Quem sou eu? O que faço

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João Pessoa, Paraíba, Brazil
Quem sou? O que faço. Sou Maria de Lourdes, tenho, agora, 62 anos, esposa, mãe e avó, formação jurídica, com pós graduação em Direitos Humanos e Direito Processual Civil, além de um curso não concluído de Filosofia. Conheci os clássicos muito cedo, pois não tinha permissão para brincar na rua. Nosso universo – meu e de meus irmãos – era invadido, diariamente, por mestres da literatura universal, por nossos grandes autores, por contistas da literatura infanto-juvenil, revistas de informação como Seleções e/ou os populares gibis. Todos válidos para alimentar nossa sede de conhecimento. Gosto de conversar, ler, trabalhar, ouvir música, dançar. Adoro rir, ter amigos e amar. No trabalho me realizo à medida que consigo estabelecer a verdade, desconstruir a mentira, fazer valer direitos quando a injustiça parece ser a regra. Tenho a pretensão de informar, conversar, brincar com as palavras e os fatos que possam ser descritos ou comentados sob uma visão diferente. Venham comigo, embarquem nessa viagem que promete ser, a um só tempo, séria e divertida; suave e densa; clássica e atual. Somente me acompanhando você poderá exercer seu direito à críticas. Conto com sua atenção.
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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

CABO DE SANTO AGOSTINHO

NATUREZA E HISTÓRIA


Ruínas do Mosteiro Carmelita 

Hoje resolvi fazer algo diferente. Falar aos meus amigos virtuais e presenciais sobre o ganho, para o corpo e a alma, de um pequeno passeio. Um final de semana para sair da rotina, uma volta ao passado na expectativa de captar algum conhecimento e, gozar da deslumbrante visão ofertada pela natureza. Mesclar atualidade e história fez a diferença nesta aventura.
Bloco de apartamentos Aymara Hotel

A nossa viagem, com saída programada para 31 de agosto e destino ao “Aymara Hotel Fazenda”, localizada na zona rural do Cabo de Santo Agostinho, numa gleba com 14,00 hectares. O hotel, cercado por um tapete verde, possui vista privilegiada para a Mata Atlântica, com muitas flores e pássaros numa paisagem típica das reservas naturais.


Detalhe Parque Aquático
O ponto forte do Aymara é a paz que os hóspedes desfrutam, em total harmonia com a natureza. Ali  se pode desfrutar de passeio de charrete, trilha ecológica, "pesque e pague", piscina com bar molhado, um bonito salão de eventos, espaço para meditação, área reservada para crianças entre outra atrações, o tornam um local onde a família e casais podem desfrutar dos ares do campo e de mais privacidade sem perder o contato com a cidade.


Recanto de meditação á sombra de S. Francisco de Assis
Ainda deve ser destacado como atrativo, no hotel, a presença de animais típicos de fazenda. Assim, pudemos desfrutar do vôo de pequenas aves, em formação semelhante a uma flecha, veloz, cortando o céu de um azul maravilhoso, repetidas vezes durante o dia. 

Que tal beber o leite in natura, produzido por vacas da fazenda? Nos deliciar com o ativo e namorador “pai de chiqueiro”, sempre alerta ao lado das cabras; ver os carneiros e ovelhas caminhando em busca do melhor capim; conferir a beleza dos cavalos, do pavão e, ainda, voltar no tempo, revendo um bando de galinhas correndo soltas como se efetivamente estivessem livre na natureza. Ver  a engenharia do "casaca de couro" na construção de seu ninho é ter a certeza do que foi declarado por Lavoisier "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma".

Matriz de Santo Antônio

Na cidade, propriamente dita, nos maravilhamos com a beleza da Catedral, erigida em honra a Santo Antônio e cuja construção ocorreu entre 1590 a 1595, pelos próprios moradores do Arraial. Merece destaque o altar-mor em pedra sabão  e estilo barroco, as imagens antigas e ricamente trabalhadas, a estrutura com torre em abóbada ogival, e excelente acústica; a presença de urnas funerárias datadas de 1800; sinos enormes, escada em aspiral para a torre,  enfim, a certeza de que estamos diante de um bem de inegável valor histórico para o Estado Pernambucano.


Explorando a cidade fomos ao Abrigo São Francisco de Assis, cuja fundação ocorreu aos 04 de outubro do ano de 1961, pela Madre Iva, que por longos sete anos permanecera paralítica, em consequência de uma enfermidade e, após ser desenganada pelos médicos sonhou com Francisco de Assis que falou à bondosa freira da seguinte forma:: “Iva por amor a Jesus crucificado, vou curar-te, minha filha, levanta-te e anda; constrói a minha Igreja, o Abrigo para os meus velhinhos…”

Abrigo S. Francisco de Assis
Desse sonho de amor e esperança surgiu casa que nós visitamos. Uma construção grande, sólida, com espaço confortável para oferecer aos abrigados – idosos carentes, na maioria vindos das ruas em condições de miséria e, alguns, encaminhados pelo Ministério Publico -  todo o necessário a acomodá-los dignamente, com adequação, inclusive às limitações de seus moradores.



No abrigo há, também, um espaço reservado ao seu patrono, São Francisco de Assis. Pequena e linda, a capela parece um pedacinho do céu neste mundo de Deus. Caracteriza-se por ser um recanto modesto porém, de uma beleza que nos emociona; em seu interior  encontramos uma imagem que mostra um São Francisco bem mais próximo à descrição de Celano, um homem de baixa estatura, de aparência tranquila, afável,  magro e com barba   pequena.  Ladeando a construção vitrais ricamente pintados com São Francisco e o menino Jesus, pássaros e, ainda, com imagem de Santa Clara. Ao centro um Sacrário e, em todo o ambiente uma paz contagiante.



Vitral da Capela
Os velhinhos e velhinhas bem cuidados, os dormitórios limpos, asseados e organizados. Conversamos com alguns e dois deles realmente mexeram com o meu emocional. Um senhor que estava um pouco afastado e que cumprimentei tentando entabular uma conversa, ele, calmamente tirou os óculos escuros e deixou a mostra olhos tão azuis que mais pareciam bolinhas de gude, elogiei falando da beleza de seus olhos e ele me disse: ”não adianta nunca mais vi minha nega”. Pela idade dele acredito que a musa daqueles olhos já se foi. 

Uma senhora com quem rapidamente me senti identificada, pequena, olhinhos apertados, bem arrumadinha, um diadema nos cabelos, uma flor presa no diadema e um colar  caprichosamente feito de botões coloridos, olhando firme para mim,  disse: “eu era como a senhora, gostava de me arrumar, de sapatos de salto alto, de sorrir e ser feliz”, me sensibilizou com seu queixume, com sua saudade, ao tempo em que não se curvou, permaneceu tentando conservar uma imagem pálida do que fora.

Na saída encontramos um Paraibano com um violão debaixo do braço. Todos os velhinhos, que estavam por perto, sorriam para ele e o artista nos informou que era de São José do Rio do Peixe, antiga Antenor Navarro, que era fã de Luiz Gonzaga e que a cada Domingo cantava e tocava o seu violão num abrigo de velhinhos e que fazendo um rodízio estava sempre em contato com todos. A capacidade de doação daquele senhor me trouxe lágrimas aos olhos.

Visão lateral antes da restauração
Fora da cidade fomos ver a parte histórica do Cabo de Santo Agostinho. Começamos pela Vila de Nazaré, que remonta ao Brasil colônia, especificamente ao século XVI; é um referencial na História do Brasil e segundo os historiadores na vila ocorreram inúmeros combates entre índios, portugueses, lusos brasileiros e holandeses. Quase nada existe que identifique o conjunto de casas, de hoje,  com a vila histórica.

