Quem sou eu? O que faço

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João Pessoa, Paraíba, Brazil
Quem sou? O que faço. Sou Maria de Lourdes, tenho, agora, 62 anos, esposa, mãe e avó, formação jurídica, com pós graduação em Direitos Humanos e Direito Processual Civil, além de um curso não concluído de Filosofia. Conheci os clássicos muito cedo, pois não tinha permissão para brincar na rua. Nosso universo – meu e de meus irmãos – era invadido, diariamente, por mestres da literatura universal, por nossos grandes autores, por contistas da literatura infanto-juvenil, revistas de informação como Seleções e/ou os populares gibis. Todos válidos para alimentar nossa sede de conhecimento. Gosto de conversar, ler, trabalhar, ouvir música, dançar. Adoro rir, ter amigos e amar. No trabalho me realizo à medida que consigo estabelecer a verdade, desconstruir a mentira, fazer valer direitos quando a injustiça parece ser a regra. Tenho a pretensão de informar, conversar, brincar com as palavras e os fatos que possam ser descritos ou comentados sob uma visão diferente. Venham comigo, embarquem nessa viagem que promete ser, a um só tempo, séria e divertida; suave e densa; clássica e atual. Somente me acompanhando você poderá exercer seu direito à críticas. Conto com sua atenção.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Movimento social - Morhan, uma realidade


HOJE, com muita emoção, quero falar para vocês sobre uma decisão na minha vida da qual tenho profundo orgulho. No ano de 1999, quando militava na Anistia Internacional, fui, através de amigos, apresentada ao Sr. Hortêncio Ribeiro Maciel, uma pessoa interessantíssima, com uma história de vida fantástica.

O primeiro encontro, no ex-Hospital Colônia Getúlio Vargas, falou, incessantemente, por quase três horas, onde, paralisada, o ouvi atentamente. Em meu íntimo brigava comigo para não chorar, para não interrompê-lo, para não abraçá-lo, até porquê eu era uma desconhecida e, apesar da eloquência daquele, certamente lhe causaria estranheza tamanha intimidade.

        Continuei ouvindo-o, encontrei um grande amigo. Uma pessoa normal, com erros e acertos, defeitos e virtudes, porém, extraordinário em força e vigor interior, que o levara a derrotar um mal, uma enfermidade. A doença, poderia não só tê-lo vitimado, mas e também vencê-lo. Entretanto, naquele homem fragilizado, mutilado, transcendia algo que chamava a atenção: a sua capacidade de tornar-se uma fênix, renascer das próprias cinzas cada vez que era atingido na sua integridade física, abalado na sua natureza guerreira.

      Conhecer “Seu Hortêncio” – como eu respeitosamente o chamava, sua esposa e seus filhos, foi começar a conhecer a luta de pessoas que, como ele, foram atingidas pela Hanseníase. SIM, fora este o MAL que o acometera. A mim se apresentava uma história de luta, pouco conhecida. A doença eu já conhecia, inclusive tivera parente internado na “Mirueira”, no Recife.

A Colônia Getúlio Vargas conheci menina; era um lugar muito bonito, cheio de fruteiras, flores, pássaros; incapaz de mostrar aos desavisados a tristeza, a separação familiar, as dores, as esperanças perdidas, a truculência representada por muros, correntes, cadeados, paredes de vidro e grades. 

Rondando a Colônia o preconceito que humilhava, matava em vida, transformando os internos em mortos vivos. As fugas eram constantes. Os castigos frequentes; a prisão, reiteradamente utilizada para reprimir aqueles que se rebelavam. Muitos se deixavam intimidar, amordaçar, não porque fossem fracos de caráter, mas porque a doença lhes tirava o brio.

       O local funcionava como se fora uma típica cidade do interior, pelos menos aquelas pequeninas do rincão Paraibano; tinha Prefeito – o primeiro foi Absalão – parente próximo de meu esposo; havia, ali uma cadeia, um cinema, uma igreja católica. Os casados habitavam pequenas casa conjugadas e, na maioria das vezes, abrigavam, também, crianças que eram retiradas do seio familiar em razão do diagnóstico positivo da doença.

Pela colônia Getúlio Vargas passaram muitos, alguns anônimos, outros ilustres por seus sobrenomes e prontamente esquecidos pela maioria dos familiares. Um fato me deixou perplexa: pesquisando documentos para envio à Brasília, descobri o paradeiro de uma professora querida que simplesmente sumiu de nosso colégio. Assim era a triste realidade daqueles nossos irmãos, penalizados com a mais cruel reclusão. Condenados, sem direito a recursos, a pena restritiva de liberdade, sem crime, sem julgamento. Sem dó ou compaixão.

 Apesar do sofrimento, aquele acontecimento de ouro que excepciona a regra, se fez presente. E Seu Hortêncio, Severina e outros, fazem parte dessa exceção. Não se acostumaram à doença. Não aceitaram o estigma. Não se curvaram ao preconceito. Não se escudaram na dor. Arregaçaram as mangas e lutaram. Nesse espírito decidiram combater o bom combate. É nesse contexto que sou apresentada ao Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase – MORHAN, corporificando o sonho de muitos e a decisão de alguns, cuja história nos faz crer na Humanidade.


Um nome: Francisco Augusto Vieira Nunes, um apelido – BACURAU; duas grandes aspirações: a erradicação da doença e a eliminação do preconceito. A ele juntaram-se muitas vozes que sofreram amordaçadas, sem eco, sem respostas, até que à sombra das árvores na Mirueira acolheram as súplicas. Ao invés do choro, se organizaram, usaram a palavra; em substituição a mudez registraram, sem medo, o que lhes era imputado, dia a dia.

