃ DULCE, nasceu no Estado da Bahia, na cidade de Salvador, no dia 26 de maio de 1914. Recebeu, na pia batismal, o nome de MARIA RITA LOPES PONTES, filha do casal Augusto Lopes Pontes e Dulce Maria de Souza Brito Lopes Pontes. Desde criança rezava constantemente e pedia a Santo Antônio que lhe enviasse sinais se deveria seguir a vida religiosa ou não. De 1927 a 1932, termina seus estudos, manifesta se desejo de entrar para um convento, entra para a Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição das Mães de Deus, do Convento de São Cristóvão, em Sergipe.Em 15 de agosto de 1934, faz os votos de profissão de fé religiosa, recebendo, numa homenagem à sua mãe o nome de Irmã Dulce. Posteriormente, como freira, é enviada novamente a Salvador, para trabalhar como enfermeira voluntária, no Sanatório Espanhol por 3 meses.

Irmã Dulce amor aos necessitado
Extremamente amorosa, com uma capacidade enorme de solidarizar-se com a dor alheia, dedica-se a abrigar e tratar de pessoas doentes. A Associação "Obras Sociais Irmã Dulce" foi fundada em 26 de maio de 1959, e instalada em 15 de agosto de 1959, data em que a Irmã Dulce recebeu o estatuto de fundação, de caráter filantrópico, elaborado pelo seu pai.

 
Alagados
 O seu trabalho com pobres e doentes repercutiu internacionalmente, valendo-lhe o título de “mãe dos pobres”. No ano de 1980, Irmã Dulce encontra-se, pela primeira vez, com o Papa João Paulo II, o qual já a conhecia por sua dedicação aos pobres e doentes, em Salvador, na região de Alagados, onde as pessoas residiam sobre palafitas. Irmã Dulce fundou também "O Círculo Operário da Bahia", que além de escola de ofícios, oferecia atividades culturais e recreativas. De baixa estatura e compleição frágil, Irmã Dulce quase não comia e não dormia. Para ela os sacrifícios resultavam felicidade. Amava os pobres, devotava a eles a sua vida e queria morrer junto a eles.

Retorno ao Pai
           Irmã Dulce morreu em 1992 de causas naturais. Foi beatificada em 2011 na cidade de Salvador, numa cerimônia presidida pelo Arcebispo emérito de Salvador Dom Geraldo Magela Agnelo, enviado do Papa Bento XVI. A beata teria realizado um milagre, em Sergipe, por meio de uma mulher que lhe teria intercedido para que sobrevivesse após uma hemorragia no parto. Irmã Dulce, com seu carisma, sua humildade e doação, é, para muitos, independentemente de formalidades, uma criatura Santa. Os pobres, os doentes, os excluídos pela vida tinham naquela figura frágil um porto seguro onde sentiam-se alimentados, nutridos com o amor e as bençãos daquela que os amava incondicionalmente.


Indira, a força feminina
 INDIRA GHANDI - Indira Priyadarshini Nehru Gandhi, nascida em Allahabad aos 19 de Novembro de 1917 e falecida em Nova Délhi, 31 de Outubro de 1984) Era filha de Jawaharlal Nehru (*1889 †1964), primeiro chefe de governo da Índia pós-independência, de 1947 a 1964. Desde a mais tenra infância Indira convive com a Política. Tendo: no poeta e místico bengali Rabindranath Tagore. - que recebeu o Prëmio Nobel de Literatura em 1913 -, seu grande preceptor. Além de Tagore, duas pessoas notáveis ajudaram a moldar o seu caráter: Mahatma Gandhi e Nehru, seu pai.

                Num ambiente conflituoso e de lutas contra o domínio inglês, Indira. foi para a Europa, onde estudou História, Administração e Antropologia. Estudou, ainda, na Suécia e na Inglaterra, na Universidade de Oxford. Retornando a Índia no ano de  1941, aos 24 anos. e fazendo uma opção de risco, num país onde etnias e religiões rivais se digladiavam. Ela, hindu, em 1942 casou-se com um membro da etnia Parse, ativista político, amigo de infância, Fcroze Gandhi, que, não obstante o sobrenome não guardava qualquer parentesco com Mahatma Ghandi. Do casamento que fracassou,  resultou o nascimento de dois filhos.

A 1ª Ministra
  Indira exerceu a secretaria política de seu pai quando ele  ocupava a chefia do governo, adquirindo experiência política e peso ante os embates que eram travados, diariamente, junto ao poder. Desconfiada e meticulosa, acabou, entretanto, se acostumando com a política e com os políticos. Adquiriu, com o passar dos anos experiência política, sendo conduzida pelo pai, a um cargo importante. Inicia em 1959, aos 24 anos, uma vitoriosa carreira política, sendo eleita a presidente do Partido de seu pai e, com a morte desse, tendo assumindo Bahadur Shastri, esse a chama para um cargo discreto, Ministra da Informação, aos 47anos. Em 1966, morre Shastri e o partido procurou alguém de influência para conduzir o país.

                Assim, com 49 anos, em 1967, Indira Ghandhi foi escolhida e tornou-se a Primeira-ministra de seu país, embora com minoria no congresso.Seu temperamento determinado cheio de vitalidade e ousadia criaram um novo tempo político no país. Aos 54 anos, em 1972, consegue uma esmagadora maioria no congresso. Em certa ocasião questionada a respeito da diferença na força do homem e a da mulher declara: “"Alguns dizem que a mulher não tem tanta força quanto um homem. Não sei, não posso dizer nada, nunca fui homem, mas eu tenho com certeza mais força física do que qualquer um daqui".

Falando ao povo
 Dotada de grande força moral, venceu crises, determinou a prisão de líderes da oposição, foi presa, lutou bravamente por uma Índia mais forte. Reprimiu a insurreição dos SIKHS, grupo religioso extremista – o que parece ter sido determinante á sua morte. Em 31 de outubro de 1984, Indira Gandhi foi assassinada por sikhs, membros de sua guarda pessoal, em Nova Delhi. Seu filho, Rajiv Gandhi, que ocupou seu posto mais tarde, na condução do país, também foi assassinado, em 1991.

O cérebro feminino
  Entre as mulheres que abrilhantaram a era contemporânea  merece registro algumas que receberam, o Premio Nobel. Entretanto se analisarmos a conjuntura estrutural da sociedade, facilmente concluíriamos que aquelas jamais seriam agraciadas com tamanha honraria e reconhecimento, notadamente se relacionado a ciência.
Todavia a evolução dos costumes, as mudanças impusionadas por pioneiras que sofreram os reveses típicos daqueles que marcham contra os estereótipos, nos brindam com as seguintes ganhadoras do Nobel:

  
Marie Curie, a física
MARIA SKLODOWSKA - MARIE CURIE nasceu na atual capital da Polônia, Varsóvia, em 7 de novembro de 1867, quando essa ainda fazia parte do Império Russo. Em 1897 aos 30 anos de idade, ainda era uma pessoa desconhecida. Uma polonesa, de família pobre, porém conseguiu, com muitas dificuldades estudar em Paris, onde obteve as licenciaturas em Física (1893) e Matemática (1894). Casou-se no ano seguinte com Pierre Curie, um pesquisador oito anos mais velho do que Marie. Foi a primeira mulher na história a receber o Premio Nobel em Física, por suas descobertas com radioatividade. O Nobel da Química foi-lhe atribuído no mesmo ano em que a Academia de Ciências de Paris a rejeitou como sócia, após uma votação ganha por Eduard Branly, com diferença de apenas um voto. Sendo a primeira pessoa a receber duas vezes o Prêmios Nobel. Também Linus Pauling repetiu o feito, ganhando o Nobel de Química, em 1954 e o Nobel da Paz em 1962 e tornou-se a única personalidade a ter recebido dois Prémios Nobel não compartilhados.