Convento Carmelita Visão dos  Arcos
Entretanto ainda se vê a Igreja de Nossa Senhora de Nazaré situada na Vila de mesmo nome, com sua construção datada do século XVI, pelos portugueses e, ao longo de sua história objeto de inúmeras reconstruções. Caracteriza-se por ser uma edificação com estrutura retangular e apenas uma cúpula, coro, capela principal e um corredor lateral que segue até a sacristia. Segundo informações do Instituto do Patrimônio Histórico sua forma, com uma única torre e sua localização no ponto mais alto do cabo fazia com que os navegadores se referissem a ela como “uma vela branca” a guiar os seus destinos.

Ruínas vistas acima do muro do cemitério local
Ao lado da Igreja estão as ruínas do convento Carmelita, também construído pelos descobridores portugueses entre o término do século XII e início do século XVIII. Mesmo as ruínas foram objeto de obras de manutenção e sua visão é fantástica. Para melhor vê-la fizemos o acesso pelo cemitério local e, somente subindo sobre um túmulo antiqüíssimo conseguimos a visão que nos encantou.


Descobrindo  a   História   in loco,  vimos,  um dos maiores  tesouros  históricos    do  Cabo   de    Santo    Agostinho.    Trata-se das  ruínas  do  antigo farol e da   casa do faroleiro.  Segundo   os    historiadores   o farol ,  antigo,    foi   movido   à  corda,   e a querosene,   tendo   sido  desativado na década  de   quarenta. Por  uma    descida  íngreme,    totalmente    danificada    pela   erosão,  distando   aproximadamente 800 metros  de  descida  se  vê, também,numa   visão  magnífica,   as    ruínas   da casa do faroleiro. Os restos de ambas estão  localizados em uma das extremidades de Cabo de Santo Agostinho.  


Vista do Farol 
Apesar  de    saber    da   existência  de   outros   pontos    históricos   no Cabo  de  Santo  Agostinho,    como  as ruínas    de    um    antigo quartel português,  do   forte   Castelo    do  Mar, a  bica  do ferrugem e a pedra sobre   pedra,   tal     prazer        foi adiado   pela necessidade de voltar ao   hotel  e  retornarmos  a    João Pessoa.

Em   quaisquer   dos    pontos  onde nos   estivemos    a     natureza  se impôs,  absoluta,    plena,   por sua extraordinária     beleza.     O  mar límpido,   de   um     azul inimitável, oferta  ao observador imagens belíssimas. 

O acidente  natural  do  Cabo,   cria   paisagens   deslumbrantes  onde  até mesmo  a  erosão  se  apresenta  com  contornos   e   desenhos  por vezes semelhantes um bordado.
Vista de Cima do Farol
Além das belezas conferidas nos resta uma reflexão. De acordo com historiadores nas primeiras décadas do século 16, franceses exploravam pau-brasil no litoral do Nordeste como se fossem donos do território. Há evidências de que já conheciam a costa brasileira bem antes de 1500. Um francês, Jean de Cousin, teria tentado se estabelecer na Amazônia em 1488. Entretanto os descobrimentos seguiam outras lógicas diferentes do fato de se chegar primeiro.


A História do Tratado de Tordesilhas, que  vale a pena ser revisitada nos livros de História, registra o seguinte: “No auge das grandes navegações, os portugueses concluíram, com razão, que a partilha estipulada pela bula papal "Intercoetera"  não os beneficiavam, pois apenas algumas ilhas ficariam sob seu domínio. Por esse motivo Portugal exigiu um novo acordo, que foi concretizado pelo já referido Tratado de Tordesilhas, assinado em 7 de junho de 1494. Com ele, ampliavam-se os direitos dos Portugueses com o aumento da distância de suas potencialidades ,como proprietários, de novas terras de 100 para 370 léguas a partir das ilhas de Cabo Verde. 

O novo documento, assegurou a Portugal o domínio das terras descobertas a oeste do Atlântico. D. Manuel organizou uma das maiores expedições que o reino já havia preparado, composta por uma esquadra formada por dez naus e duas caravelas e cerca de 1.500 homens, sob o comando de Pedro Álvares Cabral, nobre de tradicional família portuguesa. Foi erigido um monumento para lembrar aos povos a assinatura do Tratado.

Assim e não obstante a chegada dos franceses e espanhóis ao Brasil, ao Cabo de Santo Agostinho ou Cabo de ”Santa Maria de La Consolácion”, anteriormente aos portugueses, foi consolidada a posse da terra em nome de Portugal. Ante o quadro, decorridos séculos de tais fatos,  só nos restou concordar com inteligente crítica, que foi amplamente divulgada, em forma de pergunta: “Onde está escrito o testamento de Adão que dividiu o mundo entre espanhóis e Portugueses?

A expressão "o testamento de Adão" surgiu da insatisfação do Rei Francês Francisco I, que se opôs a divisão das terras de além mar entre os Portugueses e Espanhóis, determinada pela Santa Sé, posto que à Igreja Católica detinha a soberania sobre todas as ilhas da Terra, fato assegurado pelo Edito do Imperador Constantino que liberou o culto Cristão em Roma, isso no século IV . Consideradas pelos Europeus que todas as terras a serem descobertas "seriam ilhas", portanto, recairiam sobre o Papa os poderes para administrar tudo o que adviesse dos navegadores europeus que partissem em busca de novas terras, inclusive, destinar as descobertas, antecipadamente. 


"Com o processo de centralização política  ocorrido com os países europeus após a crise do feudalismo, Portugal e Espanha passaram a ser ameaçados pelas potências emergentes. As terras das Américas começaram a ser valorizadas, a tal ponto que o monarca francês Francisco I (1515/1547) contestou a autoridade do Papa, que havia interferido na divisão das novas terras entre Portugal e Espanha com legitimização através da Bula Inter Coetera (1493) e do Tratado de Tordesilha  (1494). 

Às pretensões ibéricas definidas pelo Papa Alexandre VI, respondeu o monarca francês pedindo pra ver o "testamento de Adão e Eva que dividira o mundo entre Espanha e Portugal". Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. A França demonstrou seu interesse no Brasil através de continuado contrabando de matéria prima, das constantes invasões e da permanência em território brasileiro.


Caravelas Santa Maria, Pinta e Nina
Pois é, logo ali, no vizinho Estado de Pernambuco, a cidade “Cabo de Santo Agostinho” que faz parte da região metropolitana do grande Recife. Esse Município, historicamente, foi povoado pelos índios Caetés. Segundo Martín Fernández de Navarrete em sua obra: "Viaje de Vicente Yáñez Pinzón", esse navegador, comandante da caravela “Nina”, foi o primeiro a chegar à costa do Brasil, através de uma península que denominou de ” Santa Maria de La Consolácion”, aos 20 de janeiro de 1500, tomando posse da terra em nome da Espanha. A área descrita pelo historiador corresponde ao cabo de Santo Agostinho.

Ainda há muito a ser contado mas, essa é outra história!






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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O QUE FAZER NA VIDA?

 COISAS BOAS!

Celebrar a vida com alegria e esperança,  absorver e por em prática boas idéias. Alegrar-se com  a poesia  viva de nosso saudoso Gonzaguinha que nos deu um fantástico testemunho, cantando:  " Viver! E não ter a vergonha de ser feliz. Cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz...". Ter a certeza de que o aprendizado arrasta-se por toda a nossa existência e, com um pouco de sorte, talvez, identificar o que realmente legitima a nossa passagem por onde quer que possamos ir. 

Assim, buscar e determinar algumas coisas que tornem a nossa caminhada mais rica, mais proveitosa é algo a por em prática. É lógico que não existe um padrão estático de mais valia. Não quando se fala em existência humana, com suas experiência e emoções; inclusive, e Graças a Deus, o ser humano não nasce com manual de instruções. 

Seríamos tremendamente chatos e monótonos se fôssemos iguais em nossa maneira de ser, pensar, agir e  reagir.  Cada ser humano possui uma maneira particular de atribuir ou não importância aos acontecimentos, aos fatos, aos lugares, as pessoas e, também, de manifestar-se.  

