Quem sou eu? O que faço

Minha foto
João Pessoa, Paraíba, Brazil
Quem sou? O que faço. Sou Maria de Lourdes, tenho, agora, 62 anos, esposa, mãe e avó, formação jurídica, com pós graduação em Direitos Humanos e Direito Processual Civil, além de um curso não concluído de Filosofia. Conheci os clássicos muito cedo, pois não tinha permissão para brincar na rua. Nosso universo – meu e de meus irmãos – era invadido, diariamente, por mestres da literatura universal, por nossos grandes autores, por contistas da literatura infanto-juvenil, revistas de informação como Seleções e/ou os populares gibis. Todos válidos para alimentar nossa sede de conhecimento. Gosto de conversar, ler, trabalhar, ouvir música, dançar. Adoro rir, ter amigos e amar. No trabalho me realizo à medida que consigo estabelecer a verdade, desconstruir a mentira, fazer valer direitos quando a injustiça parece ser a regra. Tenho a pretensão de informar, conversar, brincar com as palavras e os fatos que possam ser descritos ou comentados sob uma visão diferente. Venham comigo, embarquem nessa viagem que promete ser, a um só tempo, séria e divertida; suave e densa; clássica e atual. Somente me acompanhando você poderá exercer seu direito à críticas. Conto com sua atenção.
Mostrando postagens com marcador Homenagem. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Homenagem. Mostrar todas as postagens

sábado, 27 de abril de 2013

FILHOS SEPARADOS

ALIENAÇÃO PARENTAL II


Tratei aqui no blog, em fevereiro desse ano, da ALIENAÇÃO PARIENTAL, crime tipificado na Lei 12.318, de 26 de agosto de 2010, que o define, aponta  seus possíveis autores e as formas práticas do delito. Todavia por mais abrangente que seja a legislação, os danos causados quer no terreno físico, psíquico e, também, espiritual, são alcançados apenas por suas maiores vítimas: crianças, pais, mães e familiares que submetidos a tal crueldade, sofrem as consequências da expoliação no seu patrimônio afetivo.


Chamei a atenção para o que os especialistas chamam de “Síndrome da Alienação Parental”, revelada de diversas maneiras. Enfatizei os casos de depressão, incapacidade de adaptação a ambientes psico-sociais normais, transtornos de identidade e de imagem, desespero, sentimento incontrolável de culpa, sentimento de isolamento, comportamento hostil, falta de organização, dupla personalidade, até suicídios em casos extremos. Identificando a  fonte “curso lex.com.br/doutrina_23916734”, citei que estudos demonstram que  o adulto, vítima de             Alienação Parental tem inclinação para o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e de drogas e apresentam outros sintomas  de profundo mau –estar.


Entretanto hoje pretendo falar sobre a ALIENAÇÃO PARENTAL INSTITUCIONALIZADA, praticada pelo Estado Brasileiro, durante anos a fio. Infelizmente não existe apenas uma vertente dessa práxis, entretanto, agora, quero referir-me a apenas uma delas: a praticada contra filhos de pessoas atingidas pelo “Mal de Hansen”, vulgar e/ou institucionalmente, conhecido, até a década de 70, como Lepra.


A partir de relatos Bíblicos a Hanseníase é exposta como um mal de natureza punitiva, “degradante e desonrosa”, que provocava, ao mesmo tempo, medo, asco, aversão, tendo em vista a aparência dos doentes que não recebiam tratamento, suas ulcerações, deformidades com a perda de membros, nariz, visão; suas aparências deploráveis, cobertos de andrajos, com sinetas presas aos tornozelos, representavam o que havia de mais turvo na existência humana.  Tudo concorria para torná-los, aos olhos da sociedade, “indignos” do convívio com os “normais”. Inicialmente encurralados em verdadeiros guetos. Posteriormente isolados e detidos como se fossem criminosos, condenados à prisão perpétua.  Vítimados duplamente, sofriam as dores decorrentes da enfermidade e as dores morais causadas pelo isolamento, deprezo e preconceito.


A situação de isolamento compulsório, no “Brasil”, perdurou por quarenta anos, desde a decada de 20 até a década de 60, quando foi  editado o Decreto 968, datado de 7 de Maio de 1962. Entretanto e como toda legislação nova, o seu cumprimento, não foi de imediato e variou de Estado a Estado. São Paulo, por exemplo, só no ano de 1967 é que aboliu o internamento nos chamados leprosários. (Fonte: Laurinda Maciel, A hanseníase ao longo da Hisória - Agência Fiocruz de Notícias).