Por outro lado,a já laureada Marie Curie foi a única pessoa a receber duas vezes o Prémio Nobel, em áreas científicas. Morreu perto de Salanches, França, em 1934, havendo divergência sobre as informações da causa de sua morte,  se foi Anemia Falciforme ou Leucemia, em razão da maciça  exposição  a radiações durante o seu trabalho. Igualmente, o seu marido com quem dividiu o Nobel também morreu vitimado  por consequências de exposição a radiação. Sua filha mais velha, Irène Joliot-Curie, recebeu o Nobel de Química de 1935, ano seguinte à morte de Marie. 
  
GERTY CORI - Gerty Theresa Radnitz Cori nascida em Praga a 15 de Agosto de 1896,  Foi agraciada com o Nobel de Fisiologia/Medicina de 1947, por melhorar a compreensão do diabetes . Com dupla cidadania foi reconhecida como uma bioquímica estadunidense, nascida na República Tcheca, então Áustria-Hungria. O premio Nobel com que foi agraciada , em 1947, reconheceu a importãncia de seus estudos  e consequente perfeiçoamento da concepção do diabetes. Era casada com Carl Ferdinand Cori, co-outorgado com o prêmio. 


BARBARA MCCLINTOCK, nascida em Hartford, aos 16 de Junho de 1902, falecida em  Nova Iorque, 2 de Setembro de 1992, foi uma botânica estadunidense, especialista em genética. Ganhou o Nobel de Fisiologia/Medicina de 1983, por ter descoberto o acontecimento identificado como transposição genética e sobre elementos genéticos móveis nas décadas de 1940 e 1950.Sendo reconhecida, ao lado de Gregor Mendel e Thomas Hunt Morgan, uma das três mais importantes figuras da história da genética. Empreendeu uma das mais espetaculares descobertas da genética, os genes saltadores ou transposões. Passaram-se mais de trinta anos entre a sua descoberta, fundamental para a genética, e o recebimento do Prêmio Nobel em 1983. 

RITA LEVI MONTALCINI Nasceu de parto gêmeo, em Turim, numa família judia, em 1909 Graduou-se em Medicina em 1936, chamando a atenção por sua beleza e dedicação aos estudos. Proibida, por Decreto de Mussolini, de exercer a medicina na Itália, por não ser de descendência italiana ou ariana, partiu para Bruxelas, mas voltou para Turim com a invasão alemã em 1940, escondendo-se em Florença e ajudando os refugiados de guerra. De 1945 a 1947 foi assistente do Prof. Levi, em 1947 partiu para Washington para a Universidade de Saint Louis, caracterizando-se como pesquisadora, investigadora. Persistente, deu continuidade aos estudos sobre o sistema nervoso, chegando à descoberta de uma proteína que regula o crescimento dos tecidos, a que foi dado o nome de Nerve Grrowth Factor (NGF). Em 1986 recebeu o Prémio Nobel da Fisiologia e Medicina, partilhado com Cohen..No ano de 1989, retorna a Itália e passa a morar com sua gêmea, Paula. Em 1999 ainda estava no activo e Roma organizou um simpósio científico na passagem dos seus 90 anos. Com dupla nacionalidade. Italiana e norte-americana,  a sua contribuição  à neuro-ciência é notável. Tornou-se presidente honorária da Associação Italiana de Esclerose Múltipla.




GERTRUDE BELLE ELION, nascida em Nova Iorque aos 23 de Janeiro de 1918, descendente de Lituanos, faleceu em Chapel Hill, na Carolina do Norte, aos 21 de Fevereiro de 1999, foi uma bioquímica estadunidense., vencedora do Nobel de Fisiologia/Medicina de 1988, que dividiu com outros bioquímicos. Como pesquisadora, expert em tratamentos de leucemia e gota, desenvolveu drogas para o tratamento dessas doenças, encontrando novos e importantes princípios de quimioterapia, incluindo o dos betabloqueadores. Dedicou toda a sua vida á pesquisa, a medicina. aos estudos., obtendo vários títulos de Doutora Honorária Mesmo aposentada permaneceu como cientista emérita e consultora, inclusive, com intensa participação em semanários, palestras, e encontros especialmente sobre bioquímica e farmacologia dos tumores.
 
                      
Rosalyn Yalow
ROSALYN YALOW –Médica norte-americana nascida  em Nova Iorque, aos 19 de Julho de 1921. Partilhou o Prémio Nobel da Fisiologia e da Medicina, em 1977, com o endocrinologista Andrew Schally e com o fisiologista Roger Guillemin, pelo desenvolvimento de uma técnica muito precisa e simples de medir pequenas concentrações de substâncias biológicas e farmacológicas em sangue, ou outras amostras líquidas (radioimmunoassay - RIA). Fonte – Infopédia

 
Fisica Gêrmanica
MARIA GOEPPERT MAYER, Física germânica nascida em Kattowitz, na Alemanha, em 1928, hoje Katowice, Polônia, foi uma extraordinária pesquisadora. Educada na Universidade de Göttingen, onde seu pai era professor de pediatria, doutorou-se (1930), casou com o físico-químico americano Joseph E. Mayer (1931) e foi morar nos Estados Unidos, passando a ensinar na Johns Hopkins University (1930-1939). Fonte wikipedia. Conseguindo a cidadânia americana (1933) comprovou que o núcleo atômico tinha uma estrutura de prótons-nêutrons encapsulados e mantidos juntos por uma força de natureza complexa e trabalhou na separação de isótopos de urânio, para construção da bomba atômica no Manhattan Project. Continuou suas pesquisas no Institute for Nuclear Studies da Universidade de Chicago (1945) e no Argonne National Laboratory (1946-1960). Publicou Elementoary Teory of NuclearShell Structure (1955). Após sofrer um derrame cerebral (1960) que a deixou parcialmente paralítica, trabalhou para a Universidade da Califórnia, em San Diego (1960-1972) onde morreu (1972).


Biológa Alemã
CHRISTIANE NÜSSLEIN-VOLHARD, bióloga alemã nascida em Magdeburgo, 20 de outubro de 1942, recebeu, no ano de 1995,  o Prêmio  Nobel de Fisiologia/Medicina, juntamente com outros pesquisadores. Doutorou-se na Universidade de Tübingen. Juntamente com Edward B. Lewis e Eric F. Wieschaus, foi galardoada, em 1995, com o Prémio Nobel da Medicina e da Fisiologia, por estudos relacionados com o desenvolvimento de embriões, demonstrando que  todas as faculdades das células são formadas em última instância por seu fator hereditário. Recebeu muitas honrarias na Alemanha e exterior entre elas do Brooks Lecturer, Harvard Medical School (1988), o Mattia Award, Roche Institute, New Jersey (1990), Dr h.c. Utrecht University, Dr h.c. Princeton University (1991), Dr h.c. Universität Freiburg , Dr h.c. Harvard University (1993), e muitas medalhas e prêmios em Genebra, Leverkusen, Londres, Würtzburg, Berlim, Bertner Award, Anderson, Houston, Texas, Indiana, etc.