Desse modo acredito que alguns aspectos são relevantes e legítimos para compor a nossa bagagem terrena, embora percebidos, pensados e vivenciados de forma única, por cada indivíduo. Com certeza há muito o que ser resgatado e feito por cada um de nós. A exemplo:
  
RELEMBRAR -  Por mais simples que sejam as nossas lembranças, como extasiar-se revendo um lugar que não é mais o mesmo; ou uma praça onde brincamos enquanto crianças, aonde tivemos os nossos primeiros flertes e que, mesmo não mais guardando qualquer semelhança com a daquela época, nos leva de volta ao passado; é algo altamente significativo, parece traduzir as emoções anteriormente vividas. 

Olhar o jardim lembrando de imediato de um gesto, uma oferta, uma flor, uma declaração; observar e ver que um banco na praça faz ressurgir as moças namorando, os homens discutindo política; as  senhoras que, após a missa, rapidamente, repassavam as novidades e, os rapazes ,que trocavam suas impressões sobre as mais bonitas, as mais tímidas, as atiradas, enfim, sobre as moças.


A recordação solene da igreja, que nos parecia enorme, sempre cheia, onde as missas, as novenas, os casamentos, incitavam a nossa imaginação e nos causava, a um só tempo, sensações as mais controvertidas. Lembrar os Domingos onde acordávamos ansiosas e apressadas pois era dia de Missa. Dia de devoção e...novidades.

A escola com suas lembranças cheias de sonhos e decisões tomadas num dia e esquecidas no outro; a magia dos verdes anos, das conversas sobre os amigos, sobre moda, família; as saudáveis ambições que nos levavam a escolher, muito precocemente, o que gostaríamos de ser. A lembrança da vivência, saudável em cada etapa da vida, traduzindo-se em adultos em paz consigo mesmo e com os demais.

As imagens evocadas de reuniões familiares. Festas cujo prazer poderia ser dimensionado pelo rebuliço, pelos preparativos, pela emoção que invadia a todos. As crianças em polvorosa prevendo os docinhos, salgadinhos,  os refrigerantes e os presentes; os jovens preocupados com as roupas, com a presença ou ausência de alguém; os adultos, empenhados em realizar algo que fosse a um só tempo divertido e agradável a todos. Tudo significava alegria.

RIR  - O riso que ecoa enfeitando espaços, sinalizando felicidade.  Aquele que cresce dentro do peito, explode garganta a fora, sacode o corpo e nos causa uma tremenda sensação de bem estar.  O riso, o gargalhar, que embeleza o rosto, suaviza as linhas da face e que, fazendo parte da linguagem universal, privilégio da espécie humana...,  nos remete ao prazer, a alegria, a brincadeira, a troca calorosa de expressões de amizade. 

O riso, que é contido muitas vezes em razão de convenções sociais e que, uma vez liberado adquire uma força libertadora, catalisadora, capaz de tornar o nosso dia mais promissor. O riso contagiante, que embala as brincadeiras entre as crianças, aquece os lares, une os amantes, quebra a frieza e  o protocolo de ambientes , aparentemente,  devotados ao trabalho, a mesmice.  Saibam, ainda permanece a certeza de que "rir  é o melhor remédio". 

SONHAR.  Delicioso poder sonhar. Perder-se em quimeras, viajar sem sair de quatro paredes, se deixar levar pelo devaneio e ver, numa fração de segundos, o passado tornar-se presente, o presente se assenhorear de nossas vidas e, o futuro fazer-se tão próximo que quase conseguimos tocá-lo com as nossas mãos.

Imaginar-se no seu lugar preferido, sem nada para fazer, se deixar levar pela fantasia e, ter novamente consigo, pessoas queridas que já partiram deixando tantas recordações maravilhosas; a imagem de amigos queridos que estão longe, a lembrança de emoções vividas, a projeção de algo que você deseja, planeja, executa mil vezes em seu ideário. Sonhar é voar nas asas da fantasia sem limites de tempo, sem barreiras geográficas, sem censuras. É sentir-se livre.

FAZER AMIGOS. Tê-los, com certeza é um dos maiores tesouros que o ser humano pode possuir. Não falo daquele ou daquela que nos procuram quando estamos bem, quando nossas vidas caminham as mil maravilhas, nossa saúde está excelente, nossas finanças sem qualquer embaraço. 

Os amigos, que nos honram com sua  amizade, aproximam-se quando aquilo em que colocamos os nossos esforços não dá o resultado esperado; quando a saúde parece fraquejar e de repente alguém, em quem confiamos, nos diz ternamente: calma, vai passar. Esses surgem ao nosso lado, em silêncio, naquela hora triste  em que nos despedimos de alguém muito amado, esses simbolizam a verdadeira amizade, são jóias raras.

Esses amigos de que falo são aqueles mesmos que após anos e anos, nos reencontros, emocionam-se, demonstram seu carinho, sua preocupação em saber como estamos e como estão os nossos entes queridos; percebem, carinhosamente, que o tempo passou e só nos melhorou..., mesmo diante de tal incoerência, nos transmitem tanta  confiança, que só nos resta acreditar. 

Enternecer-se com a afeição, deliciar-se ante as recordações, as lembranças surpreendentes e nas quais cada um complementa a do outro, cada amigo citado traz de volta muitos outros, isso não tem preço e torna a nossa existência bem melhor, com qualidade.

APAIXONAR-SE. Sem a supressão dos sentidos que nos despersonaliza e nos torna escravos de uma fantasia. Mas e sim com emoção arrebatadora que fascina e nos leva a visualizar o objeto de nosso desejo de forma mítica, inigualável. A sensação gostosa, que desalinha pensamentos, acelera a pulsação, que nos faz desejar construir uma história, a nossa história, ao lado do outro e que, quando termina, deixa aquela doce lembrança, recorrente, até que chegue um novo amor.

E a nova paixão, como será? O que acrescentará ao nosso coração carente, sonhador? Pouco importa. Apaixonar-se, ter a sensação de que ama de forma absoluta, incondicional, se deixar levar por um novo sentimento, tão nosso conhecido; sentir de novo e imaginar “nova” a paixão;  fazê-la única à semelhança do sol que a cada dia “nasce novo em cada amanhecer”; tornar inesquecível um abraço que, o tempo inexoravelmente corroerá, pensando em ser único aquele amor porque atual e, mais tarde, lembrar que, em matéria de paixão, algumas coisas jamais mudam. 

Apaixonar-se é essencial, dedicar-se com intensidade  a aquilo a que nos propomos realizar; defender ardorosamente aquilo em que acreditamos; sermos apaixonados e vivermos apaixonadamente,  bem que vale a pena, até porquê já sabemos, graças a Roberto Freire que: “Sem tesão, não há solução”, isso para os que “sentem desejo pela alegria, beleza pelo desejo e alegria pela beleza”.

AMAR – Ah o amor. Aquele que é realmente incondicional e que nutrimos por tudo que nos é caro. Nossos filhos, nossos pais, nossos irmãos, parentes e amigos, nos enche de bons sentimentos, bons propósitos e atitudes. O amor  por nossos "companheiros"que nos leva a comportamentos  inusitados, a renúncias sequer cogitadas, a sacrifícios nunca pensados e que nos flagra falando ininterruptamente sobre a mesma criatura. O amor harmoniza as pessoas torna-as melhores, mais felizes. 


Esse sentimento gratificante que desconhece padrões sociais, sexo, cor, idade, tem por tônica a capacidade do ser humano de se doar, de se deixar invadir pela presença do outro, tecendo elos invisíveis que os une.

