Quem sou eu? O que faço

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João Pessoa, Paraíba, Brazil
Quem sou? O que faço. Sou Maria de Lourdes, tenho, agora, 62 anos, esposa, mãe e avó, formação jurídica, com pós graduação em Direitos Humanos e Direito Processual Civil, além de um curso não concluído de Filosofia. Conheci os clássicos muito cedo, pois não tinha permissão para brincar na rua. Nosso universo – meu e de meus irmãos – era invadido, diariamente, por mestres da literatura universal, por nossos grandes autores, por contistas da literatura infanto-juvenil, revistas de informação como Seleções e/ou os populares gibis. Todos válidos para alimentar nossa sede de conhecimento. Gosto de conversar, ler, trabalhar, ouvir música, dançar. Adoro rir, ter amigos e amar. No trabalho me realizo à medida que consigo estabelecer a verdade, desconstruir a mentira, fazer valer direitos quando a injustiça parece ser a regra. Tenho a pretensão de informar, conversar, brincar com as palavras e os fatos que possam ser descritos ou comentados sob uma visão diferente. Venham comigo, embarquem nessa viagem que promete ser, a um só tempo, séria e divertida; suave e densa; clássica e atual. Somente me acompanhando você poderá exercer seu direito à críticas. Conto com sua atenção.
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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A mulher na História - parte 4

IDADE CONTEMPORÂNEA


A crueldade da mulher na Revolução Francesa


  O mais importante aspecto da Idade Contemporânea é o fato de que é um período em aberto. Toma-se como seu marco inicial a Revolução Francesa, 1789, indo até os nossos dias. É um período marcado por grandes mudanças, por uma filosofia iluminista, descobertas científicas, crescimento da ciência e da civilização humana, desenvolvimento e consolidação do Capitalismo, disputas das grandes potências européias.







Adolf  Hittler
Exército alemão - Suástica










         A Idade Contemporânea é, ainda, palco para gigantescos conflitos como as 1ª e 2ª Guerra Mundial, com enorme prejuízo para a humanidade, seja no cenário doméstico ou no internacional, quando  cidades foram arrasadas, populações foram submetidas a outros países, vidas foram ceifadas, tudo no altar das vaidades dos governantes, com o toque final de figuras sinistras que escreveram páginas negras na História da Humanidade.
 
Todavia não foram esses os únicos conflitos envolvendo nações. Assim, não podemos deixar de registrar a Guerra do Paraguai, 1864 a 1870; Guerra da Coréia, julho de 1950 a julho de 1953; a Guerra do Vietnã, de 1959 a 30 de abril de 1975; a Guerra dos 06 dias entre Palestinos e Judeus; a Guerra das Malvinas, litígio ocorrido entre a Grã Bretanha e a Argentina, de 2 de abril a 14 de junho de 1982; Guerra dos Balcãs – Bósnia, Hezergovina, Croácia; a Guerra do Iraque, em 2003; conflitos na Faixa de Gaza; Guerra no Irã, em 2010. Além desses litígios armados registram-se, também, áreas em guerra na Nigéria, Libéria, Serra Leoa, Costa do Marfim, Ruanda, Burundi, Uganda, Zimbábue e Angola. 
 
Símbolo Intern. da Medicina

Genoma Humano
       










                    O notável desenvolvimento alcançado pela Humanidade se revela em todas as áreas do conhecimento humano. Na Medicina, ressalta-se a descoberta da anestesia geral, da penicilina, o transplante de órgãos, a ecografia, as técnicas de inseminação artificial, o DNA, a clonagem, a pílula, entre outros avanços. Em contrapartida, surge a terrível SIDA (AIDS) – Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, cuja cura ainda não foi encontrada pela ciência.
             
Globalização de Direitos
       No campo dos Direitos, segundo Norberto Bobio, vivemos a Era dos Direitos, onde o filósofo ressalta que os Direitos sempre existiram; que a liberdade é o direito fundamental por excelência; que há a precedência dos direitos civis e políticos em confronto com direitos econômicos e sociais; a ocorrência de Direitos Humanos até a quarta geração, insistindo que o principal não é justificar tais direitos e sim protegê-los. As Nações buscam encontrar justificativas comuns na defesa de direitos com a adesão a Pactos, Convenções, Acordos, Declarações e diversos instrumentos destinados à promoção da Paz e do Desenvolvimento Sustentável.
          
A mulher mística
          Num percurso prático, vemos a mulher no início da Idade Contemporânea ainda sob uma aura mística que a traduzia como um ser voltado à magia, ao ocultismo. Entretanto, à medida em que as relações humanas foram se desenvolvendo, o mundo contemporâneo trouxe para as mulheres o direito de votar e ser votada; as descobertas na obstetrícia com o consequente controle da natalidade, o poder de decisão sobre o seu próprio corpo quanto a engravidar ou não; o direito de morar sozinha, trabalhar fora de casa, ir às universidades como alunas e/ou professoras, mestras, doutoras. 
             


A mulher multifacetada
A mulher contemporânea está em todas as profissões e locais, discute política, economia. Tornou-se polivalente. Exerce, sob sua administração, tríplices jornadas, sendo a um só tempo: mulher/mãe/profissional. Conduz seu cromograma com maestria sem deixar de corresponder às suas faces de esposa, ser social e dona de seu próprio destino. De libélula acanhada, presa ao casulo do Lar, adquiriu asas, tornou-se ninfa e, algumas, até descobriram o famoso “Segredo das Borboletas”, com o evento do “ninho vazio”, conforme a escritora americana Toni Tucci predisse há mais de vinte anos.