A entrega do Oscar
LINDA B. BUCK, nascida em Seattle, Estados Unidos, aos 29 de Janeiro de 1947,  é uma bióloga especializada em imunologia, foi agraciada, juntamente com o compatriota Richard Axel, com o Nobel de Fisiologia/Medicina de 2004, por trabalhos sobre os receptores de odores e a organização do sistema olfativo. A elucidação do sistema olfatório a partir da constatação de  receptores que estão localizados nas células receptoras olfativas e que ocupam uma pequena área na parte superior do epitélio nasal e detectam as moléculas odoríficas inaladas. Cada célula receptora tem um único tipo de receptor para cheiro e cada um deles é capaz de detectar um número limitado de substâncias aromáticas. Com o fenômeno do cheiro, as células mandam um impulso elétrico ao cérebro que inicia toda uma gama de procedimentos que nos faz reconhecer cada cheiro e relembrá-lo.

Doroty
DOROTHY CROWFOOT HODGKIN foi Nobel da Química em 1964 por ter conseguido descobrir a estrutura molecular da penicilina, da vitamina B12 e da insulina, permitindo, com suas descobertas,  o surgimento de novos remédios. Britânica, porém nascida no Egito, formou-se em bioquímica na Universidade de Oxford. Revolucionou, com os seus procedimento investigatórios, para determinar estruturas moleculares complexas. a química do século XX .

Depois de passar um ano em Cambridge, Dorothy regressa a Oxford em 1934 , continua seu estudo dos esteróides, mas também de moléculas como a insulina. Em 1942, durante a II Guerra, começa a estudar a estrutura de moléculas como a penicilina e, anos mais tarde, a vitamina B12. Encontros, nos quais Dorothy Hodgkin era o cérebro das investigações, deram origem à formação, em 1947, da União Internacional de Cristalografia. A cristalografia é a ciência experimental que tem como objecto de estudo a disposição dos átomos em sólidos. Após desvendar a estrutura química da penicilina em 1946, anuncia 10 anos mais tarde a estrutura molecular da vitamina B12.

Estas descobertas, com a utilização da técnica do raio-X, valeram-lhe o Nobel da Química em 1964. Quatro anos depois, em 1969, Hodgkin anuncia a estrutura química da insulina.Morreu a 29 de Julho de 1994, na sua casa em Inglaterra.



O Cérebro e o cheiro
Além dessas maravilhosas mulheres ressaltamos, ainda MARIA AUGUSTA GENEROSA ESTRELLA que foi a 1ª brasileira a receber um diploma de Medicina, em Nova York em 1821. RITA LOBATO VELHO LOPES, Em 1887, que foi a primeira mulher brasileira a cursar e se formar em Medicina no Brasil; DRª. CARLOTA PEREIRA DE QUEIRÓS, primeira mulher a ser eleita  Deputada Federal no Brasil em 1933; MARIA RITA SOARES DE ANDRADE, a primeira juíza federal do Brasil, nasceu em Aracaju (SE) em 3 de abril de 1904 . EUNICE MICHILES, é eleita a primeira Senadora brasileira no ano de 1979. ESTHER DE FIGUEIREDO FERRAZ, Foi a primeira mulher a ocupar uma cadeira na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em 1949, a primeira Reitora da Universidade Presbiteriana Mackenzie, foi, também a primeira mulher a possuir um cargo de Ministra no Brasil, ocupando a pasta da Educação no governo do general João Figueiredo, de 24 de agosto de 1982 a 15 de março de 1985. MARIA PIO DE ABREU, primeira mulher a  candidatar-se à Presidência da República no ano de 1989.ROSEANA  SARNEY, 1995, primeira Governadora no Brasil; ELLEN GRACIE NORTHFLEE, é nomeada em novembro de 2000 e torna-se a primeira mulher a ocupar um cargo de Ministra no Supremo Tribunal Federal, em 2006 foi eleita Presidente do Supremo, sendo, também a primeira mulher a alcançar este posto. No ano de 2010, DILMA ROUSSEFF é eleita a primeira presidenta Brasileira.

Com esta postagem fechamos um ciclo mas, não esgotamos a matéria. Há milhões de heroínas conhecidas ou anônimas que lutaram ou lutam pelo mundo a fora em busca de dias melhores, de mais justiça, de equidade.






quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A mulher na História - parte 4

IDADE CONTEMPORÂNEA


A crueldade da mulher na Revolução Francesa


  O mais importante aspecto da Idade Contemporânea é o fato de que é um período em aberto. Toma-se como seu marco inicial a Revolução Francesa, 1789, indo até os nossos dias. É um período marcado por grandes mudanças, por uma filosofia iluminista, descobertas científicas, crescimento da ciência e da civilização humana, desenvolvimento e consolidação do Capitalismo, disputas das grandes potências européias.







Adolf  Hittler
Exército alemão - Suástica










         A Idade Contemporânea é, ainda, palco para gigantescos conflitos como as 1ª e 2ª Guerra Mundial, com enorme prejuízo para a humanidade, seja no cenário doméstico ou no internacional, quando  cidades foram arrasadas, populações foram submetidas a outros países, vidas foram ceifadas, tudo no altar das vaidades dos governantes, com o toque final de figuras sinistras que escreveram páginas negras na História da Humanidade.
 
Todavia não foram esses os únicos conflitos envolvendo nações. Assim, não podemos deixar de registrar a Guerra do Paraguai, 1864 a 1870; Guerra da Coréia, julho de 1950 a julho de 1953; a Guerra do Vietnã, de 1959 a 30 de abril de 1975; a Guerra dos 06 dias entre Palestinos e Judeus; a Guerra das Malvinas, litígio ocorrido entre a Grã Bretanha e a Argentina, de 2 de abril a 14 de junho de 1982; Guerra dos Balcãs – Bósnia, Hezergovina, Croácia; a Guerra do Iraque, em 2003; conflitos na Faixa de Gaza; Guerra no Irã, em 2010. Além desses litígios armados registram-se, também, áreas em guerra na Nigéria, Libéria, Serra Leoa, Costa do Marfim, Ruanda, Burundi, Uganda, Zimbábue e Angola. 
 
Símbolo Intern. da Medicina

Genoma Humano
       










                    O notável desenvolvimento alcançado pela Humanidade se revela em todas as áreas do conhecimento humano. Na Medicina, ressalta-se a descoberta da anestesia geral, da penicilina, o transplante de órgãos, a ecografia, as técnicas de inseminação artificial, o DNA, a clonagem, a pílula, entre outros avanços. Em contrapartida, surge a terrível SIDA (AIDS) – Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, cuja cura ainda não foi encontrada pela ciência.
             
Globalização de Direitos
       No campo dos Direitos, segundo Norberto Bobio, vivemos a Era dos Direitos, onde o filósofo ressalta que os Direitos sempre existiram; que a liberdade é o direito fundamental por excelência; que há a precedência dos direitos civis e políticos em confronto com direitos econômicos e sociais; a ocorrência de Direitos Humanos até a quarta geração, insistindo que o principal não é justificar tais direitos e sim protegê-los. As Nações buscam encontrar justificativas comuns na defesa de direitos com a adesão a Pactos, Convenções, Acordos, Declarações e diversos instrumentos destinados à promoção da Paz e do Desenvolvimento Sustentável.
          
A mulher mística
          Num percurso prático, vemos a mulher no início da Idade Contemporânea ainda sob uma aura mística que a traduzia como um ser voltado à magia, ao ocultismo. Entretanto, à medida em que as relações humanas foram se desenvolvendo, o mundo contemporâneo trouxe para as mulheres o direito de votar e ser votada; as descobertas na obstetrícia com o consequente controle da natalidade, o poder de decisão sobre o seu próprio corpo quanto a engravidar ou não; o direito de morar sozinha, trabalhar fora de casa, ir às universidades como alunas e/ou professoras, mestras, doutoras. 
             