O amor que nos faz sentir necessidade de dar carinho, de agradecer a Deus pelas dádivas diárias, remove montanhas e coloca o riso em nosso rosto ainda que haja motivos para não fazê-lo. O amor que nos trouxe ao mundo, que nos leva, permanentemente, a tentar melhorá-lo. O amor que nos faz ver a beleza das flores, do mar, da música, do canto dos pássaros, do amanhecer, do crepúsculo, do orvalho, da chuva, da poesia. O amor que deu a nós, mulheres, a condição de ser mães e que nos deu Maria por nossa mãe e , ainda, a cada uma de nós, uma mãe para nos ensinar, fundamentalmente,  a amar.

CRER – A crença, para a qual direcionamos a nossa atenção, os nossos mais transformadores esforços e que pode ser exercida em relação a nós mesmos ou enfocando o Divino. A fé que cada um tem em si mesmo é a confiança, materializada em  atitudes, é a crença em nosso potencial, na nossa capacidade de conquistar aquilo que desejamos,  de realizar sonhos e desejos, essa é a fé que nos faz acreditar que  seremos vitoriosos, quer  individual ou  socialmente, como profissional ou como cidadão, como homens e mulheres motivados ao progresso,  ao sucesso.  

A Fé divina, é aquela que nos  revigora, eleva, enche de paz,  nos irmana  como membros de uma só família. É o exercício continuado que impulsiona a sermos melhores, a olhar o outro com mais cuidado, a tentar ver, em cada um,  o nosso próximo mas, tão próximo,  que só nos inspire amor. 

A fé que nos leva a dependência do amor de Deus é a fé divina. É a certeza de que nunca estamos sós e que, nos momentos mais difíceis de nossa vidas, estaremos sob a proteção de um Ser Superior a nos inspirar na superação de todas as dificuldades. É o aflorar da espiritualidade que independentemente do credo, traz consigo conscientização, humanização, harmonia, amor.

RESPEITAR - Ter respeito à vida, às pessoas, às diferenças, às crenças, às opções . É possível que o respeito seja um dos maiores valores da humanidade e que ratifique a muitos outros. O mundo atual com sua costumeira pressa, por vezes põe em prática atos de desrespeito que, inevitavelmente, resultam em desequilíbrio social. Todavia, ter respeito é portar-se com ética, é contribuir para que haja compreensão entre posições divergentes de modo que não ocorra  imposições geradoras de insatisfações.


Lembrar, sempre, que nenhum de nós é o dono ou dona da verdade é um excelente começo para exercitar o respeito ao próximo. Conviver com o diferente sem alardes, críticas, repudio; fixar em nossas mentes que, embora não possa falar sobre nossa maneira de ser, as crianças em tenra idade, os animais, os muito idosos,  são dignos e merecedores de nosso respeito e que, a discriminação, os maus tratos, as punições, são aspectos que denigrem, envergonham e brutalizam a convivência humana.

Assim, a capacidade de rever pessoas e fatos, de relembrar situações de grande emoções e ou mesmo corriqueiras que tomam uma conotação diferente com o passar dos anos, a possibilidade de externar a alegria através do riso, de abraçar fortemente aos entes queridos e amigos, o viver amores e paixões, o manter inabalável a fé o respeito a humanidade ....essas coisas com toda certeza dão qualidade, marcam a vida tornando-a digna de ser vivida.


sábado, 28 de julho de 2012

SEXAGENÁRIA OU SEXY ?

REFLEXÕES AOS SESSENTA.
UMA VIDA!

Sempre me questionei dos sentimentos que cercam as pessoas à medida que vêem o mundo mudar a sua volta. Indagar e escutar explicações interiores foram rotinas em minha existência. Pedir e agradecer, também. O riso frouxo, a veia cômica sempre pulsante, lado a lado com o choro fácil, a tendência ao drama, à tagarelice em contraponto a responsabilidade, a persecução de objetivos são traços de minha personalidade.

Dentre as minhas convicções uma se sobressai. A certeza de que, ao nascer mulher, a natureza me ofertou a grande opção de minha vida. Sempre me senti perfeita nessa condição. Jamais tive preocupações estéticas que viessem a tirar o brilho dessa maravilhosa experiência. Vivi, a cada tempo, todas as emoções que o gênero feminino coloca ao alcance de seus membros. 

Amei e fui amada. Acalentei dentro de mim o amor Eros. Vivi a paixão dos verdes anos e, sem traumas, consegui ir transformando sentimentos, tornando-os maduros, quase sem arroubos. Fieis as mudanças do corpo, da psique e da alma. Não existe, nesse contexto, feminil, emoções sadias e maravilhosas que eu não tenha experimentado.

Perto dos  catorze anos tive o meu primeiro namorado. Quase platônico. Assim o digo porque admitir, para mim, que estava namorando me deixava envergonhada. Esse início vivi em Santa Rita, minha pequena cidade natal. A gruta onde tantas vezes rezei pedindo a Nossa Senhora de Lourdes, Paz, Saúde e Amor para meus pais, meus irmãos e todos os meus familiares, ouviu também minhas preces compatíveis com a minha idade, com a minha Fé.

Pedi, inúmeras vezes a Santa pela Paz Mundial, pelos pobres, pelos doentes e tive, secretamente, o hábito de olhar naquela direção todas as ocasiões em que me senti, por algum motivo, desassossegada.


Desse modo elevei meu pensamento a Nossa Senhora de Lourdes rogando que não deixasse meus pais tomarem conhecimento de que eu estava namorando. Ou mesmo, me indagando sobre o fato de que tê-lo deixado pegar em minha mão pudesse me impedir de receber a Sagrada Eucaristia. O meu mundo era realmente muito diferente dos dias atuais.

Cresci. Conclui meu Curso de Direito. Casei. Me tornei mãe. Me divorciei e casei novamente. E, de repente, sessenta anos, bem vividos. Onde a tônica tem que ser o AGRADECIMENTO. Sim porque vinda de PAIS maravilhosos. Simples, honestos.

Ele, homem que iniciou sua vida como agricultor e, aos dezessete anos viu partir o seu genitor, sofreu o golpe e continuou sentido sua perda até o dia em que ele também se foi.

Ela, filha querida de um autodidata, um homem simples, modelo de honestidade e que, numa visão rara para a época a levou para estudar em colégio interno, de onde, segundo suas palavras, sairia professora e não dependeria de um marido para sobreviver.

Mas, falar sobre eles daria não uma página, duas, três....se faria necessário o resto de meus dias e quiçá a eternidade. Sim, pois a graça de ter nascido filha de Álvaro e Luzia, com certeza absoluta traçou o meu caminhar, a minha forma de ver e entender a vida. As falhas, debito-as ao livre arbítrio, as minhas possibilidades de decidir entre essa ou aquela atitude.

 O amor, a confiança, a dedicação e a paciente insistência que dedico as minhas metas podem ser atribuídas a herança genética e social dessas maravilhosas criaturas. Os erros não. Foram e são exclusivamente meus. Fazem parte de minha aprendizagem, meu crescimento como eterna aprendiz.

Entretanto e mesmo com a origem abençoada com que fui agraciada por Deus, a minha grande conquista não se revela nas razões de um pedido deferido, de um recurso provido, de uma unanimidade obtida. 


Não foi com a “beca “ a minha maior e melhor performance Com absoluta certeza o ápice de honrarias recebidas aconteceu para mim quando me tornei mãe. Este é o meu tesouro. Esta é a justificativa para a luta diária, para o progresso interior, para valorizar cada momentos, cada dia.

Nesse contexto extremamente pessoal, ser mãe sempre foi um desejo em minha existência. Desde muito cedo resolvi que se não me tornasse mãe biológica, seria por adoção. Porém não necessitei recorrer a adoção. Deus me fez mãe. Os meus filhos, dois, um homem e uma mulher. Cujo pai, Charles, não mais está entre nós. Sadios, inteligentes, amorosos, lindos aos meus olhos. Tudo o que uma mulher pode idealizar em relação à maternidade.