Essa prática, do internamento compulsório, resultou inócua na prevenção de novos casos. O que, possivelmente, pode ter gerado a construção monstruosa de um tripé – três segmentos buscando combater uma mesma doença – ocasião em que, mais uma vez, se deixou ao largo a busca científica, a descoberta de novas terapias e se investiu no que constituiu uma das mais terríveis formas de segregação.




Foi executado a partir de 1930, o que se pensou como controle epidemiológico da doença, qual seja: a internação compulsória do doente, do noticiante e dos filhos daqueles que eram diagnosticados. A ruptura tornara-se tão intensa quanto o era o preconceito. O hanseniano era “confinado” nos Leprosários; o familiar que o levara era mantido nos Dispensários para exames pró-diagnose e os filhos, sadios, eram amontoados nos chamados Preventórios.


Há muito que se falar desse período negro para a Saúde no Brasil.  Entretanto, a nossa meta é a terrível separação imposta as crianças geradas dentro de Hospitais Colônias ou por que seus genitores foram  acometidos  da doença. Para elas, crianças, muitas vezes recusadas por familiares, o Estado criou os Preventórios ou Educandários. Naqueles locais tornavam-se prisioneiras do sistema vigente. Inclusive, a maioria dos funcionários e pessoas dos arredores das Colônias incutiam, em sua mentes rudes,  que os filhos sadios dos Lázaros, como também eram chamados,  traziam dentro de si, de forma congênita, uma deformação moral.


O Governo Brasileiro, como acontecia noutras partes do mundo, buscava, oficialmente,  impedir o contágio, que poderia ocorrer para a criança exposta ao agente causador da doença. Havia, inclusive,  de forma potencializada, a idéia de que, por ser filho de pessoa atingida pela hanseníase a criança poderia ter a doença com base na hereditariedade. Os filhos eram separados. Os familiares humilhados e constantemente submetidos a exames que expunham a sua intimidade.


A separação dos filhos recém-nascidos somam-se as dos irmãos, que muitas vezes eram transferidos de um preventório para outro; dos adotados, daqueles dados como mortos – sem que as mães pudessem ver o cadáver de seu filho e, ainda, os que simplesmente desapareceram sem que fossem dadas explicações convincentes. Para essas crianças havia a certeza de vidas cheias de angústias, dores, injustiças e maus tratos.



Vindas de todas as partes do Brasil, multiplicam-se as histórias de filhos separados cujo traço característico é a dor, o sofrimento. Relatos de agressões físicas, estupros, castigos degradantes, vendas de crianças, abandono. Não se pode aferir com exatidão o alcance, na formação de uma criança, de abusos constantes, de desqualificação de seus pais, da negação a uma vida onde pudessem olhar, com esperança, seu  futuro. 




A existência confinada nos preventórios, o afastamento do lar e dos entes queridos, o dia a dia de centenas de crianças se desenvolvendo em meio a um instrumento de controle ditado por um entendimento equivocado, aonde a violência e a arbitrariedade eram justificadas pela pseudo-ação profilática do Estado, gerou, entre outras dores, uma população sem identidade, sem a certeza de suas origens.  


A Alienação Parental, sob esse foco – “da separação profilática” – foi bem maior do que se possa imaginar. O Estado Brasileiro, com um aparato público despreparado e arbitrário, comandou, nas décadas de trinta a sessenta, a violência de uma política que marginalizou e estigmatizou, marcando por toda a vida os filhos separados, diminuindo suas oportunidades, restringindo suas opções, levando-os a baixa estima e a desenvolver sintomas típicos de vidas desfeitas, laços abruptamente rompidos, incertezas, perda da identidade.


Não há dúvidas. A questão não se cingia a supressão da liberdade. Não era suficiente “deter”, tolher os movimentos impedindo idas e vindas. Havia uma política voltada a demonstrar "a existência de pessoas de segunda classe", criaturas diuturnamente desclassificadas, fossem os compulsoriamente internados ou as crianças de preventórios, sempre identificadas como filhos de leprosos e que, em muitas instituições de ensino, recebiam, à margem de seus nomes, nas cadernetas escolares, uma observação que os identificava, pejorativamente, tais como: filho de leproso; morador do preventório; filho de Lázaro...