A mulher multifacetada
A mulher contemporânea está em todas as profissões e locais, discute política, economia. Tornou-se polivalente. Exerce, sob sua administração, tríplices jornadas, sendo a um só tempo: mulher/mãe/profissional. Conduz seu cromograma com maestria sem deixar de corresponder às suas faces de esposa, ser social e dona de seu próprio destino. De libélula acanhada, presa ao casulo do Lar, adquiriu asas, tornou-se ninfa e, algumas, até descobriram o famoso “Segredo das Borboletas”, com o evento do “ninho vazio”, conforme a escritora americana Toni Tucci predisse há mais de vinte anos.

         Com enfoque no mundo feminino contemporâneo, fazendo uma rápida excursão pela Filosofia, Artes, Ciências Médicas, Política, Assistência Social, Moda,lutas de classes, encontramos mulheres maravilhosa que merecem destaque, sendo, todavia em diferentes momentos do caminhar da Humanidade, portanto com visões e conotações diferentes.



INÍCIO DA ERA CONTEMPORÂNEA 

       
Bruxa Contemporânea
MARIE LAVOUR, nascida em 1794, mulata, bonita, em cujas veias corria sangue negro, branco e indiano. Era livre e a frente de seu tempo.  Foi a mais famosa bruxa praticante de Vodu de toda a América do Norte, sendo, juntamente com sua filha, Marie Lavour II, as mais poderosas e influentes praticantes de Vodu da sua época. Através do ocultismo, dominou Nova Orleans, com supostos poderes mágicos, se propunham a resolver problemas de ordem amorosa, sexual, financeira, social, negócial e livrar de inimigos aqueles que as procuravam.

         O Vodu, que já se caracterizava como um complexo de crenças e rituais religiosos, africanos e católicos, determinante de uma vinculação fundamental entre o mundo material e o mundo dos espíritos e que, em razão de tal essência, submete em grande extensão a vida dos que acreditam em sua existência. Utilizando elementos como bonecos, simbolizando o individuo a ser atingido ou ser beneficiado, além de sangue, animais, amuletos e linguagem própria, Maria Lavour e sua filha impunham um reinado misto de terror e devoção. 

A dama da social democracia
ROSA LUXEMBURGO –  Róża Luksemburg. Filósofa economista marxista, de origem polonesa judia, naturalizada alemã, nascida em 1871 e falecida em 15 de janeiro de 1919, aos 47 anos de idade, em Berlim, Alemanha. Começou na política organizando uma greve geral onde pereceram quatro líderes. Sobrevivendo, fugiu para a Suíça onde passou no exame Abitur, tornando-se aluna da Universidade de Zurique, convivendo com grandes nomes socialistas. Revolucionária, estudou Economia Política e Direito. Pós Graduada, obteve seu Doutorado no ano de 1898, defendendo a tese intitulada "O desenvolvimento industrial da Polônia".

Casou por conveniência, com a finalidade de conseguir a cidadania alemã, com Gustav Lübeck, de quem se divorciou transcorrido o prazo legal para manter a cidadania, adquirida. Foi presa por insultar o Imperador Guilherme II quando proferia um discurso. Defendeu a Teoria Marxista durante a Revolução Russa de 1905. A Política foi a tônica de sua existência. Opô-se, sistematicamente, a tudo que era contrário ao proletariado. O Movimento revolucionário era a sua arma, reiteradamente utilizada; suas obras mais conhecidas são: Reforma ou Revolução; Acumulação do Capital; Greve de Massas; Partidos e Sindicatos; Introdução à Economia Política; Questões de Organização da Social-Democracia Russa; A Revolução Russa e O Que Quer a Liga Spartacus? 

       Morreu após ser ferida a bala e jogada semi-morta nas águas geladas de janeiro do Landwerkanal ou canal da Polícia. Seu valoroso companheiro de lutas, Karl Liebknech foi baleado pelas costas, após ser induzido a caminhar. Os seus assassinos jamais foram punidos.

 
Ser finito e Ser eterno
EDITH STEIN - Judia, filósofa, carmelita, mártir, nascida em 1891 e morta em 1942. Buscava a sede da verdade em intenso rigor moral. Enfatizou e promoveu o papel da mulher na Sociedade e na Igreja. Pesquisou a Noção de Estado para definir a relação do ente Político com o povo, a igreja, a nação. No âmbito filosófico estabeleceu a ligação entre a “fenomenologia husserliana” e o conhecimento medieval demonstrado através da filosofia de S. Tomás, superando a neo-escolástica. Sua obra prima “Ser finito e Ser eterno”, configura-se quase uma nova ontologia, síntese de filosofia e mística.

A sua condição mística religiosa leva-a a beber das fontes Dominicana, Beneditina, de S. Teresa d’Ávila e de São João da Cruz. Sua última obra, "A ciência da cruz" (Scientia Crucis), ficou inacabada, inconclusa, face a sua morte numa câmara de gás no campo de Auschwitz.

     Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein) foi canonizada pelo papa João Paulo II, como Santa Teresa Benedita da Cruz, em 11 de outubro de 1998.



O amor coragem
ANA MARIA DE JESUS RIBEIRO – ANITA GARIBALDI

             Heroína dos dois mundos sob o nome de Anita Garibaldi, nasceu em Laguna, Santa Catarina, no dia 30 de agosto de 1821. Sua família originava-se de Açores, Portugal. Aos 14 anos perde o seu pai, sendo obrigada a casar-se com o sapateiro Manoel Duarte de Aguiar, permanecendo casada por três anos, quando seu marido alista-se no exercíto imperial e Anita volta para a casa de sua mãe.

                   Em 1835, lutando ao lado de seus compatriotas, na Revolução Farroupilha, Anita conhece o italiano Giuseppe Garibaldi por quem se sente fortemente atraída. Anita une-se a Garibaldi, participa ativamente do combate em Imbituba, Santa Catarina e da batalha de Laguna, onde sua principal tarefa era carregar e disparar um canhão.

 
A guerreira de dois mundos
             Na Batalha de Curitibanos, foi capturada pelos inimigos. Grávida de seu primeiro filho recebeu a notícia de que Garibaldi fora morto. Extremamente perturbada, foge a cavalo, a sua procura, encontrando-o na cidade de Vacaria. O seu primeiro filho, Domênico Menotti, nasce no dia 16 de setembro de 1840. Posteriormente, o casal teve mais dois filhos, Teresita e Ricciott. Somente em 1842 casam-se na paróquia de San Bernardino.

                   No ano de seu casamento, Garibaldi vai para a Argentina comandar a frota Uruguaia. O casal luta, ainda, pela independência da Itália e,em 1849, quando combatiam em Roma são perseguido e Anita contri febre tifo, vindo a morrer, com apenas 27 anos, aos 04 dias de Agosto de 1889. Roma rendeu-lhe a devida homenagem, erguendo na Colina de Gianicolo, um monumento eqüestre, onde estão enterrados os seus restos mortais. Anita Garibaldi passa para as mulheres brasileiras de todos os tempos uma lição de bravura que transcendeu a seu gênero, amor além do protótipo da época, coragem acima do bem e do mal, desprendimento para viver um sonho incondicional.

 
A personificação da elegância
 GABRIELLE BONHEUR CHANEL -  francesa, nasceu em 19 de agosto de 1883, em Samur, numa família pobre. Perdeu sua mãe quando tinha apenas seis anos, ficando, com mais quatro irmãos, aos cuidados do pai. Ela e as irmãs foram educadas num colégio de religiosas. Fugiu aos dezoito anos, inicia sua vida laboral como costureira numa fábrica de enxovais. Saindo à noite, com sua prima, canta num café concerto. No período entre 1905 e 1908, adotou o nome de Coco, durante uma breve carreira de cantora, juntamente com sua irmã. Uma música, por elas cantada, "Qui qu'a vu Coco dans l'Trocadéro?", "Quem viu Coco no Trocadero?" Dá origem ao nome “Coco” pelo qual seria mundialmente conhecida.