         Com enfoque no mundo feminino contemporâneo, fazendo uma rápida excursão pela Filosofia, Artes, Ciências Médicas, Política, Assistência Social, Moda,lutas de classes, encontramos mulheres maravilhosa que merecem destaque, sendo, todavia em diferentes momentos do caminhar da Humanidade, portanto com visões e conotações diferentes.



INÍCIO DA ERA CONTEMPORÂNEA 

       
Bruxa Contemporânea
MARIE LAVOUR, nascida em 1794, mulata, bonita, em cujas veias corria sangue negro, branco e indiano. Era livre e a frente de seu tempo.  Foi a mais famosa bruxa praticante de Vodu de toda a América do Norte, sendo, juntamente com sua filha, Marie Lavour II, as mais poderosas e influentes praticantes de Vodu da sua época. Através do ocultismo, dominou Nova Orleans, com supostos poderes mágicos, se propunham a resolver problemas de ordem amorosa, sexual, financeira, social, negócial e livrar de inimigos aqueles que as procuravam.

         O Vodu, que já se caracterizava como um complexo de crenças e rituais religiosos, africanos e católicos, determinante de uma vinculação fundamental entre o mundo material e o mundo dos espíritos e que, em razão de tal essência, submete em grande extensão a vida dos que acreditam em sua existência. Utilizando elementos como bonecos, simbolizando o individuo a ser atingido ou ser beneficiado, além de sangue, animais, amuletos e linguagem própria, Maria Lavour e sua filha impunham um reinado misto de terror e devoção. 

A dama da social democracia
ROSA LUXEMBURGO –  Róża Luksemburg. Filósofa economista marxista, de origem polonesa judia, naturalizada alemã, nascida em 1871 e falecida em 15 de janeiro de 1919, aos 47 anos de idade, em Berlim, Alemanha. Começou na política organizando uma greve geral onde pereceram quatro líderes. Sobrevivendo, fugiu para a Suíça onde passou no exame Abitur, tornando-se aluna da Universidade de Zurique, convivendo com grandes nomes socialistas. Revolucionária, estudou Economia Política e Direito. Pós Graduada, obteve seu Doutorado no ano de 1898, defendendo a tese intitulada "O desenvolvimento industrial da Polônia".

Casou por conveniência, com a finalidade de conseguir a cidadania alemã, com Gustav Lübeck, de quem se divorciou transcorrido o prazo legal para manter a cidadania, adquirida. Foi presa por insultar o Imperador Guilherme II quando proferia um discurso. Defendeu a Teoria Marxista durante a Revolução Russa de 1905. A Política foi a tônica de sua existência. Opô-se, sistematicamente, a tudo que era contrário ao proletariado. O Movimento revolucionário era a sua arma, reiteradamente utilizada; suas obras mais conhecidas são: Reforma ou Revolução; Acumulação do Capital; Greve de Massas; Partidos e Sindicatos; Introdução à Economia Política; Questões de Organização da Social-Democracia Russa; A Revolução Russa e O Que Quer a Liga Spartacus? 

       Morreu após ser ferida a bala e jogada semi-morta nas águas geladas de janeiro do Landwerkanal ou canal da Polícia. Seu valoroso companheiro de lutas, Karl Liebknech foi baleado pelas costas, após ser induzido a caminhar. Os seus assassinos jamais foram punidos.

 
Ser finito e Ser eterno
EDITH STEIN - Judia, filósofa, carmelita, mártir, nascida em 1891 e morta em 1942. Buscava a sede da verdade em intenso rigor moral. Enfatizou e promoveu o papel da mulher na Sociedade e na Igreja. Pesquisou a Noção de Estado para definir a relação do ente Político com o povo, a igreja, a nação. No âmbito filosófico estabeleceu a ligação entre a “fenomenologia husserliana” e o conhecimento medieval demonstrado através da filosofia de S. Tomás, superando a neo-escolástica. Sua obra prima “Ser finito e Ser eterno”, configura-se quase uma nova ontologia, síntese de filosofia e mística.

A sua condição mística religiosa leva-a a beber das fontes Dominicana, Beneditina, de S. Teresa d’Ávila e de São João da Cruz. Sua última obra, "A ciência da cruz" (Scientia Crucis), ficou inacabada, inconclusa, face a sua morte numa câmara de gás no campo de Auschwitz.

     Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein) foi canonizada pelo papa João Paulo II, como Santa Teresa Benedita da Cruz, em 11 de outubro de 1998.



O amor coragem
ANA MARIA DE JESUS RIBEIRO – ANITA GARIBALDI

             Heroína dos dois mundos sob o nome de Anita Garibaldi, nasceu em Laguna, Santa Catarina, no dia 30 de agosto de 1821. Sua família originava-se de Açores, Portugal. Aos 14 anos perde o seu pai, sendo obrigada a casar-se com o sapateiro Manoel Duarte de Aguiar, permanecendo casada por três anos, quando seu marido alista-se no exercíto imperial e Anita volta para a casa de sua mãe.

                   Em 1835, lutando ao lado de seus compatriotas, na Revolução Farroupilha, Anita conhece o italiano Giuseppe Garibaldi por quem se sente fortemente atraída. Anita une-se a Garibaldi, participa ativamente do combate em Imbituba, Santa Catarina e da batalha de Laguna, onde sua principal tarefa era carregar e disparar um canhão.

 
A guerreira de dois mundos
             Na Batalha de Curitibanos, foi capturada pelos inimigos. Grávida de seu primeiro filho recebeu a notícia de que Garibaldi fora morto. Extremamente perturbada, foge a cavalo, a sua procura, encontrando-o na cidade de Vacaria. O seu primeiro filho, Domênico Menotti, nasce no dia 16 de setembro de 1840. Posteriormente, o casal teve mais dois filhos, Teresita e Ricciott. Somente em 1842 casam-se na paróquia de San Bernardino.