Ouvi seu Hortêncio falar de pessoas como Bacurau e Dª. Terezinha, Artur Custódio, Cristiano, Dide, Valdenora,  Edgilson, Antônio Borges e tantos outros que deram e dão materialidade à tão maravilhosa idéia. Sem que eu percebesse a semente já se infiltrara em meu coração.

O MOVIMENTO INSTITUCIONALIZADO

Deste modo, tomei conhecimento de que o MORHAN na Paraíba, fora fundado em 1983. Deixado adormecido e revitalizado naquele ano de 1999. O encontrei sob a Coordenação de Severina Maria, figura impar, de qualidades invejáveis. Um corpo maltratado pela doença e, mesmo assim, em constante caminhar, impulsionada, com certeza, por um coração sonhador, acrescido de uma enorme vontade de viver, ajudar aos demais e crescer. 

O movimento, na esfera estadual, era pequeno no número de voluntários; inteiramente carente, no que diz respeito às finanças; de pouca visibilidade institucional. Tudo isso me instigou, crescia o desejo incontrolável de unir-me àquele clamor que gritava contra o preconceito, a ignorância, o desamor, a inércia estatal. Aderi.

       Em 13 anos de parceria, vi muitos companheiros partirem - alguns retornaram ao Pai, a exemplo de Seu Hortêncio, Tranquilino, a Drª. Rosemary Madruga, Benedito Barbosa; outros buscaram instituições diversas e/ou Estados. Nesse aspecto, merecem registro, por seu trabalho junto ao Movimento, a Drª. Luzinete Victor de Barros, o Dr. Frederico Carlos Machado, que por seis anos coordenou o MORHAN no Estado da Paraíba, o Dr. Glauberto Bezerra – Promotor de Justiça - que se empenhou, pessoalmente, para que o Movimento retornasse à ativa; Joana. D’arc Santos Silva, que tem sido o elo de ligação entre o MORHAN e a mídia local. 

          Assisti o crescimento do MORHAN, as vitórias sofridas, conquistadas uma de cada vez, em doses terapêuticas, trazendo sensações de alegria, conforto, reparação e JUSTIÇA.

       Como Sociedade Civil sem fins lucrativos, foi fundado em 6 de Junho de 1981, tendo como missão precípua “a eliminação da Hanseníase, através de atividades de conscientização e foco na construção de políticas públicas eficazes para a população.” O Morhan luta pela garantia e respeito aos Direitos Humanos das pessoas atingidas pela hanseníase e seus familiares, temos no voluntariado nossa maior força de luta.”  Está estruturado com uma Coordenação Nacional, Coordenações Estaduais - presentes em todas as unidades da federação -,  vários núcleos, sub-núcleos, todos montados a partir do voluntariado (fonte – site Morhan Nacional). 

 
O MORHAN foi inicialmente capitaneado por Bacurau. Acometido da doença que o vitimou, o debilitado coordenador apresenta um jovem, que acredita ter as condições necessárias para ser o novo timoneiro. Um rapaz, de olhos sonhadores, estudante de Medicina, ardente, apaixonado por tudo o que faz. Artur Custódio é o seu nome, de compleição aparentemente frágil, de estatura média, torna-se gigante quando na defesa daqueles que um dia foram atingido pela Hanseníase; dono de uma forte presença, não por sua beleza física e sim pela fortaleza que emana de seu interior, consegue, com as bênçãos de seu padrinho tornar-se o seu sucessor. Sua posse ocorreu no Ceará, com a presença de Bacurau.

O triunfo dessa junção de pessoas do bem pode ser medido pelo alcance de suas conquistas. Através do MORHAN se conseguiu derrubar a Legislação que determinava a esterilização dos títulos dos portadores de Hanseníase ou sequelados dela; o Movimento mostrou ao País a vergonha indizível do preconceito e da segregação; em muitas situações, alcançou êxito na defesa da obtenção de órteses e próteses; se fez presente no Conselho Nacional de Saúde e em vários Conselhos Estaduais e Municipais de Saúde; mobilizou a sociedade buscando a capacitação de profissionais na área de saúde; exigiu a humanização no tratamento desse público-alvo. 
 Através do Senador Tião Viana, conseguiu a concessão da pensão vitalícia para pacientes que foram submetidos à internação compulsória; obteve a regularização, em alguns Estados, dos imóveis ocupados por pessoas atingidas pela Hanseníase e moradores das áreas dos antigos hospitais colônias, em nome daqueles.
 
Uma de suas grandes realizações é a Carreta Saúde, equipada com cinco consultórios: um para detecção e diagnóstico da hanseníase; um laboratório para exames com resultado imediato; um banheiro com torneiras automáticas; elevador para portadores de necessidades especiais e gerador. Além de um palco destinado a apresentações para informação, entretenimento e exibição de vídeos. O veículo percorre o País levando serviços essenciais ao controle da Hansen, numa parceria do MORHAN/ NOVARTIS/ MUNICÍPIO VISITADO
 
O Morhan na Paraíba recebeu a Carreta da Saúde em dois municípios: de 23 a 26 de fevereiro de 2010 em Bayeux, onde está localizada a ex- Colônia Getúlio Vargas. Naquela ocasião, estiveram presentes Artur Custódio e Elke Maravilha. A campanha publicitária ficou a cargo do designer Fred Filho que criou, gratuitamente, a camiseta, os bonés e banners.

    Posteriormente, em março de 2010, a carreta esteve no alto sertão paraibano, no Município de Cajazeiras, onde, mais uma vez, tivemos a presença do nosso Coordenador Nacional. Merecendo destaque o trabalho voluntário da Dermatologista Astrid Zamorra  Em ambas as situações a Coordenação Estadual esteve à frente dos eventos nos quais foram detectados novos casos de Hanseníase. Ressalta-se que a vinda da carreta se deu em parceria com a Prefeitura de cada uma daquelas localidades.