                   Buscando um espaço próprio tenta, sucessivamente, trabalhar no comércio, ser cantora, atriz. Sua figura atrai a atenção de Etienne Balsan, rico herdeiro de uma fábrica de tecido e criador dos melhores cavalos. Após breve romance tudo termina. Em 1910, encontra, na cidade Luz, aquele que seria o grande amor de sua vida: o milionário inglês Arthur Capel, que a ajuda a iniciar seu negócio como fabricante de chapéus; o sucesso tremendo e a companhia do milionário introduz Chanel ao sofisticado ambiente de Paris. Entretanto e mais uma vez a morte lhe rouba o afeto. Capel morre num desastre de carro.

                   Chanel fecha a fábrica de chapéus e abre um atelier de costura, também confeccionando chapéus, roupas esportivas para a praia e montaria. Confeccionou as primeiras calças compridas para mulher. Na década de 20, toma-se de amores por um príncipe Russo – Dmitri Pavlovich -, pobre e fugitivo da Rússia. O seu envolvimento produz roupas de inspiração russa, com bordados típicos. Conhece personagens famosas da época a exemplo de Greta Garbo, Pablo Picasso e Luchino Visconti.

                   Vestiu Divas de Hollywood, criou e ditou um estilo próprio, marcando de forma definitiva a moda feminina com os seus tailleurs que são referência até hoje. Além disso, cria também um dos mais famosos perfumes de todos os tempos: o Chanel n° 5, em alusão ao seu número da sorte. Lança posteriormente o Chanel  n° 17, mas não repete o êxito do primeiro.

                   Acusada de cumplicidade com os alemães, durante a Segunda Guerra Mundial, mantém um romance com um oficial daquele exército. O envolvimento é mal interpretado e os franceses afastam-se da Maison, trazendo-lhe dificuldades financeiras. Com visão empresarial, inicia comércio com nova clientela, do outro lado do Atlântico. Fixa residência na Suíça, cai nas graças de Jacqueline Kennedy, torna-se constante nas revistas de moda, cria sapatos, bolsas, além das tradicionais roupas e de seu carro chefe os tailleurs, bem como o perfume Chanel nº 5.

                   Estilista de sucesso, Coco Chanel traduziu uma mudança no vestir feminino. Os seus chapéus apresentavam designer totalmente novo; suas roupas materializavam o charme, a elegância nata das francesas; o seu perfume, a melhor roupa para uma noite longa e prazerosa. Morreu no Hôtel Ritz Paris, no ano de 1971. Sendo o seu funeral acompanhado por centenas de pessoas que levaram as suas roupas em sinal de homenagem.

 
Auto-retrato
TARSILA DO AMARAL -  pintora, brasileira, nascida a 1º de Setembro de 1886, na Fazenda São Bernardo, Município de Capivari, São Paulo, onde passou sua infância e adolescência. Estudou no colégio Sion e, aos 16 anos, pinta sua primeira obra que intitulou Sagrado Coração de Jesus. Foi casada com André Teixeira Pinto, com quem teve sua única filha, Dulce. Após sua separação viaja para a Europa com o objetivo de qualificar-se para a pintura.

                   Em 1922 consegue expor um quadro seu no Salão Oficial dos Artistas Franceses. Nesse mesmo ano volta para o Brasil, integrando-se com intelectuais modernistas que formam o “grupo dos cinco”. Iniciando seu namoro com o escritor Oswald de Andrade – o grande amor de sua vida -  que compunha o grupo. Em 1923, casa com o namorado, volta a Europa e convivem até 1930. Todavia, sua vida amorosa é restabelecida no ano de 1934, quando passa a viver com o escritor Luís Martins, com quem permanece por quase vinte anos. Teve quatro casamentos. De 1936 a 1952, trabalha como colunista nos "Diários Associados".

Abapuru
   Suas obras mais importantes são: "Pau-Brasil", que foi iniciada em 1924; em 1928 pinta a sua obra mais conhecida, que é o "Abaporu", criada como presente de aniversário para Oswald e que iniciou o movimento conhecido como "Antropofágico"; em 1933 pinta o quadro "Operários"; Na década de 50 volta ao tema "Pau brasil"; deixando, ainda, obras importantes como Antropofagia, Urutu, Lago, Sol Poente.

 
                 Tarsila do Amaral faleceu em São Paulo no dia 17 de fevereiro de 1973. Dona de uma personalidade impar, a pintora projetou o Brasil dotando Museus de todas as partes do mundo com suas obras. Foi uma das principais representantes do Modernismo Brasileiro. Sua consciência social motivou-a a participar, ativamente, de movimentos sociais e refletiu-se no conjunto de sua obra.


 
O conceito do amor
HANNAH ARENDT, NASCIDA COMO JOHANNA ARENDT -  filósofa política alemã de origem judia, nasceu em 14 de Outubro de 1906, em Linden, canalizou seus interesses na Teoria Política, na Modernidade e na Filosofia da História. Sofreu influências de grandes filósofos, entre eles Sócrates, Platão, Aristóteles, Santo Agostinho, Kierkegaard, Heidegger, Jürgen e outros. Foi uma das mais importantes personagens femininas da Filosofia do século XX.

Sofreu na pele a perseguição feita às pessoas de origem judaica, assim como a privação de direitos e prisão. Inquieta quanto à necessidade de conhecimentos, ainda adolescente, aos quatorze anos, já lera Immanuel Kant em sua obra “Crítica da Razão Pura”. Aos dezessete anos torna-se amante de Heidegger, de quem era aluna. Para manter o segredo, Hannah conservou-se calada e não mais suportando a situação decidiu mudar de Faculdade, indo para a faculdade de Albert Ludwig, de Freiburg. Também estudou Filosofia e se formou no ano de 1928 sob a tutoria de Karl Jaspers, com a tese “O conceito de amor em Santo Agostinho”. Em sua nova faculdade estende o leque de suas amizades, antes tolhida em razão de seu relacionamento com Heidegger.

Pretendendo uma cátedra em universidades alemãs, foi proibida, por Hitler em 1933, de escrever uma nova dissertação que a qualificaria para o lugar desejado. Sionista, entrou em choque com os interesses anti-semita do Terceiro Reich. Presa, várias vezes, migrou para os Estados Unidos.

Escreveu "As origens do totalitarismo" que a consagra como uma das maiores figura do pensamento político ocidental; “A condição Humana”, onde adota a tripartição grega: labor, trabalho, ação. 

       "Com a expressão 'vita activa', pretendo designar três actividades humanas fundamentais: labor, trabalho e ação. (...) O labor é a actividade que corresponde ao processo biológico do corpo humano (...). A condição humana do labor é a própria vida. O trabalho é a actividade correspondente ao artificialismo da existência humana (...). O trabalho produz um mundo "artificial" de coisas, nitidamente diferente de qualquer ambiente natural. A condição humana do trabalho é a mundanidade. A acção, única actividade que se exerce directamente entre os homens sem a mediação das coisas ou da matéria, corresponde à condição humana da pluralidade, ao facto de que homens, e não o Homem vivem na Terra e habitam o mundo. Todos os aspectos da condição humana têm alguma relação com a política; mas esta pluralidade é especificamente 'a' condição (...) de toda a vida política."  (Fonte: Wikipédia). 