A Alienação Parental mata sentimentos, produz dor, revolta, induz ao erro e violenta pessoas. Os filhos separados em Preventórios, em Lares Diversos de suas origens, dados para Adoção ou de qualquer forma alijados do seio de suas mães, do beijo de seus pais, privados  de descobrir o mundo ao lado de irmãos e que sofreram carências de toda a ordem, não podem ser vistos como se tivessem vivido suas vidas ao lado dos seus. Urge providências que respondam ao eco de seus lamentos, de suas dores. O Estado alienante precisa tornar-se o Estado da reinserção, aquele que promove e resgata a cidadania, que devolve esperanças e reúne famílias.




Nesse contexto o MORHAN – MOVIMENTO DE REINTEGRAÇÃO DAS PESSOAS ATINGIDAS PELA HANSENÍASE, abre sua nova frente de batalha. Motivado a buscar e possibilitar o reencontro de pessoas que foram separadas de seus familiares no período do isolamento compulsório, vem,  investindo em planos e ações mobilizadoras que levem o Estado Brasileiro a declarar Direitos dos filhos que foram separados de seus pais, o que, impreterivelmente, impõe a identificação dos beneficiários.



Unidos por um sentimento motivador, visando reencontrar pessoas, reuni-las sob um tronco comum, garantir-lhes o resgate de suas cidadanias, o XIV Encontro Nacional do MORHAN, em fevereiro próximo-passado,  produziu sua Carta de Manifesto onde, entre outras, expressa, pública e coletivamente, “ a separação de filhos e a necessidade do Estado Brasileiro reconhecê-los e indenizá-los  como vítimas de Alienação Parental”.


A HORA É DE MOBILIZAÇÃO.  REPARAÇÃO  PARA OS FILHOS SEPARADOS.

sexta-feira, 8 de março de 2013

CINCO MULHERES!

OITO DE MARÇO!


Convencionou-se o dia "oito de março" como o dia Internacional da Mulher". Adotado em 1975 pela ONU, é comemorativo das conquistas sociais, políticas e econômicas  alcançadas  pelo  gênero  feminino. Entretanto  não  quero  trazer para vocês esse enfoque. Também não  pretendo falar de mulheres conhecidas, famosas, ricas, que estão sempre cercadas por "paparazzos". Pretendo lembrar situações em que a mulher: menina, idosa, na flor da idade, bonita, feia, sadia, doente,  em  qualquer  circunstância - boa ou má - teve  seu  dia  marcado para sempre.



KIM, a menina cuja foto percorreu o mundo, fugia para salvar a vida, com 65% do seu corpo queimado por uma bomba de napalm que foi jogada contra o vilarejo em que morava com sua família, denominado Trang Bang, no sul do Vietnã. Naquela ocasião Kim de apenas nove anos, perdeu duas primas. Segundo o "Estadão", conforme entrevista publicada recentemente, Kim está com 45 (quarenta e cinco) anos, casada, mãe de dois filhos, Mora no Canadá e  "  Sua foto, tirada por um jornalista da AP, ganhou o Prêmio Pulitzer daquele ano e se transformou no símbolo do absurdo daquele conflito." (Fonte: jornal O  Estadão).



MALALA YOUSAFAZAI a menina paquistanesa de 14 anos, baleada na cabeça por Talibãs por defender direitos para as mulheres a estudar. Ferida, com dois tiros, um no pescoço e o outro na cabeça,  foi operada no Reino Unido, no hospital Quenn Elizabeth, na cidade de Birmingham. A tentativa de homicídio foi assumida pelo Talibã. Indicada a premiações internacionais, Malala recebeu no ano de 2012 e recebeu o Prêmio Nacional da Paz, concedido pelo governo. Recuperada voltou a andar, falar, ler.  (Fonte: Expresso XL).


Nascida em 5 de março de 1898, MISAO OKAWA, japonesa, foi declarada pelo Guinness (O Livro dos Recordes)  a mulher mais velha do mundo. Casou em 1919 e teve três filhos. Dois deles (um homem e uma mulher) ainda estão vivos e têm mais de 90 anos. Misao Okawa afirma que nunca teve problemas de saúde, com exceção da fratura de uma perna aos 102 anos. Em seu aniversário alimentou-se com torta, sushi, sopa de macarrão e recebeu um lenço e flores. (Fonte: O Povo On line).