Os parceiros institucionais do MORHAN Nacional são: A Associação Beneficente dos Professores Públicos Ativos e Inativos do Estado do Rio de Janeiro (APPAI); a Agência CW; a FETRANSPOR, que é parceira do Morhan no Rio de Janeiro e ajuda a dar mobilidade ao Movimento;  o Novartis,  Laboratório Novartis Brasil, que é parceiro do Morhan e financia a Carreta da Saúde; O RIOSOLIDARIO, que é parceiro do Morhan nas ações no Estado do Rio de Janeiro, com atividades de educação em saúde e divulgação das informações sobre a hanseníase e Telehansen; a UNIMED Brasil e o CONASEMS; The Nippon Foundation;  a EBX; a OAB Federal e muitas Seccionais nos Estado e o Ministério da Saúde. As Coordenações também celebram suas parcerias.

A luta a cada dia revela uma situação a ser vencida. Obtida a pensão vitalícia aos confinados, o MORHAN busca, agora, obter igual direito para os filhos separados de seus pais, numa ação já iniciada e apoiada por muitos. A Medicina, através do exame de DNA, tem se mostrado uma ferramenta inigualável para identificar pessoas, notadamente aquelas cujos pais são falecidos, mas que têm informações de possíveis irmãos, um tronco comum, cuja origem se encontra registrada nos livros das Colônias, nos Registros Batismais e, também, nas anotações dos antigos preventórios.

O MORHAN HOJE 


Dentre as conquistas do MORHAN, se coloca como algo a ser festejado,  a  realização  no  Brasil,  na cidade do Rio de Janeiro, do que foi o "primeiro" de uma série de "cinco" Simpósios a serem realizados no leste europeu, Ásia, África e Oceania, terminando em 2013, quando o último evento acontecerá na sede da ONU, em Nova York. 

Abrilhantaram o acontecimento, além dos voluntários vindos de todo o país, figuras  internacionais como:  Mr. Yohey Sasakawa, Embaixador da Boa Vontade pela Organização Mundial de Saúde; o Professo Yozo Yokota, da Sub-comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas de Promoção e Proteção aos Direitos Humanos; Mr. Incalcaterra, Representante Regional na América do Sul do Escritório do Alto Comissariado pelos Direitos Humanos; Dr. José Luís Gerardo Castellano, Coordenador de Prevenção e Controle de Doenças Notificáveis na área de Vigilância em Saúde e Prevenção de Doenças da OPAS, Escritório de Washington; Dr. Sumana Barua, Líder da Equipe do Programa da Hanseníase Global, Escritório Regional do Sudeste da Ásia; o Professor Arriscado Nunes, da Universidade de Coimbra. Também estiveram presentes várias ONGS, dentre elas A CORSOHANSEN/Abuelas de Plaza de Mayo, representada por sua Presidente Estela Barnes de Carlotto e participantes vindos da Argentina, Moçambique, Índia, Japão, Portugal, Colômbia  e outros.

No cenário Nacional  destacamos: Drª. Michelle Reis Ledur – Secretária de Direitos Humanos da Presidência da República; Dr. Diogo Santana – Ministério da Saúde; Dr. Jairo Bisol – Presidente da Associação Nacional do Ministério Público de Defesa da Saúde; Representante da Ordem dos Advogados do Brasil; além da efetiva participação nas mesas de Artur Custódio – Coordenador Nacional do Morhan; Cristiano Torres – Vice -Coordenador Nacional. Ainda, Dr. José Luís Amaral – Presidente da Associação Médica Mundial e Valdenora Rodrigues – Morhan Nacional, responsáveis pelo lançamento, no evento, do Apelo Global 2012.   Ney Mato Grosso e Elke Maravilha, estes últimos, encarregados da leitura do Apelo. E o convidado especial Dr. Nilmário Miranda.

O Apelo Global “ Pelo Fim do estigma e da discriminação contra as pessoas atingidas pela Hanseníase”, foi lançado em 30 de janeiro de 2012, em São Paulo, pelos membros da “The World Medical Association”.

Com uma programação contextual muito rica, o Simpósio recebeu, ainda, atenção especial do Sr. Governador do Estado do Rio de Janeiro, que abriu O Palácio das Laranjeiras aos participantes, para um coquetel em suas dependências, assinando, na ocasião, Lei concedendo pensão especial em prol dos internos que prestavam, sem remuneração, serviços aos pacientes. 

             O convite, para participação no evento, foi oficializado em nome do Embaixador da Boa Vontade para a Eliminação da Hanseníase na Organização Mundial de Saúde, do Embaixador do Governo Japonês para os Direitos Humanos das Pessoas Atingidas pela Hanseníase, pelo Presidente da Nippon Foundation e Sasakawa, Memorial Health Foundation, Yohei Sasakawa, e o MORHAN.

            O evento transcorreu de forma  organizada e extremamente proveitosa. Após discussões, sugestões e re-elaboração do que fora sugerido, com a finalidade de adequar o texto á realidade nacional, foi produzida a “Carta do Rio”, sintetizando os anseios dos participantes. 

          Tudo isso é a cara do MORHAN, movimento que aprendi a amar e do qual tenho imenso orgulho de fazer parte. Hoje, no Estado, continuamos um pequeno grupo, lutamos contra todas as dificuldades imagináveis.

          Talvez um dia você possa fazer parte dessa luta. Pesquise, se inteire. Se apaixone.