      Publica, ainda o titulo “Sobre a Revolução”, analisando as Revoluções Francesa e Americana, estabelecendo pontos comuns e divergências, defendendo a liberdade e que a manutenção dos ideais assegurariam a identidade.

Escreveu, também, "Eichmann em Jerusalém", sobre o julgamento do exterminador de Judeus e idealizador da chamada “Solução Final”, apontando ali a complexidade da natureza humana, a banalidade do mal e a necessidade da permanente vigilância como garantia da liberdade. Tendo regressado a Alemanha, re-encontrou Heidegger, reabilitando-o, posto que afastado sob o peso de ser simpatizante do Reich, escreveu a quatro mãos a obra "Lettres et autres documents", 1925-1975, Hannah Arendt, Martin Heidegger, com edição alemã e tradução francesa da responsabilidade das Editions Gallimard.

             Morreu no ano de 1975. Notável, foi, com certeza, a mais brilhante personalidade feminina do universo judeu da era contemporânea.

 
O feminino na pintura
MAGDALENA CARMEN FRIEDA KAHLO Y CALDERÓN – FRIDA KAHLO – Nascida em Coyoacán, aos 6 de julho de 1907 e falecida em Coyoacán, em 13 de julho de 1954. Mexicana, pintora, teve uma vida sofrida em consequência do acometimento de doenças, iniciadas aos seis anos de idade, quando foi diagnosticada com poliomielite – paralisia infantil – que a marcou para o resto de sua vida, gerando o apelido que a acompanharia dali em diante - Frida pata de palo ou, Frida perna de pau. O aleijão a levaria a usar calças compridas e, em seguida, saias compridas e exóticas que se tornariam sua marca.

                   De 1992 a 1995, tem aulas de desenho e modelagem na Escola Nacional Preparatória do Distrito Federal do México. Sua biografia registra que sofreu um acidente, quando o bonde no qual estava chocou-se com um trem, o pára-choque de um dos veículos perfurou suas costas, atingindo a pélvis, saindo pela vagina, ocasionando-lhe, além das lesões, uma profunda hemorragia. Tinha apenas dezoito anos e conseguiu sobreviver. Os tratamentos e cirurgias lhe impuseram um grande sofrimentos. Para fugir da dor começou a pintar. Utiliza até mesmo os coletes substituídos como matéria e cria, com o colete de gesso, a tela batizada de A Coluna Partida.

                   Pertenceu ao Partido Comunista Mexicano, foi casada com Diego Rivera, com quem viveu uma relação tórrida, interrompida pela descoberta da traição do marido com sua irmã mais nova; posteriormente retoma o casamento de forma mais apaixonada e passional. Tentou suicídio varias vezes, era bissexual, tinha amantes homens e mulheres. Deixou um acervo riquíssimo, entre suas obras destacam-se: As Duas Fridas; Raízes; Auto-Retrato com o Cabelo Solto; O Veado Ferido; A Coluna Partida; Auto-Retrato Dedicado ao Dr. Eloesser; Auto-Retrato "The Frame"; Auto-Retrato com Macaco; Eu e os Meus Papagaios e O Suicídio de Doroty Hale.

 
JACKELINE LEE "JACKIE" BOUVIER KENNEDY ONASSIS, símbolo de uma época, nascida aos 28 de julho de 1929 e falecida em 19 de maio de 1994. Sobre Jackie, o escritor Norman Mailer declarou: “Ela não é uma celebridade, é uma lenda. Não, não, é mais que uma lenda é um arquétipo histórico.” Bem nascida, rodeada de conforto e luxo, com educação primorosa, deixou claro, ao mundo, a que viera. Negou-se a viver como dondoca, aos vinte e um anos, deixa sua vida de menina rica para se tornar repórter e fotógrafa no Time Herald, em Washington, no ano de 1952.

                   Audaciosa, bem humorada, culta, chiquérrima, persistente, conheceu, na sua profissão, aquele que seria o seu marido, pai de seus filhos e um dos homens mais importantes da história contemporânea, o futuro presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, com quem se casaria após dois anos de seu primeiro encontro. 

 
Impecável
            Dona de uma personalidade forte inspirou trinta e duas biografias. Jamais ficou à sombra de seu poderoso marido. Mais que uma Primeira Dama, quase rainha, torna-se amada pelos americanos, imitada por mulheres em todo o mundo. Inovou antigos costumes na Casa Branca, de ascendência francesa, introduziu menu francês nos jantares oficiais, adornou as paredes da residência oficial com arte, coisa, até então, inimaginável.

                   Depois de um aborto acidental em 1955, eles tiveram quatro filhos juntos: Arabella Kennedy (natimorta, 1956), Caroline Bouvier Kennedy (1957), John Fitzgerald Kennedy Jr (1960-1999) e Patrick Bouvier Kennedy (7 de Agosto - 9 de Agosto de 1963). Viu o seu casamento ser alvo de especulações ante às traições do marido, entretanto, permaneceu imbatível ao lado daquele, apoiando-o em memoráveis decisões, como a Invasão da Baía dos Porcos, a Crise dos mísseis de Cuba, a construção do Muro de Berlim, o início da Corrida espacial, a consolidação do Movimento dos Direitos Civis nos Estados Unidos e os primeiros eventos da Guerra do Vietnã, permanecendo ao seu lado até mesmo por ocasião de seu assassinato em Dalas, aos 22 de novembro de 1963. Tornando-se, a partir daquela data, pai e mãe de seus filhos.

                   É reverenciada por seu apoio à arte e à salvaguarda da arquitetura histórica, sua maneira de ser, elegância, e graça. Um ícone da moda, seu famoso terno rosa da Maison Chanel tornou-se um símbolo do assassinato de seu marido e uma das últimas imagens da década de 1960.

                   Em 20 de Outubro de 1968, Jacqueline Kennedy casou-se com Aristóteles Onassis, um magnata grego, em Skorpios, com quem vive até a morte do marido. A coragem de Jacqueline Kennedy perante o assassinato e o funeral do marido trouxe admiração de muitos em todo o mundo, e muitos norte-americanos lembram-se de sua coragem e dignidade naqueles quatro dias de novembro de 1963. (Fonte: Wikipédia)

                   Sua vida, a partir de seu casamento com Kennedy tornou-se pública. Os seus gestos, suas reações, seu modo de falar, vestir, pentear-se, tudo era motivo para ser lançado na mídia. Sua privacidade era quase sempre devassada. Um paparazzo fotografou-a nua numa ilha de grega, Larry Flint comprou as fotos e publicou. Acostumada ao trabalho, retomou as suas atividades como editora na Doubleday. Conviveu com o belga Maurice Tempelsman, sem oficializar a ligação.

 
A fortaleza na dor
              Em 1994 foi diagnosticada com um câncer linfático, morreu durante seu sono às 10h15 da manhã numa sexta-feira, em 19 de maio, aos 64 anos. O seu filho Jonh Jonh morreu cinco anos depois, no dia 16 de julho de 1999.

            Sua trajetória mostra a força de vontade, o brio, a coragem de uma mulher que não se dobrou ante as responsabilidades assumidas, que não se deixou abater pelas decepções, que não se vergou à dor.

                   Ainda temos muito a dizer das mulheres que fizeram e fazem a Idade Contemporânea, convido-os a continuarem comigo decifrando essa Era.





quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Movimento social - Morhan, uma realidade


HOJE, com muita emoção, quero falar para vocês sobre uma decisão na minha vida da qual tenho profundo orgulho. No ano de 1999, quando militava na Anistia Internacional, fui, através de amigos, apresentada ao Sr. Hortêncio Ribeiro Maciel, uma pessoa interessantíssima, com uma história de vida fantástica.