                   No ano de seu casamento, Garibaldi vai para a Argentina comandar a frota Uruguaia. O casal luta, ainda, pela independência da Itália e,em 1849, quando combatiam em Roma são perseguido e Anita contri febre tifo, vindo a morrer, com apenas 27 anos, aos 04 dias de Agosto de 1889. Roma rendeu-lhe a devida homenagem, erguendo na Colina de Gianicolo, um monumento eqüestre, onde estão enterrados os seus restos mortais. Anita Garibaldi passa para as mulheres brasileiras de todos os tempos uma lição de bravura que transcendeu a seu gênero, amor além do protótipo da época, coragem acima do bem e do mal, desprendimento para viver um sonho incondicional.

 
A personificação da elegância
 GABRIELLE BONHEUR CHANEL -  francesa, nasceu em 19 de agosto de 1883, em Samur, numa família pobre. Perdeu sua mãe quando tinha apenas seis anos, ficando, com mais quatro irmãos, aos cuidados do pai. Ela e as irmãs foram educadas num colégio de religiosas. Fugiu aos dezoito anos, inicia sua vida laboral como costureira numa fábrica de enxovais. Saindo à noite, com sua prima, canta num café concerto. No período entre 1905 e 1908, adotou o nome de Coco, durante uma breve carreira de cantora, juntamente com sua irmã. Uma música, por elas cantada, "Qui qu'a vu Coco dans l'Trocadéro?", "Quem viu Coco no Trocadero?" Dá origem ao nome “Coco” pelo qual seria mundialmente conhecida.


                   Buscando um espaço próprio tenta, sucessivamente, trabalhar no comércio, ser cantora, atriz. Sua figura atrai a atenção de Etienne Balsan, rico herdeiro de uma fábrica de tecido e criador dos melhores cavalos. Após breve romance tudo termina. Em 1910, encontra, na cidade Luz, aquele que seria o grande amor de sua vida: o milionário inglês Arthur Capel, que a ajuda a iniciar seu negócio como fabricante de chapéus; o sucesso tremendo e a companhia do milionário introduz Chanel ao sofisticado ambiente de Paris. Entretanto e mais uma vez a morte lhe rouba o afeto. Capel morre num desastre de carro.

                   Chanel fecha a fábrica de chapéus e abre um atelier de costura, também confeccionando chapéus, roupas esportivas para a praia e montaria. Confeccionou as primeiras calças compridas para mulher. Na década de 20, toma-se de amores por um príncipe Russo – Dmitri Pavlovich -, pobre e fugitivo da Rússia. O seu envolvimento produz roupas de inspiração russa, com bordados típicos. Conhece personagens famosas da época a exemplo de Greta Garbo, Pablo Picasso e Luchino Visconti.

                   Vestiu Divas de Hollywood, criou e ditou um estilo próprio, marcando de forma definitiva a moda feminina com os seus tailleurs que são referência até hoje. Além disso, cria também um dos mais famosos perfumes de todos os tempos: o Chanel n° 5, em alusão ao seu número da sorte. Lança posteriormente o Chanel  n° 17, mas não repete o êxito do primeiro.

                   Acusada de cumplicidade com os alemães, durante a Segunda Guerra Mundial, mantém um romance com um oficial daquele exército. O envolvimento é mal interpretado e os franceses afastam-se da Maison, trazendo-lhe dificuldades financeiras. Com visão empresarial, inicia comércio com nova clientela, do outro lado do Atlântico. Fixa residência na Suíça, cai nas graças de Jacqueline Kennedy, torna-se constante nas revistas de moda, cria sapatos, bolsas, além das tradicionais roupas e de seu carro chefe os tailleurs, bem como o perfume Chanel nº 5.

                   Estilista de sucesso, Coco Chanel traduziu uma mudança no vestir feminino. Os seus chapéus apresentavam designer totalmente novo; suas roupas materializavam o charme, a elegância nata das francesas; o seu perfume, a melhor roupa para uma noite longa e prazerosa. Morreu no Hôtel Ritz Paris, no ano de 1971. Sendo o seu funeral acompanhado por centenas de pessoas que levaram as suas roupas em sinal de homenagem.

 
Auto-retrato
TARSILA DO AMARAL -  pintora, brasileira, nascida a 1º de Setembro de 1886, na Fazenda São Bernardo, Município de Capivari, São Paulo, onde passou sua infância e adolescência. Estudou no colégio Sion e, aos 16 anos, pinta sua primeira obra que intitulou Sagrado Coração de Jesus. Foi casada com André Teixeira Pinto, com quem teve sua única filha, Dulce. Após sua separação viaja para a Europa com o objetivo de qualificar-se para a pintura.

                   Em 1922 consegue expor um quadro seu no Salão Oficial dos Artistas Franceses. Nesse mesmo ano volta para o Brasil, integrando-se com intelectuais modernistas que formam o “grupo dos cinco”. Iniciando seu namoro com o escritor Oswald de Andrade – o grande amor de sua vida -  que compunha o grupo. Em 1923, casa com o namorado, volta a Europa e convivem até 1930. Todavia, sua vida amorosa é restabelecida no ano de 1934, quando passa a viver com o escritor Luís Martins, com quem permanece por quase vinte anos. Teve quatro casamentos. De 1936 a 1952, trabalha como colunista nos "Diários Associados".

Abapuru
   Suas obras mais importantes são: "Pau-Brasil", que foi iniciada em 1924; em 1928 pinta a sua obra mais conhecida, que é o "Abaporu", criada como presente de aniversário para Oswald e que iniciou o movimento conhecido como "Antropofágico"; em 1933 pinta o quadro "Operários"; Na década de 50 volta ao tema "Pau brasil"; deixando, ainda, obras importantes como Antropofagia, Urutu, Lago, Sol Poente.