    





 


sábado, 4 de fevereiro de 2012

A mulher na História - parte 3

Idade Moderna

Tomada de Constantinopla



Tem-se por  Idade Moderna, segundo situam os Historiadores, notadamente os franceses, o período iniciado com a  tomada de Constantinopla, cujo o nome original era Bizâncio,  em maio de 1493, quando os turcos otomanos, sob o comando do Sultão Maomé II, conquistaram  a Capital Bizantina, que a época se constituía numa das mais importantes cidade do mundo, tendo sido concebida como uma nova Roma e cujo nome homenageava o imperador Constantino.  O término da Idade Moderna é marcado pela   Revolução Francesa, também conhecida como revolução cidadã, em 14 de julho de 1789.

Apesar de ser a mais aceita, a queda de Constantinopla não é o único acontecimento a ser colocado como início da Idade Moderna. Assim, alguns historiadores colocam a Conquista de Ceuta pelos portugueses em 1415, outros definem a viagem de Cristóvão Colombo ao continente americano em 1492 ou mesmo  a viagem à Índia, de Vasco da Gama em 1498.

Afigura-se com mais destaque para a delimitação do período, às diferentes interpretações no aspecto da origem e evolução do sistema capitalista. Assim, o modo de produção se torna a unidade básica que marca a periodicidade da história; o que se depreende da visão de Marx é que  a mudança na base econômica abala a superestrutura substituindo a antiga.

Mas,  e não obstante a diversidade ao precisar o início da era, no que diz respeito ao período histórico é estabelecido que se inicia no século XV e se estende até o século XVIII, sendo, também entendido como um tempo de transição, no qual ocorreu o enfraquecimento de três dos cavaleiros do Apocalipse, especificamente a fome, a peste e a guerra – disso advindo melhores condições à navegação, descobertas e entrosamento dos povos.

Nesse período Histórico tornam-se marcantes: O Progresso Comercial nas Cidades, o Renascimento (literário, artístico e científico), A Reforma e Contra-Reforma e o Absolutismo Europeu. 


A MULHER –A BRUXA


 
No século XV a mulher ainda tem seu o conceito atrelado a práticas de  magia, heresias e bruxarias. A idéia popular era alimentada pela ignorância. Eram, em geral, mulheres as culpadas preferenciais por tudo aquilo que não se conseguia explicar... Nos séculos XVII e XVII, a mulher, torna-se, no âmbito de seu lar, o alicerce da vida familiar, sendo, entretanto, subjugada ao retraimento e a solidão dentro da casa, sendo comum ao homem, de modo geral,  a vida externa e as amantes, fazendo com que o isolamento nas alcovas apenas fossem quebrados,  para prenunciar uma gravidez,  pela presença dos filhos e das serviçais. Também se cantava em verso e prosa recolhimento e a honestidade das donzelas. Neste universo hostil a voos solo, algumas mulheres conseguiram se destacar, senão vejamos:

ISABEL DE CASTELA

Isabel nasceu em 22 de abril de 1451 em Madrigal de lãs Altas Torres, na província de Ávila no centro da Espanha. Em 1474 é oficialmente coroada rainha de Castela. No ano de 1469 se casa com Fernando II, segundo na linha de sucessão pelo trono de Aragão, rei da Sicília e Príncipe de Gerona; Em suas excursões  vitoriosas destaca-se, Granada, o último reduto árabe na Península Ibérica, que é conquistada em 1492,  concluindo a meta de Isabel e Fernando, traduzida pelo banimento dos judeus não convertidos. Ainda, no seu reinado foi publicada a Primeira Gramática Castelhana, pela escola palaciana que foi criada pela Rainha; no mesmo ano foi realizada a primeira viagem de Colombo com o apoio de Isabel.

Corria o ano de 1494 quando o Papa Alexandre VI concedeu o título de “Reis Católicos” ao casal real. Nesse mesmo ano,  foi assinado, no dia 07 de junho, o Tratado de Tordesilhas; que ironicamente passou para o anedotário popular como “o testamento de Deus que dividiu o mundo entre Portugal e Espanha.” Sobre Isabel é registrado, ainda, que  essa estabeleceu o Tribunal da Santa Inquisição e que morreu, em Medina do Campo, Valladolid deixando a coroa para sua filha Joana, a Louca.

  TERESA DE JESUS (de Ávila) (1515-1582) 

 

Teresa nasceu em Ávila, na Espanha, em 1515, desde cedo mostrou-se religiosa, cheia de fé e afinidades com os mártires. A partir de 1562 começa a fundar monastérios das carmelitas descalças na Espanha, que s e constituía numa variante feminina da ordem da qual pertencia. Ao longo de sua vida funda 32 monastérios, sendo 17 femininos e 15 masculinos. Santa Teresa morreu em 1582, na idade de 67 anos. Logo após sua morte, o corpo da Santa exalava um suave  perfume de rosas . Até o presente dia se conserva intacto. Obras: “Caminho da Perfeição”, a autobiografia “Livro de sua Vida”, “Castelo Interior” ou “As Moradas”.


BRANCA DIAS 

Cristã-nova, nascida em Viana da Foz do Lima (Portugal). Morou em Lisboa (Portugal) e em Pernambuco (Brasil). Casou-se  com Diogo Fernandes, em Portugal, antes de 1535-1540 de quem teve os filhos. Sendo denunciada pela mãe e pela irmã, que também estavam sendo processadas pelo Tribunal do Santo Ofício, por prática de judaísmo, foi sentenciada, em 12 de setembro de 1543, a "abjuração pública, dois anos de cárcere e hábito penitencial, ficando reservada a sua comutação e dispensa". Após a sua morte foi, mais uma vez, acusada, pela Inquisição, sob a justificativa  de manter, em sua residência em Camaragibe, uma "esnoga" (sinagoga), em que os judeus da região se reuniam para cerimônias e se "adorava a toura" (Torah). Faleceu por volta de 1588. Sua fama só cresceu com o tempo, pois, "de todos os cristãos-novos de Pernambuco, nenhum foi mais acusados perante a mesa do Santo Oficio do que Branca Dias, seu marido Diogo Fernandes e suas filhas, todos por "cerimonias judaicas". " A exploração literária mais conhecida de sua figura foi feita por Dias Gomes, na peça "O santo inquérito".