O primeiro encontro, no ex-Hospital Colônia Getúlio Vargas, falou, incessantemente, por quase três horas, onde, paralisada, o ouvi atentamente. Em meu íntimo brigava comigo para não chorar, para não interrompê-lo, para não abraçá-lo, até porquê eu era uma desconhecida e, apesar da eloquência daquele, certamente lhe causaria estranheza tamanha intimidade.

        Continuei ouvindo-o, encontrei um grande amigo. Uma pessoa normal, com erros e acertos, defeitos e virtudes, porém, extraordinário em força e vigor interior, que o levara a derrotar um mal, uma enfermidade. A doença, poderia não só tê-lo vitimado, mas e também vencê-lo. Entretanto, naquele homem fragilizado, mutilado, transcendia algo que chamava a atenção: a sua capacidade de tornar-se uma fênix, renascer das próprias cinzas cada vez que era atingido na sua integridade física, abalado na sua natureza guerreira.

      Conhecer “Seu Hortêncio” – como eu respeitosamente o chamava, sua esposa e seus filhos, foi começar a conhecer a luta de pessoas que, como ele, foram atingidas pela Hanseníase. SIM, fora este o MAL que o acometera. A mim se apresentava uma história de luta, pouco conhecida. A doença eu já conhecia, inclusive tivera parente internado na “Mirueira”, no Recife.

A Colônia Getúlio Vargas conheci menina; era um lugar muito bonito, cheio de fruteiras, flores, pássaros; incapaz de mostrar aos desavisados a tristeza, a separação familiar, as dores, as esperanças perdidas, a truculência representada por muros, correntes, cadeados, paredes de vidro e grades. 

Rondando a Colônia o preconceito que humilhava, matava em vida, transformando os internos em mortos vivos. As fugas eram constantes. Os castigos frequentes; a prisão, reiteradamente utilizada para reprimir aqueles que se rebelavam. Muitos se deixavam intimidar, amordaçar, não porque fossem fracos de caráter, mas porque a doença lhes tirava o brio.

       O local funcionava como se fora uma típica cidade do interior, pelos menos aquelas pequeninas do rincão Paraibano; tinha Prefeito – o primeiro foi Absalão – parente próximo de meu esposo; havia, ali uma cadeia, um cinema, uma igreja católica. Os casados habitavam pequenas casa conjugadas e, na maioria das vezes, abrigavam, também, crianças que eram retiradas do seio familiar em razão do diagnóstico positivo da doença.

Pela colônia Getúlio Vargas passaram muitos, alguns anônimos, outros ilustres por seus sobrenomes e prontamente esquecidos pela maioria dos familiares. Um fato me deixou perplexa: pesquisando documentos para envio à Brasília, descobri o paradeiro de uma professora querida que simplesmente sumiu de nosso colégio. Assim era a triste realidade daqueles nossos irmãos, penalizados com a mais cruel reclusão. Condenados, sem direito a recursos, a pena restritiva de liberdade, sem crime, sem julgamento. Sem dó ou compaixão.

 Apesar do sofrimento, aquele acontecimento de ouro que excepciona a regra, se fez presente. E Seu Hortêncio, Severina e outros, fazem parte dessa exceção. Não se acostumaram à doença. Não aceitaram o estigma. Não se curvaram ao preconceito. Não se escudaram na dor. Arregaçaram as mangas e lutaram. Nesse espírito decidiram combater o bom combate. É nesse contexto que sou apresentada ao Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase – MORHAN, corporificando o sonho de muitos e a decisão de alguns, cuja história nos faz crer na Humanidade.


Um nome: Francisco Augusto Vieira Nunes, um apelido – BACURAU; duas grandes aspirações: a erradicação da doença e a eliminação do preconceito. A ele juntaram-se muitas vozes que sofreram amordaçadas, sem eco, sem respostas, até que à sombra das árvores na Mirueira acolheram as súplicas. Ao invés do choro, se organizaram, usaram a palavra; em substituição a mudez registraram, sem medo, o que lhes era imputado, dia a dia.

Ouvi seu Hortêncio falar de pessoas como Bacurau e Dª. Terezinha, Artur Custódio, Cristiano, Dide, Valdenora,  Edgilson, Antônio Borges e tantos outros que deram e dão materialidade à tão maravilhosa idéia. Sem que eu percebesse a semente já se infiltrara em meu coração.

O MOVIMENTO INSTITUCIONALIZADO

Deste modo, tomei conhecimento de que o MORHAN na Paraíba, fora fundado em 1983. Deixado adormecido e revitalizado naquele ano de 1999. O encontrei sob a Coordenação de Severina Maria, figura impar, de qualidades invejáveis. Um corpo maltratado pela doença e, mesmo assim, em constante caminhar, impulsionada, com certeza, por um coração sonhador, acrescido de uma enorme vontade de viver, ajudar aos demais e crescer. 

O movimento, na esfera estadual, era pequeno no número de voluntários; inteiramente carente, no que diz respeito às finanças; de pouca visibilidade institucional. Tudo isso me instigou, crescia o desejo incontrolável de unir-me àquele clamor que gritava contra o preconceito, a ignorância, o desamor, a inércia estatal. Aderi.

       Em 13 anos de parceria, vi muitos companheiros partirem - alguns retornaram ao Pai, a exemplo de Seu Hortêncio, Tranquilino, a Drª. Rosemary Madruga, Benedito Barbosa; outros buscaram instituições diversas e/ou Estados. Nesse aspecto, merecem registro, por seu trabalho junto ao Movimento, a Drª. Luzinete Victor de Barros, o Dr. Frederico Carlos Machado, que por seis anos coordenou o MORHAN no Estado da Paraíba, o Dr. Glauberto Bezerra – Promotor de Justiça - que se empenhou, pessoalmente, para que o Movimento retornasse à ativa; Joana. D’arc Santos Silva, que tem sido o elo de ligação entre o MORHAN e a mídia local. 

          Assisti o crescimento do MORHAN, as vitórias sofridas, conquistadas uma de cada vez, em doses terapêuticas, trazendo sensações de alegria, conforto, reparação e JUSTIÇA.

       Como Sociedade Civil sem fins lucrativos, foi fundado em 6 de Junho de 1981, tendo como missão precípua “a eliminação da Hanseníase, através de atividades de conscientização e foco na construção de políticas públicas eficazes para a população.” O Morhan luta pela garantia e respeito aos Direitos Humanos das pessoas atingidas pela hanseníase e seus familiares, temos no voluntariado nossa maior força de luta.”  Está estruturado com uma Coordenação Nacional, Coordenações Estaduais - presentes em todas as unidades da federação -,  vários núcleos, sub-núcleos, todos montados a partir do voluntariado (fonte – site Morhan Nacional). 

 
O MORHAN foi inicialmente capitaneado por Bacurau. Acometido da doença que o vitimou, o debilitado coordenador apresenta um jovem, que acredita ter as condições necessárias para ser o novo timoneiro. Um rapaz, de olhos sonhadores, estudante de Medicina, ardente, apaixonado por tudo o que faz. Artur Custódio é o seu nome, de compleição aparentemente frágil, de estatura média, torna-se gigante quando na defesa daqueles que um dia foram atingido pela Hanseníase; dono de uma forte presença, não por sua beleza física e sim pela fortaleza que emana de seu interior, consegue, com as bênçãos de seu padrinho tornar-se o seu sucessor. Sua posse ocorreu no Ceará, com a presença de Bacurau.