Primeiro, aos 28 anos, já considerada prímipara idosa, tive a felicidade de ver nascer Fred, meu filho primogênito. Nessa hora passei a dimensionar a palavra com outro significado. Eu que me acostumara a ser filha, mãe, tia...me transformara em mãe. 


Aquela criaturinha pequena, indefesa, sangue de meu sangue, carne de minha carne, trouxera para mim a mais forte experiência que se possa imaginar. Neste período vária pessoas foram importantíssimas, entre muitas: uma médica amiga, neo-natal, de nome Eugênia Emília; uma amiga transformada em mãe de leite, Ana Gláucia; “Maria Jorge” uma Senhora que há muito trabalhava na minha família e que por sua amizade e dedicação tornou-se uma grande amiga de todos nós; minha mãe, Luzia, amiga número um e companheira de todas as horas e muitas outras, familiares ou não.

No primeiro ano, como mãe, vivenciei os medos característicos de mães de primeira viagem; fiquei maravilhada ao menor gesto, ao primeiro sorriso. Com emoção vi que já se virava no berço, que já se sentava, que dava os braços pedindo colo, os primeiros passos. Tudo era beleza ante os meus olhos, tudo era festa para o meu coração.

Ao batizá-lo o vesti de calça comprida em cetim, camisa de manga longa e nervuras no peito e, uma linda gravata borboleta. Correu a Igreja toda, chamou a atenção, sorriu com o sal e chorou com água gelada da Pia Batismal enquanto os Padrinhos, Paula e Fernando sorriam apresentando-o a Comunidade Católica.

Assim foi com Fred, a quem o Pai chamava de Campeão ou de Vida e tantos outros nomes carinhosos. Mas o tempo passou, a criança cresceu, o menino sonhador, criativo, capaz de mergulhar horas num mundo imaginário povoado por criaturas fantásticas, onde a aventura o transportava, dando-lhe contentamento, paz,  se desenvolvia a olhos vistos
Um belo dia descobri: meu filho cresceu, é um homem. Constituiu sua família, trouxe-me mais uma filha, Lílian por quem agradeço todos os dias, pedindo a Deus que abençoe cada dia dessa menina que se tornou a mãe de minhas netas. Lílian, nora que em nada segue os parâmetros tradicionais de rivalidade. Uma pessoa querida, incentivadora de novos desafios, uma grande mulher. Hoje, quase transformada apenas na Mãe de Ceci e/ou, na Mãe de Carol, pelo menos para os mais novos da família. Com a chegada de Lílian veio também um novo status: virei avó.

No ano de 1982, mais uma vez fui transportada a um mundo cheio de amor, ternura, cuidados e zelo. Nasceu a minha boneca. Minha filha. Desde o seu nascimento caí de amores por aquela criança de rostinho redondo, olhos grandes e uma boca que de tão vermelha parecia ter nascido de batom. Luzia, este é o seu nome, fechou meu ciclo reprodutivo e o fez em grande estilo.

Nasceu no sertão da Paraíba, viera ao mundo quando, no oitavo mês de gestação, resolvi passear e visitar minha irmã em Santa Luzia. Sua chegada foi um tanto tumultuada, nasceu em Piancó, alto Sertão. Era tão linda que emocionava, foi crescendo e mostrando que além de linda era inteligente, comunicativa, carinhosa e tagarela. Foi batizada em Santa Luzia, vestindo uma linda camisa de batismo – branca e toda bordada. Seus Padrinhos José Álvaro e Lúcia, meu irmão e sua mulher a quem até hoje devotamos amor e carinho.

Foi crescendo, sempre cercada de primas e amigas, corria a vontade com Luíza, Juliana, Ana Zéa. Mas havia alguém que se destacava no quesito cumplicidade: Kaline, a prima com quem dividia meus perfumes, falava em código, comungava do mesmo medo de desconhecidos e da preocupação de perder entes queridos. Entre as amigas Virgínia, Lílian, Regina e Michelle. Nesse universo havia espaço para meninos, o seu irmão Fred, seu primo Alvinho, nossos vizinhos Moisés e Jorge e um pouco mais tarde Leones (Léo) que se tornaria cunhado de Fred. Hoje, lembro das vezes que enchi o carro para levá-los a um show e, na madrugada, ir buscá-los. Sempre, prazerosamente.

A menina transforma-se numa mocinha. Primeiro, houve um comportamento compatível com sua idade. Como todas aprendia músicas, adorava os “Mamonas Assassinas”, falava em paqueras. Namorar mesmo nunca me deu problemas. Um namoro rápido com um primo e vários anos tranqüila. Fiquei muito agradecida a Nosso Senhor. É que eu quando mais nova gostava, “só um pouquinho”, de namorar. Luzia, foi a adolescente que toda mãe deseja.

Já uma moça, continuou dando alegrias a mim e ao Pai. Fez sua Faculdade, concluiu seu curso e, casou. Ganhei mais um filho, Léo – Leonardo, quem o conhece sabe que não preciso gastar palavras para dizer quem ele é. Costumo dizer que é puro, diferente. 


Um rapaz bonito, sorriso largo, inteligente, dotado de uma força moral demonstrada desde o primeiro contato. Um genro que não precisou se esforçar para ser visto como um filho. Uma pessoa querida a quem entregar minha filha, um dos maiores tesouros da minha vida, foi como aninhá-la em novo e protetor abraço.

Entretanto não haveria justiça nesta reflexão se aqui não fossem incluídos os meus irmãos. Pessoas a quem dedico um grande amor. Diferentes entre si e tão iguais no trato das grandes necessidades, na afetividade e na certeza de sermos a síntese dos anos de dedicação, carinho, amor. Afeto responsável, capaz de dizer sim quando deveria e, dizer não, quando se fazia necessário. Meus irmãos, sobre quem eu costumava brincar, atribuindo aos dois primeiros às características marcantes de serem: a primogênita e o “filho homem”. Eu, a terceira, dizia, entre risos, que era fruto do   descuido, aquela que viera sem ser planejada, numa época em que o planejamento familiar era feito com a famigerada tabela.

Bom, independentemente de tal fato jamais me senti menos amada de que meus irmãos mais velhos ou mesmo do que os mais novos. Sim, porque somente para que eu não fosse a última – fechasse o ciclo da reprodução – vieram mais dois Eu me tornei a do meio. Algumas vezes ouvi minha mãe dizer: “vocês mais velhos já estão bastante crescidos para fazerem uma besteira dessa” e, no dia seguinte ouvia: “vocês, os três, são muito pequenos para tomarem decisões.....”, nessas ocasiões não conseguia processar no meu cérebro se eu já estava crescidinha ou se era uma pirralha. Dúvida cruel.

Assim são os meus irmãos, Paula, a mais velha, naturalmente séria. Competente em todos os segmentos de sua vida. Capaz de dedicar-se com afinco sob os processos da Defensoria Pública como se fosse à última chance dada na vida daquele que está sob a chancela da Lei. Sua capacidade de doar-se como mãe e mulher tornam singular o seu casamento, tendo na figura de Fernando um pai amigo para suas filhas, carinhoso, uma pessoa digna.

Suas filhas, adultas, conscientes e a exemplo de seus pais com Formação Superior sendo, respectivamente a mais velha, Representante do Ministério Publico - Fernada; a segunda, Veterinária com Doutorado - Giovanna e, a mais nova, com formação superior em Ciências Contábeis e em Ciências Jurídicas e Sociais, com Doutorado - Gabriela. Criaturas maravilhosas as quais sinto-me honrada por tê-las como sobrinhas, respeitando as características de cada uma, que vão da generosidade, passando pela saudável sagacidade e, finalmente pela persistência e competência. Assim são essas grandes garotas.