Israel, numa situação inusitada tem representação para o concurso de Miss Universo através de uma jovem mulher negra, YITISH AYNAW, uma imigrante etíope de 21 anos. Declarando-se uma apaixonada por Martin Luther King, expressou seu desejo de que o concurso "representasse a diversidade da sociedade Israelense. Com toda a certeza uma mudança na sua vida e no parâmetro de beleza que norteou Israel em concursos anteriores. ( Fonte:G1 Mundo).

DILMA VIANA ROUSSEF, nascida em Belo Horizonte aos 14 da dezembro de 1947, é uma economista  e política brasileira, filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT), e a atual presidente da República Federativa do Brasil. Durante o governo de ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, assumiu a chefia da Casa Civil. Em 2010, foi escolhida pelo PT para se candidatar à Presidência da República na eleição presidencial, cujo resultado de segundo turno, em 31 de outubro, tornou Dilma a primeira mulher a ser eleita para o posto de chefe de Estado e de governo, em toda a história do Brasil. Nessa condição, de Chefe de Estado, Dilma Rousseff foi a primeira mulher a abrir a Assembleia-Geral da ONU  que foi realizada em Nova Iorque , em 2011. (Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre). 

É inconteste a importância de ser a primeira mulher presidente num País, de dimensões Continentais como o Brasil, que tem uma área total de mais de 8 515 767 km²,  inclusive, com 8 460 415 km² de terra e 55 352 km² de água.  E que segundo estimativa do IBGE tem 193.946.886 habitantes, conforme dados divulgados no Diário Oficial referentes a 1º de julho de 2012. O Brasil é o quinto maior país do mundo em área descontínua: tem 1,7% das terras emersas e ocupa 47% da América do Sul. Se forem consideradas apenas as áreas contínuas, ele passa a ocupar a 4a posição mundial, superando os Estados Unidos. Esse país é governado por uma mulher que falando à nação, nesse dia 08 de março, referindo-se aos agressores de mulheres,  disse:

 "  Faço um especial apelo e um alerta àqueles homens que, a despeito de tudo, ainda insistem em agredir suas mulheres.
 
Se é por falta de amor e compaixão que vocês agem assim, peço que pensem no amor, no sacrifício e na dedicação que receberam de suas mães.
 
Mas se vocês agem assim por falta de respeito ou por falta de temor, não esqueçam jamais que a maior autoridade deste país é uma mulher.
 
Uma mulher que não tem medo de enfrentar os injustos nem a injustiça, estejam onde estiverem.
 
Viva o Dia Internacional da Mulher! Viva a mulher brasileira! Muito obrigada e boa noite." (Fonte marcoeusebio.com.br).

Pois é gente, cinco mulheres tão diferentes. Com vidas e caminhos diversos, cada uma  por ironia do destino ou a seu modo marca sua passagem, deixa um legado. A primeira delas - ainda menina - revela a terrível imagem da insensatez humana; a segunda, reitera o quão estúpido pode se tornar o homem movido pelo fanatismo; a terceira, mostra a longevidade e saúde  de uma vida simples, longe da histeria de academias de ginástica e cirurgias plásticas;  a quarta, por representar, realmente, a diversidade de um povo movido por um interminável estado de alerta e a quinta, por um  fato  histórico: SER A PRIMEIRA PRESIDENTE DESSE IMENSO PAÍS QUE É O BRASIL.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

VOCÊ SABE QUEM É YOANI SÁNCHEZ?

 SATANIZADA POR CASTRO!


Impossível não iniciar esta postagem chamando a atenção para a Revista Veja desta semana que divulga a reunião, ocorrida na Embaixada de Cuba, na Capital Federal,  com militantes de esquerda, pessoas filiados ao PT e PCdoB, bem como membros do governo e da CUT, para tramar um plano de  satanização da blogueira Yoani Sanchez. Conforme a revista, "Ricardo Poppi Martins, coordenador-geral e Novas Mídias da Secretaria-Geral da Presidência, subordinado ao ministro Gilberto Carvalho, teria também participado do encontro."