 
                 Tarsila do Amaral faleceu em São Paulo no dia 17 de fevereiro de 1973. Dona de uma personalidade impar, a pintora projetou o Brasil dotando Museus de todas as partes do mundo com suas obras. Foi uma das principais representantes do Modernismo Brasileiro. Sua consciência social motivou-a a participar, ativamente, de movimentos sociais e refletiu-se no conjunto de sua obra.


 
O conceito do amor
HANNAH ARENDT, NASCIDA COMO JOHANNA ARENDT -  filósofa política alemã de origem judia, nasceu em 14 de Outubro de 1906, em Linden, canalizou seus interesses na Teoria Política, na Modernidade e na Filosofia da História. Sofreu influências de grandes filósofos, entre eles Sócrates, Platão, Aristóteles, Santo Agostinho, Kierkegaard, Heidegger, Jürgen e outros. Foi uma das mais importantes personagens femininas da Filosofia do século XX.

Sofreu na pele a perseguição feita às pessoas de origem judaica, assim como a privação de direitos e prisão. Inquieta quanto à necessidade de conhecimentos, ainda adolescente, aos quatorze anos, já lera Immanuel Kant em sua obra “Crítica da Razão Pura”. Aos dezessete anos torna-se amante de Heidegger, de quem era aluna. Para manter o segredo, Hannah conservou-se calada e não mais suportando a situação decidiu mudar de Faculdade, indo para a faculdade de Albert Ludwig, de Freiburg. Também estudou Filosofia e se formou no ano de 1928 sob a tutoria de Karl Jaspers, com a tese “O conceito de amor em Santo Agostinho”. Em sua nova faculdade estende o leque de suas amizades, antes tolhida em razão de seu relacionamento com Heidegger.

Pretendendo uma cátedra em universidades alemãs, foi proibida, por Hitler em 1933, de escrever uma nova dissertação que a qualificaria para o lugar desejado. Sionista, entrou em choque com os interesses anti-semita do Terceiro Reich. Presa, várias vezes, migrou para os Estados Unidos.

Escreveu "As origens do totalitarismo" que a consagra como uma das maiores figura do pensamento político ocidental; “A condição Humana”, onde adota a tripartição grega: labor, trabalho, ação. 

       "Com a expressão 'vita activa', pretendo designar três actividades humanas fundamentais: labor, trabalho e ação. (...) O labor é a actividade que corresponde ao processo biológico do corpo humano (...). A condição humana do labor é a própria vida. O trabalho é a actividade correspondente ao artificialismo da existência humana (...). O trabalho produz um mundo "artificial" de coisas, nitidamente diferente de qualquer ambiente natural. A condição humana do trabalho é a mundanidade. A acção, única actividade que se exerce directamente entre os homens sem a mediação das coisas ou da matéria, corresponde à condição humana da pluralidade, ao facto de que homens, e não o Homem vivem na Terra e habitam o mundo. Todos os aspectos da condição humana têm alguma relação com a política; mas esta pluralidade é especificamente 'a' condição (...) de toda a vida política."  (Fonte: Wikipédia). 

      Publica, ainda o titulo “Sobre a Revolução”, analisando as Revoluções Francesa e Americana, estabelecendo pontos comuns e divergências, defendendo a liberdade e que a manutenção dos ideais assegurariam a identidade.

Escreveu, também, "Eichmann em Jerusalém", sobre o julgamento do exterminador de Judeus e idealizador da chamada “Solução Final”, apontando ali a complexidade da natureza humana, a banalidade do mal e a necessidade da permanente vigilância como garantia da liberdade. Tendo regressado a Alemanha, re-encontrou Heidegger, reabilitando-o, posto que afastado sob o peso de ser simpatizante do Reich, escreveu a quatro mãos a obra "Lettres et autres documents", 1925-1975, Hannah Arendt, Martin Heidegger, com edição alemã e tradução francesa da responsabilidade das Editions Gallimard.

             Morreu no ano de 1975. Notável, foi, com certeza, a mais brilhante personalidade feminina do universo judeu da era contemporânea.

 
O feminino na pintura
MAGDALENA CARMEN FRIEDA KAHLO Y CALDERÓN – FRIDA KAHLO – Nascida em Coyoacán, aos 6 de julho de 1907 e falecida em Coyoacán, em 13 de julho de 1954. Mexicana, pintora, teve uma vida sofrida em consequência do acometimento de doenças, iniciadas aos seis anos de idade, quando foi diagnosticada com poliomielite – paralisia infantil – que a marcou para o resto de sua vida, gerando o apelido que a acompanharia dali em diante - Frida pata de palo ou, Frida perna de pau. O aleijão a levaria a usar calças compridas e, em seguida, saias compridas e exóticas que se tornariam sua marca.

                   De 1992 a 1995, tem aulas de desenho e modelagem na Escola Nacional Preparatória do Distrito Federal do México. Sua biografia registra que sofreu um acidente, quando o bonde no qual estava chocou-se com um trem, o pára-choque de um dos veículos perfurou suas costas, atingindo a pélvis, saindo pela vagina, ocasionando-lhe, além das lesões, uma profunda hemorragia. Tinha apenas dezoito anos e conseguiu sobreviver. Os tratamentos e cirurgias lhe impuseram um grande sofrimentos. Para fugir da dor começou a pintar. Utiliza até mesmo os coletes substituídos como matéria e cria, com o colete de gesso, a tela batizada de A Coluna Partida.