Meu irmão José Álvaro. a quem dedico um profundo sentimento. Irmão, amigo, protetor e companheiro. Sempre contei com ele nos momentos de grandes dificuldades em minha vida. Um ser humano fantástico, de memória seletiva ou, como dizem os filósofos, de esquecimento seletivo. Capaz de esquecer muitas coisas para lembrar apenas o que é importante, o que lhe é significativo.

José Álvaro que na sua missão de salvar vidas, no exercício da Medicina, conseguiu vencer sua própria natureza. Menino avesso a tudo o que denotava sofrimento. Incapaz de suportar a visão do sangue, de enfrentar as dores alheias ou as de sentido próprio. Amado e festejado não só por familiares. Na rotina de agradecimentos pessoas simples, idosos e idosas, abandonados da sorte, filhos de ninguém, criaturas de Deus, sempre com uma prece nos lábios, com boa vontade e amor no coração colocando o “Doutor” em verdadeiros pedestais por ter, em algum momento aliviado o sofrimento, ajudado a preservar dignidade, a funcionalidade, a vida

 O meu irmão cujo registro nesses sessenta anos revela responsabilidade, zelo, carinho e, acima de tudo, amor à família, aos seus, e aos que dele necessitam. Sua prole, filhas e genros, filho e nora, neta e netos, representam a continuidade da história familiar, uma marca indelével onde se repete, também, a trajetória dos pais. Nessa parte do núcleo familiar uma tendência dominante, a presença de uma Advogada/Enfermeira - a nossa Ana Carolina, cujos olhos lembram um riacho de águas claras;  uma Contadora, Ana Zéa - cujo sorriso de menina  desarma qualquer pessoa,  e um Advogado - Álvaro Neto, ex- amante de vaquejada e ora atual marido de Neudja e pai de Alvinho. Todos, brilhantes e promissores.

Socorro, minha irmã mais nova, Centrada, extremamente competente, dona de um senso de justiça que extrapola, em muito, o que se vê rotineiramente. Os seus olhos, grandes e castanhos, desde criança refletiram o grande amor que há em seu coração. Por vezes e aparentemente exigente, se o é,  inicia consigo mesma posto que perfeccionista. Como rotina busca dar o melhor de si. Sempre primando pela ética.

Nossa família, multidisciplinar no quesito profissional, com. Socorro abriu sua excursão na área de exatas. Engenheira Civil, buscou no Serviço Público Federal a sua realização. Desde a mais tenra idade demonstrou firmeza de caráter e senso de justiça. Incapaz de um gesto vazio, minha irmã sempre exigiu de si muito mais do que dos outros. Diuturnamente comprometida com os seus, com sua convicções.

Hoje, reside com sua família, marido, Carlos e filho, Iuri, em Salvador. É a que se encontra mais distante, em termos geográficos pois, no quesito assistência,  não passa um único dia sem ter contato com nossa mãe. Está  sempre presente, sempre disposta a ajudar. Acolhedora, recebe como poucos. Ser sua hóspede é ter a certeza de atenção e diversão.

Finalmente, fechando o ciclo família temos Fábio. Meu irmão mais novo com características tão próprias. Vai, em segundos da condição de muito amado a de abusado. Dono de um jeito de ser todo diferente não se reprime, fala o que sente vontade, capaz de gestos que nos leva ao desespero e ao mesmo tempo de atitudes amigas, fraternais.

Inteligente, se submeteu e foi aprovado em vestibulares como Engenharia Civil na UFPB, tendo cursado até o quarto ano; Administração, também na UFPB, sem concluir o curso e, finalmente concluiu com brilho na  primeira turma da UFPBA do Curso Superior em Técnicas de Corretagem Imobiliárias.

Irreverente é pai de Luíza, Juliana, Júnior, Daniela, Fabiana, Ana Carolina, Isabela, Mariana e Rachel. Sua prole, diga-se de passagem, agraciada com a beleza, reflete seu universo diferente, onde as paixões correram soltas. Meu irmão é assim, caracteristicamente extremista, com padrões de comportamento próprios, mas nem por isso menos amado.

Ao longo desses anos colecionei amizades. Pessoas queridas, parentes ou não, tias, tios, primas, primos com quem contei ou conto em momentos de amenidades, de necessidades, de alegria ou de sofrimento. Cada um com o seu modo de ser. 


Da época de menina destaco Fátima, uma prima muito querida e Silvana, também prima que, inclusive morou conosco. Da adolescência, Neuman, minha tia quase irmã. Dos colégios destaque para, Valdenise e sua irmã Eliane, no Colégio Nossa Senhora das Neves; Rosângela, Lúcia oliveira, Franceclaire, Ivynha no Colégio Lins de Vasconcelos. As demais perdoem minha falta de memória.

Em minha casa, já dona de minhas decisões me tornei amiga de uma pessoa fantástica. Uma senhora da idade de minha mãe, Maria do Carmo Moura, esteticista e dona de um enorme coração e que me ajudou na vigilância diária uma vez que o trabalho me mantinha de certa forma longe de meus filhos mais tempo que o desejado. Como domésticas amigas contei ainda com Helena e Vera.


No trabalho muitas são as pessoas queridas, assim e em razão da proximidade e confiança não posso esquecer Estelídia, Nabor, Graça,  Marcus na antiga FUNDAP;  Salete, Cynthia, Zilka, Rachel, Solange, Souto, Eudes (amigo desde a adolescência) na PGE e tantos que me honram com sua amizade que fica difícil enumerar sem cometer injustiças. Peço desculpas e esclareço que cabem todos dentro do meu coração.

São sessenta anos, neles um registro especial. Há cinco anos acreditava que já havia fechado um ciclo em minha vida. Que num natural declínio não mais havia espaço para outras coisas que não fossem filhos, família e trabalho.


Jamais me senti velha ou acabada. Acreditava sim que já vivera todas as emoções nesse sentido. Mas eis que, mais uma vez, a vida me surpreende. Assim, do nada, como se ouvisse a narrativa da história de outra pessoa me vi envolvida numa nova situação. Eu que já me definia como “aposentada” vi surgir em minha história um novo recomeço.

No final do ano de 2006, eis que surge alguém que passa a fazer parte de minha história. José Humberto é o seu nome. Com ele revivi um aspecto de minha vida que estava adormecido.


Recomecei a viver as situações que envolvem relações adultas. Em minhas lembranças havia a decisão de não casar novamente. Ficara com dois filhos e sempre tive a preocupação de como seria a nossa existência a partir de um novo casamento.

O novo casamento me trouxe um companheiro com virtudes e defeitos semelhantes aos meus. Claro que dois adultos acostumados a decidirem o que lhes diz respeito, invariavelmente, têm que encontrar pontos de equilíbrio para somar na relação. 


Meu marido, uma pessoa maravilhosa e que como todo ser humano por vezes tem atitudes diferentes das que seria a desejada por mim. Nada demais, situações normais que cercam duas pessoas com histórias de vida, formação, interesses e grupos familiares diferentes. José Humberto por nossas escolhas é o meu amor maduro, consciente, acredito piamente que será o meu canto do cisne.

É isso e aqui estou eu. Não vou ser otimista a ponto de definir esta como a melhor idade. Somente sei que me sinto bem. Olho para dentro de mim e não encontro erros que me constranjam, que não possam ser justificados pela conjuntura que cercava a situação. Lógico que foram erros, hoje sei que não os repetiria. Sei também que cada idade tem posturas que lhes são peculiares, as atitudes que tomamos aos 20, aos 30 ou mesmo aos 40, creio eu, jamais seriam repetidas aos sessenta. 


Mais engana-se quem me imagina como uma recatada senhora. Convivo com o tempo conforme ele vai caminhando. Fui menina, fui mocinha, fui jovem, adulta, hoje, idosa diante da Lei. Mas qualquer que tenha sido a época, em todas fui mulher, gênero feminino. Assim, continuo a vivenciar essa dádiva divina. Se não dá mais para usar biquíni, besteira, uso um maiô cuidadosamente escolhido para esconder o que não me favorece e realçar o que realmente me embeleza.