Em pronunciamento indignado o Presidente Nacional do PPS, Deputado Federal Roberto Freire foi implacável  com a plausibilidade do fato, expressando:  "O Gilberto Carvalho tem tantas explicações para dar, inclusive para a própria Justiça, que essa é só mais uma. Infelizmente, falta de compromisso democrático é proverbial nesse governo”, reforçou o parlamentar. Sob esse clima, de desqualificação é que recebemos nossa ilustre visitante.
 
YOANI SANCHÉZ, uma das vozes mais críticas de Cuba e a quem, repetidas vezes, foi negada a permissão para sair da ilha, pouco importando a justificativa de sua pretensão. Trata-se de uma jovem senhora, casada, mãe de um filho, com residência fixa, num apartamento simples no bairro "Centro Havana", na Capital Cubana e que utiliza, por vias oblíquas, a rede mundial de computadores. Não para o seu deleite pessoal e sim como canal de oposição ao regime ditatorial e defesa da democracia.


Vista pelo regime como uma mercenária a serviço dos Estados Unidos e, da mesma forma por autoridades subservientes a Fidel e seus comandados, a blogueira encanta os que defendem a liberdade, por seu espírito combativo, ético e incansável, constituindo-se uma referência para aqueles que, mesmo debilmente, na surdina, difundem seus protestos, plantam semente de liberdade.


Tendo se lançado timidamente através de um blog denominado “http://desdecuba.com./generaciony, fala sobre  momentos considerados do dia a dia, mas que relatam as dificuldades dos habitantes da ilha, capitaneada pelos irmãos Castro e que exercem seu domínio como se aquela fosse uma extensão de suas personalidades.


Com uma linguagem coloquial, a blogueira, fiel em  seus relatos e, principalmente, por ser o seu blog uma janela através da qual o mundo pode vislumbrar o comando férreo do Partido Comunista, único partido político no País, bem como  a ausência de cidadania do povo cubano, tornou-se, ela, Yoani, “persona non grata” ao regime Castrita, aos seus seguidores, e a aqueles que se recusam a enxergar a realidade política: não há mais lugar na atualidade para se dividir a política em dois grupos fechados, não é tão simples assim. 


Yoani incomoda pelas informações transmitidas aos seguidores do blog e a interessados a exemplo da denúncia que sobreviver em Cuba é algo extenuante aos cubanos; ou mesmo o quanto é arriscada a locomoção em Cuba, seja na cidade em que mora ou pelo País; ou ainda em relação à crueldade e desgaste para uma simples marcação de uma consulta médica; e, também a pressão e a construção negativa de sua imagem por contrapor-se ao regime. Situações do cotidiano, aparentemente simples, mas que escancaram a condição de sujeição e penúria que exite na ilha. 


Sua atuação como blogueira começou nos idos de 2007, mais especificamente em abril. Iniciado de modo tímido, com forte carga emocional, ante a uma situação inusitada de opor-se a uma administração marcada por restrições, perseguições e por carências materiais de toda ordem. Isso num País fechado, recluso e cuja “nata social” ainda se traveste de salvadores da Pátria, apesar de negar, sistematicamente, toda forma de liberdade.


Através do blog Yoani transformou-se numa pessoa conhecida internacionalmente, sendo considerada por internautas, jornalistas, escritores e outros, uma das blogueiras mais conhecidas da Web e quiçá do planeta. Conforme Sandro Vaia - jornalista, ex-diretor de Redação do Jornal O Estado de São Paulo, que retratou a história de resistência da jovem em seu livro  “A Ilha Roubada - Yoani, a Blogueira Que Abalou Cuba ", os seus “post” merecem especial atenção, o que pode ser medido pela ocorrência regular e aproximada de cerca de 2.000 (dois mil) comentários para cada postagem.


Registra a mídia, especificamente através de jornais e da Net que, algumas postagens de Yoani receberam mais de 6.000 (seis mil) comentários. A luta diuturna dessa cubana, sujeita a Fidel e Raúl Castro, parece ter aberto os olhos do Ocidente sob a incoerência da negação de tantos direito e da tamanha falta de condições essenciais.