O triunfo dessa junção de pessoas do bem pode ser medido pelo alcance de suas conquistas. Através do MORHAN se conseguiu derrubar a Legislação que determinava a esterilização dos títulos dos portadores de Hanseníase ou sequelados dela; o Movimento mostrou ao País a vergonha indizível do preconceito e da segregação; em muitas situações, alcançou êxito na defesa da obtenção de órteses e próteses; se fez presente no Conselho Nacional de Saúde e em vários Conselhos Estaduais e Municipais de Saúde; mobilizou a sociedade buscando a capacitação de profissionais na área de saúde; exigiu a humanização no tratamento desse público-alvo. 
 Através do Senador Tião Viana, conseguiu a concessão da pensão vitalícia para pacientes que foram submetidos à internação compulsória; obteve a regularização, em alguns Estados, dos imóveis ocupados por pessoas atingidas pela Hanseníase e moradores das áreas dos antigos hospitais colônias, em nome daqueles.
 
Uma de suas grandes realizações é a Carreta Saúde, equipada com cinco consultórios: um para detecção e diagnóstico da hanseníase; um laboratório para exames com resultado imediato; um banheiro com torneiras automáticas; elevador para portadores de necessidades especiais e gerador. Além de um palco destinado a apresentações para informação, entretenimento e exibição de vídeos. O veículo percorre o País levando serviços essenciais ao controle da Hansen, numa parceria do MORHAN/ NOVARTIS/ MUNICÍPIO VISITADO
 
O Morhan na Paraíba recebeu a Carreta da Saúde em dois municípios: de 23 a 26 de fevereiro de 2010 em Bayeux, onde está localizada a ex- Colônia Getúlio Vargas. Naquela ocasião, estiveram presentes Artur Custódio e Elke Maravilha. A campanha publicitária ficou a cargo do designer Fred Filho que criou, gratuitamente, a camiseta, os bonés e banners.

    Posteriormente, em março de 2010, a carreta esteve no alto sertão paraibano, no Município de Cajazeiras, onde, mais uma vez, tivemos a presença do nosso Coordenador Nacional. Merecendo destaque o trabalho voluntário da Dermatologista Astrid Zamorra  Em ambas as situações a Coordenação Estadual esteve à frente dos eventos nos quais foram detectados novos casos de Hanseníase. Ressalta-se que a vinda da carreta se deu em parceria com a Prefeitura de cada uma daquelas localidades.

Os parceiros institucionais do MORHAN Nacional são: A Associação Beneficente dos Professores Públicos Ativos e Inativos do Estado do Rio de Janeiro (APPAI); a Agência CW; a FETRANSPOR, que é parceira do Morhan no Rio de Janeiro e ajuda a dar mobilidade ao Movimento;  o Novartis,  Laboratório Novartis Brasil, que é parceiro do Morhan e financia a Carreta da Saúde; O RIOSOLIDARIO, que é parceiro do Morhan nas ações no Estado do Rio de Janeiro, com atividades de educação em saúde e divulgação das informações sobre a hanseníase e Telehansen; a UNIMED Brasil e o CONASEMS; The Nippon Foundation;  a EBX; a OAB Federal e muitas Seccionais nos Estado e o Ministério da Saúde. As Coordenações também celebram suas parcerias.

A luta a cada dia revela uma situação a ser vencida. Obtida a pensão vitalícia aos confinados, o MORHAN busca, agora, obter igual direito para os filhos separados de seus pais, numa ação já iniciada e apoiada por muitos. A Medicina, através do exame de DNA, tem se mostrado uma ferramenta inigualável para identificar pessoas, notadamente aquelas cujos pais são falecidos, mas que têm informações de possíveis irmãos, um tronco comum, cuja origem se encontra registrada nos livros das Colônias, nos Registros Batismais e, também, nas anotações dos antigos preventórios.

O MORHAN HOJE 


Dentre as conquistas do MORHAN, se coloca como algo a ser festejado,  a  realização  no  Brasil,  na cidade do Rio de Janeiro, do que foi o "primeiro" de uma série de "cinco" Simpósios a serem realizados no leste europeu, Ásia, África e Oceania, terminando em 2013, quando o último evento acontecerá na sede da ONU, em Nova York. 

Abrilhantaram o acontecimento, além dos voluntários vindos de todo o país, figuras  internacionais como:  Mr. Yohey Sasakawa, Embaixador da Boa Vontade pela Organização Mundial de Saúde; o Professo Yozo Yokota, da Sub-comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas de Promoção e Proteção aos Direitos Humanos; Mr. Incalcaterra, Representante Regional na América do Sul do Escritório do Alto Comissariado pelos Direitos Humanos; Dr. José Luís Gerardo Castellano, Coordenador de Prevenção e Controle de Doenças Notificáveis na área de Vigilância em Saúde e Prevenção de Doenças da OPAS, Escritório de Washington; Dr. Sumana Barua, Líder da Equipe do Programa da Hanseníase Global, Escritório Regional do Sudeste da Ásia; o Professor Arriscado Nunes, da Universidade de Coimbra. Também estiveram presentes várias ONGS, dentre elas A CORSOHANSEN/Abuelas de Plaza de Mayo, representada por sua Presidente Estela Barnes de Carlotto e participantes vindos da Argentina, Moçambique, Índia, Japão, Portugal, Colômbia  e outros.

No cenário Nacional  destacamos: Drª. Michelle Reis Ledur – Secretária de Direitos Humanos da Presidência da República; Dr. Diogo Santana – Ministério da Saúde; Dr. Jairo Bisol – Presidente da Associação Nacional do Ministério Público de Defesa da Saúde; Representante da Ordem dos Advogados do Brasil; além da efetiva participação nas mesas de Artur Custódio – Coordenador Nacional do Morhan; Cristiano Torres – Vice -Coordenador Nacional. Ainda, Dr. José Luís Amaral – Presidente da Associação Médica Mundial e Valdenora Rodrigues – Morhan Nacional, responsáveis pelo lançamento, no evento, do Apelo Global 2012.   Ney Mato Grosso e Elke Maravilha, estes últimos, encarregados da leitura do Apelo. E o convidado especial Dr. Nilmário Miranda.

O Apelo Global “ Pelo Fim do estigma e da discriminação contra as pessoas atingidas pela Hanseníase”, foi lançado em 30 de janeiro de 2012, em São Paulo, pelos membros da “The World Medical Association”.

Com uma programação contextual muito rica, o Simpósio recebeu, ainda, atenção especial do Sr. Governador do Estado do Rio de Janeiro, que abriu O Palácio das Laranjeiras aos participantes, para um coquetel em suas dependências, assinando, na ocasião, Lei concedendo pensão especial em prol dos internos que prestavam, sem remuneração, serviços aos pacientes. 

             O convite, para participação no evento, foi oficializado em nome do Embaixador da Boa Vontade para a Eliminação da Hanseníase na Organização Mundial de Saúde, do Embaixador do Governo Japonês para os Direitos Humanos das Pessoas Atingidas pela Hanseníase, pelo Presidente da Nippon Foundation e Sasakawa, Memorial Health Foundation, Yohei Sasakawa, e o MORHAN.

            O evento transcorreu de forma  organizada e extremamente proveitosa. Após discussões, sugestões e re-elaboração do que fora sugerido, com a finalidade de adequar o texto á realidade nacional, foi produzida a “Carta do Rio”, sintetizando os anseios dos participantes. 

          Tudo isso é a cara do MORHAN, movimento que aprendi a amar e do qual tenho imenso orgulho de fazer parte. Hoje, no Estado, continuamos um pequeno grupo, lutamos contra todas as dificuldades imagináveis.

          Talvez um dia você possa fazer parte dessa luta. Pesquise, se inteire. Se apaixone.