                   Pertenceu ao Partido Comunista Mexicano, foi casada com Diego Rivera, com quem viveu uma relação tórrida, interrompida pela descoberta da traição do marido com sua irmã mais nova; posteriormente retoma o casamento de forma mais apaixonada e passional. Tentou suicídio varias vezes, era bissexual, tinha amantes homens e mulheres. Deixou um acervo riquíssimo, entre suas obras destacam-se: As Duas Fridas; Raízes; Auto-Retrato com o Cabelo Solto; O Veado Ferido; A Coluna Partida; Auto-Retrato Dedicado ao Dr. Eloesser; Auto-Retrato "The Frame"; Auto-Retrato com Macaco; Eu e os Meus Papagaios e O Suicídio de Doroty Hale.

 
JACKELINE LEE "JACKIE" BOUVIER KENNEDY ONASSIS, símbolo de uma época, nascida aos 28 de julho de 1929 e falecida em 19 de maio de 1994. Sobre Jackie, o escritor Norman Mailer declarou: “Ela não é uma celebridade, é uma lenda. Não, não, é mais que uma lenda é um arquétipo histórico.” Bem nascida, rodeada de conforto e luxo, com educação primorosa, deixou claro, ao mundo, a que viera. Negou-se a viver como dondoca, aos vinte e um anos, deixa sua vida de menina rica para se tornar repórter e fotógrafa no Time Herald, em Washington, no ano de 1952.

                   Audaciosa, bem humorada, culta, chiquérrima, persistente, conheceu, na sua profissão, aquele que seria o seu marido, pai de seus filhos e um dos homens mais importantes da história contemporânea, o futuro presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, com quem se casaria após dois anos de seu primeiro encontro. 

 
Impecável
            Dona de uma personalidade forte inspirou trinta e duas biografias. Jamais ficou à sombra de seu poderoso marido. Mais que uma Primeira Dama, quase rainha, torna-se amada pelos americanos, imitada por mulheres em todo o mundo. Inovou antigos costumes na Casa Branca, de ascendência francesa, introduziu menu francês nos jantares oficiais, adornou as paredes da residência oficial com arte, coisa, até então, inimaginável.

                   Depois de um aborto acidental em 1955, eles tiveram quatro filhos juntos: Arabella Kennedy (natimorta, 1956), Caroline Bouvier Kennedy (1957), John Fitzgerald Kennedy Jr (1960-1999) e Patrick Bouvier Kennedy (7 de Agosto - 9 de Agosto de 1963). Viu o seu casamento ser alvo de especulações ante às traições do marido, entretanto, permaneceu imbatível ao lado daquele, apoiando-o em memoráveis decisões, como a Invasão da Baía dos Porcos, a Crise dos mísseis de Cuba, a construção do Muro de Berlim, o início da Corrida espacial, a consolidação do Movimento dos Direitos Civis nos Estados Unidos e os primeiros eventos da Guerra do Vietnã, permanecendo ao seu lado até mesmo por ocasião de seu assassinato em Dalas, aos 22 de novembro de 1963. Tornando-se, a partir daquela data, pai e mãe de seus filhos.

                   É reverenciada por seu apoio à arte e à salvaguarda da arquitetura histórica, sua maneira de ser, elegância, e graça. Um ícone da moda, seu famoso terno rosa da Maison Chanel tornou-se um símbolo do assassinato de seu marido e uma das últimas imagens da década de 1960.

                   Em 20 de Outubro de 1968, Jacqueline Kennedy casou-se com Aristóteles Onassis, um magnata grego, em Skorpios, com quem vive até a morte do marido. A coragem de Jacqueline Kennedy perante o assassinato e o funeral do marido trouxe admiração de muitos em todo o mundo, e muitos norte-americanos lembram-se de sua coragem e dignidade naqueles quatro dias de novembro de 1963. (Fonte: Wikipédia)

                   Sua vida, a partir de seu casamento com Kennedy tornou-se pública. Os seus gestos, suas reações, seu modo de falar, vestir, pentear-se, tudo era motivo para ser lançado na mídia. Sua privacidade era quase sempre devassada. Um paparazzo fotografou-a nua numa ilha de grega, Larry Flint comprou as fotos e publicou. Acostumada ao trabalho, retomou as suas atividades como editora na Doubleday. Conviveu com o belga Maurice Tempelsman, sem oficializar a ligação.

 
A fortaleza na dor
              Em 1994 foi diagnosticada com um câncer linfático, morreu durante seu sono às 10h15 da manhã numa sexta-feira, em 19 de maio, aos 64 anos. O seu filho Jonh Jonh morreu cinco anos depois, no dia 16 de julho de 1999.

            Sua trajetória mostra a força de vontade, o brio, a coragem de uma mulher que não se dobrou ante as responsabilidades assumidas, que não se deixou abater pelas decepções, que não se vergou à dor.

                   Ainda temos muito a dizer das mulheres que fizeram e fazem a Idade Contemporânea, convido-os a continuarem comigo decifrando essa Era.





sábado, 4 de fevereiro de 2012

A mulher na História - parte 3

Idade Moderna

Tomada de Constantinopla



Tem-se por  Idade Moderna, segundo situam os Historiadores, notadamente os franceses, o período iniciado com a  tomada de Constantinopla, cujo o nome original era Bizâncio,  em maio de 1493, quando os turcos otomanos, sob o comando do Sultão Maomé II, conquistaram  a Capital Bizantina, que a época se constituía numa das mais importantes cidade do mundo, tendo sido concebida como uma nova Roma e cujo nome homenageava o imperador Constantino.  O término da Idade Moderna é marcado pela   Revolução Francesa, também conhecida como revolução cidadã, em 14 de julho de 1789.

Apesar de ser a mais aceita, a queda de Constantinopla não é o único acontecimento a ser colocado como início da Idade Moderna. Assim, alguns historiadores colocam a Conquista de Ceuta pelos portugueses em 1415, outros definem a viagem de Cristóvão Colombo ao continente americano em 1492 ou mesmo  a viagem à Índia, de Vasco da Gama em 1498.