Enganam-se os que acreditam que ser blogueira em Cuba e criticar as autoridades locais é algo simples, de fácil execução e sem consequências pessoais. É do conhecimento dos que tem interesse na Política Internacional, que em Cuba, assim como toda a imprensa, a internet é controlada pelo Governo. Sendo considerada uma  pessoa “nociva” aos interesses dos irmãos Castro, Yoani não tem acesso a rede de computadores e em decorrência disso não pode estabelecer qualquer comunicação com o seu blog. Mas, tem sobre si uma maciça campanha de desqualificação e a constante produção de dossiês e imagens montadas para o convencimento dos mais simples.


Sua dedicação torna-se ainda mai admirável ante as peripécias utilizadas para alimentar o seu blog. Os seus textos são digitalizados em computadores que não possuem conexão com a internet. Uma vez terminado é o texto salvo em disquete, esse é processado através de lan house e enviado, como arquivo anexo, a internautas de países os mais variados possíveis. Os amigos que recebem os arquivos fazem sua tradução, re-enviam o post a um servidor, naturalmente fora de Cuba e, daí para o mundo em diversos idiomas.


A vinda de Yoani Sanchéz ao Brasil visa prestigiar o lançamento do documentário “Conexão Cuba-Honduras”, feito pelo cineasta brasileiro Cláudio Galvão da Silva, em Jequié/BA, do qual é personagem principal e que enfoca a liberdade de imprensa em Cuba e Honduras.


Sem o visto para deixar seu país, entregou à Presidente Dilma, em Havana, uma carta onde solicitou a sua intervenção para a sonhada autorização. Sua viagem ao nosso país, concedida sob os olhos e pressão da imprensa, dos países e dos povos livres, infeliz e vergonhosamente sofreu um deprimente boicote divulgado na imprensa brasileira e comprovado, a olhos vistos, por atitudes orquestradas, comportamentos repetidos e lições de cabresto, aprendidas por quem jamais deveria repeti-las.


Vaiada em Jequié, impedida de ver o documentário produzido pelo cineasta baiano,  quando questionada sobre o fato disse aos jornalistas: “respeito a manifestação, isso é democracia”. Será? Terá sido fruto da democracia, vaiar e boicotar quem luta contra um governo ditatorial? Mudou o sentido das palavras ditadura e democracia? Ou, ainda permanecem, o primeiro como: “governo que cerceia e suprime as liberdades individuais” e o segundo “baseado nos princípios da soberania popular e da distribuição equitativa do poder, tendo como essência a liberdade...? Ressoa indigesta qualquer tentativa de confundir tais conceitos.

Em visita ao Congresso Nacional,  Yoani pode experimentar, mais uma vez, o peso das cartas marcadas. Pequenos blocos de manifestantes sociais (?) tumultuavam a visita no lado de fora, entretanto, a cubana, mais uma vez não se intimidou e declarou: “Isso não me assusta. São meus colegas.”


Uma vez no Congresso, foi recebida por parlamentares, e assessores e repórteres,  sendo encaminhada ao plenário da Câmara dos Deputados – onde desencadeou-se uma discussão com o protesto de alguns que não aceitavam a presença da blogueira -, conduzida  a sala da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional foi aplaudida por pelo menos a metade dos presentes, assistiu ao documentário, falou sobre a criação de seu blog, criticou a falta de liberdade em Cuba, a satanização pública que lhe é atribuída, expressando, ainda, o seguinte: “Levo do Brasil a recordação da pluralidade.”


Apesar dos Generalíssimos, surgidos após cada revolução, o mundo muda a passos largos. Num momento diferente para os cidadãos cubanos, a blogueira, misto de insurgente e voz que clama no deserto, representa a esperança de um povo sofrido e sob o jugo do medo.


“Mutatis mutandis” as civilizações se aprimoram, todavia algumas questões permanecem e parecem desafiar a constante evolução, em rota de colisão com atrasos e truculências. Conhecer, saber da existência e da persistência de pessoas como YOANI SANCHÉZ, a blogueira premiada por fazer a defesa dos Direitos Humanos e a estudante paquistanesa MALAIA YOUSUFZA - ferida a bala por talibãs em virtude de defender o direito à educação para as mulheres - faz acontecer, faz a diferença!


Parabéns Yoani, inclusive, por entender e se irmanar com aqueles que vaiam você, consciente de que foram manipulados como se fossem marionetes, escondidos com a cauda de fora,  sob o manto da democracia.


domingo, 3 de fevereiro de 2013

A FESTA DO PRAZER


PASSEIO  PELO  CARNAVAIS –



A Grécia, além das Leis Escritas e da Filosofia, teve influência marcante na  Linguagem, na Política, no Sistema Educacional, na ciência, na Tecnologia, na Arte e na Arquitetura e, legou à civilização Ocidental, o Carnaval.