CATARINA DE MEDICIS

Famosa aristocrata da história francesa nascida em 1519, na cidade de Florença, foi mãe de três reis da França, Francisco II, Carlos IX e Henrique III, passou a história, também como influente personalidade da vida política francesa, na qual se destacou por mais de trinta anos. Ficou  órfã logo depois de seu nascimento; casou-se aos 14 anos com Henrique, então duque de Orléans e futuro rei Henrique II,  principiando  a sua história política, à sua maneira e com invejável capacidade.
Dessa união nasceram dez filhos. Tendo morrido seu primogênito Francisco, foi nomeada regente  de Carlos IX, também seu filho, condição em que se portou com desmando  e tirania, sobrepondo-se acima de qualquer lei. Se posicionando  favoravelmente aos católicos do duque de Guise, declarou-se contraria aos huguenotes, protestantes franceses, sendo apontada como  a mestra que mexeu os títeres e levou seu filho a promover o massacre da “ noite de São Bartolomeu”.
                                                        
Quando regente mandou construir, em Paris o palácio das Tulherias.  Ordenou a ampliação do Louvre e contribuiu para o engrandecimento da cidade. Ampliou o acervo da biblioteca de Paris com manuscritos procedentes da Grécia e da Itália. Morreu na cidade de Blois, França, quando já era rei seu outro filho Henrique III, último rei francês da casa de Valois (1574-1589) e que seria assassinado meses depois.

 LOUISE LABÉ

Poetisa francesa, nascida de pais ricos, recebeu uma educação primorosa, falava latim e italiano, fazia música, equitação e esgrima. Casou e tendo enviuvado teve vários amantes, A principal obra de Louise Labé é o Débat de Folie et d'Amour ("Debate da Loucura e do Amor"), de 1555, na qual defende uma pauta "feminista": direito das mulheres à educação, à liberdade de pensamento e a escolha de parceiros. Seguem-se a eles as três Élégies ("Elegias"), no mesmo ano. (1524-1566).



OLIVA SABUCO NANTES  BARRERA

Pioneira, com uma visão diferenciada das mulheres de sua época. De nacionalidade espanhola, Filósofa da Renascença e precursora na medicina psicossomática. Estudiosa e sensível entendeu o quão importante seria reunir conceito e práticas filosóficas à medicina, sinalizando que, inclusive,    a cosmologia,  teria a faculdade de comprometer a saúde humana. Em sete tratados de uma obra holística, com publicação no ano de 1587, registrou todo o seu entendimento da questão. Há dúvidas quanto a data de seu nascimento que ocorreu entre  1525 e 1530.





ELIZABETH I

A rainha Elizabeth I, nasceu em 1533,  filha de Henry VIII e Ana Bolena, subiu ao trono após a morte de sua meia-irmã Maria I (1558). Seu reinado foi de paz e prosperidade, comercial e culturalmente. Ficou conhecida como “a rainha virgem”, por nunca ter se casado, apesar dos inúmeros pretendentes.

Seu governo foi denominado Período Elisabetano (ou Isabelino) ou mesmo Era Dourada, caracterizando-se por ter sido, marcantemente, de crescimento, iniciando o que se tornaria o Império Britânico, e, também pela efervescente criatividade artística, com destaque para a  dramaturgia, onde se destacaram Christopher Marlowe e William Shakespeare.

Em termos de navegação, também houve considerável avanço e grandes vitórias, principalmente com o   o capitão Francis Drake, que foi o primeiro inglês a dar a volta ao mundo. As transformações sociais corriam o mundo, entretanto a tentativa de colonizar a América do Norte revelou-se frustrante para a soberana inglesa. No mundo das idéias  Francis Bacon pregou seu pensamento sobre política e filosofia.


MARY STUART

Aos 9 de dezembro de 1542, nasce no castelo de Linlithgow, Mary Stuart, pouco depois morre o seu pai  Jaime V da Escócia, confirmando a perturbadora profecia: “A coroa nos veio por uma mulher, e com uma mulher ela nos deixará!”. Ainda adolescente, foi mandada por sua mãe, para França, uma vez que seu primo Henrique da Inglaterra desejava casá-la com seu filho Eduardo, unindo as casas Tudor e  Stuart. Na França casa com Francisco II,  que morre e a deixa sob as ordens de sua mãe – Catarina de Medicis - que se torna regente. 
Em rota de colisão com a regente, é enviada de volta a Escócia onde não é bem vinda. Casa com um jovem príncipe, seu primo, da casa dos Tudor,  Henry Darnley que posteriormente demonstrou seu desagrado ante a inteligência e graça de sua esposa. Após o assassinato do Rei, foi obrigada a abdicar em favor de seu filho, ainda muito novo, tornando-se refém em sua própria casa. 
Mais tarde, consegue burlar seus carcereiros e foge para Inglaterra buscando auxílio de sua prima Elisabeth que a mantém prisioneira por 20 longos anos. Encarcerada no Castelo de Chartley, Maria Stuart teve de comparecer a um julgamento em Fotheringhay, arranjado por Francis Walsingham, secretário de Isabel, acusada de conspiração e alta traição contra a vida daquela. Foi  decapitada em 8 de fevereiro de 1587. Seu filho tornou-se rei da Escócia sob o nome de Jaime I e governou de 1603 até 1625.