Afigura-se com mais destaque para a delimitação do período, às diferentes interpretações no aspecto da origem e evolução do sistema capitalista. Assim, o modo de produção se torna a unidade básica que marca a periodicidade da história; o que se depreende da visão de Marx é que  a mudança na base econômica abala a superestrutura substituindo a antiga.

Mas,  e não obstante a diversidade ao precisar o início da era, no que diz respeito ao período histórico é estabelecido que se inicia no século XV e se estende até o século XVIII, sendo, também entendido como um tempo de transição, no qual ocorreu o enfraquecimento de três dos cavaleiros do Apocalipse, especificamente a fome, a peste e a guerra – disso advindo melhores condições à navegação, descobertas e entrosamento dos povos.

Nesse período Histórico tornam-se marcantes: O Progresso Comercial nas Cidades, o Renascimento (literário, artístico e científico), A Reforma e Contra-Reforma e o Absolutismo Europeu. 


A MULHER –A BRUXA


 
No século XV a mulher ainda tem seu o conceito atrelado a práticas de  magia, heresias e bruxarias. A idéia popular era alimentada pela ignorância. Eram, em geral, mulheres as culpadas preferenciais por tudo aquilo que não se conseguia explicar... Nos séculos XVII e XVII, a mulher, torna-se, no âmbito de seu lar, o alicerce da vida familiar, sendo, entretanto, subjugada ao retraimento e a solidão dentro da casa, sendo comum ao homem, de modo geral,  a vida externa e as amantes, fazendo com que o isolamento nas alcovas apenas fossem quebrados,  para prenunciar uma gravidez,  pela presença dos filhos e das serviçais. Também se cantava em verso e prosa recolhimento e a honestidade das donzelas. Neste universo hostil a voos solo, algumas mulheres conseguiram se destacar, senão vejamos:

ISABEL DE CASTELA

Isabel nasceu em 22 de abril de 1451 em Madrigal de lãs Altas Torres, na província de Ávila no centro da Espanha. Em 1474 é oficialmente coroada rainha de Castela. No ano de 1469 se casa com Fernando II, segundo na linha de sucessão pelo trono de Aragão, rei da Sicília e Príncipe de Gerona; Em suas excursões  vitoriosas destaca-se, Granada, o último reduto árabe na Península Ibérica, que é conquistada em 1492,  concluindo a meta de Isabel e Fernando, traduzida pelo banimento dos judeus não convertidos. Ainda, no seu reinado foi publicada a Primeira Gramática Castelhana, pela escola palaciana que foi criada pela Rainha; no mesmo ano foi realizada a primeira viagem de Colombo com o apoio de Isabel.

Corria o ano de 1494 quando o Papa Alexandre VI concedeu o título de “Reis Católicos” ao casal real. Nesse mesmo ano,  foi assinado, no dia 07 de junho, o Tratado de Tordesilhas; que ironicamente passou para o anedotário popular como “o testamento de Deus que dividiu o mundo entre Portugal e Espanha.” Sobre Isabel é registrado, ainda, que  essa estabeleceu o Tribunal da Santa Inquisição e que morreu, em Medina do Campo, Valladolid deixando a coroa para sua filha Joana, a Louca.

  TERESA DE JESUS (de Ávila) (1515-1582) 

 

Teresa nasceu em Ávila, na Espanha, em 1515, desde cedo mostrou-se religiosa, cheia de fé e afinidades com os mártires. A partir de 1562 começa a fundar monastérios das carmelitas descalças na Espanha, que s e constituía numa variante feminina da ordem da qual pertencia. Ao longo de sua vida funda 32 monastérios, sendo 17 femininos e 15 masculinos. Santa Teresa morreu em 1582, na idade de 67 anos. Logo após sua morte, o corpo da Santa exalava um suave  perfume de rosas . Até o presente dia se conserva intacto. Obras: “Caminho da Perfeição”, a autobiografia “Livro de sua Vida”, “Castelo Interior” ou “As Moradas”.


BRANCA DIAS 

Cristã-nova, nascida em Viana da Foz do Lima (Portugal). Morou em Lisboa (Portugal) e em Pernambuco (Brasil). Casou-se  com Diogo Fernandes, em Portugal, antes de 1535-1540 de quem teve os filhos. Sendo denunciada pela mãe e pela irmã, que também estavam sendo processadas pelo Tribunal do Santo Ofício, por prática de judaísmo, foi sentenciada, em 12 de setembro de 1543, a "abjuração pública, dois anos de cárcere e hábito penitencial, ficando reservada a sua comutação e dispensa". Após a sua morte foi, mais uma vez, acusada, pela Inquisição, sob a justificativa  de manter, em sua residência em Camaragibe, uma "esnoga" (sinagoga), em que os judeus da região se reuniam para cerimônias e se "adorava a toura" (Torah). Faleceu por volta de 1588. Sua fama só cresceu com o tempo, pois, "de todos os cristãos-novos de Pernambuco, nenhum foi mais acusados perante a mesa do Santo Oficio do que Branca Dias, seu marido Diogo Fernandes e suas filhas, todos por "cerimonias judaicas". " A exploração literária mais conhecida de sua figura foi feita por Dias Gomes, na peça "O santo inquérito".