Se não posso usar os adorados sapatos vermelho de salto agulha, troco-os, conservando a cor e adaptando o salto. Se não há como ostentar aqueles maravilhosos decotes, a gente inventa, coloca transparências, uma fenda, um detalhe em renda, o importante é sentir-se bem.


Até porquê se existem limitações decorrentes da idade, nos tornamos mais sábias, Usamos nossa inteligência para driblamos o que possa nos causar restrições. Esse é um aspecto interessante dessa nova fase do nosso viver.

Se os cabelos embranqueceram, deixa-los natural é hoje “chic’. Muitas são as estrelas hollywoodiana que fizeram essa opção. Se antes era sinal de decrepitude, hoje já tem um significado de independência, rompimento com a tirania dos padrões de beleza ditado por salões e academias. Desfilo os meus me sentindo poderosa. Sim porquê aos SESSENTA NÃO ME SINTO SEXAGENÁRIA E SIM SEXY, DE NOVO. POIS SE O FUI AOS TRINTA, HOJE ME SINTO DUPLAMENTE SEXY, SEM OBRIGAÇÕES ESTÉTICAS , SEM MEDO DE SER FELIZ.


Bom essa é a minha análise, se concordam agradeço mas, se discordam  e quiserem expor suas observações estou aberta a ouvi-los.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

PERFUME, AMOR E VIDA. - PARTE II

O DESPERTAR

Os Cheiros, os odores, têm, ao longo dos tempos, permitido aos humanos, desenvolver sensações, que trazem a tona emoções as mais variadas possíveis. Por vezes aguçam a imaginação tornando-se uma cortina tênue a brincar com os nossos mais recônditos sentimentos. Noutras ocasiões tiram de dentro de nós lembranças que por si só causam certo mal estar.

No terreno da afetividade, o nosso sentimento em relação a alguém tem o condão de transformar o seu cheiro em algo particular, característico, único. Um parceiro no jogo da sedução, distingue o objeto de nosso desejo, marcando a sua passagem.  Já foi dito que “o perfume é mais que um simples acessório, ele faz o papel da nossa presença”.

Por outro lado é sabido que o sentido do olfato está unido ao sistema límbico do cérebro, que regula os sentimentos, a sexualidade, o temor e o alívio. O cheiro ideal é o que causa conforto e deleite, porque altera a condição da alma, melhora o humor. Muitas são as fragrâncias e, cada uma delas, pode suscitar reações  bastante diferentes entre si. Desse modo o aroma pode ser terapêutico, como é o caso do eucalipto que abre as vias respiratórias; doce, como no caso de amêndoas e outros;  ácidos cítrico, floral, amadeirado e, até, irritantes, como o que se desprende de algumas substâncias químicas. Determinados cheiros têm uma resposta intensa na memória, na disposição de espírito, na energia, na  libido - quando acendem a nossa sensualidade - refletindo, inclusive,  na saúde em geral. 
  
A história registra com ênfase  que a rainha Elisabeth da Hungria, no ano de 1370, criou uma fórmula a partir da concentração de óleos e essências com o nome de “ l’eau de la reine de Hongrie”. Esse  foi o primeiro perfume com fórmula própria, de que se tem conhecimento. Apesar de no século  XIII ser  notório o destaque da França no terreno da perfumaria e de ter sido nesse País que surgiram as primeiras escolas voltadas à formação de aprendizes e profissionais da área, foi, tão somente na segunda metade do século XVIII,  após a Revolução Francesa, que ocorreram avanços significante na produção de perfumes.

Chegara ao fim a parte histórica da perfumaria na qual as  composições se restringiam  a águas misturadas com flores. Começam a aparecer fórmulas que juntam fragrâncias de couro, almíscar e musgos. A partir dessa época o perfume é relacionado a encanto, sedução, simpatia e também ao erotismo. Assim, desde do séc. XIX, a narrativa do percurso deste produto começa a caminhar associada à moda. Nesse contexto a França é apontada como a origem da perfumaria e Paris como o centro da indústria do perfume.

Coerentemente com a evolução o desenvolvimento  da   perfumaria não para, especialmente  no    aspecto técnico.  Até   o século XVIII e início do século XIX a maciça produção das  fragrâncias   era extraída de substâncias   aromáticas     contidas  nas  plantas. Todavia,   a ciência impulsionou o melhoramento nos laboratórios, resultando num    salto   qualitativo.   Há,    com    essas mudanças,   a   utilização   de   substâncias sintéticas  que   imitam  a natureza e, que também ao   ser misturadas, resultam em perfumes exóticos.

Na história da humanidade, com o advento da revolução industrial, fecham-se portas, inicia-se uma nova era, ocorre a adoção de outras posturas. É nessa efervescência que os perfumistas começam a demarcar terrenos, produzindo perfumes que, efetivamente,  marcam épocas, tornam-se símbolo.

Vários foram os processos utilizados na obtenção de perfumes. A evolução de tais procedimentos caminhou pari passo com o desenvolvimento da sociedade humana. A princípio havia a queima de materiais que exalavam aroma agradáveis, o esmagar de flores, a maceração com a mistura dessas em óleo e gorduras,  a destilação, a compressão, a exsudação e outros métodos.

As essências e perfumes resultados do progresso na tecnologia,  paralelamente tornaram possíveis mudanças nas exigências  do público alvo, assim e de acordo com a época,   a preferência alterna entre  os perfumes cítricos, os florais, doces, exóticos,  amadeirados, além de outros,  o que perdura até a atualidade.

O perfume está presente no dia a dia. Convivemos com os que nos individualizam, os que perfumam as nossas casas, os que acalmam, como bálsamos, os que higienizam, os que compõem produtos de tocador como os desodorante, pós, talcos,  leites corporais, óleos, sais de banho, maquiagem e tantos outros itens identificados com a nossa sociedade.

Respeitando sua maneira de ser, cada pessoa busca aquilo que mais se adapta, mais se aproxima de sua personalidade. Há um cheiro para cada tipo de indivíduo seja ele contemporâneo, poético, atrevido, caliente, amoroso, suave. O perfume por vezes é o cartão de visitas do pretendente, do candidato ao emprego, da mulher apaixonada, da criança bem cuidada, do jovem que não se descuida, da jovem que se dispõe a encantar. 


O perfume tornou-se uma das principais formas de comunicação entre os amantes. A cuidadosa escolha de uma fragrância pode sinalizar o sentimento e a intenção dos parceiros.


Há Perfumes e perfumes. A diferença entre esses está em que alguns tornaram-se sinônimos de bom gosto,  caracterizando homens e mulheres, traçando um script destinado a uni-los no fogo da paixão. O perfume é mais do que um simples acessório, ele faz o papel da nossa presença. 

O PERFUME PODE TORNAR-SE O SÍMBOLO DE UMA VIDA –

Segundo o amplamente divulgado em diversos sites, artigos, enciclopédias  é um lugar comum a listagem dos mais famoso perfumes da história da humanidade, de forma que,   repetimos aqui o que é reiterado em termos de melhores do mundo, senão vejamos:

 O número 1. É impossível não se iniciar tal relação  sem mencionar Coco Chanel que além de marcar a moda,  deixou na perfumaria o registro que há 90 anos resume o lifestyle de sua grife: o Chanel N.º. 5, aquele que é considerado o mais vendido de todos os tempos. “Essa é a história do que acontece quando alguém cria algo que se torna tão grandioso que passa a definir sua vida”, descreve Tilar Mazzeo, autor do livro The Secret History of Chanel No.5. 

A fama do Chanel No. 5 atravessou décadas desde que foi incluído na nécessaire de Marilyn Monroe – que dizia usar apenas  duas gotas do envolvente perfume antes de dormir –, igualmente a, Jackie Kennedy, Nicole KidmanScarlett Johansson e até a Marlon Brando, se atribuiu a suposição do  uso desse  perfume. 