FELIPA DE SOUZA

 
Portuguesa que veio morar no Brasil, onde há 410 anos, em 24 de janeiro de 1592, foi condenada pela Inquisição pela prática confessa de  lesbianismo.
Vivia em Salvador (BA), quando, em 1591, com 35 anos, ocorreu à primeira visitação do Tribunal do Santo Ofício. Era alfabetizada, costureira e apesar de casada com um padeiro, mantinha relações duradouras com outras mulheres. Sofreu severas punições após ter confessado sentir "grande amor e afeição carnal" por suas companheiras. Segundo os registros da época, foi a mulher mais humilhada e castigada da colônia.


MARIA GAETANA AGNESI

Nasceu em 1718 e morreu em 1799. Matemática, filósofa e lingüista italiana. A essa mulher atribui-se a autoria do primeiro livro que englobou cálculo diferencial e integral, além de ter escrito, em latim, a obra Proposições Filósoficas
que foi publicada em Milão em 1738. 

Apesar da importância das obras citadas, é chamada de notável por seu  mas o que a tornou notável por ser autora de  uma suma densa e ao mesmo tempo clara  de análise algébrica e infinitesimal na obra Instituições Analíticas, que teve traduções  para o inglês e para o francês.

BÁRBARA HELIODORA
                 
Nascida em Minas Gerais, na cidade de São João Del Rei, no ano de 1759, Bárbara Heliodora Guilhermina da Silveira,  foi a primeira poetisa brasileira. Culta e revolucionária, mostrou-se uma mulher com brio e coragem, aos 20 anos apaixona-se pelo poeta Alvarenga Peixoto de quem teve uma filha de nome Maria Ifigênia.

Contrariando os costumes da época o casamento somente aconteceu depois que a criança nasceu, sendo mantido o nome de solteira de Bárbara na Certidão e nascimento de sua filha. A relação do casal entre foi de amor, harmonia e companheirismo. Desse romance o casal teve, ainda, mais três filhos. Bárbara e Alvarenga Peixoto participaram da organização da inconfidência do país.

Cita Aureliano Leite, no livro "A Vida Heróica de Barbara Heliodora", a presença de Bárbara foi fundamental na vida de Alvarenga Peixoto:"...Ela foi a estrela do norte que soube guiar a vida do marido, foi ela que lhe acalentou no seu sonho da inconfidência do Brasil…quando ele, em certo instante, quis fraquejar, foi Bárbara quem o fez reaprumar-se na aventura patriótica. Disso e do mais que ela sofreu com alta dignidade fez com que a posteridade lhe desse tratamento de Harmonia da Inconfidência’’.

Foram casados por  10 anos, época em que produziu sua obra período. Nos idos de 1789, época da Conjugação, Alvarenga Peixoto foi preso e arrastado de São João Del Rei ao Rio de Janeiro, sendo levado para a fortaleza da "Ilhas das Cobras" e, posteriormente,  ele seria mandado para África, onde morreria.

Preso Alvarenga Peixoto, Barbara Eliodora sentiu-se esvaziada na sua inspiração, não mais escreveu. Sofreu o confisco de metade de seus bens e a discriminação de toda a sociedade Viúva, dedicou sua vida a criação de seus quatro filhos e a administrar o pouco que lhe restou. No ano de  1795 morre Maria Ifigênia,  em decorrência de uma queda de cavalo.  Personagem expressiva da Inconfidência Mineira, por sua reação as dores que lhe foram infligidas,  Bárbara, por muitos anos  foi retratada, nos livros de história como  insana.

 
MARY WOLLSTONECRAFT


Escritora, influenciada por Locke e Rousseau, nascida em 1739 e falecida em 1797, escreveu “Pensamentos sobre a Educação das Filhas”, no ano de 1787, sendo esse seu primeiro livro.Seguindo a tradição e o mundo de então, escreve, em 1790, a obra intitulada a “Reivindicação dos Direitos dos Homens” e, mais madura na sua veia literária , escreve no ano de 1792, o seu livro que é um extraordinário tratado político-filosófico intitulado “A Reivindicação dos Direitos das Mulheres”.
 




OLÍMPIA DE GOUGES 

Cidadã francesa, nascida em 1748 e que se colocou em defesa das minorias, o fazendo em mais de quatro mil páginas de escritos revolucionários, que vão desde peças de teatro, panfletos, novelas, sátiras,passando por utopias e, até,  filosofia. Na sua obra, ressaltam-se : “Memórias de Mme. De Valmont”, “Carta ao Povo”, “Os Direitos da Mulher e Cidadã”. Através de sua pena protestou contra a escravidão negra; colocou-se em favor dos direitos da mulher (divórcio, maternidade, educação e liberdade religiosa). Foi presa por questionar os opositores e defender aqueles que eram, historicamente, abusados  e degradados, agindo com afinco e maestria, o que lhe valeu a condenação a morte na guilhotina em 1793.


 MARIA QUITÉRIA DE JESUS MEDEIROS

A filha de  fazendeiros portugueses, Maria Quitéria de Jesus Medeiros, nasceu em Feira de Santana, na Bahia, em  1792. Ela se tornou a heroína mais respeitada de toda a Guerra da Independência quando, vestida de homem e usando o nome do cunhado, José Cordeiro de Medeiros, lutou com valentia na saga baiana para derrotar os colonizadores portugueses e consolidar a independência do Brasil.

Exemplo de bravura nos campos de batalha, descoberta a sua verdadeira identidade foi promovida a cadete (1823) e condecorada no Rio de Janeiro com a Ordem Imperial do Cruzeiro do Sul (1823) em uma audiência especial, onde recebeu a medalha das mãos do próprio imperador, D. Pedro I.

Ao ser reformada com o soldo de alferes, retornou à Bahia levando consigo uma carta do Imperador, dirigida a seu pai, pedindo que a perdoasse pela desobediência. Recebido o perdão de seu pai, reatou um antigo namoro e casou-se o lavrador Gabriel Pereira de Brito, com quem teve uma filha, Luísa Maria da Conceição. Após a morte de seu marido mudou-se para Feira de Santana, buscando receber sua parte na herança deixada por seu genitor. Desistindo do inventário mudou-se com a filha para Salvador, onde morreu quase cega em total anonimato, em Salvador-BA.