CATARINA DE MEDICIS

Famosa aristocrata da história francesa nascida em 1519, na cidade de Florença, foi mãe de três reis da França, Francisco II, Carlos IX e Henrique III, passou a história, também como influente personalidade da vida política francesa, na qual se destacou por mais de trinta anos. Ficou  órfã logo depois de seu nascimento; casou-se aos 14 anos com Henrique, então duque de Orléans e futuro rei Henrique II,  principiando  a sua história política, à sua maneira e com invejável capacidade.
Dessa união nasceram dez filhos. Tendo morrido seu primogênito Francisco, foi nomeada regente  de Carlos IX, também seu filho, condição em que se portou com desmando  e tirania, sobrepondo-se acima de qualquer lei. Se posicionando  favoravelmente aos católicos do duque de Guise, declarou-se contraria aos huguenotes, protestantes franceses, sendo apontada como  a mestra que mexeu os títeres e levou seu filho a promover o massacre da “ noite de São Bartolomeu”.
                                                        
Quando regente mandou construir, em Paris o palácio das Tulherias.  Ordenou a ampliação do Louvre e contribuiu para o engrandecimento da cidade. Ampliou o acervo da biblioteca de Paris com manuscritos procedentes da Grécia e da Itália. Morreu na cidade de Blois, França, quando já era rei seu outro filho Henrique III, último rei francês da casa de Valois (1574-1589) e que seria assassinado meses depois.

 LOUISE LABÉ

Poetisa francesa, nascida de pais ricos, recebeu uma educação primorosa, falava latim e italiano, fazia música, equitação e esgrima. Casou e tendo enviuvado teve vários amantes, A principal obra de Louise Labé é o Débat de Folie et d'Amour ("Debate da Loucura e do Amor"), de 1555, na qual defende uma pauta "feminista": direito das mulheres à educação, à liberdade de pensamento e a escolha de parceiros. Seguem-se a eles as três Élégies ("Elegias"), no mesmo ano. (1524-1566).



OLIVA SABUCO NANTES  BARRERA

Pioneira, com uma visão diferenciada das mulheres de sua época. De nacionalidade espanhola, Filósofa da Renascença e precursora na medicina psicossomática. Estudiosa e sensível entendeu o quão importante seria reunir conceito e práticas filosóficas à medicina, sinalizando que, inclusive,    a cosmologia,  teria a faculdade de comprometer a saúde humana. Em sete tratados de uma obra holística, com publicação no ano de 1587, registrou todo o seu entendimento da questão. Há dúvidas quanto a data de seu nascimento que ocorreu entre  1525 e 1530.





ELIZABETH I

A rainha Elizabeth I, nasceu em 1533,  filha de Henry VIII e Ana Bolena, subiu ao trono após a morte de sua meia-irmã Maria I (1558). Seu reinado foi de paz e prosperidade, comercial e culturalmente. Ficou conhecida como “a rainha virgem”, por nunca ter se casado, apesar dos inúmeros pretendentes.

Seu governo foi denominado Período Elisabetano (ou Isabelino) ou mesmo Era Dourada, caracterizando-se por ter sido, marcantemente, de crescimento, iniciando o que se tornaria o Império Britânico, e, também pela efervescente criatividade artística, com destaque para a  dramaturgia, onde se destacaram Christopher Marlowe e William Shakespeare.

Em termos de navegação, também houve considerável avanço e grandes vitórias, principalmente com o   o capitão Francis Drake, que foi o primeiro inglês a dar a volta ao mundo. As transformações sociais corriam o mundo, entretanto a tentativa de colonizar a América do Norte revelou-se frustrante para a soberana inglesa. No mundo das idéias  Francis Bacon pregou seu pensamento sobre política e filosofia.


MARY STUART

Aos 9 de dezembro de 1542, nasce no castelo de Linlithgow, Mary Stuart, pouco depois morre o seu pai  Jaime V da Escócia, confirmando a perturbadora profecia: “A coroa nos veio por uma mulher, e com uma mulher ela nos deixará!”. Ainda adolescente, foi mandada por sua mãe, para França, uma vez que seu primo Henrique da Inglaterra desejava casá-la com seu filho Eduardo, unindo as casas Tudor e  Stuart. Na França casa com Francisco II,  que morre e a deixa sob as ordens de sua mãe – Catarina de Medicis - que se torna regente. 
Em rota de colisão com a regente, é enviada de volta a Escócia onde não é bem vinda. Casa com um jovem príncipe, seu primo, da casa dos Tudor,  Henry Darnley que posteriormente demonstrou seu desagrado ante a inteligência e graça de sua esposa. Após o assassinato do Rei, foi obrigada a abdicar em favor de seu filho, ainda muito novo, tornando-se refém em sua própria casa. 
Mais tarde, consegue burlar seus carcereiros e foge para Inglaterra buscando auxílio de sua prima Elisabeth que a mantém prisioneira por 20 longos anos. Encarcerada no Castelo de Chartley, Maria Stuart teve de comparecer a um julgamento em Fotheringhay, arranjado por Francis Walsingham, secretário de Isabel, acusada de conspiração e alta traição contra a vida daquela. Foi  decapitada em 8 de fevereiro de 1587. Seu filho tornou-se rei da Escócia sob o nome de Jaime I e governou de 1603 até 1625.


FELIPA DE SOUZA

 
Portuguesa que veio morar no Brasil, onde há 410 anos, em 24 de janeiro de 1592, foi condenada pela Inquisição pela prática confessa de  lesbianismo.
Vivia em Salvador (BA), quando, em 1591, com 35 anos, ocorreu à primeira visitação do Tribunal do Santo Ofício. Era alfabetizada, costureira e apesar de casada com um padeiro, mantinha relações duradouras com outras mulheres. Sofreu severas punições após ter confessado sentir "grande amor e afeição carnal" por suas companheiras. Segundo os registros da época, foi a mulher mais humilhada e castigada da colônia.