Com o tempo, ele se tornou o cheiro oficial da loja,  da marca e símbolo de status e do  amor. Mais do que um item de luxo, a fragrância lendária carrega o peso da assinatura de Mademoiselle Coco, que ao lado do perfumista Ernest Beaux combinou essências de rosas e jasmim para criar “um perfume como nenhum outro."

Um perfume que tem a essência de uma mulher”, disse Chanel.  O lançamento aconteceu em 1920, era o perfume mais caro da época e, depois do status de luxo alcançado pela obra, um episódio marcou Coco: a mudança da fabricação da França para New Jersey, nos Estados Unidos, durante a Segunda Guerra. “Isso é monstruoso”, teria dito a estilista. Mas um lado dark estava em cena ao mesmo tempo. Uma década depois da criação do Chanel No. 5, Coco vendeu 90% de suas ações, os novos donos internacionalizaram a produção para escapar da invasão alemã à França, mas a própria estilista flertou com o movimento nazista tendo um affair com um oficial da SS durante a ocupação.”
 
 2º - Coco Mademoiselle, Chanel - Criado há dez anos, nasceu com a missão de firmar a Chanel entre as marcas preferidas das jovens. Inspirado em duas consagradas fragrâncias da maison, Chanel Nº 5 e Coco, ganhou o acréscimo de notas frutais, como as de laranja e bergamota, que garantiram caráter mais moderno ao perfume. O toque final na receita de sucesso veio com o frasco: rosa, para cair no gosto das meninas, e com formato semelhante ao do Chanel Nº 5.

3º - J'adore, Dior - Desde o lançamento, em 1999,   a marca francesa investiu pesado para que J'adore fosse vinculado a um universo de luxo e riqueza - a começar pelo anúncio veiculado na época, no qual uma modelo submergia em uma piscina de ouro. O formato do frasco lembra o pescoço alongado por colares das mulheres da tribo massai, na África. Pêssego, orquídea e mandarina são as notas da essência que, até hoje, já originou quatro outras versões. A casa Dior colocou sofisticação e glamour em sua criação a partir da fragrância, passando pelo  designer de suas embalagens, fechando com brilhantismo face um marketing criativo, valorizador e com resposta altamente satisfatória junto ao público consumidor.
 

4º - Light Blue, Dolce & Gabbana - Em 2001, os estilistas italianos Domenico Dolce e Stefano Gabbana desenvolveram um perfume que, como poucos, fez sucesso rapidamente. "Ele combina notas de diversas famílias olfativas, como frutal, floral e amadeirada, mas nenhuma delas tem destaque. Isso assegura aroma delicado, bastante aceito entre as mulheres de todo o mundo", afirma Verônica Kato. Para compor a essência, misturam-se toques de bambu, jasmim e maçã verde. 
 
 
5º - Angel, Thierry Mugler - Lançado em 1992, foi o primeiro perfume a levar notas gourmands, como as de caramelo e mel. "Como o cheiro era bem doce, diferente do que existia até então, ele demorou dez anos para cair no gosto das mulheres", diz Júlia Fernandez, gerente de design olfativo da casa de fragrâncias International Flavors and Fragrances (IFF), em Nova York. Mais de uma dezena de edições limitadas já foram lançadas. Todas, em geral, próximas ao Natal. 


O Perfume Angel de Thierry Mugler é  descrito pelo perfumista como "resultado de uma inusitada e envolvente mistura de inúmeras notas. Nesse sedutor perfume feminino as notas se misturam variando entre brutalidade e ternura, resultando na original e envolvente fragrância frutal oriental. As notas em destaque são o patchouli, o caramelo e a baunilha, seguidas das mais saborosas frutas e encantadoras flores; tudo reunido num charmoso frasco no formato de estrela, que nos leva ao céu."
6º - Pleasures, Estée Lauder - Idealizado em 1995, é uma fragrância floral, com violeta, peônia, jasmim e rosa. "Queridinhas das mulheres, as notas de flores, com apelo romântico, são encontradas em boa parte das essências lançadas nessa época", afirma o perfumista Adilson Rato, da casa de fragrâncias Firmenich, em São Paulo. O sucesso de Pleasures levou a marca a criar cosméticos e outras quatro versões da essência.



7º - Chance, Chanel. Aproveitando o sucesso de Coco Mademoiselle, Chance foi lançado em 2003 com o mesmo propósito: atrair as jovens. Para isso, o frasco ganhou roupagem mais informal e foram incluídas notas de cidra e baunilha. "É o que chamamos de memória olfativa. A estrutura do perfume permanece quase a mesma, fazendo com que a mulher reconheça o cheiro. Mas as novas notas trazem frescor", diz a perfumista Verônica Kato.

Mais uma vez a perfumaria criada por Coco Chanel  olha adiante e descobre a mulher que privilegia a "juventude que a brisa canta".

8º - Trésor, Lancôme"Trésor - Seguiu a mesma filosofia de Angel, de Thierry Mugler: fugir da moda das fragrâncias frescas e investir em uma essência marcante", diz Júlia Fernandez, da IFF. Criado em 1990 para se tornar símbolo da Lancôme e desde então presente na lista dos mais vendidos, traz notas de sândalo, almíscar e âmbar. O sucesso foi tamanho que outras marcas se inspiraram no perfume para criar loções hidratantes e xampus.


9º - Allure, Chanel - A fragrância surgiu no final dos anos 1990, momento em que perfumes considerados inovadores ganharam espaço", diz Júlia Fernandez. Traz notas de jasmim e rosa de maio, presentes em Chanel Nº 5, além de toques de cidra e tangerina. Uma versãocom apelo mais sensual, o Allure Sensuelle, com notas apimentadas, veio logo em seguida.

Com um nome e uma fórmula destinadas a suscitar intimidade Allure Sensualle é um perfume para vestir os namorados em momentos de paixão.


10º - Eternity, Calvin Klein - Em 1987, Calvin Klein presenteou a então esposa, Kelly, com uma aliança que continha gravada a palavra eternity, eternidade em inglês. O perfume nasceu no ano seguinte como uma homenagem a todas as histórias de amor. "E ternity é o símbolo romântico da mulher moderna e por isso virou objeto de desejo", diz Júlia. Leva notas de lírio, frésia e sálvia. R$ 261 (50 ml) Eternity, Calvin Klein.



O PERFUME ESTÁ NO CANCIONEIRO POPULAR: 

COM MESTRE CARTOLA

AS ROSAS NÃO FALAM

Bate outra vez
Com esperanças o meu coração
Pois já vai terminando o verão,
Enfim

Volto ao jardim
Com a certeza que devo chorar
Pois bem sei que não queres voltar
Para mim

Queixo-me às rosas,
Mas que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti, ai

Devias vir
Para ver os meus olhos tristonhos
E, quem sabe, sonhavas meus sonhos
Por fim



NA POESIA:
PERFUMES

Tanto perfumosa é tua pele
Quanto à fulô dos cafezá
Que gruda no vento e saí
Levando teu cheiro pra li pra acolá,

A essência do teu cheiro é a
Única que quero lembrar, e
Mesmo depois de anos, dizer-te
Perfume igual o teu não há,




É cheiro com gosto de inocência 
Repleto de ternura e malícia,
Sei lá, mais acho que és tu
A pura essência da vida.

Foste deusa em meu jardim
E a mais bela flor, e nem mesmo
As margaridas exalam teu teor
Pois és tu minha essência de amor.

ENTRE OS PENSADORES -

Todos querem o perfume das flores, mas poucos sujam as suas mãos para cultivá-las.

A recordação é o perfume da alma. É a parte mais delicada e mais suave do coração, que se desprende para abraçar outro coração e segui-lo por toda a parte.


O amor é o perfume das almas. 
Dom Hélder Câmara