A Idade Moderna se inicia com as mulheres ainda  sob o jugo do pai ou do marido, no sacrossanto refugio do lar. Entretanto já se percebem os avanços e a crescente atuação em todas as áreas, vamos conferir?




sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A mulher na História - parte 2

A mulher na Idade Média


Os historiadores definem Idade Média como sendo “o longo período de quase mil anos, que começou no ano 476, quando o Império Romano do Ocidente caiu nas mãos dos povos bárbaros, e se estendeu até perto das Grandes Navegações, em 1453, quando Constantinopla foi tomada pelos turcos otomanos. Chama-se Média porque foi um período intermediário entre a Idade Antiga e a Idade Moderna.[1 – fonte - Wikipédia, a enciclopédia livre].

Outras denominações para esse período são: Idade Medieval, Era Medieval ou Medievo, todas demonstrando a característica de ser uma intermediação entre dois momentos da história da Humanidade. Essa Era também é conhecida como a Idade das Trevas, numa referência a idéias equivocadas. A peste negra, as cruzadas, as revoltas camponesas, os cavaleiros, o misticismo, a bruxaria, os dragões e tantos outros legados, verdadeiros ou não, fazem da Idade Média uma aventura cheia de medos e fascínio.

Para encontrarmos as nossas heroínas e nossas vilãs, necessitamos estabelecer algumas questões, senão vejamos: a Idade Média é subdividida em ciclos, com mudanças importantíssimas nas sociedades. A supremacia absoluta da Igreja Católica aliada a um sistema de produção feudal, resultando em relações de vassalagem e suserania – onde, o suserano, em troca de terra, recebia do vassalo fidelidade e trabalho. O rei era o suserano mais poderoso. A busca e a publicação de documentos acerca da Idade Média nos mostra um período muito longo da humanidade onde a economia era rural, houve a diminuição do comércio à distância e o quase desaparecimento da moeda; a posterior revitalização do comércio,  a partir do século X e o surgimento de nova classe social.

Os poderes, econômicos, políticos e jurídico eram exercidos pelos senhores feudais, numa sociedade imóvel e dividida em classes. A nobreza e o Clero compunham a parte de cima da pirâmide social. A primeira era a dona das terras, a segunda tinham o poder imposto pela fé, pela ignorância e pelo medo. Entrelaçavam-se, era comum  clérigos nobres, aumentando, assim, o Poder da Igreja. A base da pirâmide social compunha-se de camponeses e pequenos artesãos.

 A mulher, naturalmente, é encontrada em todas camadas sociais, a sua atuação na sociedade é o ponto de partida para nossa peregrinação. Nesse ambiente tentamos localizar algumas figuras relevantes no universo feminino e que, mostrem onde e como a mulher podia se destacar. Ressaltado que a Fé é o elemento de resgate do gênero, nesse período da história.

HEROÍNA - CATÓLICAS

SANTA MÔNICA - Mônica passa para História através da obra Confissões, de seu segundo filho, Santo Agostinho (Aurelius Augustinus, 13.11.354 d.C.), escrita aproximadamente no ano de 397. A Igreja reconhece o seu nascimento no ano de 331 d. C., embora existam controvérsias quanto a essa data. Seus pais eram cristãos, que se mantiveram católicos durante o cisma donatista (LOYN, 1990: 122).  Responsável pela formação da conduta moral e religiosa do filho, Santa Mônica é o modelo da tarefa pedagógica vital de incutir pudor, mansidão, e todas essas condutas cristãs, torna-se exemplo de comportamento virtuoso, que, além de tudo, dá o empenho da conversão, em que pese a "debilidade estrutural da intervenção feminina no interior da família".


SANTA GENOVEVA GENEZIEVE - Nasceu em 422 em Naterre perto de Paris e dedicou-se a Jesus desde a idade de 7 anos quando se encontrou  São Germano de Auxerre, por ocasião de uma viagem que o Santo fazia à Inglaterra. Aos 28 anos, pela sua virtude e força de caráter, convenceu os habitantes de Paris a não abandonarem a cidade nem a entregarem aos pagãos. É a padroeira da Cidade Luz.





SANTA ADELAIDE – Nascida em 931 e falecida em 999; Órfã aos seis anos e viúva aos dezenove, foi, por interesses políticos, perseguida e aprisionada pelo Duque Berengário e sua mulher Wila, sujeitando-se a esta situação indigna com resignação e confiança em Deus. Com a ajuda do piedoso capelão Martinho consegue escapar e, escoltada pelo Margrave Apo, se refugia no castelo do Duque de Canossa, Alberto Uzzo. Oto I, o homem mais poderoso daquele tempo invade a Itália e afugenta Berengário. Dirigindo-se a Canossa, casou-se com Adelaide no dia de Natal de 951, resultando daí uma união feliz. Elevada à dignidade imperial, demonstrou imensa humildade e caridade para com os menos favorecidos. Viúva pela segunda vez, tornou-se regente até a maioridade do filho, o imperador Oto II, que em 971 casou-se com a princesa grega Teofânia, que também passou a hostilizar Adelaide. Morto Oto II, Adelaide se retira da corte, mas logo também Teofânia morre e Adelaide retorna para ser regente em nome de seu neto Oto III, coordenando suas obrigações políticas e religiosas. Partindo do princípio que a "felicidade e a prosperidade de uma nação depende da bênção de Deus", procurou implantar à todo custo na alma do povo o "santo" temor de Deus, fazendo empenho para que fossem conservados fielmente os "costumes e usos da vida cristã" de forma severa. Após a morte do seu marido, em 973, começou a interessar-se cada vez mais pelas  missões e estabeleceu vários mosteiros e igrejas.