MARIA GAETANA AGNESI

Nasceu em 1718 e morreu em 1799. Matemática, filósofa e lingüista italiana. A essa mulher atribui-se a autoria do primeiro livro que englobou cálculo diferencial e integral, além de ter escrito, em latim, a obra Proposições Filósoficas
que foi publicada em Milão em 1738. 

Apesar da importância das obras citadas, é chamada de notável por seu  mas o que a tornou notável por ser autora de  uma suma densa e ao mesmo tempo clara  de análise algébrica e infinitesimal na obra Instituições Analíticas, que teve traduções  para o inglês e para o francês.

BÁRBARA HELIODORA
                 
Nascida em Minas Gerais, na cidade de São João Del Rei, no ano de 1759, Bárbara Heliodora Guilhermina da Silveira,  foi a primeira poetisa brasileira. Culta e revolucionária, mostrou-se uma mulher com brio e coragem, aos 20 anos apaixona-se pelo poeta Alvarenga Peixoto de quem teve uma filha de nome Maria Ifigênia.

Contrariando os costumes da época o casamento somente aconteceu depois que a criança nasceu, sendo mantido o nome de solteira de Bárbara na Certidão e nascimento de sua filha. A relação do casal entre foi de amor, harmonia e companheirismo. Desse romance o casal teve, ainda, mais três filhos. Bárbara e Alvarenga Peixoto participaram da organização da inconfidência do país.

Cita Aureliano Leite, no livro "A Vida Heróica de Barbara Heliodora", a presença de Bárbara foi fundamental na vida de Alvarenga Peixoto:"...Ela foi a estrela do norte que soube guiar a vida do marido, foi ela que lhe acalentou no seu sonho da inconfidência do Brasil…quando ele, em certo instante, quis fraquejar, foi Bárbara quem o fez reaprumar-se na aventura patriótica. Disso e do mais que ela sofreu com alta dignidade fez com que a posteridade lhe desse tratamento de Harmonia da Inconfidência’’.

Foram casados por  10 anos, época em que produziu sua obra período. Nos idos de 1789, época da Conjugação, Alvarenga Peixoto foi preso e arrastado de São João Del Rei ao Rio de Janeiro, sendo levado para a fortaleza da "Ilhas das Cobras" e, posteriormente,  ele seria mandado para África, onde morreria.

Preso Alvarenga Peixoto, Barbara Eliodora sentiu-se esvaziada na sua inspiração, não mais escreveu. Sofreu o confisco de metade de seus bens e a discriminação de toda a sociedade Viúva, dedicou sua vida a criação de seus quatro filhos e a administrar o pouco que lhe restou. No ano de  1795 morre Maria Ifigênia,  em decorrência de uma queda de cavalo.  Personagem expressiva da Inconfidência Mineira, por sua reação as dores que lhe foram infligidas,  Bárbara, por muitos anos  foi retratada, nos livros de história como  insana.

 
MARY WOLLSTONECRAFT


Escritora, influenciada por Locke e Rousseau, nascida em 1739 e falecida em 1797, escreveu “Pensamentos sobre a Educação das Filhas”, no ano de 1787, sendo esse seu primeiro livro.Seguindo a tradição e o mundo de então, escreve, em 1790, a obra intitulada a “Reivindicação dos Direitos dos Homens” e, mais madura na sua veia literária , escreve no ano de 1792, o seu livro que é um extraordinário tratado político-filosófico intitulado “A Reivindicação dos Direitos das Mulheres”.
 




OLÍMPIA DE GOUGES 

Cidadã francesa, nascida em 1748 e que se colocou em defesa das minorias, o fazendo em mais de quatro mil páginas de escritos revolucionários, que vão desde peças de teatro, panfletos, novelas, sátiras,passando por utopias e, até,  filosofia. Na sua obra, ressaltam-se : “Memórias de Mme. De Valmont”, “Carta ao Povo”, “Os Direitos da Mulher e Cidadã”. Através de sua pena protestou contra a escravidão negra; colocou-se em favor dos direitos da mulher (divórcio, maternidade, educação e liberdade religiosa). Foi presa por questionar os opositores e defender aqueles que eram, historicamente, abusados  e degradados, agindo com afinco e maestria, o que lhe valeu a condenação a morte na guilhotina em 1793.


 MARIA QUITÉRIA DE JESUS MEDEIROS

A filha de  fazendeiros portugueses, Maria Quitéria de Jesus Medeiros, nasceu em Feira de Santana, na Bahia, em  1792. Ela se tornou a heroína mais respeitada de toda a Guerra da Independência quando, vestida de homem e usando o nome do cunhado, José Cordeiro de Medeiros, lutou com valentia na saga baiana para derrotar os colonizadores portugueses e consolidar a independência do Brasil.

Exemplo de bravura nos campos de batalha, descoberta a sua verdadeira identidade foi promovida a cadete (1823) e condecorada no Rio de Janeiro com a Ordem Imperial do Cruzeiro do Sul (1823) em uma audiência especial, onde recebeu a medalha das mãos do próprio imperador, D. Pedro I.

Ao ser reformada com o soldo de alferes, retornou à Bahia levando consigo uma carta do Imperador, dirigida a seu pai, pedindo que a perdoasse pela desobediência. Recebido o perdão de seu pai, reatou um antigo namoro e casou-se o lavrador Gabriel Pereira de Brito, com quem teve uma filha, Luísa Maria da Conceição. Após a morte de seu marido mudou-se para Feira de Santana, buscando receber sua parte na herança deixada por seu genitor. Desistindo do inventário mudou-se com a filha para Salvador, onde morreu quase cega em total anonimato, em Salvador-BA.

A Idade Moderna se inicia com as mulheres ainda  sob o jugo do pai ou do marido, no sacrossanto refugio do lar. Entretanto já se percebem os avanços e a crescente atuação em todas as áreas, vamos conferir?