Segundo registros históricos o Carnaval surgiu por volta de 600 a 520 a.C., quando, festivamente, os Gregos comemoravam a fertilidade da terra e os resultados da colheita. Na ocasião, que ocorria no verão, homens e mulheres usavam máscaras, enfeitavam-se pintando os seus corpos.


Há, também, historiadores que situam o surgimento do Carnaval a partir de celebrações a divindades como à DEUSA ÍSIS, cultuada como modelo da mãe e da esposa ideais, protetora da natureza e da magia. Era a amiga dos escravos, pescadores, artesãos e oprimidos, assim como a que escutava as preces dos opulentos, das donzelas, aristocratas e governantes. Ísis é a deusa da maternidade e da fertilidade (Wikipédia – a enciclopédia livre), E O TOURO APIS, que para o povo Egípcio representava a força essencial da natureza e sua energia geradora.  



Apesar de iniciados como comemoração a acontecimentos astronômicos e a ciclos naturais, o carnaval, festa pública, evoluiu com a inclusão, pelos gregos e romanos, de bebidas e práticas sexuais, fazendo com que a Igreja reprovasse as festividades, declarando-as pecaminosas.



Todavia e não obstante a característica de mundana,  em 590 d.C a festa passou a  fazer parte do calendário festivo da Igreja, tornando-se permitida e realizada sob a vigilância de religiosos,  com o canto de hinos, cultos, que resultou em inversão e total modificação em sua essência. Desandou, ficou sem graça, sem a alegria original e desvirtuada de suas origens.   


Finalmente, no ano de 1545, quando se realizava o Concílio de Trento, o carnaval retornou a categoria de folguedo popular. Os carnavais mais falados da Europa aconteciam e acontecem em Paris, Veneza, Munique, Roma, Nápoles, Florença e Nice. Mais recentemente, no século XIX, os blocos carnavalescos se formaram, adotando o uso de carros enfeitados e pessoas  usando fantasias conforme sua imaginação ou dentro de um roteiro prévio, muito semelhante ao que é utilizado atualmente. 


O Carnaval no Brasil chegou sob a ascendência Européia, com a realização de desfiles, o uso de fantasias e de máscaras.  A folia foi maciçamente assumida pelos brasileiros, colocando o Carnaval como uma das mais intensas  festividades do país. Com o seu jeito de ser o brasileiro produziu alegria, boa música como as marchinhas, o frevo, o maracatu, o samba; esbanjou animação; exportou, para todo o mundo, o seu Carnaval feito de muito ritmo, belas mulheres, homens bonitos, pouca roupa, profusão de fantasias, álcool, sexo e, lamentavelmente, acresceu a tudo a tristeza das drogas. 
  

Atualmente, chama a atenção do mundo o Carnaval do Rio de Janeiro que, inclusive, está no Guinness Boock, com desfiles fantásticos promovidos pelas escolas de samba que encantam a todos com seus carros alegóricos, a beleza de seus destaques, o conjunto, além dos blocos e clubes tradicionais; em outras épocas a festa carioca era abrilhantada por bailes a fantasia, com desfiles e premiação nas diversas categorias, em clubes e hotéis luxuosos. Sempre uma vitrine para o mundo.


Destaca-se, também, no cenário Nacional, o Carnaval de Salvador, com características diferentes do Carioca e que arrasta, também, milhões de foliões com seus trios elétricos e cantores famosos a exemplo de Daniela Mercury, Ivete Sangalo, Cláudia Leitte, Margareth Menezes, Chiclete com Banana, Asa de Águia, blocos como Olodum, Timbalada, Nana Banana, e Ilê Aiyê; o afoxé Filhos de Gandhy e muitas outras manifestações da cultura baiana.


Também se sobressai o Carnaval de Pernambuco, com ênfase a Capital Recife e ao carnaval tradição de Olinda; no Carnaval de rua há muito frevo, desfiles de clubes, maracatu e aquele que segundo o Guinness Boock é o maior bloco carnavalesco do mundo: O Galo da Madrugada;  além dos famosos bonecos do Homem da meia noite e da Mulher do meio dia;  a troça Pitombeira dos Quatros Canto; o Clube Elefante de Olinda; o  Clube Lenhadores; o Clube Vassourinhas, Clube Marim dos Caeté. O pernambucano, conforme a tradição nasce “frevando”, tem o frevo no sangue e na alma.