JOANA D'ARC - Nasce em Domrémy e, aos 13 anos, afirma ouvir vozes divinas pedirem-lhe que salvasse a França. É presa em 23 de Maio de 1430 e entregue aos ingleses que a acusam de bruxarias. Mártir francesa, canonizada em 1920, foi a heroína da Guerra dos Cem Anos, que ajudou a libertar a França do domínio inglês. Submetida a um tribunal católico em Rouen, é condenada à morte depois de meses a fio em julgamento. Passado um ano, é queimada viva, com 19 anos. A revisão de seu processo começa a partir de 1456 e a Igreja Católica beatifica-a em 1909. Em 1920, é declarada Santa. 

ANTI - HEROÍNAS

GUINEVERE - Guinevere a prometida do rei Artur, casou-se muito jovem sem conhecer seu futuro marido, veio acompanhada de um generoso dote, o que foi decisivo para o rei aceitá-la. Entretanto, as vésperas do casamento, Artur,ao vê-la, encantou-se pela moça, porém o coração de Gwen já pertencia a Lancelot, o principal aliado de Artur.

Ela viveu dias felizes em Camelot, mas seu amor proibido por Lancelot a torturava tornando-a fria e vingativa. A rainha era muito católica e fez com que o rei Artur trocasse a bandeira do Pendragon pela cruz do cristianismo, com isso criou o início da decadência do reinado do marido e seu rompimento com o mundo de sua mãe: Avalon.

MORGANA - Morgana era a irmã mais velha de Artur, foi criada em Avalon como uma sacerdotisa. Estava predestinada a ser a próxima Senhora de Avalon. Foi convocada por Viviane para a cerimônia do Gamo-Rei, onde foi dada ao irmão Artur em nome da deusa, abandonando Avalon após descobrir isso. Desse encontro teve um filho com o irmão, Mordred que foi criado longe de Camelot, mas que volta e torna-se o conselheiro do rei e muito mais tarde seu substituto. Morgana morre velha e exilada em Avalon, mundo este que se perdeu para sempre nas brumas.




JOÃO ANGLIUS - JOANA –  Contam fragmentos da história que no ano de 854, “o papa Leão morreu nas kalendas de agosto e foi sucedido por Joana, uma mulher, que reinou durante dois anos, cinco meses e quatro dias". Conhecido como João Anglius, nascido em Mainz e, vestida com vestes masculinas, foi levada para Atenas, onde se destacou por seus conhecimentos e versatilidade.

Tornou-se Papa pois nenhum dos candidatos demonstrou ter conhecimentoscapaz de fazer frente a Joana. Dizem os autores da época, que, foi engravidada e por ignorar o tempo exato em que teria o seu filho, estando numa procissão do São Pedro até Latrão, deu à luz um filho em uma estreita viela entre o Coliseu e a Igreja de São Clemente." O fato provocou a adoção de uma cadeira cujo assento era vazado e na qual o candidato a Papa deveria sentar-se, sem roupa de baixo, de forma que se pudesse visualizar parte de sua genitália. Muitos historiadores falam na Papisa, entre eles Marianus Scotus (1028-1086), monge Irlandês; Martinus Polonus, padre da Ordem Dominicana; Otto, bispo de Frisingen (Alemanha); o dominicano; Jean de Mailly, de Metz (França); o frade dominicano francês Estevão de Bourbon, todavia todos os sucessivos escritores católicos a partir de. 1500 negaram o fato.

Vale a pena ressaltar, ainda, mulheres que se destacaram não por santidade ou ausência dela, tais como: HILDEGARDA DE BIGEN que legou à humanidade  o tratado Causae et Curae, que é um retrato da medicina medieval; ANA COMNENA, princesa bizantina, filha de Aleixo Comnena, Alexíada é o título da biografia de seu pai, escrita por ela; na Universidade de  Bolonha- entre o século XII e o XVII,  MAGDALENA BUONSINGORIi, BETINA CALDERINI e BETITSTA GONZADDEN, lecionaram cátedra de Direito, num universo tipicamente masculino. Entretanto, a resposta maciça do sexo oposto impediu a continuidade da prática.

A HEROÍNA PAGÃ

ISOLDA – Heroína de lenda Celta e ou viking onde Marcos, rei da Cornualha, decide casar com Isolda, a princesa loura da Irlanda. Encarrega seu sobrinho Tristão de ir buscá-La. Exímio cavaleiro, Tristão salva a Irlanda  de um terrível dragão. Cheia de admiração, Isolda apaixona-se pelo guerreiro, sendo correspondida em seu afeto. Vivem um amor avassalador antes de sua viagem. Entretanto, a princesa  casa-se com Marcos e torna-se rainha. Refugia-se na floresta e vive com seu amado por três anos, iludindo o rei e desmoralizando os nobres que os denunciavam. Uma vez afastados morrem. A lenda exalta o amor-paixão e é sacralizada. Isolda representa o imaginário amoroso medieval. Rompe com toda a idéia de obediência irrestrita e servilismo.

A Idade Média não é, certamente o melhor momento da mulher: o seu universo passeia entre a Igreja - que se apresenta de uma forma exigente e segregadora, eleva pessoas a condição de santos e santas ou de hereges - e as crenças populares cheias de misticismo, exorcismo, fatalismo, transaformando as pessoas em bruxas e inimigas, causando transtornos físicos e morais. A mulher, na Idade Média, apresenta-se extremamente fragilizada.

Quase mil anos de Idade Média levam a humanidade por um caminho tortuoso. Chegar à Idade Moderna, a partir do Renascimento, é algo a ser compartilhado. 


Venham e vejam... na próxima postagem.