Por último, menos famoso, menos concorrido e igualmente animado temos o Carnaval de João Pessoa. Aqui se faz uma festa diferente. O período pré-carnavalesco, iniciado na Quinta-feira,  31 de Janeiro que trouxe a capital Paraibana o incansável Alceu Valença,  além de  Renata Arruda, Diana Miranda e Gracinha Teles e Orquestra PB Pop onde os mais conhecidos  tem a seguinte programação:

Principais blocos:


Sexta-feira (1º/02)
Bloco Picolé de Manga
Atração: Daniela Mercury
Local: antigo Posto Tropicana




Quarta-feira (6/02)
Bloco Muriçocas do Miramar
Atração: Elba Ramalho
Local: Praça das Muriçocas



Domingo (3/02)
Bloco Virgens de Tambaú
Atração: Gaby Amarantos
Local: Posto 99 (Avenida Epitácio Pessoa)

Sábado (2/2)



Sexta-feira Dia (08/02)
Bloco Cafuçu
Atrações: 15 orquestras de frevo e Luís Caldas.
Local: Centro Histórico.

OUTROS:

Bloco: Imprensados
Horário: 14h
Local da concentração: Praça Rio Branco (Centro)

Bloco: Agitada Gang
Horário: 16h30
Local da concentração: Avenida Epitácio Pessoa, em frente à academia Corpo Livre.

Bloco: Bloco das Piabas
Horário: 20h30
Local da concentração: Rua Osório Paes (Baixo Tambaú)

Bloco: Virgens de Mangabeira
Horário: 19h
Local da concentração: Colégio Luis Ramalho (Mangabeira por dentro)

Bloco: Dxmantelados do Cristo
Horário: 20h
Local da concentração: Colégio José Lins do Rego

Bloco: Amoringa dos Bancários
Horário: 18h
Local da concentração: Rua Rosa Lima dos Santos - Bancários

Bloco: Eternamente Flamengo
Horário: 18h
Local da concentração: Caixa d’água do bairro Funcionários II

Bloco: Tambiá Folia
Horário: 19h
Local da concentração: Avenida Tancredo Neves (Tambiá)

Bloco: Peruas do Valentina
Horário:17h
Local da concentração: Canteiros Bar (Valentina)

Bloco: Boi Vermelho
Horário: 18h
Local da concentração: Rua Alberto de Brito (Jaguaribe)

Bloco: Banho de Cheiro
Horário: 19h
Local da concentração: Avenida Epitácio Pessoa (em frente ao Pão de Açúcar)

Bloco: Bloco dos Atletas
Horário: 19h
Local da concentração: Avenida Epitácio Pessoa (em frente à Academia Corpo Livre)

Bloco: Flatorre
Horário: 17h
Local da concentração: Avenida Carneiro da Cunha (Torre)



Dias 10, 11 e 12/02 (domingo, segunda e terça)
Polos Carnavalescos
Atrações: Cada um dos seis polos terá duas bandas locais e dois grupos de cultura popular
Local: Mandacaru, Rangel, Cruz das Armas, Valentina, Mangabeira e Conjunto Residencial Gervásio Maia

Dias 9, 10, 11 e 12/02 (sábado, domingo, segunda e terça)
Carnaval Tradição
Atração: Desfiles de escolas de samba e tribos indígenas
Local: Avenida Duarte da Silveira.


UMA MÚSICA PARA LEMBRAR E SONHAR:


MÁSCARA NEGRA!
Zé Kéti


Quanto riso! Oh! quanta alegria!
Mais de mil palhaços no salão.
Arlequim está chorando
Pelo amor da Colombina
No meio da multidão.

Foi bom te ver outra vez,
Está fazendo um ano,
Foi no carnaval que passou.
Eu sou aquele Pierrô
Que te abraçou e te beijou meu amor.
Na mesma máscara negra
Que esconde o teu rosto
Eu quero matar a saudade.
Vou beijar-te agora,
Não me leve a mal:
Hoje é carnaval.